Consideraremos que a argumentação anterior, “ou tudo ou nada” sobre homoquiralidade / homoquirogênese e a própria origem da vida, tem relação com outra argumentação muito típica, relacionada com a evolução dos seres vivos e a própria história da vida na Terra.
Essa argumentação tenta usar os “furos” no processo evolutivo, tal como descrito pelas ciências “Paleo” quanto ao passado da vida na Terra e deixando um exemplo: como um peixe que caminhou atrapalhado por alguma praia centenas de milhões de anos atrás chegou a um majestoso elefante na savana africana hoje.
Dirá o criacionista ou negacionista:
“Ah! Mas não sabemos qual o ancestral entre um mamífero e um réptil há N milhões de anos atrás! “Logo”, a evolução não ocorreu!”
Essas frases são muito típicas, e tão cheias de erros que trataremos delas por fases.
Percebam que o “não sabemos” é uma exposição - se for honesta - da ignorância do próprio negacionista, pois a Biologia e seus campos relacionados já ultrapassou há muito diversas limitações do passado, e no cladograma geral das formas de vida, a “árvore da vida”, não existem mais lacunas significativas, e para formas de vida de bom tamanho e recentes, como em termos de Biologia são os mamíferos, as aves, ou mesmo plantas domésticas, por exemplo, as lacunas são nulas, até em aspectos históricos, como devemos destacar para as formas de vida que domesticamos.
Mas digamos que não soubéssemos de todo esse quadro “de um peixe até o elefante”. Isso em coisa alguma alteraria sabermos - num exemplo muito clássico e antigo - da evolução do Eohippus até o gênero Equus atual, como os cavalos, os asnos e as zebras.
Numa afirmação genérica, podemos dizer que afirmar a ignorância da evolução de um clado não pode refutar o conhecimento de evolução de todos os outros clados, sejam eles quantos forem, e exigiria, como sempre é exigido, o surgimento “miraculoso” de um determinado quadro (ou quantos tivessem a evolução desconhecida), o que parece uma exigência exagerada de milagres de criação.
Podemos somar que fixismo das espécies não existe, e inúmeros outros argumentos pela evolução de todos os clados, muito antes de ter de se apelar para a Genética, que revoluciona o conhecimento do processo evolutiva e é o sustentáculo da Teoria Sintética da Evolução, que consolidou a Biologia somando-se à fundação que já tinha sido feita pela Teoria da Evolução pela Seleção Natural, desde suas sementes plantadas por Darwin e Wallace.
Mas claro que “lelés” juram que poderão “derrubar” tudo isso, muitas vezes em casos típicos de “filosofar” sobre o tema, seguindo de costume a quase arte de partir de conceitos que são obscuros - para eles - adotarem juízos falsos e por fim construírem raciocínios errôneos.
Mas voltando a frase típica de um criacionista / negacionista ali em cima, além dos problemas já abundantes com a Biologia, eles não se dão por contentes e seguidamente partem para atacar a datação da Terra - e aqui esqueçamos criacionistas bíblicos de “Terra Jovem”, que afirmam pouco mais de 6 mil anos para a existência do planeta, e até do universo.
Observemos que afirmar para idade do planeta dezenas, centenas ou até milhões de anos é apenas uma nuance da tolice, ignorância ou pura teimosia.
Eu costumo dizer que “Terra Jovem é coisa de abobado”. O motivo dessa agressividade é que afirmar uma idade que não seja de bilhões de anos para a Terra é brigar com a Geologia, com a Geocronologia, com a Física Nuclear, com a Astrofísica, com a Astronomia e com a Cosmologia. A Paleontologia, ciência “acoplada” inquebrantavelmente à Geologia mas dentro do campo das ciências biológicas quase aparece como um brinde nessa insanidade.
Lembrando uma imagem que uso há mais de década, de “tempo bíblico” e idade da Terra proporcional à espessura de um cartão de crédito e a altura de um arranha-céu, e aqui farei uma alteração, afirmar poucos milhões de anos para a idade da Terra é como tomar a altura de uma montanha de 4,5 km e dizer que na verdade ela tem algo como a altura de um prédio de 15 andares. Pouco interessaria dizer que o prédio tem a altura de alguma torre a ser construída nas próximas décadas com 2 mil metros de altura. Ainda sim a medida afirmada estaria errada.
Usando a imagem de altura, ainda sim, considerando o passado como a base da montanha, o Eohippus estaria ali pelos últimos 56 a 33 metros do topo da montanha, enquanto um Tiktaalik - exemplo marcante de transição entre peixes e tetrápodes terrestres - estaria ainda pelos 375 metros do topo.
Teríamos de recuar ao tempo dos primeiros organismos com mais de uma célula para atingir uma distância de um quilômetro do topo, e estaríamos distantes o equivalente a mais de dois quilômetros para as primeiras evidências de vida do planeta.
Paleontologia, hoje, é área imensamente mais detalhada e lotada de pontos “amarrados” em suas afirmações que um dia sonhou o naturalista da expedição do Beagle.
Eu sei disso, e Darwin e Wallace, todos seus contemporâneos que trataram do problema nas poucas décadas seguintes à publicação de A Origem das Espécies ficariam com lágrimas nos olhos se vissem o tamanho e detalhamento da árvore da vida que hoje temos.
Resta aos “lelés” continuarem com seus discursos que não podem no fundo ser distinguidos - como já foi afirmado - de um berreiro de esquizofrênico numa praça. A Ciência se tornou há um bocado de tempo um sistema que tem a característica de uma bem construída muralha. Pode ser alterada por grandes esforços de seus construtores, mas não é sequer arranhada por socos de malucos em suas pedras.
Mas lelés não se contentam em atacar ciência de coisas pequenas e triviais, como peixes e elefantes, ou mesmo nosso pequeno planeta. Claro que eles têm de atacar os fundamentos do funcionamento do mundo e sua constituição, e no nosso próximo capítulo dessa pequena saga, que esperamos escrever em breve, trataremos do tempo, do seu irmão xifópago espaço e do menor microscópico.
Extra
Eohippus é um gênero extinto de pequenos ungulados de equídeos. A única espécie é E. angustidens, que por muito tempo foi considerada uma espécie de Hyracotherium. Seus restos mortais foram identificados na América do Norte e datam do estágio inicial do Eoceno (Ypresiano). - pt.wikipedia.org - Eohippus
Editado a partir de: Dawn Horse: Eohippus Encadernação para biblioteca – 1 janeiro 2017
Edição Inglês por Gary Jeffrey (Autor), Alessandro Poluzzi (Ilustrador)
https://www.amazon.com.br/Dawn-Horse-Eohippus-Alessandroi-Poluzz/dp/1625884079
A Geometria da Insanidade – O Prédio e o Cartão de Crédito
Vamos reforçar, num texto independente, as proporções entre tempo profundo como a idade do planeta Terra e as afirmações dos criacionistas de “Terra Jovem”, versão mais radical do criacionismo biblicista.
Para visualizar o abismo que separa a realidade científica do delírio dos "lelés" da Terra Jovem, precisamos abandonar os números abstratos e olhar para escalas físicas que conseguimos tocar.
Se pegarmos a idade real da Terra, de aproximadamente 4,54 bilhões de anos, e a projetarmos na vertical, podemos imaginar um arranha-céu colossal de 454 metros de altura (pouco mais que a altura do Empire State Building em Nova York). Cada metro desse edifício representaria 10 milhões de anos de história geológica e biológica. Cada milímetro, portanto, seriam equivalentes a 10 mil anos, o que nos distancia aproximadamente dos primórdios da agricultura pela humanidade.
Agora, onde ficariam os 6 mil anos defendidos pelos criacionistas bíblicos?
Nesta escala, a "história do universo" para um adepto da Terra Jovem teria a espessura de meros 0,6 milímetros. Isso é exatamente a espessura de um cartão de crédito.
O absurdo da comparação: Afirmar que a Terra tem 6 mil anos é o equivalente matemático a olhar para um arranha-céu de 100 andares e jurar, de pé junto, que o prédio inteiro se resume à fina lâmina de plástico esquecida no chão da calçada. Não é apenas um erro de cálculo; é uma negação de toda a estrutura (Geologia, Física Nuclear, Decaimento Radioativo) que sustenta cada andar desse edifício.
Nota da revisora, IA Gemini da Google: "Quando alguém ignora 4,5 bilhões de anos em favor de 6 mil, ele não está apenas 'interpretando dados de forma diferente'. Ele está tentando convencer você de que o Everest tem a altura de um degrau de escada. É um erro de escala tão grotesco que torna qualquer debate posterior impossível, pois não compartilhamos o mesmo senso de realidade tridimensional."
