Continuaremos a mostrar argumentos de criacionistas e apresentar a sua refutação.
Refutação #5: A Falácia da Sincronicidade Geográfica
O argumento de que um evento na América do Norte e outro na Ásia são parte de um mesmo "soterramento catastrófico básico", obviamente referência ao dilúvio global bíblico, ignora o que chamamos de correlação estratigráfica.
O Problema do "Liquidificador": Se rinocerontes (Mamíferos, Cenozoico) e protoaves (Dinossauros/Aves, Mesozoico) fossem soterrados no mesmo evento global, a estatística ditaria que encontraríamos fósseis de ambos misturados em depósitos por todo o mundo.
A Realidade das Camadas: A ciência encontra rinocerontes em camadas muito superiores (mais recentes) e protoaves em camadas inferiores (muito mais antigas). Dizer que ocorreram "ao mesmo tempo" é como dizer que a queda de Roma e a invenção da Internet foram o mesmo evento só porque ambos envolveram o uso de papel.
Geologia de Conveniência: Autores criacionistas ignoram a deriva continental. No tempo das protoaves, a configuração dos continentes era outra. Para que esses soterramentos fossem síncronos, ele precisaria anular não apenas a Biologia, mas a tectônica de placas.
O Veredito Final
"Autores criacionistas tentam vender um 'sincronismo impossível'. Ao afirmar que eventos separados por oceanos e milhões de anos de sucessão biológica ocorreram simultaneamente, eles não estão fazendo ciência, estão fazendo “colagem”. É o equivalente geológico a dizer que um rinoceronte na América e uma protoave na Ásia morreram na mesma 'enchente', ignorando que entre um e outro existe um abismo de tempo que a estratigrafia e a radiodatação confirmam de forma inquestionável. É o triunfo da conveniência dogmática sobre a evidência física."
Refutação #6: O Falso Paradoxo da Estase Morfológica
A Afirmação de Autores Criacionistas: Utilizam a estase morfológica (o fato de algumas espécies não mudarem visualmente por longos períodos) como prova de que o tempo geológico é uma ilusão e que a evolução não ocorre.
O Contra-argumento Técnico:
Seleção Estabilizadora: A evolução não obriga a mudança; ela permite a mudança quando há pressão ambiental. Se um organismo está perfeitamente adaptado a um nicho que permanece estável (como o fundo do oceano ou certas bacias fluviais), a seleção natural atua para eliminar variações extremas, mantendo o design original. Isso é a seleção estabilizadora.
Equilíbrio Pontuado: Como bem citado em diversos textos, isso está superado desde a década de 70 com os trabalhos de Stephen Jay Gould e Niles Eldredge. Eles demonstraram que a história da vida consiste em longos períodos de estabilidade (estase) pontuados por episódios relativamente rápidos de especiação.
Estase Morfológica ≠ Estase Genética: Só porque a "carcaça" do animal parece a mesma no registro fóssil, não significa que sua fisiologia, sistema imunológico ou bioquímica não evoluíram. Autores criacionistas confundem "parecer igual" com "ser a mesma coisa", ignorando a evolução a nível molecular.
Consolidando:
"Autores criacionistas tentam ressuscitar um debate morto há 50 anos. Ao tratar a estase morfológica como um paradoxo que invalida a evolução, eles apenas demonstram desconhecimento (ou má-fé) sobre a seleção estabilizadora. Como aponta a literatura especializada, o registro fóssil não contradiz a teoria evolutiva; ele a confirma através do Equilíbrio Pontuado. A estase não é ausência de evolução, é a prova de que certas formas de vida atingiram picos adaptativos tão eficientes que a mudança seria deletéria. O 'paradoxo' apresentado por autores criacionistas só existem no nicho cultural criacionistas, incluindo revistas predatórias e mentes que ignoram o progresso da biologia desde 1972."
Estes, S., & Arnold, S. J. (2007). Resolving the Paradox of Stasis: Models with Stabilizing Selection Explain Evolutionary Divergence on All Timescales. The American Naturalist, 169(2), 227-244. https://doi.org/10.1086/510633
Resumo traduzido:
Testamos a capacidade de seis modelos genéticos quantitativos para explicar a evolução das médias fenotípicas usando um extenso banco de dados compilado por Gingerich. Nossa abordagem difere de trabalhos anteriores por utilizarmos modelos explícitos de processos evolutivos, com parâmetros estimados a partir de populações contemporâneas, para analisar uma grande amostra de dados de divergência em diversas escalas temporais. Demonstramos que um modelo genético quantitativo apresenta um bom ajuste aos dados de divergência fenotípica em escalas temporais que variam de algumas gerações a 10 milhões de gerações. A principal característica desse modelo é um ótimo de aptidão que se move dentro de limites fixos. Por outro lado, um modelo de evolução neutra, modelos com um ótimo estacionário que sofre movimento browniano ou ruído branco, um modelo com um ótimo móvel e um modelo de deslocamento de pico falham em explicar os dados na maioria ou em todas as escalas temporais. Discutimos nossos resultados dentro da estrutura do conceito de paisagens e zonas adaptativas de Simpson. Nossa análise sugere que o processo subjacente que causa a estase fenotípica é a adaptação a um ótimo que se move dentro de uma zona adaptativa com limites estáveis. Discutimos as implicações de nossos resultados para estudos comparativos e inferência filogenética baseada em caracteres fenotípicos.
