Uma população em crescimento(?)
A Teoria dos Nibirutas: Conspiração e Pseudociência
A teoria dos "nibirutas" baseia-se na crença da existência de Nibiru (ou Planeta X), um suposto corpo celeste que estaria em rota de colisão ou passagem catastrófica pela Terra.
Origens Pseudocientíficas
A ideia foi popularizada por Nancy Lieder em 1995 e bebe das interpretações de Zecharia Sitchin sobre a mitologia suméria. Sitchin afirmava que Nibiru seria o "12º planeta", habitado pelos Anunnaki, com uma órbita elíptica de 3.600 anos.
Por que é considerada Pseudociência?
1. Falta de Evidência Observacional: Um planeta desse tamanho já seria visível a olho nu e teria efeitos gravitacionais detectáveis nos outros planetas do Sistema Solar.
2. Leis da Física: As órbitas propostas para Nibiru são instáveis e contradizem as leis de Kepler e a mecânica celeste.
3. Previsões Falhas: O "fim do mundo" causado por Nibiru já foi marcado para 2003, 2012 e várias datas subsequentes, sem que nada ocorresse.
O Fenômeno Social
O termo "nibiruta" ironiza a mistura de paranoia, negação de dados científicos da NASA e a interpretação fantasiosa de fenômenos ópticos (como reflexos em lentes de câmeras) como se fossem um "segundo sol".
Para aprofundar o erro científico de considerar Nibiru e sua órbita de 3.600 anos como realidades físicas, precisamos olhar para as leis fundamentais da astrofísica que regem o nosso Sistema Solar. Aqui estão os pontos principais:
1. Inviabilidade da Mecânica Celeste (Leis de Kepler)
Se um planeta tivesse uma órbita extremamente elíptica que o trouxesse das profundezas do espaço (além de Plutão) até o Sistema Solar interior a cada 3.600 anos, ele seria o que chamamos de um "objeto perturbador".
Instabilidade: Uma órbita tão alongada cruzando o caminho de gigantes como Júpiter e Saturno seria instável. Ao longo de bilhões de anos, ou Nibiru teria colidido com algo, ou a gravidade de Júpiter o teria arremessado para fora do Sistema Solar permanentemente.
Influência Gravitacional: Mesmo que não o víssemos, sentiríamos sua gravidade. A presença de um corpo massivo alteraria as órbitas dos outros planetas. Astrônomos conseguem detectar planetas minúsculos em outras estrelas apenas pelo "balanço" que eles causam; um planeta gigante no nosso "quintal" seria impossível de ignorar matematicamente.
2. A Barreira da Observação Direta
O argumento de que "a NASA esconde o planeta" cai por terra diante da astronomia amadora e profissional global.
Visibilidade: Se um planeta estivesse em rota de chegada, ele já seria um dos objetos mais brilhantes do céu noturno, visível por qualquer pessoa com um telescópio de quintal ou até a olho nu. Não existe "capa de invisibilidade" para um planeta.
Radiação Infravermelha: Planetas emitem calor. Telescópios espaciais como o WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) mapearam o céu em infravermelho e não encontraram nenhum objeto do tamanho de Júpiter ou mesmo da Terra vindo em nossa direção.
3. A Contradição da Geologia e História
Se Nibiru passasse pela Terra a cada 3.600 anos causando catástrofes:
Registro Geológico: Teríamos evidências cíclicas de extinções em massa, tsunamis globais e mudanças de eixo gravadas nas camadas de rochas e no gelo da Antártida exatamente a cada 3,6 milênios. Esse padrão simplesmente não existe.
Continuidade Astronômica: As civilizações antigas, como os próprios Sumérios ou os Maias, eram observadores precisos do céu. Se um "segundo sol" aparecesse periodicamente, todos os registros astronômicos mundiais seriam centrados nesse evento, e não apenas interpretações modernas de selos cilíndricos isolados.
4. O Erro da Interpretação de Sitchin
A base de toda a teoria é a tradução de Zecharia Sitchin dos textos sumérios. Linguistas e especialistas em escrita cuneiforme afirmam que Sitchin cometeu erros graves de tradução:
O termo "Nibiru" nos textos babilônicos e sumérios referia-se frequentemente ao planeta Júpiter ou a uma estrela específica usada para navegação, e não a um planeta desconhecido com órbita errática.
Conclusão: Aceitar a existência de Nibiru exige descartar tudo o que sabemos sobre gravidade, ótica e geologia. É um modelo que sobrevive apenas no campo da crença, pois se desintegra ao menor contato com o método científico.

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