sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

As “perguntas” de Marcos Eberlin - Reedição Revisada

Há alguns anos, o criacionista Marcos Eberlin apareceu numa rede social e apresentou dez perguntas a serem respondidas por "evolucionistas". Elas foram respondidas por mim, e agora, dado que os argumentos dos criacionistas brasileiros permanecem os mesmos (quando não pioraram), julgo adequado fazer uma revisão das respostas que apresentei.




Uma reprodução das respostas originais pode ser encontrada aqui: universoracionalista.org

1. Existe mecanismo viável para gerar vida a partir de pequenas moléculas inanimadas na sopa primordial?

Resposta:

A pergunta de Eberlin parte de uma premissa reducionista. O termo "mecanismo", no singular, é um equívoco conceitual que tenta simplificar um processo multifacetado de Evolução Química em um evento único e isolado. A transição da geoquímica para a bioquímica não foi um "salto", mas uma gradação de complexidade que chamamos de Biopoese.

  • Processo, não Evento: A origem da vida não dependeu de um único mecanismo, mas de uma sucessão de etapas: síntese abiótica de monômeros, catálise mineral em fontes hidrotermais, auto-organização de lipídios e o surgimento de redes autocatalíticas (metabolismo primário).

  • A Falácia da Lacuna Epistemológica: O fato de não termos o registro fóssil molecular exato de cada reação ocorrida há 4 bilhões de anos (um desafio histórico, dado que a Terra é geologicamente ativa) não invalida os modelos termodinâmicos e químicos que temos hoje. A ciência busca viabilidade química, enquanto o Design Inteligente se apoia em uma falácia de incredulidade pessoal e no argumento do "Deus das lacunas".

  • O Erro de Categoria: É fundamental reiterar que a Teoria da Evolução das Espécies trata da diversificação da vida após o seu surgimento. Confundir Abiogênese com Evolução é um erro básico de categoria, embora ambas estejam conectadas pelo princípio da seleção natural atuando em níveis diferentes (químico vs. biológico).

  • Incongruência Lógica: Afirmar que a complexidade da biopoese implica um "Designer" é um argumento de ignorância. Logicamente, mesmo que não soubéssemos nada sobre a origem da vida, isso não conferiria validade automática à hipótese de uma inteligência criadora, muito menos a uma divindade específica.



2. Processos químicos puramente materialísticos não guiados podem explicar a origem do código genético?

Resposta:

Sim. A ideia de que o código genético exigiria uma "inteligência" advém de uma compreensão equivocada do que é informação biológica, tratando-a como um conceito abstrato e não como uma propriedade física e química de polímeros.

  • O Mundo de RNA e a Ribozima: A descoberta de que o RNA pode tanto armazenar informação quanto catalisar reações químicas (atuando como enzima) quebrou o paradoxo de "quem veio primeiro". Modelos atuais de evolução química mostram como moléculas de RNA podem se autorreplicar e evoluir em complexidade. "Fósseis moleculares" como os viróides e virusóides (pequenos segmentos de RNA circular sem capsídeo) e os ribossomos (cuja parte ativa é RNA, não proteína) são evidências vivas dessa transição.

  • Síntese Abiótica de Nucleotídeos: Avanços recentes na química prebiótica (como os trabalhos de John Sutherland) demonstram que as bases nitrogenadas e o açúcar (ribose) podem ser sintetizados a partir de moléculas simples sob condições plausíveis na Terra primitiva, utilizando catálises minerais e luz UV. O código não "surgiu pronto"; ele se estabilizou.

  • Não-Arbitrariedade do Código: Diferente de uma linguagem humana onde as palavras são arbitrárias, há evidências de que a organização do código genético possui uma base bioquímica: certos aminoácidos apresentam afinidade física por suas sequências de RNA correspondentes. O código é, portanto, o resultado de seleção natural em nível molecular (otimização contra erros de tradução).

  • Irrelevância para a Evolução Biológica: Novamente, é preciso destacar que a Teoria da Evolução explica o que ocorre após a estabilização dos mecanismos de herança. A origem específica do código é um campo da Bioquímica e da Termodinâmica de Sistemas Fora do Equilíbrio, e a ausência de uma descrição passo-a-passo completa não justifica a inserção de uma causa sobrenatural.

O argumento criacionista de "tudo ou nada" falha ao ignorar a exaptação e a evolução modular. A maquinaria de tradução não surgiu pronta; ela é o resultado de uma "colonização" funcional de um espaço químico pré-existente.

  • A Progressão das Estruturas: Como observado na análise de análogos como PNA, TNA e p-RNA, a natureza não está limitada a um único design. O surgimento do ribossomo começou com pequenas sequências de RNA catalítico (ribozimas) que tinham afinidade por aminoácidos simples.

  • A "Cicatriz" Química: O coração do ribossomo moderno ainda é feito de RNA (o local de catálise peptídica), o que é uma prova histórica de que as proteínas foram "recrutadas" posteriormente para aumentar a eficiência de um processo que o RNA já realizava sozinho.

  • Cooperação Gradual: Não houve uma "cooperação de dezenas de proteínas" desde o início. Houve um acúmulo modular. Pequenos peptídeos estabilizaram RNAs catalíticos; esses RNAs mais estáveis produziram peptídeos melhores, criando um ciclo de feedback positivo que a seleção natural otimizou ao longo de eras.

  • O Espaço Químico: A existência de moléculas como o homo-DNA ou TNA (vistos na imagem) mostra que a biologia atual ocupa apenas uma pequena fração do que é quimicamente possível. O código genético e sua tradução são o resultado da sobrevivência da configuração mais robusta e eficiente em um ambiente específico, e não uma imposição inteligente externa.

Como acréscimo, apresentaríamos a seguinte sequência de moléculas:


evol quimica 2.JPG

A partir de: 


LE Orgel ;Prebiotic Chemistry and the Origin of the RNA World. Critical Reviews in Biochemistry and Molecular Biology, 39:99–123, 2004

http://www.d.umn.edu/~pschoff/documents/OrgelRNAWorld.pdf 

ou http://informahealthcare.com/doi/pdf/10.1080/10409230490460765

ou http://bonhamchemistry.com/wp-content/uploads/2012/01/RNA_World.pdf 


3. Mutações aleatórias podem gerar simultaneamente todo o grupo de informação genética requerida para a formação de estruturas irredutivelmente complexas?

Resposta:

A pergunta contém uma falha lógica conhecida como "pergunta complexa", pois assume como fato a existência de algo que a ciência já demonstrou ser um conceito equivocado: a Complexidade Irredutível.

  • A Inexistência da Irredutibilidade: Nenhuma estrutura biológica analisada até hoje se provou irredutível. O que o Design Inteligente chama de "irredutível" é, na verdade, o resultado de um processo de exaptação. Peças que antes serviam para a função A são recrutadas e modificadas para a função B. O motor flagelar bacteriano, por exemplo, compartilha a maioria de suas proteínas com o sistema de secreção do Tipo III (uma "seringa" molecular usada por patógenos), provando que seus componentes tinham utilidade em formas mais simples.

  • O Erro do "Simultâneo": A evolução não exige que toda a informação surja "simultaneamente". Ela trabalha com o acúmulo de modificações ao longo de gerações. A seleção natural retém pequenas vantagens funcionais que, acumuladas, geram sistemas complexos.

  • Prova Experimental (A bactéria do Nylon): O surgimento da nylonase na bactéria Flavobacterium é um exemplo clássico de "nova informação". Através de uma mutação por deslocamento de leitura (frameshift) em um gene pré-existente, surgiu uma enzima capaz de degradar subprodutos do nylon (um polímero sintético que não existia antes de 1935). Isso prova que processos puramente físico-químicos (radiação, instabilidade atômica, erros de replicação) geram novas capacidades metabólicas sem qualquer guia inteligente.

  • Mecanismos Físicos: As mutações não são "mágicas", mas eventos estocásticos fundamentados na termodinâmica e na química quântica (tautomerismo de bases, ação de radicais livres). Negar que esses processos geram novos arranjos é negar a própria biofísica molecular.


4. Por que a seleção natural luta para fixar características vantajosas nas populações?

Resposta:

A pergunta é construída sobre um erro semântico e teleológico. A seleção natural não "luta", pois não possui vontade, objetivo ou agência. Ela é um processo estatístico de sobrevivência diferencial.

  • Ausência de Teleologia: Uma característica não se fixa porque "quer" ou porque o organismo "precisa". Ela se fixa porque os indivíduos que a possuem deixam mais descendentes do que os que não a possuem. Se a coloração da plumagem de uma ave favorece a camuflagem contra um predador, essa característica será herdada com maior frequência. É um resultado mecânico, não uma luta.

  • O Designer é a Morte: Como bem observado, a aptidão que vemos hoje é o que restou após o rigoroso filtro da mortalidade e da esterilidade. O que chamamos de "vantajoso" é simplesmente o que sobreviveu às pressões seletivas.

  • Aptidão Contextual: A vantagem é sempre relativa ao meio. Se o pH de um lago muda devido a uma atividade vulcânica, uma característica anteriormente "neutra" ou até "desvantajosa" pode se tornar a chave para a sobrevivência. A evolução não planeja; ela responde às contingências ambientais.


5. O surgimento abrupto de espécies no registro fóssil (Explosão Cambriana) e as “formas transicionais” até hoje lá encontradas apoia a evolução preconizada por Darwin?

Resposta:

Sim. A "Explosão" Cambriana é um termo que descreve um aumento na complexidade e na biomineralização (surgimento de carapaças e esqueletos que fossilizam mais facilmente), mas não foi um evento instantâneo nem desprovido de antecedentes.

  • Antecedentes e a Fauna de Ediacara: Descobertas paleontológicas modernas mostram que a vida complexa já estava diversificada milhões de anos antes do Cambriano. A Fauna de Ediacara apresenta organismos multicelulares que serviram de prelúdio ou base para o que veríamos depois. O "abrupto" na geologia pode significar 10 a 20 milhões de anos — tempo mais que suficiente para grandes mudanças morfológicas.

  • Graus de Liberdade e Ecologia: O Cambriano marca a ocupação de nichos ecológicos vazios e o surgimento da predação ("corrida armamentista biológica"). Dos dezenas de planos corporais (baupläne) que surgiram, apenas alguns (como cordados, artrópodes e moluscos) prosperaram. Isso é o oposto de um "design inteligente" perfeito; é um experimento massivo de tentativa e erro onde a maioria das linhagens foi extinta.

  • Formas Transicionais: A afirmação de que não existem fósseis transicionais é falsa. Possuímos registros vastos de transições (da água para a terra como o Tiktaalik, de dinossauros para aves como o Archaeopteryx, e a evolução dos cetáceos). A falta de um fóssil para cada geração de uma espécie é uma limitação da fossilização (um evento raro), não uma falha da teoria.

  • Atualização de Darwin: Embora Darwin estivesse correto sobre o mecanismo básico, a síntese evolutiva moderna incorporou a genética e o equilíbrio pontuado, explicando perfeitamente por que o registro fóssil apresenta períodos de estase seguidos de mudanças rápidas em populações isoladas.


6. A biologia moderna tem obtido êxito na corroboração de uma “Árvore da Vida”?

Resposta:

Sim. A "Árvore da Vida" (ou o Cladograma Universal) não é apenas uma metáfora, mas uma representação matemática e biológica da ancestralidade comum, corroborada por múltiplas linhas de evidência independentes.

  • Convergência de Evidências: A árvore construída pela Paleontologia (registro fóssil) coincide de forma impressionante com a árvore construída pela Genética Molecular (sequenciamento de DNA e proteínas). O fato de dois métodos tão distintos produzirem o mesmo quadro geral é uma das maiores provas da evolução.

  • Preenchimento de Lacunas: Como bem observado, os grandes passos — como a evolução de peixes para tetrápodes, de dinossauros para aves e a origem dos mamíferos — possuem hoje uma sequência de fósseis e evidências genômicas que não deixam brechas significativas. O debate científico atual não é sobre se a evolução ocorreu, mas sobre a calibração de ramos específicos.

  • Complexidade Procarionte: Embora existam fenômenos como a transferência horizontal de genes (especialmente em bactérias), que criam uma rede na base da árvore, isso não invalida a ancestralidade comum; apenas refina nossa compreensão sobre como a informação genética circula em sistemas simples.

  • Irrelevância do Desconhecimento Parcial: O desconhecimento de um relacionamento específico entre certas espécies ou a descoberta de um novo organismo não derruba o modelo. A ciência trabalha com a melhor explicação para a totalidade dos dados. Invocar um "ente sobrenatural" diante de uma dúvida pontual é cometer a falácia do "Deus das Lacunas", o que não possui valor explicativo ou preditivo.

Obs.: Mesmo uma trivial imagem de um blog ou livro didático mostra onde está o erro de uma argumentação por este caminho, que confunde convergência adaptativa (respostas funcionais semelhantes a pressões ambientais idênticas) com ancestralidade direta.

O fato de um ictiossauro e um golfinho terem formas similares não é um erro da evolução; é a prova de que a seleção natural é um motor de otimização física. Ignorar isso para sugerir um 'designer' é o que chamo de apelo à própria ignorância: não é uma falha do conhecimento científico, mas uma recusa deliberada em aceitar o que a ciência já demonstrou exaustivamente.


8. As diferenças entre os embriões de vertebrados fortalecem ou contradizem as predições de ancestralidade comum?

Resposta:

Fortalecem. O argumento criacionista costuma focar na "Teoria da Recapitulação" de Haeckel (do século XIX) para invalidar a embriologia moderna, cometendo o erro de atacar um paradigma que a própria ciência já refinou há décadas.

  • Fases Iniciais e Homologia: Embora os embriões não sejam cópias idênticas dos seus ancestrais adultos, eles compartilham fases de desenvolvimento que revelam sua herança genética. Por exemplo, o embrião de uma ave, protegido por uma casca calcária, apresenta padrões de desenvolvimento que o vinculam diretamente aos dinossauros terópodes e aos demais amniotas.

  • Evo-Devo e Genes Homeóticos: A biologia moderna (Evo-Devo) demonstrou que a "caixa de ferramentas" genética que constrói um embrião (como os genes Hox) é conservada em quase todos os animais de simetria bilateral. O fato de os mesmos genes controlarem a segmentação do corpo em uma mosca, em um golfinho ou em um ser humano é uma prova irrefutável de ancestralidade comum que o Design Inteligente escolhe não debater.

  • Morfologia Diversa, Origem Comum: Como citado, as semelhanças nas fases primordiais da formação de tecidos entre mamíferos tão distintos como um elefante e um golfinho corroboram que ambos derivam de um ancestral mamífero comum. À medida que o desenvolvimento avança, as trajetórias divergem, mas os fundamentos — as "plantas baixas" da construção do ser vivo — permanecem os mesmos.

  • Hierarquia de Evidências: A similaridade de processos no tempo (ontogenia) é uma hierarquia de evidências que se alinha perfeitamente com a cladística e o registro fóssil. Negar isso com base em desenhos datados de 1860 é um exercício clássico de ignorância deliberada.

Obs.: Imagens explicando o que há de sólido e o que há a ser plenamente entendido como não podendo ser afirmado abundam na internet e literatura especializada:



evoled.dbs.umt.edu


9. O neodarwinismo tem obtido êxito em explicar a distribuição biogeográfica de muitas espécies?

Resposta:

Sim. A Biogeografia é um dos pilares mais robustos da Teoria da Evolução, pois demonstra que a distribuição da vida não é aleatória nem baseada apenas em "clima", mas sim no histórico de isolamento e conexão das massas de terra (Tectônica de Placas).

  • A Lei da Sucessão de Tipos: Por que encontramos fósseis de gliptodontes gigantes exatamente onde hoje vivem os tatus? Por que as aves do terror (Phorusrhacidae) estão no passado da América do Sul, onde hoje vivem as siriemas? O neodarwinismo explica isso através da descendência com modificação em uma localidade geográfica contínua.

  • Marsupiais e Gondwana: A distribuição de marsupiais na Austrália e na América do Sul, e a descoberta de fósseis desses mesmos animais na Antártida, concorda perfeitamente com a separação geológica do antigo supercontinente Gondwana. Um "designer" que coloca animais em ilhas e continentes sem respeitar a lógica geológica seria um designer operando com o objetivo deliberado de parecer que a evolução ocorreu.

  • Coevolução e Ecologia: Como citado, a morfologia de plantas como as araucárias sul-americanas em comparação com as coníferas do hemisfério norte reflete um histórico de convivência com faunas distintas. A forma dos seres vivos é esculpida pelo seu ambiente e pelos vizinhos com os quais evoluíram.

  • A Falácia do Designer Geográfico: A existência de lacunas no registro fóssil de certas regiões não invalida o padrão global. Pelo contrário, cada nova descoberta (como o registro de cetáceos em transição no Paquistão e Egito) preenche o mapa exatamente onde a teoria prevê. Invocar um designer para explicar por que uma espécie está em um lugar e não em outro — quando a geologia já fornece a resposta — é, novamente, um apelo à ignorância deliberada.


10. O que fazer quando uma teoria faz previsões equivocadas, como o neodarwinismo e sua longa história de tais predições, como as dos órgãos vestigiais, a abundância de formas transicionais no registro fóssil, a do DNA “lixo” e da redundância do código genético?

Resposta:

O que se faz quando a ciência refina um conceito é, precisamente, ciência. A tentativa de enquadrar o avanço do conhecimento como "erro" é uma manobra retórica desonesta.

  • Órgãos Vestigiais: A teoria nunca previu que órgãos vestigiais deveriam ser "inúteis", mas sim que seriam versões reduzidas ou modificadas de estruturas funcionais em ancestrais. Os ossos pélvicos vestigiais em baleias e os membros reduzidos em fósseis de cobras primitivas (Najash rionegrina) não "derrubam" a teoria; eles são evidências anatômicas de uma transição histórica que a evolução prevê e a geologia confirma.

  • Formas Transicionais: A "falta" de transições é um mito criacionista. Como já pontuado, não existem lacunas significativas no cladograma maior. O que existe é uma incompreensão de que cada fóssil é, tecnicamente, uma forma transicional entre o que veio antes e o que veio depois. O registro de mamíferos e aves é hoje tão denso que o desafio é puramente taxonômico (onde traçar a linha), não de evidência.

  • A "Sandbox" da Evolução (DNA Lixo): O termo "DNA lixo" foi um rótulo popular para o DNA não-codificante, mas a biologia evolutiva nunca o considerou "inútil" a priori. Como bem aponta a Rational Wiki e a Teoria Neutra de Motoo Kimura, essas regiões são cruciais. Elas funcionam como "caixas de areia" genéticas: áreas onde mutações podem ocorrer livremente sem pressão seletiva imediata, criando um reservatório de variabilidade que pode, eventualmente, ser "ativado" e produzir novas funções proteicas ou regulatórias.

  • Redundância e Robustez: A redundância do código genético (vários códons para o mesmo aminoácido) não é um erro, mas uma característica de robustez evolutiva. Ela permite que mutações pontuais ocorram sem destruir a função da proteína, protegendo o organismo de erros fatais de tradução — o que é exatamente o que se esperaria de um sistema que evoluiu sob seleção natural para resistir ao ruído ambiental.

  • Conclusão da Linha de Montagem: As "predições equivocadas" citadas por Eberlin são, na verdade, os triunfos da biologia moderna. A teoria da evolução é a única que possui a flexibilidade e a base empírica para integrar novas descobertas moleculares sem precisar recorrer a intervenções mágicas toda vez que uma lacuna é preenchida.


Podemos acrescentar alguns pontos da EvoWiki:

http://rationalwiki.org/wiki/Junk_DNA 


1.Algum DNA anteriormente visto como lixo tem sido demonstrado que possui uma função biológica. Isso não quer dizer que uma função necessariamente seja encontrado para todo o DNA lixo. Em 2004, os investigadores relataram a criação de ratos em que faltam cerca de 3% do seu genoma. As sequências eliminadas incluem mais de 1.000 que foram altamente conservada com seqüências equivalentes em seres humanos para trechos de mais de 100 bases. Os camundongos resultantes eram saudáveis em todos os sentidos analisadas pelos pesquisadores, incluindo longevidade e reprodução. Assim, uma quantidade substancial de DNA lixo, incluindo sequências que foram acumulados durante a evolução dos mamíferos, são ou dispensáveis ou redundantes com outras regiões do lixo.

2.A função de junk DNA ou a falta dela não nos diz nada sobre se a evolução ou criação é verdade.

3.Os baiacus da família Tetraodontidae têm os genomas mais rápidos de todos os vertebrados. Isto é porque as pressões evolucionárias levaram à remoção de quase todos os intrões e DNA extragenético, e aqueles que permanecem são extremamente curtos em comparação com os intrões e DNA extragenético de outros peixes e outros vertebrados. Se o DNA "lixo" é tão importante como alegado, então por que baiacus floresceu com tão pouco?

4.Se tudo "DNA lixo" têm funções, então como é que nenhum criacionista ou defensor do design inteligente tem sido capaz de prever o que essas funções são?

http://evolutionwiki.org/wiki/Junk_DNA_is_not_really_junk


Conclusão: Ciência vs. Argumentação Negativa

O Design Inteligente não é uma teoria científica concorrente, mas uma falácia de argumentação negativa. Enquanto a Teoria da Evolução é o eixo da Biologia porque corrige seus próprios erros e refina seus modelos conforme novos dados surgem, o DI se alimenta exclusivamente do que ainda não compreendemos totalmente.

  • O Erro do Método: Dizer que "se a Evolução ainda não explicou X, então o Designer fez X" é um erro de lógica elementar. A falha (ou a lacuna temporária) de uma explicação científica não confere validade automática a uma hipótese sobrenatural não corroborada.

  • O "Lixo da História": O argumento do relojoeiro de Paley foi enterrado pela lógica ainda no século XVIII e pela biologia no século XIX. Tentar "requentá-lo" no século XXI, usando termos como "complexidade irredutível", é uma tentativa desesperada de sustentar o insustentável.

  • A Força da Evolução: A Evolução sobrevive não por ser um dogma, mas por sua capacidade resolutiva. Ela explica desde a resistência bacteriana até o genoma ultra-compacto do baiacu. O DI, por outro lado, é incapaz de prever qualquer função biológica, limitando-se a um papel reativo e teleológico que não possui lugar no laboratório.

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