segunda-feira, 16 de março de 2026

Frustrados, “lelés” e JÊNIOS! (sic) - Parte 2

Introdução: Onde o Calo Aperta e a Mente Empaca

Se na primeira parte definimos o tabuleiro, agora entramos no campo de batalha. Mas não se engane: não falo de torres de marfim ou bibliotecas silenciosas. Falo da "baderna" produtiva de quem gasta sola de sapato intelectual debatendo desde a quiralidade de moléculas pré-bióticas até o porquê de um ano bissexto não ter horas a menos. Nesta Parte 2, exponho minhas próprias feridas de guerra — inclusive os "pecados graves" que cometi em discussões de biologia — para mostrar que a diferença entre o buscador e o "lelé" não é a ausência de erro, mas a capacidade de reconhecê-lo. Prepare-se para um inventário de temas que vão da catálise mineral à teimosia dogmática, onde o E.S.D. (Eu Sei Disso) serve tanto de escudo quanto de lembrete da nossa finitude intelectual frente aos colossos da ciência.


 

Eu discuto com “amigos de internet”, que posteriormente até tornaram-se amigos ao vivo, como já ocorreu, temas como:

-  “aminoácidos hoje não essenciais, mas que não participaram da biopoese”, ou;
-  “cladogramas e seus e pontos de bifurcação de dinoaves que apresentaram conformações tetrápteras (quatro asas), tórax adelgados ou largos, ou ainda bicos e dentes, e toda a diversidade que reside ainda em mistério neste clado, e sua distribuição no tempo”, tema onde cometi um pecado grave num ponto, ou, o similar;
- “origem dos placentários como modificação dos ovíparos ou modificação dos marsupiais”, um dos primeiros temas que conversei seriamente, em Biologia, acima dos “erros criacionistas”
-  “origem catalítica mineral de quiralidade nas moléculas bioquímicas” ou;
-  “catálise de argilas em química pré-biótica”, ou;
-  “conformação de primeiras enzimas catalíticas com síntese enantiosseletiva na biopoese”, ou ainda, no meu dia a dia;
-  “implicações do comportamento de gerência em concessão de crédito na alavancagem para empresas em dificuldades e a sobrecarga correspondentes dos juros e sua implicação no deslocamento do ponto de equilíbrio”, ou;
-  “aspectos de física de superfície e reatividades em corantes azóicos na citopatologia clínica” (uma interessante briga com certo médico, amigo de muitos anos) ou;

- “aleatoriedade dos fenômenos subatômicos e sua importância nos motores da evolução biológica” ou;

- “polimerização pré-biótica”, um tema recente;
- e sabe-se lá quantos temas, um simpático “chega, e etc”.

Acredite, tal é feito com responsabilidade, um bocado de esforço, poderosas buscas bibliográficas que podem chegar a cem artigos ou livros por tema - basta ver as referências nos meus textos de divulgação, dificuldades extremas com termos especificamente com meus amigos das ciências biológicas, e inclusive, uma permanente vigilância para não cometer erros antigos, até pessoais.

E entendamos que tenho de muitas vezes contar até com a paciência de pessoas extremamente preparadas, e com currículos em campos científicos extremamentes melhores que o meu.

Mas, novamente, entendamos que eu sei disso (E.S.D.).

Como colaborador e tradutor, diria “pesado” na Wikipédia, onde já cheguei a milhares de artigos (não contabilizo mais desde os dois mil), consegui a solidez de ser pouquíssimas vezes corrigido, tomado como referência em obras (leia-se livros) e artigos acadêmicos, e como padrão, meus verbetes podem ser usados como uma fonte primordial sobre um tema, pois são sempre bem referenciados. Trabalho em paralelo a este são meus próprios artigos mais formais, e minhas blogagens de divulgação, que muitas vezes, já contém, mesmo em sua informalidade natural, rigor, em todo o peso do termo, e igualmente. conduzem à literatura séria - pois formal, e só ela o é - sobre o tema.

Tal tem valor?

O tempo, implacável juiz, tem mostrado que sim.

Mas o que apenas, tão pouco, é isso? Informação relativamente confiável?

Claro, concordo. Não é propriamente “produzir conhecimento” - jamais seria - é semeá-lo.

Mais uma vez, E.S.D..

Nas diversas vezes que fui até bastante criticado e diria perturbado, foi, por exemplo maior, por criacionistas biblicistas, alguns defensores do Design Inteligente e alguns renitentes defensores de coisas como “causalidade”, mas adiante, todos serão devidamente tratados em seus aspectos mais profundos.

Os convenci de erros seus ou de meus acertos?

Sinceramente, no fundo, não interessa, e aí residirá fantástica surpresa, já adianto, pelo final deste texto.

Poucas coisas são mais flexíveis e ao mesmo tempo tão pouco maleáveis como a mente humana. Um paradoxo de nossa natureza mental.

Possibilitou na história as mais pervertidas mulheres tornarem-se as mais finas damas e simultaneamente, gerou os mais radicais fundamentalistas seja na loucura contraditória ao mundo e aos outros homens que já viveram, inclusive, com a própria morte dos inflexíveis, e muitas vezes, com milhares e até milhões de vítimas.


Há muito E.S.D..

Mas voltemos às mentes de nossos dedicados personagens, aqui, nosso objeto de estudo, listados no título do texto.


Entendo que uma mente tomada pelo desejo até de mínimo respeito tente apresentar “coisas novas”, na verdade “novas quadradas rodas” e “novas fórmulas de pólvora”. Os entendo (sic).

Várias vezes, como recentemente, fui interpelado por pessoas nitidamente simples que tiveram ideias como:

- “a constelação do Cruzeiro do Sul não deveria ser visível à noite em boa parte do ano, pois o Sol estaria do outro lado”, aproximadamente.

Perguntei em que latitude ele tinha pensado nisso, para começar, e segue-se uma conversa até divertida, pois herdei de meus pais um certo dom para a didática, e por motivos profissionais, o procurei desenvolver.

- “o Sol deve ser frio, pois a medida que se sobe, a atmosfera esfria”.

Perguntei se ele sabia o que era uma “equação atmosférica”? Nova conversa e explicações sobre convecção e irradiação.

- “o dia 29 de fevereiro dos anos bissextos deve ter menos horas que 24, pela duração em dias e horas do ano”, um dos casos que julgo mais divertidos que já tive.

Tratei de mostrar com a explicação de uma bailarina, que rodopiando 366 vezes enquanto circunda uma quadra, dá um giro a cada segundo, e termina um pouquinho a frente de onde iniciou, mas ainda sim, jamais teve o tempo de cada rotação variado, pois a medida é de tempo “contínuo”, e não, “de dias”.

Acredito que todos aprendam, até numa doentia esperança, que tanto critico, e que certas coisas ecoarão pela história da humanidade, até seu último segundo.

Tenho uma visão doentiamente positiva e positivista (construcionista) do conhecimento, embora, de forma alguma, deixe de ser um crítico feroz de inúmeras afirmações na Epistemologia do Positivismo, meus escritos o comprovam.

Eu afirmo e mantenho isso, até como defeitos incuráveis de meu caráter notoriamente inflexível para certos pontos em Filosofia. E.S.D..

Estes são, inclusive, os frustrados, que talvez ao serem repetidamente corrigidos e apresentados a coisas certas e produtivas, deixem de ser frustrados. O próprio suicídio impedido do empresário Wolfskehl pelo desafio de demonstrar Último Teorema de Fermat é uma prova de que tal pode funcionar.

Notem que afirmei “pode”.

As limitações do método são evidentes, e há uma taxa de incorrigíveis, que embora não se suicidem, jamais se curvarão, logicamente, limitados em sua morte.

Eu já sei disso, o problema é se quem me lê neste momento aceitará depois de ser de minha avaliação do animal humano quando “empaca”.

Neste ponto, chegamos nos “lelés”.

Sejamos sinceros.

Existem dois tipos de lelés, básicos, e graduação entre seus níveis de loucura (e é este o termo).

Existem lelés bem formados, até muito bem formados, mas que desenvolveram dogmas internos de alguma questão, e recusam-se a dobrar-se frente a qualquer argumento, e mesmo incorrendo em erros fundamentais.

Formados até com graduação em Física, que acham que por raciocínios, apenas, e apenas aparentemente sólidos, podem chegar a explicações causais iniciais, prímevas, sobre a origem da natureza, em suma, de todo o surgimento do tudo-que-existe (perdão pelas redundâncias). A minha ironia-argumento do corvo vermelho aqui é sempre útil. Se não conseguem demonstrar a simples cor das penas de uma ave, como raios vão demonstrar os mais profundos segredos do universo?  

Para mais detalhes desse corvo e sua exótica cor, o sempre útil e na minha opinião entre os melhores de meus escritos:

Ovelhas no campo, a cor dos cisnes e dos corvos.

https://francisco-scientiaestpotentia.blogspot.com/2009/07/ovelhas-no-campo-cor-dos-cisnes-e-dos.html 

Independente de inúmeras questões desde a Epistemologia até a contemporânea Metafísica, passando pela Filosofia da Linguagem, realmente consideram que passarão por colossos do porte de um Kant, de um Hume, de um Heidegger, Russell e Wittgenstein, sem falar em todos os cosmólogos e filósofos contemporâneos dedicados profundamente ao tema, e mostrando em todo discurso filosófico e texto científico de alto nível - o ápice do conhecimento humano - “como é que a banda toca”, e mais que tudo, hoje, “como ela não toca”. 


Extra 

A visibilidade da constelação Cruzeiro do Sul

Nas regiões situadas ao sul com latitudes superiores a 35° S (como o extremo sul do Chile, Argentina e áreas da Nova Zelândia), a constelação do Cruzeiro do Sul é circumpolar, o que significa que ela permanece acima do horizonte e é visível todas as noites, durante todo o ano. 

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