quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Cantor novamente e pseudomatemática


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O pitoresco campo da Pseudomatemática

ou

Os “idiotas da aldeia” de Umberto Eco que juram que sabem “fazer contas”

Pseudomatemática, ou excentricidade matemática, é uma forma de atividade semelhante à matemática que visa promover um conjunto de crenças questionáveis ​​que não aderem à estrutura de rigor da prática matemática formal. A pseudomatemática tem equivalentes em outros campos científicos, como a pseudofísica, e se sobrepõe a estes até certo ponto.


A pseudomatemática frequentemente contém uma grande quantidade de falácias matemáticas, cujas execuções estão ligadas a elementos de engano, em vez de tentativas genuínas e malsucedidas de resolver um problema. Na maioria das vezes, a busca excessiva de pseudomatemática pode resultar em o praticante ser rotulado de excêntrico. Por ser baseada em princípios não matemáticos, a pseudomatemática não está relacionada a tentativas de provas genuínas que contêm erros. Na verdade, tais erros são comuns nas carreiras de matemáticos amadores, alguns dos quais continuariam a produzir resultados célebres.


O tópico da ”crankery (manivela) matemática” foi extensivamente estudado pelo matemático Underwood Dudley, que escreveu várias obras populares sobre matemáticos crank e suas ideias. 


https://en.wikipedia.org/wiki/Pseudomathematics 


Nota

Crank [“manivela”, e pode-se entender no Brasil como “pedalar, ou pedalada”, ou, nos termos desse tradutor, “(o que dá ou dar) balão, baloeiro”] é um termo pejorativo usado para uma pessoa que mantém uma crença inabalável que a maioria de seus contemporâneos consideram falsa. Uma crença excêntrica está tão em desacordo com as comumente defendidas que é considerada ridícula. Os excêntricos normalmente rejeitam todas as evidências ou argumentos que contradizem suas próprias crenças não convencionais, tornando qualquer debate racional uma tarefa fútil e tornando-os impenetráveis ​​aos fatos, evidências e inferências racionais.


https://en.wikipedia.org/wiki/Crank_(person) 


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Entre os meus deslizes de registrar coisas nos últimos anos, está a tortura que causei ao “filósofo” Olavo de Carvalho e diversos “olavistas” sobre a cardinalidade de George Cantor e outros conceitos relacionados.

Lamento, pois a coisa foi muito divertida.

Mas restaram anotações, e em especial, a relação disso com a observação de Galileu (entre outras ainda mais antigas) sobre a infinitude dentro de conjuntos de números.

Da trivial Wikipédia:

O paradoxo de Galileu é uma demonstração de uma das propriedades surpreendentes dos conjuntos infinitos. Em seu trabalho científico final, Duas novas ciências, Galileo Galilei fez afirmações aparentemente contraditórias sobre os inteiros positivos. Primeiro, alguns números são quadrados, enquanto outros não; Portanto, todos os números, incluindo quadrados e não quadrados, devem ser mais numerosos do que apenas os quadrados. E ainda, para cada número há exatamente um quadrado; portanto, não pode haver mais de um do que do outro. Este é um uso inicial, embora não o primeiro, da ideia de correspondência um a um no contexto de conjuntos infinitos.


https://en.wikipedia.org/wiki/Galileo%27s_paradox 


Um quadro mais amplo da tortura executada pode ser listado por:


Números naturais:


N={0, 1, 2, 3, 4, 5,...}


Números naturais pares:


Np={0*2, 1*2, 2*2, 3*2, 4*2, 5*2,...}


Números naturais múltiplos de 3:


N("m3")={0*3, 1*3, 2*3, 3*3, 4*3, 5*3,...}


Números naturais quadrados dos números naturais (todos naturais, obviamente*):


N(^2)={0^2, 1^2, 2^2, 3^2, 4^2, 5^2,...}


Números naturais cubos dos números naturais (*idem):


N(^2)={0^3, 1^3, 2^3, 3^3, 4^3, 5^3,...}


Números naturais potências n dos números naturais (*idem):


N(^n)={0^n, 1^n, 2^n, 3^n, 4^n, 5^n,...}


Números naturais fatoriais dos números naturais (*idem):


N(^n)={0!, 1!, 2!, 3!, 4!, 5!,...}


Agora, aguardamos demonstração que estes conjuntos, como bem mostram o "índices" 1, 2, 3, 4, 5... não tenham a mesma quantidades de números.



"Ninguém nos poderá expulsar do paraíso que Cantor criou." - David Hilbert


https://pt.wikipedia.org/wiki/Georg_Cantor 



Um sábio conselho do titio aqui (na ocasião, de alguém que pretendeu em delírio usar a Wikipédia para defender algo contra as questões apresentadas):


Não cite Wikipédia quando não sabe do que se trata o artigo. É uma variação grosseira da Lei de Scopie.


https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Scopie 


quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Seleção natural, esta incompreendida


E “ajuste fino”, esta grosseria 

 

1


Um argumento “dose para elefante”


ou

“Passos do elefantinho” para entender porque seleção natural não pode ser negada.


Muito me é interessante os criacionistas afirmarem-se "contra" a seleção natural.


Ora, se é inegável, peguemos os exemplos destacados, que entre os enormes proboscídeos, nossos amigos elefantes, existiram diversas imensas variedades, como os mamutes, os dinotérios, os mastodontes e o Platytibelodon, todos extintos e perfeitamente diferenciáveis, todos derivados (dentro de uma argumentação criacionista) do "baramin" elefante (para não lotarmos ainda mais a arca do pobre Noé), e hoje só restam o elefante asiático e o africano, em sua variedade da savana e da floresta (o que reforça a "microevolução do baramin elefante"), então é óbvio que as variedades extintas foram selecionadas, seja por mudança climática (mamute), seja por uma determinada alteração no ambiente que não permitiu mais seu sustento (o gigantesco dinotério). Logo, pela própria argumentação criacionista, a seleção natural ocorreu.


Nota:


Não nos esqueçamos do seguido "pensamento em mola" e não "em catraca", aparentado com o "em escada" vs "em árvore" que aplicam aos processos evolutivos.


Da mesma maneira que afirmam a genética não permitir acréscimo de informações (a resiliência de uma mola, voltando ao estado original) ― alguns autores que tratam genética de maneira termodinâmica inadequada insistem nisso ― afirmam que passos de variações em somatório, processo estocástico - não podem ocorrer.


Algo que qualquer observação do processo histórico das espécies domésticas, como os primeiros passos de Darwin, já mostra-se errôneo.



2


Ajuste fino, esse ‘filosofês’ um tanto grosseiro


Em conversa recente com meu amigo Marino Martins, bioquímico, tive a percepção que pode ter surgido um argumento interessante contra os criacionistas que usam dessa argumentação para afirmar um design inteligente na maior escala do universo possível, a partir das constantes físicas e das próprias lei físicas.

A conversa nasceu a partir desse artigo:

Haskell, M. Fine-tuning the Universe. Nature 461, 134 (2009). https://doi.org/10.1038/461134a - https://www.nature.com/articles/461134a 


Obs.: Fico devendo ainda a tradução do diálogo apresentado nesse artigo.


O argumento apresentado por meu amigo Marino é simples.

Os criacionistas apresentam um universo feito para a vida, o que é uma proporcional e imensa tolice, pois o que sejam as janelas para a vida tal como a conhecemos estreitam-se entre temperaturas polares e as desérticas, exigem água líquida e toda uma ecologia para podermos ter de ursos polares e focas à bactérias, além de peixes com presença em seus corpos de fluidos que impeçam o congelamento.

Aqui, desprezam que onde há vida já no sistema solar mostra-se a superfície de um planeta de 5,972 × 10^21 toneladas, apenas de alguns quilômetros de profundidades até raras bactérias flotando numa altitude limitada de uma atmosfera de mais pouco mais de dezena de quilômetro de altitude, frente um sistema solar que apenas entre o Sol e Júpiter soma 1,991 × 10^27 toneladas, de onde a vida ocupa, mesmo considerando o planeta todo como seu habitat - um erro claro - 0.0003% da massa do sistema solar.

Qualquer cálculo para a galáxia ou o universo torna o resultado ainda pior, pois a massa do Sol, em termos de massas estelares, é pequena, e hoje sabemos que nosso sistema solar não prima por ser dotado dos mais massivos planetas.

Assim, podemos afirmar, no máximo, que o universo abriga a vida, nada mais.

Mas meu amigo Marino concentra-se num ponto esquecido, que não é uma distribuição no espaço (como o fiz aqui em relação à massa do substrato que é o “universo” - e somente a ínfima Terra temos até o momento de amostra, infelizmente). Ele foca-se no tempo, no histórico da vida sobre a Terra.

Esqueçamos as extinções, tanto os grandes eventos - um alerta que o universo claramente tenta eliminar a vida seguidamente - assim como as extinções constantes de espécies, que mostra para o passado um permanente ‘genocídio’. 


A Terra não pode abrigar vida em toda sua história, e tanto que mesmo com o surgimento da vida lá pelos estimados 3,8 bilhões de anos atrás, o período anterior, especificamente por uma questão de temperatura superficial, não permitia a vida.

Claro que podemos aqui cruzar por uma argumentação de que mal a temperatura foi adequada, a Cinética Química e a Termodinâmica - intimamente relacionadas, conduziram à formação de vida, o que faz esse autor aqui confiar numa tendência natural do universo de formar vida, uma obrigatoriedade termodinâmica da vida, mas tal não passa de uma conjectura a qual temos acrescentado dados, e nada além da Terra por enquanto temos.

Mas essa vida surgida na Terra ainda passa um tanto mais de bilhão de anos sem produzir qualquer complexidade além de células isoladas, e uma boa parte delas sem mais complexidade nessas células que as bactérias possuem.



Divulgação:


Formas de vida complexas teriam surgido há 2,1 bilhões de anos


Pesquisadores franceses encontraram, no Gabão, fósseis dos organismos multicelulares mais antigos já registrados


https://veja.abril.com.br/ciencia/formas-de-vida-complexas-teriam-surgido-ha-21-bilhoes-de-anos/ 


Para mais artigos científicos sobre Grypania spiralis:


https://en.wikipedia.org/wiki/Grypania 



Grypania é um fóssil primitivo em forma de tubo do éon Proterozóico. O organismo, com tamanho superior a um centímetro e forma consistente, poderia ser uma bactéria gigante, uma colônia bacteriana ou uma alga eucariótica. Os mais velhos fósseis prováveis de Grypania datam de cerca de 2300 milhões de anos atrás (redatados dos 1870 milhões anteriores) e o mais jovem estendeu-se até o período Ediacarano. Isso implica que o intervalo de tempo desse táxon se estendeu por 1200 milhões de anos.”


Para o trabalho divulgado:

Albani, Abderrazak El; Bengtson, Stefan; Canfield, Donald E.; Bekker, Andrey; Macchiarelli, Roberto; Mazurier, Arnaud; Hammarlund, Emma U.; Boulvais, Philippe; Dupuy, Jean-Jacques (2010-07-01). "Large colonial organisms with coordinated growth in oxygenated environments 2.1 Gyr ago". Nature. 466 (7302): 100–104. doi:10.1038/nature09166. ISSN 0028-0836. PMID 20596019


Maxmen, Amy (2010-06-30). "Ancient macrofossils unearthed in West Africa". Nature News. doi:10.1038/news.2010.323


Sobre o pesquisador principal: https://en.wikipedia.org/wiki/Abderrazak_El_Albani 


Retornando ao ponto de meu amigo Marino, a pergunta que tem de se fazer aos criacionistas é: 


De que vida (então) eles estão falando?

Percebamos que a taxa de formas de vida inteligente na Terra, incluindo aqui todo o clado primata, não pode ser afirmada além - forcemos o argumento - além de 65 milhões de anos de um histórico da vida de 3,8 bilhões, ou seja 1,7% do tempo das formas de vida sobre a Terra, e isso apenas em um clado de centena de milhões de espécies já existentes, obviamente em grande número já existentes.


E logo, essa vida, seja qual for, tem-se de perguntar:

Esse “ajuste fino”, apenas aqui na Terra, se dá em qual momento na história? Ele vale para qual período?



Para uma análise mais detalhada dos erros e falácias desse argumento, recomendamos:

Argumento do Ajuste-fino - Naturalismo Wiki


https://naturalismo.fandom.com/pt-br/wiki/Argumento_do_Ajuste-fino 


Nos nossos ar quivos:


https://docs.google.com/document/d/1JNB7Mc0mGLzYPe8-wIs4UXXfpgRiHh1OXEXHkqLuyRQ/edit?usp=sharing 



Estamos todos conectados, entre nós, biologicamente; à Terra, quimicamente e ao Universo, atomicamente.


Não somos melhores do que o Universo. Somos parte dele. 


― Neil DeGrasse Tyson



"Clausura cognitiva: espaço ocioso entre orelhas de burro." - @bschopenhauer



E os que citam versículos 

com chatice implacável,

de maneira imperdoável,

moem meus testículos!


― Francisco, O Herege (o personagem que criei ainda nos tempos da rede social Orkut)


domingo, 17 de janeiro de 2021

Notas biopoéticas 13 - 18

Mais cacos “das moléculas ao homem”.


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Uma pequena nota antes de um tenso “debate”:

As leis que regem a formação de moléculas são as leis da Física, da Química, nada além delas.


A codificação evolui (complexa-se) na medida que as polimerizações ocorrem e sistemas de moléculas "colaborantes" emergem.


Criacionista ou análogo: Então por que o RNA (e presumo que o DNA também, já que este é mais complexo) e considerado o pesadelo dos químicos pré-bióticos?


Resposta: Avanços no sentido de entender-se a formação do RNA tem sido feitos.


Moléculas análogas ao PNA tem sido as mais sólidas candidatas, e há passos intermediários já colocados.


Não há isso de "pesadelo" no sentido de "sem qualquer possibilidade de saber como tenha ocorrido".


Exemplos:

New Study Brings Scientists Closer to the Origin of RNA - phys.org


Imagem de microscopia de força atômica de estruturas formadas pela auto-montagem do nucleósido TAP-ribose com ácido cianúrico. Crédito: Nicholas Hud.


Análise rápida do artigo “Asphalt, Water, and the Prebiotic Synthesis of Ribose, Ribonucleosides, and RNA” - centraldaciencia.wordpress.com


O artigo original:

Steven A. Benner, Hyo-Joong Kim, and Matthew A. Carrigan; Asphalt, Water, and the Prebiotic Synthesis of Ribose, Ribonucleosides, and RNA; Acc. Chem. Res., 2012, 45 (12), pp 2025–2034 - DOI: 10.1021/ar200332w - pubs.acs.org/doi


Michael P Robertson and Gerald F Joyce; The Origins of the RNA World; Advance April 28, 2010, doi: 10.1101/cshperspect.a003608 - cshperspectives.cshlp.org



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Criacionistas e similares teimam com a "ausência" do O2 na atmosfera primitiva.


O “argumento” baseia-se em supor que como o O2 não existia, e portanto, não poderia haver o ozônio, e logo, o UV chegava à superfície.


Mal sabem que depende esse dos fotossintetizantes, e isso encaixa-se com o processo evolutivo num quadro mais amplo, no seu histórico.


Igualmente, não se dão conta que muito boa parte da existência da vida conviveu com uma atmosfera extremamente "opaca" e que isso bloqueava o UV, além do que, nas partes mais altas da atmosfera, este mesmo UV produzia "em chuva" novas espécies químicas reativas, e muito da vida existia somente em determinada profundidade de lâmina d'água, que por si já bloqueia o UV.



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Afirmação: "Seleção não se encaixa na origem da vida, impossível."


Ao contrário, se encaixa.


Espécies químicas mais estáveis, catalíticas, automultiplicantes e ao fim colaborantes (sistemas) permanecem mais no meio.


Mas o termo tem de ser completado para "seleção química", pois não há ainda (obviamente) a genética nem algum de seus antecedentes diretos.


Proto-ribozimas, análogos ao PNA, análogos ao TNA, análogos ao RNA, RNA auto-replicante, proto-DNA, DNA.


Os ácidos nucleicos são proteínas modificadas, o que por si já é uma significativa pista.


Logo, havendo proteínas auto-replicantes, e eles banalmente existiram por seus nichos de catálise, típicos, chegou-se no sistema de replicação de genética mais simples.


Deste, perpetuou-se a replicação do sistema.


Não temos certos passos, e talvez nunca os tenhamos, mas afirmar "óh, é complexo então foi um designer externo ao natural", não é resposta. É só o conjunto de erros até de lógica de costume.


Colocar um sistema atual (que na verdade já tem no básico uns 3,7 bilhões de anos) como o ponto de partida único do que seja o processo é uma tolice.


Colocar que mesmo ele sendo produto de milagre, um impedimento de processo evolutivo, tolice maior, pois infelizmente, a argumentação do Design Inteligente não impede processo evolutivo.


Por ironia: Tanto que o sistema de replicação poderia ser produto de “duendes roxos de Alfa-Centauro”* e ainda sim, qualquer ser vivo na Terra é uma bactéria modificada.


* Só aqui, um exemplo de argumento que refuta qualquer argumento do tipo Paley. Ele não é concludente por uma divindade. Q.E.D..


A vida começou a ser selecionada desde que surgiu. Os mais marcantes fatores de seleção nos primeiros 2 bilhões de anos da vida na Terra foram as variações de temperatura.


( Relacionado basicamente com o "modelo termodinâmico" que a Terra segue, que necessita para não ser completamente congelada - hipótese da "bola de neve" - de gases de efeito estufa. )


Nesse meio tempo, o surgimento de fotossintetizantes produziu um novo fator muito dominante, que foi a produção de oxigênio.


Os grandes depósitos de óxido de ferro vermelho de diversas partes do globo são um registro desse processo, de grande escala. (ver Grande Evento de Oxigenação (GEO))


A vida não surge na Terra "de um habitat". Isso é na verdade, um erro ao se entender o processo.


Os vulcanismos no Hadeano era realmente mais intensos que os dos períodos seguintes e tiveram sua "inércia" no tempo posterior, o bombardeio de corpos celestes ainda abundantes no sistema solar ainda era intenso e disseminado pela superfície terrestre. (ver intenso bombardeio tardio (IBT))


Como fator que talvez seja bastante exclusivo da Terra, que com a Lua forma um sistema binário, as marés oceânicas eram colossais, de centenas de metros, e persistiram mantendo o meio reagente dos oceanos por muito tempo em grande agitação, proporcionando por simples mecanismos de contato em reações químicas o surgimento de reagentes probióticos.


Acrescente-se uma atmosfera mais parecida com a atmosfera de Vênus, com muito maior densidade e viscosidade, com fenômenos eletrostáticos mais intensos, maior temperatura, produzindo permanentemente precipitação de moléculas em complexação, pelos mecanismos do tipo Miller-Urey.



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O termo “explosão”, como seguidamente é usado em “Explosão do Cambriano”, é inadequado para tratar o que tenha sido a biopoese, e um dos seguidos erros básicos dos criacionistas.

Para se entender porque o termo "explosão" em termos de evolução do Cambriano é praticamente uma "peça de marketing", tem hoje de entender-se a fauna Ediacara:


pt.wikipedia.org - Biota ediacarana



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Uma pergunta corriqueira: A codificação genética pode surgir por si ou necessita de agente externo (necessariamente inteligente)?

A primeira pergunta que tem de ser feita é:


A codificação genética é da mesma natureza mais profunda como resultado de um processo que é a codificação lógica produto do humano?


A resposta é não.


A genética é emergente das polimerizações químicas e sistemas moleculares multi-reagentes / colaborantes.


Um algoritmo ou sistema de linguagem humano é um produto cultural, fruto das capacidades não propriamente lógicas do primeiro.


A analogia é válida, mas a plena similaridade é falha.


Já um cristal de gelo tem configurações (codificações de orientação) independentes de ação externa (como dizemos, inteligente):



Confunde-se até o resultado de sobrevivência entre variedades com o que seja um projeto.


Demonstração simples:


Moléculas são codificações?


Por um definição de cultura (e nesta a linguagem humana, limitada e no fundo errônea para tratar o problema), sim.


Então moléculas não poderiam se complexar por simples processos naturais.


Lamentamos, mas o trivial exemplo:


CO2 + H2O H2CO3


Ou, e relacionado com as polimerizações de aminoácidos, as proteínas:

Hexametilendiamina + Ácido Adípico Poliamida do tipo 6'6', conhecida como nylon, com peso molecular na casa de centena de milhar.


Ainda faltam sistemas?


Reagentes Enzima Enantiosseletiva Molécula Quiral, com orientação espacial selecionada.


Logo, moléculas se complexam, formam ordem de encadeamento e escolhem configuração no espaço.



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Trata-se de um artigo sobre maquinário celular, e não propriamente sobre biopoese, mas devido às relações da formação do maquinário celular mais básico em LUCA e certamente nos seus “contemporâneos e ancestrais”, deixo dentro desta coletânea.

Mas acrescentaria que apresenta-se “nas entrelinhas” a questão de que se hoje existem reações catalisadas por moléculas pequenas compostas com metais e a ação da luz, podem ter havido num passado pré-biótico reações destes tipos, sobre moléculas e sistemas pré-bióticos.

Keller MA, Piedrafita G, Ralser M.; The widespread role of non-enzymatic reactions in cellular metabolism. Curr Opin Biotechnol. 2015 Aug;34:153-61. doi: 10.1016/j.copbio.2014.12.020. Epub 2015 Jan 22. - PMID: 25617827 PMCID: PMC4728180 

DOI: 10.1016/j.copbio.2014.12.020 - www.ncbi.nlm.nih.gov


Resumo

As enzimas formam o metabolismo celular, são reguladas, rápidas e, na maioria dos casos, específicas. Contudo, as enzimas não impedem a ocorrência paralela de reações não enzimáticas. Reações não-enzimáticas foram importantes para a evolução das vias metabólicas, mas são retidas como parte da moderna rede metabólica. Eles se dividem em reatividade química inespecífica e reações específicas que ocorrem exclusivamente não enzimaticamente como parte da rede metabólica, ou em paralelo com as funções enzimáticas existentes. As reações não enzimáticas assemelham-se a mecanismos catalíticos tal como encontradas em todas as classes de enzimas principais e ocorrem espontaneamente, molécula pequena (por exemplo, metal) catalisada ou induzida pela luz. A ocorrência frequente de reações não-enzimáticas influencia a estabilidade e a estrutura da rede metabólica, devendo ser considerada no contexto de doenças metabólicas, modelagem de redes, biotecnologia e desenho de fármacos.