terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Uma panorâmica de Pandora - I

Um conjunto de dados, referências e comentários sobre Avatar, de James cameron




O que o roteiro é

Guerra nas Estrelas é uma história shakespeariana de traços orientais ambientada em um universo ficcional similar à ficção científica. Avatar é Dança com Lobos ou Pocahontas no mesmo ambiente. Se não lhe agradar Pocahontas da Disney, pode escolher O Novo Mundo, do diretor Terrence Malick.

Como já foi inúmeras vezes dito, troque Pandora pelo oeste norteamericano, os Na'vis pelos "pele vermelhas" (aqui, já um golpe de psicologia humana aplicada) e unobtainium por prata, nada mais simples.

Idéias como a "ficcional-cientifiquização" de westerns ou, se preferirem, a "westernização" da ficção científica, não são de forma alguma novidade no cinema, vide Outland (IMDB, Wiki) e o mais recente Serenity (IMDB, Wiki), com roteiros elogiáveis. Mas existe mais neste tipo de processo de criação (se é que podemos chamar disto) de produtos culturais.

Os Sete Samurais (IMDB, Wiki) é a base de Sete Homens e um Destino (IMDB, Wiki), Sholay, um filme indiano de 1975, base para diversas obras incluindo o autor massivo (note que não escrevi nada diretamente elogioso) de terror Stephen King, diversos diretos e consequentes animês, a obra prima da animação de humor Vida de Inseto e onde queríamos chegar: uma das piores coisas já feitas em ficção científica, típica da breguisse quase incontrolável e epidêmica dos anos 80, Mercenários das Galáxias (Wiki), produzido pelo mestre B Roger Corman e curiosamente, com James Cameron na produção de efeitos (ou defeitos, como queiram) especiais , a maior das ironias (muito bem escondido como Jim Cameron).

Grandiosos efeitos, inúmeros defeitos
Falemos de diversos defeitos: O filme sofre de pieguismo, e um excessivo didatismo. Sofre de previsibilidade fácil. Sofre até de apelos exagerados, como a redenção do homem, anônimo e igual a qualquer outro, mas inferior a eles fisicamente, numa nova vida que o faz superior fisica e moralmente, é um messias renascido. É uma colcha de retalhos de clichês de toda a história do cinema e um bocado de literatura, como mostramos acima.

Tal conjunto de clichês rendeu-lhe inúmeros apelidos: "Dança com Smurfs", "Pocahontas Azul", etc... , apelidos de mesmo sentido e efeito sobre seu público que chamar O Último Samurai de "Dança com Japas".

Algumas análises equivocadas


Luís Fernando Veríssimo trouxe-me as idéias, que já tinha em outra forma, do crítico de cinema da revista The New Yorker, David Denby , de ironias e contradições de “Avatar”. Mas discordo do que seja uma, em análise mais profunda. O filme não é contra a tecnologia. É contra a tecnologia usada sem ética, da exploração desmedida da natureza em função do consumo. Tanto não é contra a tecnologia que um avatar é exatamente no filme fruto de altíssima tecnologia, tanto biológica quanto eletrônica. Só tecnologia não é apenas helicópteros do tamanho de navios e muito menos minerações que varram florestas inteiras (e talvez, por acaso, até alguns indiozinhos patéticos e árvores inúteis pelo meio do caminho). Destaquemos que nada "espiritual" exista no filme, e por sinal, destaca-se como um dos filmes de ficção em que já vi que menos paranormalidade ou coisas similares sejam apresentadas (aliás, é um dos filmes mais materialistas de ficção que tenho lembrança). Ou as coisas se dão por tecnologia ou por fenômenos biológicos até didaticamente claros em sua apresentação.

O Vaticano acusou Avatar de fazer apologia ao paganismo (ou bobagem similar), promovendo o culto à natureza como substituto da religião, quando na verdade, não há religiosidade alguma propriamente dita em Avatar, pois o que há é uma interação com a natureza de Pandora por meio de liturgias, e isto não é uma religiosidade do transcendente ou sobrenatural, muito pelo contrário. Ali, cada coisa é palpável (e inclusive é tocada no filme). E apelar para dizer que é um filme anti-cristão é uma tolice tão grande quanto afirmar que O Senhor dos Anéis é uma apologia à religiosidade Celta (em detrimento da que a produziu por inspiração, que é a nórdica). Ou alguém aqui acha que também Tolkien, com sua criatividade colossal, não teve idéias tomadas de outras fontes?

Mas deve ficar bem claro ao Vaticano e a todas as outras fés, que se não houver envolvimento das religiões na proteção à natureza, não haverá fiel algum para professar religião que seja.



O que se vê na tela, tecnicamente

Da mesma maneira que Guerra nas Estrelas é o ápice de um conjunto de técnicas que iniciou no cinema em King Kong (1933), entre outros, passando por 2001, do qual é um "filho técnico" direto, Avatar é o ápice de um conjunto de técnicas que iniciou timidamente em Tron, passou por uma revolução em Jurassic Park e ascendeu a meu ver em técnica soberba em King Kong (2005), filme que como Avatar, exigiu a criação de toda uma biologia, mas neste mais fácil, modificação da nossa, presente e passada.

O que acrescenta a este ápice do uso de computação gráfica, é uma revolucionária técnica de captação de imagem para posterior projeção em um "simulacro de 3D".

Avatar, de James Cameron, não é só um filme com pesado uso de computação gráfica realista, também utiliza uma profundidade de campo, aquilo que podemos chamar de "3D", como NENHUM filme na história teve.

A experiência de assistí-lo é como assistir novamente algo tão marcante como O Cantor de Jazz (pela inauguração do som no cinema) ou Vaidade e Beleza (Lady of Fortune / Becky Sharp, 1935) pela inauguração do cinema em cores na captura e revelação, não em pintura quadro a quadro (sim, uma insanidade destas já foi feita).


Trailer de Becky Sharp, no YouTube

Avatar é o ápice da computação somado ao início de uma nova era não de filmes com efeitos em 3D, ou como na computação gráfica de animação propriamente dita, no formato "cartoon" , que contrói o 3D por outros processos (na verdade, por duas construções de ambiente sob ângulo levemente diferente, que corresponde no físico à nossa distância pupilar, que nos proporciona nossa visão estereoscópica).

Avatar captura a realidade em 3D, em todas as cenas. Nunca houve algo igual no cinema de mercado, aquele que vai as salas de cinema.

Esta revolução é apresentada para o espectador pela mesma descoberta de onde se encontra Jake Sully ao acordar de sua hibernação e perceber que está no espaço, com gotas sabe-se lá do que à sua frente e saltando da tela aos olhos do espectador. Um impacto tão grande ao público quanto, a seu tempo, o obtido pelas cores que explodem na tela após Dorothy não estar mais no Kansas, tal como Jake Sully tem de aprender, em O Mágico de Oz.


O que se conclui das coisas díspares acima

Frente a estas conquistas, pouco interessa que seja inclusive IDIOTA, mas como ensinou um certo Adolf Hitler (e entendeu disto como poucos), "se fala às massas como se fala ao mais idiota dentre eles", e nisto, como seu objetivo é completamente MORALISTA, torna-se um grande filme como produto cultural às massas destinado, e pouco interessa que tenha todos os defeitos de pouca intelectualidade que lhe são atribuidos, pois sua pretensão não é e nunca foi esta.

É um divertimento para as massas, herdeiro direto da diversão pela "magia" do que a película cinematográfica permite, como as iniciadas pelo mestre primordial Georges Méliès.



E sua mensagem é universal e poderosa, e casa exatamente com o maior dos problemas humanos, que é a existência da civilização e convivência com o ambiente, sem o qual esta não sobreviverá.

Aqui, é um filme aparentado com clássicos como Corrida Silenciosa, tragédia com esperança numa última "garrafa no oceano", distopias terrestres (que nem precisam ser mostradas) com últimas esperanças de salvação, mesmo em meio a opulência tecnológica, como Planeta Vermelho, ou a também obra prima Wall E, numa Terra sufocada por lixo ao nível da demência (mas com saídas que houveram, felizmente, naquele universo ficcional), e tantos outros filmes e obras de ficção científica distópica.

Mas Avatar procura passar sua mensagem ecológica/moral com honestidade, ainda que seu objetivo maior seja entupir (mais do que já estão) os bolsos de James Cameron e outros de dinheiro, como muitos outros filmes ecológicos e morais dos últimos anos.

Do ponto de vista de metáfora moral, seu objetivo é o mesmo de "obras irmãs" na literatura: "Guerra dos Mundos", de H. G. Wells, e "No Coração das Trevas", de Joseph Conrad, que leva ao magnífico Apocalypse Now, de Coppola. De onde claramente se inspiram o nome do ônibus espacial de Avatar, Valkyria, e o Colonel Miles Quaritch com seu sotaque mais que carregado lembrando o tenente-coronel Bill Kilgore, aquele que bombardeia uma vila para surfar em suas praias.



Tratando destas duas obras literárias poderosas, o primeiro é uma metáfora sobre a ação das nações européias em suas colônias. As outras duas obras dispensam explicações, pois o retrato é cru, terrível e direto (e tão terrível que a obra de Conrad é citada em King Kong, de Peter Jackson, antevendo mais de hora de corpos dilacerados e esmagados).

Em Avatar, por outro lado, contrariamente aos planos malévolos e lenta e inexoravelmente arquitetados dos marcianos de Guerra dos Mundos, os maldosos alienígenas invasores somos nós.

Lembrando, o primeiro teaser de avatar possui uma pérola perfeita de qualidade de texto para a abertura de qualquer grande obra de ficção científica, a meu ver, do nível de "O início é um tempo muito delicado. Saiba então que está no ano 10191." de Dune, de David Linch:

"Há 70 milhões de milhões de milhões de estrelas visíveis no universo. Talvez uma, só uma, tenha um mundo novo para descobrir, para conquistar, para chamar de lar... Nós o levaremos a um."

Portanto, pode se criticar a vontade Avatar pelos seus inúmeros e claros defeitos. As qualidades ainda sim são inatacáveis.

E que venha Planeta Proibido, em sua nova versão, e que os primatas pelados exponham seus "monstros do idi", que volta e meia, repetem fatos na história, como espanhóis nas américas, belgas e mais meia dúzia de outros na África, ingleses na Índia, estadunidenses e ingleses no oeste norteamericano e franceses e estadunidenses no sudeste asiático, em pleno século XX.

Em produtos culturais, nada se cria, tudo se "chupa", o resto, vira história, mas a história também é o conjunto de tudo que se deve evitar.

Mais formalmente: História é o conjunto ordenado e sistemático de tudo aquilo que se deve evitar.

E lembrando mais uma vez máxima minha:

A Terra é a cela de prisão da qual ainda não podemos sair.

Sem providências e previdências talvez só restem Wall Es fazendo suas tarefinhas rotineiras, até a completa degradação de seus mecanismos, sem peça nenhuma de reposição.



Que venham mais aventuras no mundo dos seres evoluídos de hexápodes tetraoculares com opérculos respiratórios na caixa toráxica (onde os Nav'i são meio fora do contexto, e e apresentarei adiante como isto é coerente biologicamente, independente de ser um dos grandes truques - senão um trunfo - do diretor).

Mas tratemos de ciência e tecnologia na ficção Avatar, e não para a produção do filme Avatar.

Viagens interestelares



A espectativa de vida da população tem crescido 1 ano a cada três, nos últimos anos, e nada indica que tal progressão diminuirá. Logo, poderemos em 300 anos, durar 100 a mais que duramos hoje.

Se desenvolvermos velocidade em engenharia de 10% da da luz (perfeitamente possível, em termos teóricos, vide os projetos concebidos nos anos 50, como o Projeto Daedalus ou o Projeto Orion ) chegaremos à mais próxima estrela, para usarmos sua energia, em aproximados 40 anos, o que daria menos de 1 quinto de uma então vida humana, o que daria uma peregrinação mais curta que a de Moisés, "O Sem Bússula". (Pegaram a ironia?)

Assim, poderíamos construir bases intermediárias, com os recursos de combustível e ourros, distantes de frações da distância a ser vencida, enviados previamente por missões robóticas. Seriam projetos de séculos para cada viagem. "Terraformando" planetas e luas circundantes estrela após estrela, usando cinturões de asteróides (sempre presentes!) para nos estabelecermos, século após século, pelas nossas proximidades da galáxia.

Mas é fundamental com base econômica que sustente tal processo.

E lá de vez e quando, encontrar um "Pandora" pronto, ou quase, vide a atmosfera, para ocuparmos mais confortavelmente.

Num quadro de expansão destes, nem se necessitaria de viagens WARP ou o que considero bobagens desnecessárias da ficção, com paradigmas de viagens interestelares mais parecidos com nossos fins de semana na praia ou mesmo relativamente longas viagens ao exterior.

Temos de pensar como pensaram os emigrantes indo da Europa para a América, "em nome do rei e de deus", e para a vida toda.

Logo, não se necessita pensar em chegar às estrelas ao longo de poucos anos, como os universos ficcionais de Star Trek (3 séculos para frente, e distâncias galáticas), mas sim Dune (10 mil anos), em distâncias de dezenas de estrelas próximas umas das outras.

Crescimentos econômicos e de recursos de 1% ao ano, ao longo de séculos, nos fariam ocupar necessariamente todas as estrelas próximas, e o universo provê recursos e energia que poderiam manter esta progressão por períodos de bilhões de anos.

Devemos, antes de ir adiante, lembrar que para cada maior velocidade que se queira, mais energia é necessária para atingir-se tal velocidade, e não estamos falando da aceleração da mecânica newtoniana, mas de implicações da teoria da relatividade. Pelos meus toscos cálculos, velocidades da ordem de 90% da luz implicam gastos de energia "coordenados" por uma razão v^2/c^2, que debitada de 1, conduziria a um valor maior da energia requerida para uma nave de determinado tamanho de aproximadamente 5 vezes que o requerido para uma situação newtoniana, o que tratamos como o problema da massa relativística. Para 10%, teríamos apenas mais uns 1%. Novamente, a situação é econômica. O resto, a medicina resolve com o tempo.



Alfa Centauro



Sim, é sólido afirmar que Alfa Centauro A está a uma distância como a apresentada, e devo destacar que é uma estrela um tanto maior que o Sol, mas nada que fosse perceptível a primeira vista lá se chegando. Aliás, dista muito pouco do Sol em termos de comportamento como estrela (10% mais só de massa), o que permitiria facilmente uma situação como a que temos na Terra em distância similar a que temos para a Terra ou Marte em relação ao Sol.

O interessante é que não seria Pandora, independente de ser um satélite, e não um planeta, um mundo com dias e noites como a Terra, ou qualquer das grandes luas de Júpiter, com o qual é mais similar como corpo orbitante de outro que orbita uma estrela, e sim, uma Terra como a iluminada por duas estrelas, como a de 2010, quando termina a obra de Arthur C. Clarke. Alfa Centauro B é uma estrela alaranjada um pouco menor que nosso Sol, e orbita, conjuntamente com A um centro comum as duas, a cada 80 anos, de onde formam o que chama-se um sistema binário, como o é a Terra e a Lua, numa distância aproximadamente a mesma do Sol até Saturno. Ou seja: Pandora seria um mundo bastante iluminado se fosse um planeta. Nem tratemos aqui que ainda há uma terceira estrela no sistema, extremamente distante das duas maiores e não maior que um planeta do tipo de Júpiter.

Não sou de me dedicar a este tipo de estudo em Astrofísica, mas garanto que houve Astrofísico que teve piripaques ao ver um planeta gigante orbitando como Júpiter orbita nosso Sol, em faixa de temperatura como a da Terra, uma estrela maior que o Sol em um sistema binário com outra estrela quase do tamanho do Sol.

Explico: os efeitos de perturbações das órbitas e efeitos de maré seriam terríveis, e tanto isto é fato que nos leva ao que vemos no próximo ponto.

Mas Alfa Centauro foi escolhida pelo fator proximidade, que colocava as questões de tempos, mesmo em velocidade próximas a da luz, em temps humanamente plausíveis, ao humano de hoje.

Polifemo, o Ciclope



Existir um gigante gasoso do tamanho de Saturno ao redor de Alfa Centauro A se isolada não seria problema. Ser um de três gigantes gasosos não seria também problema. Na verdade, já descobrimos sistemas assim.

O problema seria onde colocar, num sistema assim, mais uma estrela quase do tamanho do Sol.

Tanto isto apresenta-se problemático na dinâmica de sistemas planetários, que simulações de computador mostram que planetas podem formar-se a distâncias próximas às da Terra Sol (150 milhões de km) de Alfa Centauro B e a órbita do planeta manter-se instável pelos últimos 250 milhões de anos, o que é menos do que levou a vida para se formar na Terra e tornar-se não mais que simplíssimas bactérias. Corpos circundando Alfa Centauro A deveriam ocupar orbitas de maior distância devido a gravidade ainda mais intensa desta estrela.

Entendem que o problema seria um planeta numa distância que não tenha sua atração "dividida" entre duas estrelas grandes como o Sol, mas numa distância que não se torne "média" entre as duas estrelas?

Planetas similares a Terra, contudo são previstos pelos modelos, e exatamente os mesmos modelos preveem a dissipação de gases (aquilo que forma gigantes gasosos), em torno das duas estrelas. São elas como pás de uma batedeira orbital, misturando matéria entre e ao redor das duas.

Mas não sejamos chatos, e deixemos o simpático mundo em que criaturas pensam que nossos olhos são jujubas, lá onde na ficção foi colocado.

Pensemos também que Polifemo não seja um enorme motor elétrico em funcionamento, como Júpiter é, e não produza colossal campo magnético, que acelera qualquer partíula desavisada ao ponto de os quatro satélites descobertos por Galileu serem mundos estéreis por radiação, e tenha-se, mesmo na ficação, de se jogar tecnologias ainda inexistentes para proteger viagens humanas a estes, como bem mostrado em documentário da Discovery, onde a nave é circundada por auroras boreais, mostra de intereções de partículas com seu campo protetor.



* Vídeo sobre o campo magnético e a radiação nos satélites de Júpiter

Então, suponhamos também que Pandora é uma lua das mais visitáveis, e exatamente por ser visitável pelo humano, que possa abrigar vida que mostraremos, não dista nem um puco biologicamente da nossa.

Antes, um pouco sobre satélites.



Pandora, um satélite






Avatar não mostra, a menos que eu esteja tremendamente enganado, a duração de um dia em Pandora. Notemos que o dia em nossa Lua dura 28 dias. E orbitando a Terra, que é uma bolinha insignificante no céu, mesmo sendo da Lua muito maior que a Lua é da Terra, evidentemente, a cada tantos dias (até muitos), ocorre um eclipse lunar, e a Lua fica nas sombras, por pouco tempo, até o obstáculo sair de sua frente.

Uma Lua orbitando um planeta gigante ficaria muito mais tempo oculta, e muito mais constantemente. Aliás, Ganimedes , o maior satélite de Júpiter, maior que o nosso planeta Mercúrio (5.262 contra 4.879 km), orbita Júpiter a cada 7 dias a uma distância de 6,75 milhões de km de distância de Júpiter e possui um "dia solar" também de 7 dias terrestres, pelo que se chama rotação síncrona, a mesma que possui nossa Lua.

Daqui, duas conclusões: esquecendo os diversos problemas de um sistema binário de estrelas tão próximas, logo, esquecendo se o cíclope gasoso exista, esquecendo talvez meu lapso de quanto dura um dia em Pandora (que poderiam ser diversos dos nossos, ou menos horas que o nosso), Pandora é perfeitamente possível, e deve existir abundantemente como corpo celeste em posição, composição e temperatura (tiremos serelepes seres vivos sobre ela desta argumentação, por enquanto) pela Via Láctea a fora, quanto mais a distâncias que poderíamos percorrer nos próximos 100 mil anos, um tempo menor que o que paramos de ser apenas macacos comidos por leões na África.

Tendo agora Pandora no universo, tratemos de peculiaridades da gravidade, da atmosfera, da geologia, e finalmente dos coloridos animais e curiosamente, para mim, verdes plantas e outros seres, marca maior da criatividade colocada sobre o filme.


Gravidade menor?



Notemos que embora Ganimedes tenha maior diâmetro, possui menor massa que Mercúrio (1,4819×1023 kg contra 3,302×1023 kg), pois é propriedade importante o que seja densidade, em se tratando dos corpos celestes.

Mas como vimos que um satélite pode ser tão grande quanto um planeta, e ter composição similar a nossa Lua (a própria Lua seria uma prova de que satélites podem ter composição similar a planetas como a Terra), anormalidade nenhuma seria um satélite de um gigante gasoso ter massa um tanto menor que Vênus, o planeta irmão da Terra, e densidade até um tanto maior que a Terra, o que levaria sua gravidade, e aqui daremos um palpite, a algo como 80 % da gravidade da Terra. Tal fator seria básico na explicação da altura dos seres vivos (destacadamente os Na'vis e suas árvores gigantescas) em Pandora.

Aqui, nenhum absurdo foi colocado. Mas tratemos de algo relacionado com isto e interessante...

Atmosfera



Vênus possui menos gravidade que a terrestre (aceleração de 8,87 m/s² contra nossos 9,8), mas possui pressão muito maior. Novamente, densidade. Embora seja um mistério no filme qual seja a composição da atmosfera de Pandora, podemos supor um sem número de composições gasosas com agentes oxidantes (lembram-se das chamas?) e outros relativamente inertes, muitos tóxicos, como o cianeto de hidrogênio, o monóxido de carbono, vários derivados de enxofre (destaco o sulfeto de hidrogênio, que inclusive, bactérias produzem em nosso planetinha), a amônia (de onde a água de Pandora seria na verdade, sempre, amoníaco), que levariam a pressão a ser próxima da terrestre, coisa que é clara no filme pela não necessidade de proteção dos frágeis vasos e pele humanas, a até de seus olhos sem máscara.

Confesso que com minha formação em química, acho difícil encontrar uma composição que permita ser escrita como convincente, da mesma maneira que acho difícil achatr uma que não possa ser dada como um palpite. Só não acrescentemos metano, pois este adora reagir produzindo dióxido de carbono com oxigênio, e exigiria imensos problemas de escolher-se como apresentar um gás a ser o oxidante abundantemente produzido pelas imensas matas de Pandora. Atmosferas que permitam vida tem de ser sistemas equilibrdos, e tanto são equilibrados, que nossa vida transformou uma atmosfera muito parecida com a de Vênus, que mais parece o interior de algum reator em alguma indústria química daquelas que você não gostaria na sua vizinhança, nesta coisa agradável e pouco corrosiva que é a nossa, hoje (na verdade, já há muitos milhões de anos).



Supercondutores e montanhas que flutuam



Como disse Luis F. Veríssimo: "O unobtainium é nosso!" Mas infelizmente, a Física é do universo inteiro, até provas em contrário.

Conhecendo o que conheço sobre formação de supercondutores, uma rocha que seja naturalmente supercondutora é uma impossibilidade física. Mesmo as mais exatas cerâmicas supercondutoras o são a temperaturas muito abaixo das que sejam congelantes para a água.

E se houvesse tal supercondutores a temperaturas ambientes terrestres ou pandorianas, tampouco flutuariam pelo mínimo campo magnético contra a poderosa gravidade de corpos celestes. Lembremos que o relativamente poderoso campo gravitacional terrestre entre os campos de planetas rochosos do sistema solar é capaz apenas de mover uma agulha bastante bem equilibrada, e o menor dos ímãs de geladeira, pelo mesmo motivo, enfrenta a gravidade poderosa da Terra apegado a porta de onde tiramos nossas cervejas.

Mas a liberdade de ter-se uma paisagem fantástica é um direito de James Cameron, pouco interessam os artigos científicos.

A Biologia em Avatar



Antes, para dar um pouco de alívio, se o personagem central fosse a Dra. Grace Augustine, representada por Sigourney Weaver, Avatar receberia também o apelido de "Em Pandora com Smurfões", ou algo parecido, para lembrar outro filme, Na Montanha Com Os Gorilas, onde seu personagem, Dian Fossey, também é uma mártir em prol da vida selvagem.

Por incrível que pareça, é perfeitamente correto em Biologia afirmar que em Pandora, o "filo" que deu origem aos Na'vi e o que deu origem aos outros animais, com seus "opérculos toráxicos" e até 4 olhos (percebam isto no filme) evoluíram diferenciadamente, da mesma maneira que temos origem comum com artrópodes, moluscos e cordados (em outros termos, insetos - p.ex., caracóis e anfíbios.)


Todos os cordados terrestres (e não só eles) possuem narinas pois evoluímos de peixes tetrápodes com narinas, mas já nos anfíbios, perdemos as brânquias.

Assim, na Terra, todos somos tetrápodes (mesmo as aves sem asas, como os Kiwis) e temos narinas, e só mantém brânquias os axolotes e outros anfíbios próximos na fase adulta.

Em pandora, os hexápodes deram origem a todas as formas terrestres de grande porte que vemos, e os filos se separaram em hexápodes com opérculos toráxicos e dois animais mostrados representam o outro filo:

Os próprios Na'vis, e os prolemuris, claramente mostrados no filme para mostrar a evolução naquele mundo.

Os prolemuris apresentam já a modificação corporal de ter tido um par de "úmeros" fundidos gerando um braço e deste bifurcando-se dois antebraços. Tornam-se, portanto, antecipação de tetrápodes com as formas humanóides dos Na'vis. A outra modificação significativa são as narinas na face.



E se percebermos, lá estão o único de olhos frontais, e com o tamanho e íris douradas típicos dos Na'vis.

Eu, corajosamente, os chamaria de pandoraprimatas.

Os demais animais, separados em diversos grandes sub-filos, diferenciados dos Na'vis e seus ancestrais diretos:

Os seres alados, em número de três, tetrápteros (quatro asas) - Banshees (divididos em "da floresta" e "das montanhas", os que são montáveis), Leonopteryx (que possui poderosas patas com garras, pois é um predator acima dos demais) e os pequenos animais da primeira viagem de "helicóptero" de Jake, Stingbats, voando em bando.



São tratados já pela literatura sobre Avatar como Tetrapteron, "as quatro asas", pelo seu destaque.
Curiosamente, haver animais de quatro aparatos para o vôo entre nossos tetrápodes não é um absurdo, como se vê no Anchiomis huxleyi.

Na literatura guia de Avatar, os dentes dos animais alados são descritos como sendo de obsidiana , que é um vidro de sílica. Conformar minerais duros entre os animais para formar dentes não é uma exclusividade do nosso cálcio, basta ver a rádula dos nossos moluscos, muitas vezes com composição acrescida de minerais de ferro e também óxido de silício, exatamente para desgastar os compostos de cálcio da concha de outros moluscos.

Os carnívoros terrestres - viperwolfes e thanator ,ao que me pareceu, com apenas um par de olhos. Representando respectivamente o predador superior e um predador em grupo, correspondente do nosso tigre e dos lobos, por exemplo. Ambos os animais, tal como nossos predadores, mostram características corpóreas gritantes que apontam para possuirem um ancestral comum. No caso do thanator, foi acrescentado um curioso detalhe, tal como uma juba de aletas ao redor da cabeça e órgãos sensórios extras sob o focinho. Predadores com órgãos sensórios extras são comuns na Terra, como o olfato bucal das cobras e lagartos.

Os herbívoros terrestres - Hammerhead Titanothere, Direhorse, o animal correspondente a um alce morto por Jake, Hexapede (numa clara alusão a ser o primeiro dos animais descobertos como hexápode e na sua "morte ritualizada", uma citação clara da sequência inicial de O Último dos Moicanos (1992), e dois animais de maior porte que só estão presentes, por enquanto, no jogo, tapirus e sturmbeest.

Aqui, uma crítica. Num planeta com gravidade mais baixa, os animais de grande porte não necessariamente teriam de ser atarracados e compactos como são nossos rinocerontes ou foram os triceratops, e sim, poderiam ser um tanto alongados e de pescoços enormes, com o foram os nossos braquiossauros e são nossas girafas, pois as limitações da pressão sanguínea seriam menores.

As simpáticas pequenas "lagartixas", Fan Lizard, que possuem um sistema de vôo distinto dos demais alados, com uma hélice como a máquina voadora com espiral de Leonardo Da Vinci.



Seriam o correspondentes aos morcegos ou esquilos voadores, ou os passados pterodátilos, em meio as hoje dominantes nos ares aves da Terra. A vida na Terra tem realizado seguids tentativas de ganhar os ares.

Além do que, sem mostrar detalhes, Avatar apresenta um "sem número" de pequenos animais que corresponderiam aos nossos insetos e outros artrópodes, tanto voadores quanto rastejantes.

Um detalhe ainda, é que em pandora há uma morfologia animal que só existe na Terra em meios aquáticos, que corresponderiam aos nosso cnidários (anêmonas, por exemplo) que são aqueles enormes cálices espiralados que reagem ao toque, chamados helicoradian.

Mas acrescente-se, que em pandora não são animais propriamente ditos, e são colocados como pertencentes a um filo fictício tratado como Zooplantae, apresentando características tanto de plantas como animais.

Algo parecido com nossa classificação dos protistas, com destaque para a Euglena, clássico do ensino de biologia, capaz de movimentar-se como um animal e igualmente, de realizar fotossíntese. E outros, chamados pela forma de Cat Ear, que parecem nossos crustáceos Anatifas ou Percebes

Foram criadas também na literatura de Avatar seres parecidos com nossas medusas, mas com a bolsa não flutuante, mas apta ao vôo na atmosfera de Pandora.

Sementes de árvores que são capazes de movimentos como nossos cnidários (numa inversão do terrestre, pois os cnidários adultos é que normalmente são capazes de locomover-se).

Devemos lembrar que as formas de vida na Terra apresentam determinadas semelhanças por apresentarem determinadas ancestralidades comuns em diversos pontos de sua história. Assim, temos narinas pois anfíbios tem narinas. Temos cnidários nos mares e não em terra porque jamais um cnidário saiu dos mares, como o fizeram os artrópodes, e por isso há artrópodes nos mares e em terra. Em Pandora, há formas com narinas porque evoluíram de formas que possuem narinas, e há formas que possuem opérculos toráxicos porque destas descendem. Em Pandora é razoável existirem formas como os nossos cnidários, com sua aparência um "tanto vegetal" em terra pois estas formas lá conquistaram a terra, da mesma maneira que na Terra não há insetos marinhos porque jamais estes conquistaram os mares (na verdade, como artrópodes, os primeiros animais a conquistarem os continentes, retornaram aos mares).

Por outro lado, e a questão aqui é mais que tudo não realizar um filme que ocupe 4 semanas da programação da NatGeo, em nossa história tivemos mamíferos que conquistaram os mares, mais de uma vez, vide baleias, focas e peixes-boi, os répteis o fizeram um número ainda maior de vezes, e todas as formas mais básicas dos cordados e dos insetos aventuraram-se sob o ar. Portanto, a Terra é muito mais prolífica em forma que o orçamento e tempo hábil de James Cameron e sua talentosa equipe necessitavam mostrar para seu filme ser convincente em mostrar outro mundo.

Ou seja: tudo, ainda que conduzido para causar impacto pelo exótico, mas fazer um determinado sentido nato que temos, tanto no que seja um predador, quanto um animal respeitável pelo tamanho, quanto, veremos, agradar o público e gerar simpatia, em Avatar é amparado em Biologia séria e princípios básicos e sólidos de evolução dos seres vivos.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Pitacos II

O Acaso

Primeiramente, leitor, tenho de explicar que estou dividindo meu tempo entre um trabalho bastante pesado, preparação para uma avaliação e um artigo longo.

Neste meio tempo, gasto um pouco do meu tempo nas pausas com os velhos debates no Orkut (coisa mais patológica impossível). Um, recentemente, renderá sozinho uma blogagem "remendo", que é esta que agora lhes apresento.







Diversas "produções" de partículas, todas elas, aleatórias. (www.pd.infn.it)







Nem só de criacionistas, ufologistas delirantes (existem ufologistas honestos), e toda uma orda de pseudos que habitam o mundo vive a vela na escuridão em sua luta para se manter acesa. Existem também os deterministas absolutos, que no fundo, querem sustentar um teísmo basal na natureza, ou um panteísmo estrito e delimitado, no qual tudo que exista na natureza tenha de ter um motivo, talvez porque transpassem para o mundo (no sentido de tudo-que-existe) a curiosa máquina de fazer previsões e detecção de regularidade que julgam perfeitas que é seu cérebro e a mente que nela habita. (Quando não são teístas, só tem uma visão igualmente errõnea de mundo.)

Noutra postagem tratei das radiações e da aleatoriedade em sua ação sobre as mutações:

Mutações, radiações e aleatoriedade

Então, aos moldes do O argumento do relojoeiro de Paley, escreverei na forma de uma "estorinha", como o acaso (que recentemente, ganhou de minha mão reforço em seu artigo na Wikipédia) permeia todos os momentos de nossas vidas, como se estas fosse o importante, quando na verdade, é o que regeu toda a história da vida na Terra e até a "contrução" do universo como hoje o vemos, inclusive, presos à superfície de nosso também ao acaso planetinha.

A estorinha aos moldes de Paley que contarei, que pode perfeitamente ser uma historinha, será contada como se fosse uma argumentação para um garoto teimoso, que acha que todas as coisas no universo, até as insanas partículas subatômicas, tenham de ter uma causa para fazerem qualquer coisa que façam.



Produção de par (cse.ssl.berkeley.edu)

Um fóton



(Se desejarem chamar por aí de Argumento do Fóton Perdido de Quiumento, ficarei feliz.)


Viaja desde o início dos tempos um feliz fotonzinho pelo espaço, e sem mais nem menos, porque é da sua natureza, produz um par de partículas.

fóton → elétron + pósitron

Como sempre o fez, diversas vezes, para frações de segundo, posteriormente, anularem-se e reproduzirem o fóton tal par de partículas, ao longo de toda a história de sua vida de fóton.

Mas desta vez, cruza por outro fóton que fez o mesmo, e o pósitron produzido anulou-se com o elétron de outro par.

O elétron restante, iniciou feliz viagem, agora isolado, pelo universo, e ganhou energia de outro fóton que absorveu pelo meio do caminho (de longa e distante viagem, aleatoriamente emitido por um núcleo quente de uma estrela distante), e rumou para uma atmosfera de um planetinha.

Lá, trombou com uma molécula girando e vibrando insandecida pelo espaço, aquecida pelos fótons de estrela próxima. Errou o primeiro átomo, errou o segundo, mas acertou o terceiro.

Ao ionizá-la, o átomo mais suscetível no momento, ganhando energia de outros aleatórios fótons viajando no espaço, desprendeu-se, e no momento de seu desprendimento, saiu do caminho de uma partícula de alta energia, vinda do mais distante recanto da galáxia.

Esta partícula que agora pode passar, entre as bilhões que chegam do espaço a cada segundo, viaja pela turbulenta atmosfera, onde trilhões de moléculas, íons e átomos isolados dançam, trocando aleatriamente fótons emitidos ao acaso, atinge o DNA de uma célula reprodutiva de um primata, modificando um pouco, e tal será ótimo, o ângulo do dedão da mão do futuro filhote a nascer.

Milhares de gerações depois, um primata deste descendente, que acha que coisas na natureza não acontecem ao acaso, fruto de incontáveis emissões de fótons e desaparecimentos de partículas e suas produções ao acaso, sem causa alguma, simplesmente porque as aprtículas assim o são, esperneia desesperadamente porque acha que o universo tenha de se comportar com MOTIVOS, porque assim o quer.

Esqueceu o primata, que exatamento as incontaveis gerações e absoções de partículas, sem motivo nenhum, PORQUE ASSIM O SÃO, é que permitiu que ele pudesse digitar no seu teclado, e simultaneamente, segurar um copo de água com seu polegar, de mutação herdada, dfaquele fóton, milhares de anos atrás, que em momento aleatório, sem causa alguma, produziu no momento certo duas partículas.



Alguns adendos

Podemos prever plenamente a tragetória de uma bala, por exemplo?

Não. Pois átomos são decompostos, alteram suas posições e modificam a trajetória. Por isso mesmo, como mostra Gamow, o grande físico, em seu livro "Um, Dois, Três, Infinito", o mais perfeito cubo, no mais estável gás, é um perfeito dado, aleatório em seu resultado.



Dados padrão de Las Vegas, cubos bastante perfeitos e balanceados, e exatamente por isso, aleatórios, tal como mostrou banalmente Gamow.


Podemos prever um eclipse?

Dentro de determinados limites, sim, da mesma maneira que omesmo afirmaríamos para a bala. Mas como tratamos na blogagem ESTAMOS NUM SISTEMA CAÓTICO, o sistema solar (quanto mais a galáxia e mais ainda o universo) é um sistema de múltiplos pontos, todos eles enormes aglomerações de partículas subatômicas.

Logo, podemos determinar (no sentido físico, limitado, estatístico, de uma medição, e seus erros inerentes) os eclípses, mas num tempo limitado, mesmo esquecendo o que sejam erros de medida.

Assim, em 100 anos, podemos fazer previsões, em mil, também, mas em um bilhão, de forma alguma.

Determinável no sentido físico (ciência) não é o intrinsicamente determinável (o natural), pois sempre aconcecem desvios de percurso causados pelo quântico, tal como aconteceu com o nosso fóton de nossa estorinha, tal como acontece com nossa Lua.

Se em dúvidas do que seja esta separação entre o que seja nossa ciência (fundamentalmente Física) do que seja a real natureza (aliás, tolice minha, pois só ela, para todos os efeitos, é real), leia Ovelhas no campo, a cor dos cisnes e dos corvos.

Um texto do site do Instituto de Matemática da UFRGS, que acho que muito se presta a dar uma idéia básica sobre aleatoriedade:

Hoje, sabemos que a Natureza não é totalmente determinista.
De um lado temos os fenômenos naturais macroscópicos que são deterministas, embora sejamos forçados a considerar muitos deles como imprevisíveis e incontroláveis, dotados de uma aleatorieadade subjetiva, pois que não conhecemos, e talvez nunca conheceremos, todas suas causas e estados.
Por outro lado, para fenômenos microscópicos a situação é radicalmente diferente; aí imperam estados de comportamento bizarro e que obedecem somente ao acaso. São fenómenos aleatórios objetivos, como o pulo de um eléctron de um nível energético a outro, sem passar por estágios intermediários e sem existir nenhuma causa determinando o instante de pulo.
Sob um ponto de vista estritamente matemático, usamos matemática determinista para investigar os fenômenos previsíveis e usamos matemática probabilista para investigar tanto os fenómenos de aleatoriedade subjetiva como os de aleatorieadade objetiva.



A certa altura do "debate" (notem as aspas), o determinista afirma que aqueles que são evolucionistas E ateus (notem, pelo destaque, a falácia*), usam o acaso como um 'deus ex machina', que "eles" sabem que quando usam o acaso como origem da vida (?), causa das coisas (?), etc, percebem que não podem descobrir (?) o que aconteceu realmente e usam o 'acaso das lacunas' para "tapar o buraco" e ninguém questiona pra não estragar o remendo.

(Com pequenas adaptações minhas, o discurso desconexo foi este.)

Mas, responde-se a isto:

-Ao olharmos para o céu, vemos o passado do universo, até 13 bilhões de anos no passado.

-Na geologia, vemos o passado da Terra, em mais perfeitos e exatos detalhes.

-Na paleontologia, vemos o passado da vida.

-Nas ciências experimentais simulando e modelando a bioquímica, apontamos possíveis (dentre diversos e geologicamente plausíveis) modelos químicos para a origem da vida (e os progressos recentes tem mostrado que até o momento, apenas os passos geológicos-naturais são necessários).

E estas evidências e estes fenômenos, que são fenômenos macro na natureza, não tem coisa alguma com a mais íntima natureza (o micro) ser aleatória e produzir eventos completamente ao acaso.

* Evolucionistas e ateus não são palavras fundidas em nexo uma na outra. Falácia da Falsa Dicotomia, pois associa em contrapartida que ser teísta implica em ser criacionista ou fixista.
É até triste e deprimente, ver rastejar nas falácias o crente.

Uma questão em química, pertinente a questão


A própria DETERMINÂNCIA das reações químicas possibilita a origem da vida ( e muito da evolução e da prórpia vida em sues metabolismos estáveis), tanto que aminoácidos se formam da atmosfera com simples faíscas.

Mas o que seja esta DETERMINÂNCIA, ou tendência, é o que deterministas não entendem.
Uma aulinha básica:

Um mol (aproximadamente 6 seguido de 23 zeros de moléculas) de H2 mais meio mol de O2 sempre dará um mol de água.

Mas os casos mínimos, e inclusive, decomposições que ocorrem, se dão ao acaso. A natureza é um sistema de equilíbrios dinâmicos, não de coisas determinadas e fixas.

De onde, com toda a segurança, afirmamos:

O acaso das mínimas partes da natureza é a causa de todos os seus macro comportamentos.

Ou, o que irritou profundamente nosso opositor, de maneira mais simples: O acaso é causa.

Como escrevemos na Wikipédia "Ligações externas"


Alguns pontos interessantes do debate com Jorge (o nome do relutante personagem), que é um exemplo perfeito do raciocício dogmático sobre a natureza ter de ter causas e consequentemente ter de ser determinista.

Participações brilhantes de meus amigos Ivan Eugênio da Cunha e Roberto Parra, que sendo de formação em Física, ali são transcritos com algumas pequenas modificações, pois este debate pretendo transformar num artigo, e estes serão coautores (aqui a democracia é dirigida, desculpem-me).

Ao longo do tempo, espero (tudo depende, em suma, do acaso ;) ) este texto será modificado e estruturado, mas acredito que como já está, permita o entendimento de minúcias das questões envolvidas.

Até a próxima, talvez, pois sempre alea jacta est!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Pitacos I

Pitaco: 1) Palpite. 2) Opinião desnecessária sobre fatos que desconhece, enxerimento. 3) Sugestão - geralmente, uma sugestão sem muito fundamento ou de gente intrometida que nada entende sobre o assunto em questão. 4) Opinião, ainda que não solicitada. 5) Contestação de alguma resposta, ou algum fato.

Nesta série de blogagens, reunirei alguns esboços de futuros artigos de mais peso (que já atulham meu Google Docs), alguns inicialmente capturados de debates no ORKUT.

Lótus é nobre flor que nasce na lama. - Provérbio Hindu

Einstein, a relutância contra a Mecânica Quântica e outras "fisiquices"





Niels Bohr e Einstein



É relatado que Einstein foi impedido de falar sobre a Teoria da relatividade quando de sua premiação no Nobel pois seria algo muito revolucionário e um volume ainda enorme de físicos não aceitava suas afirmações. Até listas de físicos que se opunham à Relatividade foram feitas, o que gerou de Einstein a famosa frase, quando de uma compilação com idéias de 100 cientistas que contradiziam Einstein, editadas num livro chamado "Cem autores na contramão de Einstein": - "Para que cem? Se eu estivesse errado somente um bastaria".

Tais tristes fatos foram mais tarde repetidos pelo próprio Einstein, quando não conseguiu distinguir o que seja bobagem do que seja um preconceito. Assim como Eisntein foi discriminado no começo por pessoas da "velha-guarda" da Física, todos sem exceção com raciocínio cartesiano/newtoniano de um absolutismo de tempo e de um fixismo dos valores do tempo e do espaço, como cenário perfeito onde se dão os fatos, os eventos, onde se desenrolam os fenômenos físicos, depois discriminou pessoas mais novas (e nem tanto) e com mentes mais abertas que discursavam sobre a nova física do quântico.

E Einstein "caiu nessa", por ser meio que um dos últimos de uma tradição "descritiva" da Física, com teorias que são clássicas, de cálculo, equações diferenciais, etc, aplicados à natureza, até porque complementava Newton, e simplesmente embestou (o termo é grosseiro mas é exatamente isto que ocorreu) de não se dedicar a entender a natureza pelos métodos e ferramentas da Mecânica Quântica. Aliás, tentou enfrentá-la, vide o paradoxo EPR e outras tentativas desesperadas de descredibilisar o modelo quântico que ele mesmo deu a partida (com o efeito fotoelétrico).

O mesmo se deu quando não aceitou determinadas consequências da própria Relatividade que chegariam as mais profundas questões do Modelo FLRW, e logo, do que chamamos popularmente de "Big Bang".

A Lemaître teria dito: “Seus cálculos matemáticos são corretos, mas sua física é abominável.”

Einstein tinha atração por um mundo completamente geométrico, exato e determinístico, e por um universo infinito e eterno, aliás, filosoficamente confortável (Novello trata deste ponto em "O Que é Cosmologia?"), mas posteriormente, mostrado irreal.

Recomendações de leitura:

- O MAIOR ERRO DE EINSTEIN?

- Tim Folger; Einstein's Grand Quest for a Unified Theory;

- A saga de Einstein por uma teoria unificadora, Por Catherine Goldstein e Jim Ritter : De 1916 até sua morte, em 1955, Einstein se esforçou para elaborar uma teoria que unificasse a gravitação e eletromagnetismo. Contrariamente ao que se pensa, sua busca não foi em vão. Scientific American Brasil - Edição especial Ed. 34

Neste último artigo, tem-se a citação que certa vez afirmou que julgava que a natureza tinha de se expressar por equações matemáticas simples (de modo contundente e excludente de qualquer outra forma), ao ponto de afirmar em uma conferência em Oxford, em junho de 1931:

"A natureza é a realização das idéias matemáticas mais simples (...) e nós podemos descobrir, por meio de construções matemáticas puras, esses conceitos e essas relações (...) que fornecem a chave da compreensão dos fenômenos naturais."

Foi parabenizado por Wolfgang Pauli em 1929 com a seguinte frase: "-Só me resta felicitá-lo (ou devo dizer, sobretudo, apresentar minhas condolências), por ter passado ao campo dos matemáticos puros."

Paradoxalmente, afirmou em 1923 a Hermann Weyl:

"Creio que todas as pesquisas a partir de uma base puramente formal dos conhecimentos físicos não trazem nada de novo."

Outro que simplesmente embestou, e diga-se na verdade, com muito menor intensidade, por caminhos deterministas, mas paradoxalmente, chegando à conclusões indeterministas, sem grande destaque do que poderíamos se hoje chamar de "mídia", e em pontos mais basais foi POINCARÉ*, mas entendamos que morreu em 1912.

*Como dito por um grande físico durante as Conferências de Solvay, "Einstein e Poincaré formavam um grupo a parte".



Henri Poincaré



Mas Poincaré se dedicou mais a sustentação do que seriam os embriões, as bases matemáticas, da Relatividade, e curiosamente, já havia tratado das questões de indeterminismo para sistemas multiparticulados.

No livro de Gamow, "Um, Dois, Três... Infinito"**. apresenta-se que seus problemas eram mais com as próprias descobertas que fez sobre os sistemas multiparticulados, inclusive sobre as órbitas dos planetas (problemas de mais de três corpos, etc...). Lá também estão seus raciocínios simples mostrando que mesmo num jogo de bilhar, quando passa-se de 9 tabelas, praticamente TODAS as variáveis do público que está assistindo, até mesmo sua respiração, influenciam na partida.

**DOWNLOAD em PDF

Como foi muito bem dito sobre Einstein num documentário da THC ("A Sinfonia Inacabada de Einstein"), "eram homens do século XIX".

"É função da mocidade ser profundamente sensível às novas ideias como instrumentos rápidos para dominar o meio; e é função da idade madura opor-se tenazmente a essas ideias ; isso faz com que as inovações fiquem em experiência por algum tempo antes que a sociedade as ponha em prática. A maturidade atenua as ideias novas, redu-las de modo a caberem dentro da possibilidade ou a que só se realizem em parte. A mocidade propõe, a maturidade dispõe, a velhice opõe-se. A mocidade domina nos períodos revolucionários; a maturidade, nos períodos de reconstrução; a velhice, nos períodos de estagnação. «Dá-se com os homens», diz Nietzsche, «o mesmo que com as carvoarias na floresta. Só depois que a mocidade se carboniza é que se torna utilizável. Enquanto está a arder será muito interessante, mas incómoda e inútil.»

Will Durant (1885-1981), historiador e escritor estadunidense, em "Filosofia da Vida"

Vemos que quem estava com Einstein era o pessoal "mais velho", os "dezenovecistas", enquanto o mais novos aceitavam melhor o modelo quântico, um novo mundo de indeterminismo e liberdade da matéria, e isso mostra que no final das contas os cientistas depois de ficarem com as mesmas idéias na cabeça por tanto tempo, essas podem cristalizar-se como verdades absolutas, dogmatizam-se, gerando uma série de preconceitos na ciência e causando uma dificuldade da mesma em avançar e acelerar-se. Sorte que sempre haverão novas gerações de pesquisadores para continuar a desvendar os mistérios da natuteza.

Devemos entender, que repetindo o problema do "mundo do Nobel" com a relatividade, na época do Einstein não era tão óbvio assim que a mecânica quântica era um teoria sólida, e ele foi um pouco mais relutante do que a média, mas não devemos criticá-lo duramente por isso, mas talvez...


relativizá-lo.



"Honra o passado/mas acolhe o futuro."

e. e. cummings - poeta estadunidense

"Nada é tão duradouro quanto a mudança."

Karl Ludwig Börne - escritor alemão

"Todas as coisas que hoje se crêem antiquíssimas, já foram novas."

Tácito

"Para ver o mundo num grão de areia
E o paraíso numa flor selvagem
Segure o infinito na palma de sua mão
E a eternidade em uma hora"


William Blake

Colaborações (inclusive roubadas): P ε ν α θ Ω , Beowulf, grandes personagens ORKUTianos.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Distrito 9 e Substitutos

-Eu estava lendo que existem inúmeras espécies ameaçadas de extinção pela devastação da natureza que o homem promove. As vezes acho que a maior prova de que existem formas de vida inteligente no universo é que nenhuma delas tentou entrar em contato conosco até hoje.

Calvin - o "peste" genial de Bill Watterson

Distrito 9



O pior do humano é mostrado em Distrito 9 (District 9, 2009). Quando humanos brancos e negros (perdão pelo qualificativo, mas a coisa piorará, e muito) são postos frente à uma espécie equiparada à humana intelectualmente (ao menos na média, não na "casta superior", vide o filme), unem-se no preconceito, na exploração e até no extermínio (de preferência, colocando os nigerianos junto).

Atenção: se tivéssemos evoluído de monotremos, quebrar os ovos de meus irmãos seria, acredito, uma decisão de meus pais, e não do fiscal de saúde.

Distrito 9, portanto, além de obviamente ser uma monstruosa (e aqui o termo não é pejorativo) metáfora sobre o apartheid, é uma obra de profundo pessimismo, de um descrédito no humano coletivo, e na redenção (além da mutação) de seu personagem central.

Uma lição a ser dada que inicia pelo revoltar-se contra usar outro ser vivo como alvo em testes e termina por um presentear com uma flor feita de sucata.

A obra é tão poderosa que nem me preocupo em tratar dos magníficos efeitos, da concepção tecnológica soberba (o exoesqueleto militar simplesmente vale o filme- ainda mais capturando projéteis bem melhor, e de maneira mais convincente, que os poderes de Neo, de Matrix). Nem perderei meu tempo em discutir viagens interestelares, relatividade e outros pormenores de crítica científica. Muitos outros filmes já tiveram estes detalhes destruídos e analisados ao pó por mestres.

O objetivo de Distrito 9 não é ser exato, mas preciso em ser contundente, e sua ferida, acredito, será cicatriz que por muitos será por muito tempo lembrada.

E que venha Distrito 10 (talvez com este nome mesmo) e que os "camarões" nos "desçam o cacete", e nos ensinem pela dor a sermos mais humanos, ao menos com outros seres humanos.

PS - Para ter-se idéia da capacidade do diretor Neill Blomkamp e sua já presente influência, recomendo assistir estes vídeos:

O curta metragem que deu origem a Distrito 9

Alive in Joberg

Um ensaio seu, com todas as características de uma pretensa filmagem do clássico do anime Ghost In The Shell

Adicolor Yellow

E aqui, uma amostra da escola que já desenvolveu em produção de ficção científica:

HALO MOVIE: FIRST 8 MINUTES

Substitutos



Tenho de admitir: sou viciado em filmes do estilo "antecipação" ( o estilo/ divisão da ficção científica que trata de nuances de nosso futuro provável dentro do acréscimo de novos elementos tecnológicos ou paradigmas).

Um bom exemplo é o hoje um tanto extemporâneo "Estranhos Prazeres" (Strange Days, 1995), com os quais Substitutos (Surrogates, 2009) guarda intimidade.

Em Estranhos Prazeres, as pessoas vivenciam as memórias com as sensações de outras. Em Substitutos, as pessoas vivem suas sensações com corpos que não são os seus, e inclusive, não são nem corpos propriamente ditos, mas robôs, andróides, "substitutos".

Sinceramente, duvido muito que viciados em adrenalina vão querer que robôs ligados a seus cérebros saltem de paraquedas ou participem de competições de skate, ou mesmo surfem até tranquilamente em praias calmas. Mas o que é assustador no filme é a possibilidade de homossexuais masculinos gordos mórbidos ganhem corpos de modelos de roupa de baixo para se divertir e me convidem para uma vodka num balcão de um bar.

Só isso seria um motivo com imensos desdobramentos em outras combinações que levariam tal paradigma de modo de vida a não ser facilmente disseminado. Notem que disse disseminado, com o o filme o trata, como um vício epidêmico (e até pandêmico, como o filme o apresenta), mas não que venha a ocorrer e se usado, até massivamente.

O filme explora um lado mórbido do humano: apesar dos corpos e rostos serem (aparentemente) lindos (pois não o são realmente nem corpos orgânicos), as mentes que que os operam não o são, e os corpos reais, orgânicos, os "controladores", muitas vezes, compelidos por tais mentes, são depressivos, melancólicos, apresentam a degradação da inatividade, o talvez subentendido vício em drogas e uma agorafobia epidêmica (sem falar de uma certa apatia), que permeia o contexto da imensa maior parte da humanidade naquele universo ficcional.

PAUSA - Este dias talibãs foram mortos por avião robô.

Aqui, o filme acerta na mosca (imagem ridícula, concordo). No filme, a tecnologia nasce na área militar, e este será exatamente seu berço, e tão certo como os passos mostradops na evolução da tecnologia que abrem o filme, e são reais (documentais), os soldados robóticos comandados por soldados controladores confortavelmente deitados em um salão serão fatos, e tal marcha, já foi dada pelos aviões comandados à distância por pilotos segura e confortavelmente sentados próximos de seus lares.

Sobre tal tema, de maneira similar, já abordei a saga Exterminador do Futuro, e a marcha para tal é a mesma que leva um filme de 2009, permitir que Bruce Willys tenha cabelos loiros com um topete de gosto um tanto duvidoso, esteja uns 20 anos mais jovem, mais magro do que jamais esteve e inclusive, corra e salte sem um braço, e encaremos tal como realista, natural e até diria perfeito.

Se o representável na tela é fruto do computacional, e o computacional produz o militar, os talibãs (e seus sucessores) ou outros combatentes opositores à tecnologia militar de 20 anos no futuro deveriam começar a repensar seus paradigmas agora, antes de serem obrigados a enfrentar garotos tão preocupados em levar um tiro ou serem vítimas de uma explosão como hoje estão os adolescentes ao jogar qualquer videogame de guerra.

O que marca - mesmo sendo o que chamo de um "filme menor" - Substitutos é o envolvimento de dramas humanos profundos, como a artificialidade de um relacionamento homem-mulher por avatares mecânicos, a impossibilidade do humano mesmo fechado entre quatro paredes transcender o que seja o pior do humano e a transposição para "novos vícios", nem que seja agora na forma de choques elétricos.

Mas não acredito de forma alguma numa utópica redução de crimes, pois afinal, provavelmente os "manos" de São Paulo (ou similares de qualquer cidade) agora tentariam coisas ainda mais audazes, pois a dor sempre foi um impecilho para a criminalidade, a menor dor que leva no filme a que quando sairmos de nossas casas, seremos submetidos a um determinado nível de stress, a uma certa ansiedade, e no filme, pela vida em tanto doentia para a qual se direcionou o ser humano naquele universo ficcional, ao nível do pânico.

Aqui, filosofo um tanto, e lembro que um dos úteis mais úteis dos sentimentos humanos é o medo.

É a ausência do medo que se faz crianças pequenas correrem riscos mortais em peitoris de janelas, e exatamente o medo que leva racionalmente um agente policial de elite a só entrar numa sala com um homem armado sob todas as condições de segurança, ou um paraquedista a só saltar com um paraquedas muito bem examinado, ou um montanhista a só subir uma montanha com todo o treinamento, bem guiado e quipado, com minucioso planejamento.

Não devemos confundir medo com pânico, e ausência de medo com imprudência.

O medo (aliás, este medo assim definido) advém exatamente da capacidade do cérebro humano primeiro guardar experiências, além de calcular comportamentos futuros. E sinceramente, nosso cérebro gosta de nossos corpos e suas sensações. Aliás um dos objetivos de Andrew Martin o personagem robótico de O Homem Bicentenário (Bicentennial Man, 1999), história original do grande Isaac Asimov, que busca ao longo de sua longa vida somar ao seu intelecto as sensações humanas.

Aqui, completo citando outro filme de antecipação que também é um "filme menor", mas igualmente toca no inexorável do desenvolvimento científico-tecnológico: O 6º Dia (The 6th Day, 2000). Haverão robôs comandados completamente e simulando humanos. Haverão robôs que serão literalmente humanos, e até superiores a estes intelectualmente e em termos de aptidões físicas (aliás, o que não é grande proeza). Haverão (e já há, em determinados níveis) ciborgues, humanos melhorados e recuperados por máquinas. Haverão clones humanos. Pois ao que parece, já pilotamos aviões a distância, existem computadores que jogam xadrez melhor que qualquer humano e linhas de montagem de fábricas, e ninguém pode impedir um casal de ter uma réplica genética de um jovem filho perdido implantado m um de seus óvulos. Evitando, talvez, temores como os de O Enviado (Godsend, 2004) e reproduzir gênios do mal (ainda mais "aquele", com idéias repetidas no apartheid e logo, em Distrito 9) como em Os Meninos do Brasil (The Boys from Brazil, 1978).

E nestas diversas coisas, haverão questões morais, mas nenhuma pode ser encarada como imoral pura, simples e "pré-conceituosamente"*.

*Aqui, a grafia errônea se fez necessária.

Algumas das brilhantes publicidades de Substitutos:

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Cinco Absurdos Argumentos Criacionistas - V

"Evolução é matematicamente impossível"




Exemplos

A probabilidade astronomicamente pequena torna a evolução matematicamente impossível. Hoyle calculou que a probabilidade da produção ocasional apenas das enzimas básicas para a produção da vida são de 1 sobre 1 seguido de 40.000 zeros. Em comparação, a chance de, por acaso, pegar um átomo específico em todo o universo seria de apenas 1 sobre 1 seguido de 80 zeros. Mesmo que cada átomo existente se tornasse outro universo, as chances de pegar um átomo qualquer em todos esses universos seria de apenas 1 sobre 1 seguido de 160 zeros. Uma chance em 1040.000 só para produzir as enzimas básicas! Mas as enzimas realizam coisas notáveis, e esse fato complica ainda mais o problema da evolução com essas chances infinitamente pequenas.

BIOLOGIA REFORMACIONAL
CIENTISTAS DESCARTAM DARWIN! A EVOLUÇÃO É MATEMATICAMENTE IMPOSSÍVEL

O astrônomo Carl Sagan e outros cientistas renomados calcularam a possibilidade de o homem ter evoluído em aproximadamente 1 para 102.000.000.000.000. Esse é um número com dois bilhões de zeros à direita. De acordo com a lei de Borel, segundo a qual eventos cuja possibilidade de ocorrência esteja além de 1 x 1050 simplesmente não ocorrem, isso indica não haver probabilidade alguma. Os cientistas sabem que uma chance em 1015 é uma impossibilidade virtual. Desse modo, como podem crer em algo que tem muito menos do que uma chance em 101.000?

(Preservemos os pitorescos erros de notação em potência.)

Doa a quem doer

A evolução é matematicamente impossível

Em Chance and Necessity (Acaso ou Necessidade), o biólogo molecular Jacques Monod, premiado com o Nobel, dá uma dúzia ou mais razões sobre a total impossibilidade de ocorrência da EVOLUÇÃO. Ele explica, por exemplo, que a característica essencial do DNA é sua perfeita reprodução de si mesmo; essa evolução só poderia ocorrer através de um erro nessa operação; e que é um absurdo imaginar o desenvolvimento de uma única célula, muito menos do cérebro humano, a partir de uma série de erros aleatórios (eventual, fortuito, incerto) e prejudiciais ao mecanismo do DNA.

Evolução - A religião Impossível

A. A evolução é matematicamente impossível

Em seu livro “The Blind Watchmaker” (“O Relojoeiro Cego”), o zoólogo Richard Dawkins, da Universidade de Oxford, um destacado evolucionista, chama a biologia de "o estudo de coisas complicadas que dão a aparência de terem sido criadas com algum propósito."[4] Sem dúvida! Uma célula, a menor unidade viva, chega a ter 100.000 moléculas, e 10.000 reações químicas inter-relacionadas simultâneas. As células não podem ter surgido por acaso! Dawkins admite que cada célula contém, no seu núcleo, um banco de dados digitalmente codificado que é maior... do que a soma
de todos os 30 volumes da Enciclopédia Britânica."[5] É impossível sequer imaginar a ínfima probabilidade de o acaso criar uma enciclopédia de 30 volumes! E isso equivale apenas a uma célula – e há trilhões de células no corpo humano, milhares de tipos diferentes, operando em relacionamentos incrivelmente complexos e delicadamente equilibrados!


Aula ministrada pelo Professor: Luciano Vasconcelos Rocha

Já tratei deste tipo de "argumento" criacionista algumas vezes, tanto neste blog quanto em artigos mais formais.

"Lei de Borel", mais uma falácia criacionista

Falácia de Hoyle

Acrescentemos aqui exatamente a oposição matemática a este tipo de argumento da "impossibilidade" de algo acontecer, exatamente no que seja algo sério que tenha sido dito ou escrito por Borel, e em matemática formal, não "arrotos" de sapiência seja lá pelo que for, em uma de minhas contribuições à Wikipédia:

Lema de Borel-Cantelli

Mas antes de alongarmos, e talvez muito este tema, tratemos de algo que transcende em muito à cultura de almanaque dos criacionistas.

Os estranhos números de Chaitin

Temos que os números reais são divididos em números racionais, aqueles que podem ser representados por uma fração de números inteiros e números irracionais, que em contrapartida, não podem ser representados por frações de inteiros. Exemplos simples de racionais são o 2, que é inteiro, e todo inteiro pode ser representado por fração, como banalmente 4/2, o que torna a definição mais que coerente e clara, 0,5 que sendo igual a 1/2 também torna clara a definição, e números mais exóticos, como 0,14285714285714285714285714285714... que é igual a 1/7 e logicamente infinitos números com infinitas casas decimais que nascem de frações como estas (e muito mais exóticas).

Já os números irracionais são divididos em algébricos, como a raiz quadrada de 2, igual a 1,4142135623730950488016887242097... , que embora pareça algo inimaginável de ser racionalizado (e aqui, o trocadilho infeliz é didático), é exatamente oriundo de uma equação x elevado a 2 dendo igual a 2, e daí exatamente o nome destes números irracionais. Uma curiosidade: toda raiz quadrada de número primo é um irracional algébrico, e a demonstração disto é de uma beleza singela em teoria dos números. É curiosa também a lenda - talvez história - de que a descoberta e demonstração dos números irracionais por Hipaso de Metaponto o tenha levado à execução pelos Pitagóricos, fanáticos por números racionais, logo, a fundo, inteiros.

Também existem os números irracionais transcendentes, como π e e (o número de Euler), que são resultantes de uma série, uma soma infinita, como podemos ver nos seguintes artigos:

π Wikipédia em "pt"

Número de Euler

E de maneira ainda mais vasta em:

π Wikipédia em "en"

e (mathematical constant)

Tenho de destacar que equação algébrica alguma produzirá os números transcendentes.

Mas há, dentre os transcendentes, um outro tipo, e aqui, nasce toda uma nova maneira de ver a Física e suas relações com Matemática.

Antes, vamos apresentar aos meus leitores um útil dado, conhecido por romanos e por jogadores de RPG, o D10.



Imaginemos agora um dado de 10 lados como este, perfeito, bem equilibrado, que possua lados marcados de 0 a 9, os nossos 10 algarismos do sistema decimal.

Um dado destes, jogado infinitas vezes, produziria um número decimal irracional aleatório, que acredito seja óbvio, não é algébrico, mas igualmente, não é representável/obtível por uma série, pois é aleatório.

Assim, retomando, números irracionais transcendentes aleatórios não podem ser representados apenas por algorítmos (incluindo equações) que os contenham (no linguajar típico do ramo, tais números são chamados de "incompressíveis"), logo, não suportam modelos que sejam mais simples que eles próprios, como são as simples equações como x^2, que produzem, por exemplo, a raiz quadrada de 2 ou as séries vistas que produzem π ou e.
Logo, se a natureza os apresenta ou existem pontos ou grandezas que "passem"/se originem por/em seu valor, mas podem ser tratadas por modelos físicos, a Física torna-se consequentemente incompleta ao tratá-los, e este conceito deve agora se tornar MARCADO no cérebro de quem me lê.

O estudo os números de Chaitin nasceu da pesquisa em probabilidades de sistemas multicomponentes, como os circuitos eletrônicos, apresentarem defeito, e nasce a definição que constantes ômega, são chamados tais números associados à sistemas e sua probabilidade de defeitos serem irracionais e transcendentes, de uma definição formal em matemática. E evolui um número ômega para uma constante de Chaitin. Logo, não há o que se discutir neste campo, pois o raciocínio envolvido é matemática pura, e transcende (bis para um trocadilho didático) o evidenciável.
Logo, uma Matemática, mesmo aplicada na forma de modelos físicos, não pode construir uma Física teórica "por si", plenamente confiável. Portanto, só nos resta uam Física empírica, falseacionista, demarcada, de MODUS TOLLENS, não MODUS PONENS.

Em outras palavras mais enxutas, só resta o formalismo em Física, e não o construtivismo. Noutros termos, pode-se formalizar as evidências por modelos matemáticos, não se pode poupar a ciência (toda ela amparada na Física - e guardemos esta frase) de testar os modelos pois não se pode, a partir de coerência matemática, construir modelos físicos permanentemente, de maneira contínua com base nos modelos matemáticos mais basais.
Para um entendimento mais completo desta questão, escrito pela mão de um mestre, recomendo:
Gregory Chaitin; THE LIMITS OF REASON; Scientific American 294, No. 3 (March 2006), pp. 74-81
Versão em PDF
Na edição brasileira, ano de 2006, n°47; Limites da Razão, com o seguinte resumo:
Idéias sobre complexidade e aleatoriedade propostas no século XVII, quando combinadas com a moderna teoria da informação, mostram que é impossível construir uma "teoria de tudo".
Sobre este tema, convém ler ou reler minha outra blogagem, e ver como a coisa se torna coerente por outro caminho, mais pela Filosofia da Ciência e suas afirmações:

Ovelhas no campo, a cor dos cisnes e dos corvos

Esta estrutura de conhecimento, chamada também em suas bases de Metamatemática, a análise do que realmente seja a matemática, já produziu o Teorema da Incompletitude de Chaitin que guarda relações com raciocínios que já nasciam em Biron e Pascal, e tiveram continuidade por um caminho mais de lógica aplicada nos teoremas de incompletitude de Gödel. Neste artigo da Wiki, mais que "digestivo", recomendo ler com atenção as consequências, conjuntamente com o Princípio de Incerteza da Mecânica Quântica, por uma destruição do indeterminismo, e portanto, não só a Matemática não produz Física, mas só é hoje adequada se for uma Matemática adequada ao probabilístico.

Se a Química é dependente da Física, esta igualmente tem de ser empírica, no subtítulo de Química, Uma Ciência Experimental, do Chemical Education Material Study, frase que marcou minha vida como noção mais fundamental do que seja esta ciência.

Se a Bioquímica é o campo intermediário entre a Química e a Biologia, e é totalmente dependente dos "princípios e leis" da Química, só podemos costruir uma Bioquímica empírica.

Desta Bioquímica aplicada aos ainda mais complexos modelos biológicos, terreno do caos e das relações com o ainda mais dinâmico ambiente geológico*, construir-se-á uma Biologia empírica.

* Pois me parece que uma galinha bota um ovo com uma galinha no máximo um pouco diferente, mas uma estável montanha como o Monte St Helen explode pouco se interessando se ovelhas ou veados pastem tranquilos ou as pinhas estejam ou não maduras, ou um gênio como Bach ou o mais honesto dos ecologistas morem nas proximidades.

Assim, por meio desta marcha lógica, chegamos à conclusão que modelo exato algum, contruível a partir de axiomas, postulados oriundos de sensos comuns inequívocos (como se tal existisse), e só construiremos modelos aproximados, confiáveis, estatísticos da realidade biológica (sem falar das realidades mais profundas, a bioquímica que compõe a vida, a química sobre a qual se estrutura e a realidade física, sobre a qual toda realidade se estrutura e sua homônima Física, mais profunda das ciências popperianas.

Assim, por outra direção, Matemática alguma sobre axiomas contruirá quanto mais Física, muito menos o comportamento dos seres vivos no espaço e no tempo. Logo, finalmente, como mpretendíamos desde o início, mesmo com argumentos que não sejam ridículos (e esta é realmente a classificação dos argumentos criacionistas quando enveredam por matemática sofrível), Matemática formal e sólida alguma derruba T.E. como teoria científica e a evolução dos seres vivos como fato.