A lição de Max Planck
Você já sentiu que, por mais que apresente dados e evidências, certas estruturas ou mentalidades na sua área simplesmente não mudam?
Max Planck, o pai da física quântica, resumiu esse fenômeno de forma brutalmente honesta:
"Uma nova verdade científica não triunfa por convencer os seus opositores e fazer-lhes ver a luz, mas sim porque os opositores acabam por morrer e uma nova geração cresce familiarizada com ela."
O chamado "Princípio de Planck" nos ensina que o maior obstáculo ao progresso não é a falta de tecnologia ou de recursos, mas a inércia cognitiva.
O Que o Princípio de Planck nos Diz?
A Inércia Intelectual: Cientistas estabelecidos investem carreiras inteiras em certas teorias. Aceitar uma nova verdade muitas vezes significa admitir que o trabalho de uma vida estava incompleto ou errado.
Mudança de Paradigma: Thomas Kuhn, em A Estrutura das Revoluções Científicas, expandiu essa ideia. Ele argumentou que a ciência não evolui de forma linear e suave, mas através de rupturas (paradigmas) que a nova geração aceita com mais facilidade por não carregar os preconceitos da antiga.[Nota 1]
O Fator Tempo: A verdade científica "vence" pela persistência e pela educação dos novos estudiosos, e não necessariamente por um debate onde o opositor admite a derrota.
A Perspectiva de Planck vs. O Ideal Científico
O custo humano da mudança
No mundo corporativo e na ciência, investimos anos em "paradigmas". Quando algo novo surge, o desafio não é apenas aprender o novo, mas ter a coragem de desaprender o antigo.
Muitas vezes, a mudança só acontece de fato quando há uma renovação geracional — nas lideranças, nas equipes e nas ferramentas.
Uma questão de ética e responsabilidade
Se acreditamos que nossas ações (e inações) afetam o bem-estar coletivo, resistir a uma verdade óbvia apenas por apego ao passado deixa de ser "prudência" e passa a ser um entrave moral.
Como líderes e profissionais, nossa missão é evitar que o progresso precise esperar pela nossa partida.
Reflexão
O que você está defendendo hoje: uma solução real ou apenas o conforto de um paradigma antigo?
Uma “playlist” para este texto
Algumas canções conversam diretamente com essa ideia da renovação dos paradigmas:
"Como Nossos Pais" (Belchior/Elis Regina): "O novo sempre vem". A música definitiva sobre a tensão geracional.
"Changes" (David Bowie): Sobre a natureza inevitável da mudança e como os "velhos" não devem tentar impedir os jovens.
"The Times They Are A-Changin'" (Bob Dylan): Um hino sobre como o mundo se move, quer você aceite ou não.
Leitura recomendada
en.wikipedia.org - Planck's principle
Destacamos:
“Refutação
A influência da idade na predisposição à aceitação de novas ideias tem sido alvo de críticas empíricas. No caso da aceitação da teoria da evolução nos anos posteriores à publicação de A Origem das Espécies, de Darwin, a idade foi um fator menor. Em uma escala mais específica, também foi um fator pouco relevante na aceitação da cliometria.[Nota 2] Um estudo sobre o momento em que diferentes geólogos aceitaram a tectônica de placas revelou que os cientistas mais velhos, na verdade, a adotaram mais cedo do que os mais jovens. Contudo, um estudo mais recente com pesquisadores da área de ciências biológicas constatou que, após a morte de pesquisadores proeminentes, as publicações de seus colaboradores diminuíram rapidamente, enquanto a atividade de pesquisadores não colaboradores e o número de novos pesquisadores ingressando na área aumentaram.”
Notas
1.A filosofia da ciência de Thomas Kuhn, exposta em "A Estrutura das Revoluções Científicas", rompe com a ideia de progresso científico linear, introduzindo os conceitos de paradigmas (conjuntos de teorias, métodos e valores compartilhados) e ciência normal (trabalho de resolução de quebra-cabeças dentro do paradigma). A ciência avança por revoluções científicas, períodos de crise em que um paradigma antigo é substituído por um novo, não por acumulação, mas por uma mudança radical de visão de mundo, com aspectos históricos e sociológicos cruciais para a mudança. - SearchLabs
2.Cliometria (ou Nova História Econômica) é a aplicação de teoria econômica e métodos quantitativos (econometria e modelos matemáticos) para estudar a história, especialmente a social e econômica, oferecendo uma visão mais rigorosa e baseada em dados, em contraste com métodos puramente qualitativos, tendo o termo sido cunhado por Stanley Reiter em 1960 a partir de Clio, a musa da história. - SearchLabs

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