O "Fantasma" na Nossa Genética: Por que os Humanos são tão Suscetíveis ao Câncer?
Você já se perguntou por que os seres humanos desenvolvem carcinomas avançados com muito mais frequência do que os nossos primos mais próximos, os chimpanzés? A resposta pode estar escondida em um "erro" da evolução que ocorreu há milhares de anos.
Um Gene que Perdeu a Função, mas não foi Embora
Durante a nossa evolução, um gene específico chamado SIGLEC12 sofreu uma mutação. Originalmente, ele ajudava o sistema imunológico a identificar invasores. No entanto, essa mutação o tornou "cego": ele perdeu a capacidade de distinguir o que era parte do nosso corpo e o que era um micróbio perigoso.
Para nos proteger, a evolução tentou "aposentar" esse gene. Na verdade, cerca de 66% da população mundial parou de produzir a proteína Siglec-12. O problema é que, nos outros 33%, essa proteína ainda está presente — e ela "se tornou rebelde".
A Proteína "Rogue" e o Risco de Câncer
Pesquisadores da UC San Diego descobriram que essa proteína residual não é apenas inútil; ela é perigosa. Em um estudo recente, observou-se que:
Risco Dobrado: Pessoas que ainda produzem a Siglec-12 têm duas vezes mais chances de desenvolver câncer avançado ao longo da vida.
Presença em Tumores: Em pacientes com câncer colorretal em estágio avançado, mais de 80% possuíam a forma funcional desse gene "rebelde".
Aceleração de Tumores: Em testes laboratoriais, tumores que produziam essa proteína cresceram muito mais rápido, ativando caminhos biológicos que tornam o câncer mais agressivo.
O Lado Positivo: A Ciência Contra-Ataca
A boa notícia é que, ao identificarmos esse "ponto fraco" evolutivo, ganhamos uma nova arma para a medicina de precisão. Como a maioria da população não produz essa proteína, ela funciona como um marcador específico para o câncer.
"Podemos usar anticorpos contra a Siglec-12 como mísseis guiados, entregando a quimioterapia diretamente nas células tumorais sem ferir as células saudáveis", explica o Dr. Ajit Varki.
Conclusão: Entender o Passado para Curar o Futuro
Este é um exemplo claro de como a evolução não é um caminho linear de melhorias, mas sim um processo de adaptação com "efeitos colaterais". Ao olharmos para o nosso passado genético — o nosso próprio L.U.C.A. (Último Ancestral Comum Universal) e as mutações que nos tornaram humanos — conseguimos encontrar as chaves para resolver os enigmas médicos do presente.
Origem desse tema
Evolution may be to blame for high risk of advanced cancers in humans
by University of California - San Diego - December 9, 2020.
https://medicalxpress.com/news/2020-12-uniquely-human-gene-numerous-cancers.html

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