quarta-feira, 20 de junho de 2018

Wolfgang Smith - 1


Após um “alegre debate” no Twitter com mais um típico personagem criacionista e para somar as coisas, divulgador de “novos messias”, percebi que um autor citado, inclusive com livros publicados no Brasil e idolatrado por alguns, tem algum peso acadêmico, aos moldes de Alvin Plantinga, e tão desconexo nos campos que pretende quanto aquele, e para somar a graça de meu trabalho, não é citado ainda na Rational Wiki.
É citado na já lendária por ser humilhada pelos “malditos Steves” lista dos “dissidentes científicos do darwinismo“:

rationalwiki.org - A Scientific Dissent From Darwinism


“A growing number of respectable scientists are defecting from the evolutionist camp.....moreover, for the most part these "experts" have abandoned Darwinism, not on the basis of religious faith or biblical persuasions, but on strictly scientific grounds, and in some instances, regretfully.”

Tradução da citação acima: “Um número crescente de cientistas respeitáveis estão desertando do campo evolucionista. Além disso, em sua maior parte, esses "especialistas" tem abandonado o darwinismo, não com base na fé religiosa ou na persuasão bíblica, mas em bases estritamente científicas, e em alguns casos, com pesar.”


O interessante é que o personagem em questão, indubitavelmente matemático de peso, no moldes nisso de David Berlinski e William Dembski, talvez com ainda mais destaque em matemática acadêmica que estes é o que chamo (e a gíria tornou-se até um tanto popular) “pacote completo”, pois ataca Teoria da Evolução, tem seu próprio tratamento da Relatividade para colocar a Terra como centro do universo e complementando, tem sua própria interpretação da Mecânica Quântica.

Portanto, concordemos, é o tipo de indivíduo cujas ideias devem ser atacadas.

Nesta série, nos concentremos em quem ele é, o que diz, basicamente, definições relacionadas e traduções de partes de um artigo que ataca suas ideias e de outros autores relacionados da “cruzada infeliz”.


Perfil do personagem

Da Wikipédia em inglês (WIKI-EN), um rápido perfil do personagem:

Wolfgang Smith (nascido em 1930) é um matemático, físico, filósofo da ciência, metafísico, católico romano e membro da Escola Tradicionalista. Escreveu extensivamente no campo da geometria diferencial, como crítico do cientificismo e como proponente de uma nova interpretação da mecânica quântica que se baseia fortemente na ontologia e no realismo medievais.

Minha observação inicial: Mesmo colossos intelectuais do porte de um Russel conseguiram, ainda no início do século XX, ser grandes em Matemática e Filosofia, outros, como Mach, conseguiram ser poderosos em Física e Filosofia, ainda que Mach tivesse graves problemas até em aceitar evidentes átomos, e a era dos matemáticos universais, que dominavam toda a Matemática de seu tempo, encerrou-se com Cantor e Poincaré, e garanto-lhes que a matemática de hoje é imensamente maior que a daquele tempo, que dirá da Física, sem falar em diversos outros campos.

Apresentado isso, pergunto: não há “especialidades demais” na vida deste cidadão?


A sua dita filosofia
Também da WIKI-EN:
Smith é um membro da Escola Tradicionalista de Metafísica, tendo contribuído extensivamente para a sua crítica da modernidade enquanto explorava as bases filosóficas do método científico e enfatizando a idéia de trazer a ciência de volta ao arcabouço aristotélico do realismo ontológico tradicional.

Identificando-se com a crítica de Alfred North Whitehead do "bifurcacionismo" e "reducionismo físico" do cientificismo - isto é, a crença de que, primeiro, as propriedades qualitativas dos objetos de percepção (objetos "corpóreos") são em última instância distintas de suas respectivas propriedades quantitativas ( os objetos "físicos" estudados pelas várias ciências); e segundo, que os objetos físicos são, de fato, tudo o que existe, significando que os objetos corpóreos são reduzidos a suas contrapartes físicas - Smith examina criticamente em sua obra Cosmos and Transcendence (1984) as raízes cartesianas da ciência moderna.
Prosseguindo com sua crítica do cientificismo em sua monografia, The Quantum Enigma (1995, no Brasil “O Enigma Quântico”), Smith levanta as questões de se o método científico é de fato dependente da filosofia cientificista e, se não é, se ligá-lo a outras estruturas filosóficas forneceria melhores soluções para a maneira como os fenômenos físicos são interpretados. Demonstrando que nem o método científico nem seus resultados exigem aderir a uma metafísica cientificista, ele responde negativamente à primeira questão, resultando na conclusão de que é possível vincular o método científico a qualquer ontologia subjacente ou a nenhuma. Trabalhando então na segunda pergunta, ele propõe a ligação do método científico - e, portanto, das ciências modernas - a uma metafísica não-bifurcacionista e não-reducionista na forma de uma ontologia modista, mostrando como tal movimento resolve as aparentes incoerências do quantum. mecânica.

Segundo Smith, essa interpretação da mecânica quântica permite o uso dos conceitos hilemórficos de potência e atua para entender adequadamente a superposição quântica. Por exemplo, em vez de considerar que um fóton é "simultaneamente uma onda e uma partícula" ou "uma partícula em duas posições distintas", pode-se considerar que o fóton (ou qualquer outro objeto físico) a princípio não existe em ato, mas apenas em potência; i.e., como "matéria" no significado hilemórfico do termo, tendo o potencial de se tornar "uma onda ou uma partícula", ou "de estar aqui ou ali". Se um desses resultados acontecerá com essa matéria indiferenciada depende da determinação imposta pelo objeto corpóreo macroscópico que fornece sua atualização. Um fóton, portanto, não seria mais estranho por ter muitos potenciais do que, digamos, um indivíduo que tem os potenciais "superpostos" de aprender francês e/ou espanhol e/ou grego, todos enquanto está lendo e/ou andando e/ou esticando os braços. Uma consequência adicional dessa interpretação é que um objeto corpóreo e seus "objetos físicos associados" não são mais dicotomizados ou reduzidos uns aos outros, mas, ao contrário, constituem um todo do qual diferentes aspectos são tratados dependendo da perspectiva.

A compreensão de Smith da relação entre objetos corpóreos e físicos se estende à sua interpretação da biologia, onde ele se tornou um adversário da evolução darwiniana, pois o elemento fundamental em uma espécie seria sua forma, não sua história causal, favorecida pelos evolucionistas. Isso o leva a ser um defensor do movimento do design inteligente, embora sua própria abordagem hilemórfica não seja amplamente adotada pelos principais teóricos do design inteligente (que, como os evolucionistas, também favorecem a história causal, embora de forma diferente).

Smith também se posicionou em direção a uma reabilitação relativística (relacionada à Teoria da Relatividade) do geocentrismo. É importante notar, no entanto, que ele não apoia inequivocamente um geocentrismo ptolemaico ou medieval, nem afirma que o heliocentrismo é absolutamente falso. Em vez disso, ele argumenta que, de acordo com a teoria da relatividade, tanto o heliocentrismo quanto o geocentrismo têm mérito científico, na medida em que a observação científica depende do referencial do observador. Consequentemente, quaisquer observações feitas a partir da Terra (ou de quaisquer satélites próximos da Terra) são, com efeito, geocêntricas.

Notas:

1.Aqui, tornou-se motivo de grande apreço de suas ideias por Olavo de Carvalho.
2.Hilemórfica, referente a hilemorfismo, já foi tema de um já antigo artigo meu, mas receberá longo tratamento e nota adiante nesta série.

Aristotelismos Classificatórios - Scientia Est Potentia - 2009/07


Uma crítica de peso

Em rápida pesquisa pelo Google, encontrei este excelente ensaio de  Mark Koslow, que é abrangente em atacar oponentes do que seria um “cientificismo” (sendo assim, eles mesmo “anticientificistas”, o que bem analisado nos leva ao termo “anticiência”.):

On Those Who Hate Science and Reason: Anti-Science and Irrationalism in Guenon, Wolfgang Smith and other Creationist Reactionaries. - naturesrights.com


Extratos

1 (Em “2.Reality is not a Construction”)
Quando Wolfgang Smith diz que "o ‘elemento mítico’ na ciência não pode ser exorcizado",  ele está meramente se entregando a uma ficção que cresce a partir de sua própria ignorância sobre a ciência.

Certamente, é verdade que pressupostos, origens de classe ou culturais e a cultura afeta como se vê o mundo em graus variados.

Ninguém é completamente objetivo. Mas a ciência é sobre evidências e não sobre autoridade ou intuição. A ciência é não-ficção e procura explicar as realidades de uma maneira objetiva, ao contrário da religião que é ficção e baseada em delírios e invenções da imaginação.[NDT 1] O processo de estudo e investigação na ciência é um desdobramento no tempo e, lentamente, os conceitos míticos de cientistas individuais são eliminados da própria ciência.

Mas fatos permanecem fatos e alguns são mais objetivos ou precisos do que outros. É tolice abolir a objetividade. A precisão é importante, assim como a medição quando é possível. Há realidade lá fora, como é óbvio por qualquer estudo de animais ou estrelas demonstra. A tentativa do movimento pós-modernista de marginalizar a própria realidade fracassou.

Nota do tradutor 1: Ou restrita a uma fé pessoal e de grupo muito específica, naturalmente repleta de visões antagônicas dentro do mesmo grupo e não necessariamente minimamente aceitável pelo restante da humanidade, exatamente pois “fé”.

2 (Em “2.Reality is not a Construction”, nota 23)

Wolfgang Smith; “Science and Myth the Hidden Connection”. Sophia Journal, Summer. 2001
O que Smith faz neste ensaio, como na maioria de seus escritos, é extrair conclusões amplas e gerais baseadas nas áreas mais questionáveis e ambíguas da ciência abstrata e teórica, como a mecânica quântica, onde até mesmo aqueles que a entendem dizem que não a entendem. Mas se você realmente olhar para os fatos da questão, está claro que ele está inventando tudo enquanto avança. Suas conclusões são estabelecidas desde o início e ele se encaixa nos fatos para servir sua ideologia. Sua ideologia é que "a religião é o único que importa" e ele mente sobre ciência para obter este resultado predeterminado. Ele diz que mitos e religiões e outras "ficções podem ser indispensáveis" e é claro que para Smith isso é certamente verdade. Ele era um homem que vive no meio das ilusões. Smith se orgulha de viver no mito e na ilusão, como ele mesmo diz, pois “fora do sagrado não pode haver certeza, nenhuma verdade absoluta e duradoura”. Viver nessa ilusão é a causa de sua vida tanto quanto a maioria dos tradicionalistas, assim como os talibãs, os unabombers, os inquisidores e outros cultistas, os marxistas. Nazistas e verdadeiros crentes e fanáticos de muitas e diferentes credos.


Anexos


terça-feira, 10 de abril de 2018

Informação, códigos e teleologias

1

Sobre “informação em seres vivos”

A questão deve ser sempre melhor formulada.

Por que raios temos de considerar que a informação biológica seja uma informação com contexto humano, linguístico, lógico?


A informação do DNA é a perpetuação de arranjos moleculares.

Seres vivos não se reproduzem para perpetuar lógicas e línguas, mas apenas sobrevivem.

Uma lógica (exemplo, muito significativo: que dois mais dois são quatro) ou uma línguagem (como a frase que representa uma afirmação “os corvos são pretos”, em português, uma entre as diversas línguas do mundo), são perpetuadas relativamente no humano, em sua cultura.

Relativamente pois as línguas evoluem, ao ponto que em determinado momento no passado o que seja o português atual não existia, e apenas era algo parecido um tanto com o que seja o atual galego, em outros momentos e palavras parecido com o espanhol “castelhano” atual, e mais no passado, todas estas línguas também não existiam, e o que existiria seria uma língua anterior predominante chamada romance, e recuando mais ainda, forçando-se um tanto regionalização, etnias, culturas, o que fosse o “luso” e o imperial latim.

Línguas e sua evolução guardam uma íntima relação de mecanismos com o processo evolutivo dos seres vivos, mas como toda analogia, sempre limitada, guardam também significativas diferenças em outros mecanismos e processos.

Voltando às línguas que se perpetuam nos humanos, elas não se perpetuam pela genética, mas pelo aprendizado, estabelecimento na cultura, essas, sim, num substrato “médio” de cérebro humano e sua mente operacional.

O “maquinário” cerebral é genético, não o que o abastece.

Portanto, temos bem claro que sequer no que seja uma analogia entre linguagem (o português, digamos) e o que seja o código genético (que sempre relembro com o nome do filme GATTACA), e se linguagem, lógica (como a própria Matemática, Lógica sobre axiomas), é sempre limitada, claramente limitada, pois possuem mecanismos e processos bastante distintos.

2

Sobre “evolução do código”

Já assisti debatedores de questões evolutivas questionarem por qual motivo o código genético não evoluiu.

Primeiro, que aí já há um erro, pois sabemos que os ácidos nuclêicos e suas bases evoluíram quimicamente, mas digamos que o debatedor esteja tratando do código expresso em DNA e suas bases “GATC”.

Acho interessante apresentar o erro desta pergunta como uma exigência ao mostrar que o mais simples poema grego não necessita de mais letras no seu alfabeto que a Ilíada completa, ou mesmo toda a biblioteca de Alexandria no que tange a escritos em grego.

A combinatória pode se tornar extremamente complexa, mas não necessita-se mais componentes a combinar.

O poema simples seria LUCA, o ancestral universal comum, ou a mais simples bactéria atual, evidentemente seu descendente pouco complexado - pois ainda simples - e o mais complexo seria, para a alegria de meus amigos biólogos, por exemplo uma mais complexa geneticamente que nós ovelha.

A natureza é econômica e ao ter obtido resultados melhores em perpetuação com o DNA que o RNA, não necessitou mais por puro capricho acrescentar mais peças para seu jogo, mais cartas para seu baralho, e mantém o seus jogo evolutivo há mais de três bilhões de anos.

3

Notas sobre codificação na natureza

Seguidamente é aplicada a falácia que julgamos “barata” de comparar o que seja a "codificação" que é o DNA com uma codificação humana, como um livro.
Tanto isto é falso quando bem analisado, e uma analogia bastante limitada, que a própria replicação do DNA mostra que ele não executa de maneira lógica, e sim, química (e nisto quântica), e nisto falha.

Portanto, em seu próprio processo de reprodução ele mostra que não é planejado, mas no máximo produz formas que sejam sobreviventes, e novamente, entre os seres vivos como desde os casos mais evidentes nas populações e suas variedades, sobrevivente.

Reforcemos, a natureza erra, mesmo, o julgado sofisticado e "inteligente" DNA.

Em tempo: Toda a polimerização implica na formação, de certa maneira, de um "código".

O nylon 6,6, por exemplo, "codifica" a posição da ligação amida a espaçados 6 átomos de carbono, e se forma a partir de ácido adípico e hexametilenodiamina.
Analogamente, o chamado nylon 510, é resultante da pentametilenodiamina e ácido sebácico, sendo, portanto, um espaçamento respectivamente de 5 e 10 átomos de carbono.
Logo, qualquer polimerização, a partir de moléculas específicas, mostra uma "codificação", e derruba a necessidade de uma orientação além das moleculares para ocorrer, e mesmo assim:

Mais uma vez: Teleologia alguma se evidencia na natureza.


4

Teleologia

Teleologia, do grego telos, finalidade, mais logos, estudo, é o estudo filosófico relativo às finalidades. Immanuel Kant tratava de um "juízo teleológico" em sua Crítica do Juízo. Toda a investigação ou especulação, seja ela histórica ou filosófica  que tenha como eixo a busca pelo objetivo é considerada teleológica. - João Nicolao Julião; Foucault, intérprete de Nietzsche; revista Filosofia, Número 29 ISSN 1984-1388


Recomendações de leitura

A EVOLUÇÃO BIOLÓGICA NÃO É UM ARGUMENTO CIRCULAR  - netnature.wordpress.com

A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens, depois que a natureza de há muito os libertou de uma direção estranha, continuem, no entanto de bom grado menores durante toda a vida; e é por isso que é tão fácil os outros instituírem-se seus tutores. - Kant


O homem comum é exigente com os outros; o homem superior é exigente consigo mesmo. - Imperador Marco Aurélio

quarta-feira, 21 de março de 2018

Pérolas, peixes, pH, dilúvio e uma dita tautologia V


“...e no meio de nós, peixes com determinadas características, incluindo presunçosos cérebros, um criacionista em dilúvio de pérolas.”

Continuação do "debulhar" sobre o esperneio de um de nossos amigos criacionista.
Pérolas, peixes, pH, dilúvio e uma dita tautologia IV - Scientia est Potentia


1

Normalmente criacionistas quando encontram um texto na internet contundente contra seus dogmas, passam a sofrer de uma curiosa verborréias nos comentários, e sequer leem o que já lhes foi apresentado, muitas vezes, andando em círculos.

Por exemplo, desprezam os devastadores pensadores para os argumentos teleológicos, como Hume, que há mais de 300 anos literalmente sepultou os argumentos em Filosofia desta natureza, e de certa maneira, anteviu o processo de seleção natural apresentado por Darwin e que em pouco tempo seria igualmente apresentado por Wallace.

Mas claro que eles insistem nisso.

Recomendamos:
Robson Stigar; O ARGUMENTO TELEOLÓGICO EM DAVID HUME; 07 de June de 2008. - www.webartigos.com


Destacamos:
“Para o argumento teleológico funcionar, seria necessário que só nos pudéssemos aperceber de ordem quando essa ordem resulta do desígnio (criação). Mas nós vemos "ordem" constantemente, resultante de processos presumivelmente sem consciência, como a geração e a vegetação. O desígnio (criação) diz apenas respeito a uma pequena parte da nossa experiência de "ordem" e "objetivo".

O argumento do desígnio, mesmo que funcionasse, não poderia suportar uma robusta fé em Deus. Tudo o que se pode esperar é a conclusão de que a configuração do universo é o resultado de algum agente (ou agentes) moralmente ambíguo, possivelmente não inteligente, cujos métodos possuam alguma semelhança com a criação humana. Pelos próprios princípios do argumento teleológico, a ordem mental de Deus e a funcionalidade necessitam de explicação. Senão, podemos considerar a ordem do universo, inexplicada.

Muitas vezes, o que parece ser objetivo, onde parece que o objeto X tem o aspecto A por forma a assegurar o fim F, é melhor explicado pelo processo da filtragem: ou seja, o objeto X não existiria se não possuísse o aspecto A, e o fim F é apenas interessante para nós. Uma projeção humana de objetivos na natureza. Esta explicação mecânica da teleologia antecipou a seleção natural.”


2

Evidentemente, a cegueira a qualquer argumento continua…

As frases do “debatedor” em questão não tem muita serventia nem efeito, mas servem para apresentarmos diversos pontos que são recorrentes e sempre interessantes na negação do científico.

“Tudo que você fez foi refutar o criacionismo, mas não validou o evolucionismo e omitiu o que Popper pensa sobre a teoria evolutiva, um dogma metafísico.”

Criacionistas e outros “pseudos” tem profundos problemas com falseabilidade.

Refutamos o criacionismo (e se o refutamos, ele deveria nem mais tentar defendê-lo!) inclusive por ser extremamente simples.

Toda a Paleontologia aponta para a ancestralidade, incluindo a universal e juntamente com sua ciência irmã, a Geologia, aponta para datações que não são nem de perto de uma Terra de menos de bilhões de anos. A Geocronologia é campo extremamente preciso, hoje em dia.

Não há qualquer evidência para o surgimento miraculoso de qualquer espécie, ou mesmo, de levas de espécies simultaneamente. Nenhum táxon e seu histórico sequer aponta para um surgimento de forma complexa miraculosamente, sequer entre os mais simples organismos, muito menos para algo robusto em número de células como um pequeno verme, e imaginamos o absurdo para um grande animal ou árvore, para exemplos extremos.

Aliás, esta argumentação pode ser tomada com modificação, dos próprios criacionistas no que tange a “falácia de Hoyle”. Estruturas progridem em complexidade no processo evolutivo “das moléculas ao homem” (sutil erro, mas frase de efeito), e nem mesmo a mais simples molécula de uma enzima surge por acaso no espaço, produzida por um arranjo fortuito. Os processos que produziram a mais simples cicatrização entre os animais levaram centenas de milhões de anos para desenvolverem-se bioquimicamente, que se dirá de uma animal biologicamente mais complexo que nós, como um urso ou uma ovelha (cérebro e mente poderosos não são tudo em Biologia, no que seja “vida”).

Poderíamos alongar estes pontos aqui por páginas e páginas, e chegamos a uma conclusão rápida: o criacionismo, sequer como hipótese (o que, à plena análise, nem é) é refutado e não serve de paradigma algum para sobre ele se construir Ciência.

Aqui, a “hipótese criação”, digamos, no que trata-se de seres vivos, está morta e enterrada, ou, mais tecnicamente, falseada.
Agora vamos a outra parte do esperneio do meu “adversário”.

Não tenho, eu, podre engenheiro “com mais algumas penas rotas de pavão” de “sustentar o evolucionismo”, validar, como ele disse.

Basta a frase: “Coisa alguma faz sentido em Biologia a não ser à luz da evolução.”, numa forma mais rigorosa em linguagem e lógica, do grande Theodosius Dobzhansky.

Toda a literatura em Paleontologia, um bocado da Geologia, um esmagador volume da Genética, colossal literatura interrelacionada em Cosmologia, Astrofísica, etc, e obviamente a Biologia Evolutiva, sustenta já o que sejam fósseis, ancestralidade, o não fixismo das espécies, o histórico das fauna e flora ao longo da história e suas extinções. A impossibilidade das formas de vida surgirem miraculosamente tem seu poderoso braço na Termodinâmica, e esta mesma, relacionada com a Teoria da Informação, conduz a entendermos que evoluímos, assim como todos os outros seres vivos, pois basicamente rros se produzem.

Não tenho de “validar” coisa alguma para a qual sequer sou plenamente apto, até porque todos os discursos ao tolo não terão efeito, mas sim, nossos “adversários” que tem de entender seus profundos erros, até em Filosofia da Ciência.

Por outro lado, exatamente pela falseabilidade, eles poderiam perfeitamente, com um simples artigo, refutar o que lhes causa tanta repulsa - no fundo estúpida, claro - e teriam a “glória eterna”.

Eu prefiro minha humilde posição de fazê-los em farelo com suas crenças, que no fundo, são pretensões de tirania.


Bom, sobre as afirmações de Popper, de um cunho “metafísico” na Teoria da Evolução, acredito que esgotei o assunto há um bocado de tempo, e reforcemos, sejamos sinceros, o grande pensador aqui errou, até por desconhecer certos aspectos da “ciência única” que é a Biologia:

A carta de Popper sobre evolução das espécies
Uma correspondência do filósofo da ciência e sua verdadeira posição sobre evolução
Scientia

Um desabafo até arrogante: Não trato do tema com amadores sem preparo e leigos, por simples economia de tempo. As retratações de Popper e as críticas a este ponto em sua ampla obra são abundantes, e não vai ser citando exatamente um pensador que limita pesadamente inúmeras afirmações dos criacionistas, basicamente pelo critério de demarcação, que irão os criacionistas obter algum resultado em fazer algum mínimo risco no que seja a poderosa Teoria “eixo” da Biologia.

“É um erro de raciocínio tentar refutar outras teorias e omitir os problemas que tua 'crença' apresenta.”

Interessante como eles são repetitivos, não?

Quando refutamos outra “teoria” (no mais vulgar sentido do termo, que é de hipótese), não precisamos tratar de qualquer coisa, que seja até um defeito grave, da teoria que defendemos.

Por uma analogia até boba, é como dizer que eu não possa demolir a casa que está para desabar porque o caminhão em que cheguei está com um pneu meio murcho.

Por uma analogia mais séria, é dizer que não possa atacar os problemas observacionais e de Física da Teoria do Estado Estacionário em Cosmologia por ter o Modelo FLRW problemas para tratar o universo acima de determinada temperatura e densidade nos primeiros instantes da história do universo.

Sabemos que a evolução dos seres vivos, o objeto, a Teoria Sintética da Evolução em Biologia, seu modelo que inclui potentemente a Genética, é a Teoria Científica “eixo” da Biologia e de inúmeros campos relacionados. Isso tem um tremendo significado num campo científico. A própria Física, rainha das Ciência, não o possui, num conflito que há entre Relatividade e Mecânica Quântica, ainda não resolvido e talvez que jamais venha a ser. A Biologia não tem, na Terra, este problema;

Agora façamos uma lista de possíveis problemas:

A evolução das aves é um campo um tanto nebuloso na sua cladística específica. Certos pontos ainda são obscuros. Estou exagerando, pois muito já sabemos, e o entendimento tem se tornado acelerado.

A árvore da ancestralidade e dos diversos parentes do homem não é bem definida. Idem ao anterior, mas deixemos assim.

A evolução dos mamíferos de ovíparos para marsupiais e placentários é um tanto obscura. Ibidem.

Podemos retroceder no tempo e dizer que temos problema até com a transição de organismos unicelulares para pluricelulares nos é um mistério, mesmo com agregações de simples amebas e os cnidários e seu desenvolvimento já mostrando o contrário.
Poderiam nossos “adversários” fazer uma longa lista, as quais, normalmente, são mais problemas de sua ignorância no campo de que da “nossa teoria”. Muitas vezes, tais “lacunas” são até sem qualquer sentido, como incluir a origem da vida no que trata evolução dos seres vivos.

Ainda assim, infelizmente para os criacionistas, isso não vai derrubar o processo evolutivo de um cão, de um cavalo, das baleias, das plantas com flores, inúmeros outros táxons, e sequer vai arranhar os diversos mecanismos do processo evolutivo, inclusive em seus mecanismos genéticos, que sustentam a evolução dos seres vivos.

Por esses motivos, nas entrelinhas das “falhas” acima, que a Teoria da Evolução é entre as teorias científicas, a que mais tem resistido ao flagelo da falseabilidade desde que sequer os fundamentos popperianos da falseabilidade existiam. Está entre as mais sólidas Teorias Científicas pois seus mecanismos são relativamente simples, suas evidências esmagadoras e sua comprovação experimental e em campo, por exemplo, nas especiações, ocorrem constantemente em apresentação na literatura científica.

Podemos ter até os quatro pneus de nosso caminhão furados, e o motor fundir na entrada do terreno. Ainda sim, demoliremos facilmente, por poderoso método, a casa da pseudociência, por sinal, nas palavras de um conhecido da Biologia, “um jardim mal cuidado”, do criacionismo.


“Dessa forma, sempre raivosos, pseudo-cientistas ateus sempre misturam religião com ciência, o que não os deixa enxergar novos horizontes,”

Bom, seguidamente somos “raivosos” pois a teimosia, a soberba do ignorante, a empáfia, a confusão completa dos criacionistas é irritante, mas acho que entendi o ponto.

Perdão, mas “pseudos” são os criacionistas, e inclusive, por definição e exemplo clássico. Tentam socar a peça quadrada e cheia de rachaduras de suas afirmações no buraco redondo e perfeitamente usinado do que seja o conhecimento científico, já para a Idade da terra e seus diversos processos na casa dos dois séculos.

Não somos nós, claramente, que misturamos religião e Ciência, muito pelo contrário. Basta ver as universidades católicas com seus centros de excelência pelo mundo em Biologia, e até pesquisadores em paleontologia que são sacerdotes. Theodosius Dobzhansky., por exemplo marcante, era um homem religiosos. Aqui, temos a clara associação de que aceitar o fato da evolução e entender sua Teoria Científica é relacionado com ateísmo, o que é uma falácia de associação indevida mais que clássica.

De nosso lado, temos a fé que pode resistir, como é natural em quem tem fé, aos fatos apresentados pelo mundo. Do outro lado temos o fundamentalismo que quer distorcer os fatos e tentar abrir rachaduras num sólido edifício. Lamento, somos, mais que tudo, uma impenetrável muralha, e Ciência é força destruidora, não volume de argla que atenda a desejos autoritários de péssimos artesãos.

Artesão tão ruins ue olham apenas para baixo, para um único livro. Não vejo, lembramos, budistas amolarem cientistas e outros com seus dogmas de criação, e boa parte dos cristãos, mesmo em posições de liderança de sua fé, o fazerem. ATé porque todas estas pessoas, predominantemente os cientistas, realmente enxergam novos horizontes.

“Kuhn tinha razão quando afirmou que a ciência defende seus paradigmas, eu diria que os defende como se fossem crentes defendendo Deus, o que coloca ateus e crentes na mesma esfera.”

Sinceramente, seguido, tenho dificuldades até em decompor a verborreia de criacionistas. Mas tentemos.

Kuhn não os sustenta, e sim, a Ciência defende seus paradigmas. O cenário espaço-tempo absoluto e apriorístico de Newton e infiltrando-se na Filosofia predominantemente com Kant causou até cansaço a Einstein e Eddington. Até Friedmann e Lemaître, mais diretamente este, enfrentaram paradigmas que foram de Einstein e outros, diretamente seus seguidores (que em Ciência não tem relação alguma com seguir algo como um pastor ou teólogo). Shoemaker e outros enfrentaram geólogos do mundo inteiro que não aceitavam que rochas do tamanho de montanhas caíssem do céu. Alfred Wegener e seus predecessores enfrentaram um mundo que dizia que os continentes eram fixos na história da Terra, um problema intimamente ligado com erros dos criacionistas e até na refutação total do que pudesse ser mesmo com diversos problemas menores um “dilúvio universal”. A lista poderia seguir longamente, e renderia um artigo por si só, tenho mais que certeza.

Mas Kuhn não abre porta em seu “edifício de afirmações”, nos paradigmas que apresenta que a ciência constrói como trincheiras, para o que sejam os criacionistas. Einstein, Eddington, Friedmann, Lemaître e outros citados tinham algo, e como tinham! Criacionistas não possuem coisa alguma, a não ser dogmas e fundamentalismo.

Existe a famosa frase de Einstein que se ele estivesse errado, bastaria uma única pessoa a refutá-lo, e não cem assinando algum manifesto. Criacionistas não são Einstein, não são sequer cem cientistas com sólida formação assinando algo. Eles são uma anomalia cultural teimosa e fundamentalmente errada. Todo o discurso sólido e bem construído de Kuhn, que sigo com tantas unhas como sigo Popper, e faz alguns estragos inclusive neste, não os salva, sequer defende posições.

Todos os rançosos e embolorados cartapácios de miríades de páginas dos criacionistas não farão qualquer efeito, pois como afirmamos acima, o que tem tentado atacar exatamente para sustentar como sobrevivente a Teoria da Evolução é arma muito mais perigosa, a própria Ciência, coisa que eles não são, e com seus princípios mais profundos, jamais serão.

Ciência jamais é certeza, sempre insisto. Ciência é permanente dúvida.


“Por isso não se vanglorie como se ateísmo fizesse melhor ciência, no fundo fazem pior ciência. E aprenda a ter humildade, porque já deu para perceber que você é um lixo.”

Notemos a falácia da associação indevida de ateísmo, coisa que filosoficamente sequer sou, pois agnóstico - única posição filosófica honesta.

Ateísmo não, produz Ciência, isso até baratas que andam perto de livros de Popper e Kuhn sabem, mas materialismo produz Ciência, pois senão, as hipóteses mais profundas, os ditos em certos meios e de meu uso “postulados científicos” teriam de incluir o sobrenatural, e portanto, romperiam com a demarcação, o que tornaria toda a construção científica impossvel.

Por exemplo novamente didático, eu poderia afirmar que o que faz ímãs atrairem-se seriam micro-exus eletromagnéticos invisíveis e indetectáveis, e tal, exatamente como um fantasmão providente que tem de ter criado, entre inúmeras outras infelizes para nós criaturas, muriçocas 6500 anos atrás, não poderia ser negado, nem mesmo evidenciado.

Por isso que o sobrenatural não pode ser afirmado em ciência, e temos de nos limitar, por simples exclusão, ao natural, e neste, ao materialismo, no sentido de energia e matéria, até prova em contrário, as únicas coisas - e são na verdade a mesma, desde o início do século XX) - que compõe o mundo. Temos de afirmar o que “existe”, o que é detectável, não conjeturas além do mundo, como poderosos seres ou simples pequenos exus, como base dos fenômenos, ou nos calar. MIcro exus, assim, como o ser dos seres, não são falseáveis, pois não podemos comprovar inexistência.

Como consequência direta, se conjecturas fossem postuláveis no científico, a diversidade possível para explicar-se miraculosamente qualquer fenômeno seria infinita, e teríamos um caos, e não qualquer mínima solução, mesmo para os mais simples fenômenos.
Em caso de nosso desconhecimento, calemo-nos, e não coloquemos micro-exus como causa de coisa alguma.


Agora, abandone-mos as frases de nosso “amiguinho” por alguns parágrafos.

Máxima citada pelo meu adversário:
A inteligência é útil para tudo, mas não é suficiente para nada. - Henti-Frederic Amiel.

Citemos outras frases:

Os velhos acreditam em tudo; os adultos suspeitam de tudo; os jovens sabem tudo. - Oscar Wilde

Em termos de ciência, para evitar a ironia de Wilde, seja sempre na curiosidade um jovem, na paciência um velho mas no método um adulto maduro (lembre-se que Ciência é dúvida, como afirmei). Mas aprenda rápido o método todo, pois o homem finda, mesmo para os crentes, e como também ironizou Wilde.

“O que caracteriza a juventude é a certeza da imortalidade.”


Agora uma piada que representa muito bem o problema que criacionistas tem com evidências científicas:


O detetive chega para um indivíduo de certa pitoresca nacionalidade, depois de passar dias e dias disfarçado, seguindo a esposa de nome Maria, suspeita de estar traindo o cliente, esposo, de nome Manuel:
- Segui ela ontem o Motel "Vamunessaqueébão". Me disfarcei de empregado, vi os dois sorridentes entrando na suíte presidencial, que tem cama redonda, espelhos e outros equipamentos. Aí, quando cheguei perto da fechadura, olhei pelo buraco, sua esposa estava tirando a roupa e aí..
- Fala, gajo*, o que aconteceu?
- O cara tirou a cueca e pendurou na maçaneta, não vi mais nada.
- Ora, raios*, esta dúvida é que me mata!

* Supomos que sejam palavras e expressões claramente de origem num vocabulário do Oriente Médio ou sudeste da Europa, próximo aos Balcans.

Recomendações de leitura
Princípio de Demarcação de Karl Popper
Um princípio em Filosofia da Ciência que estabelece a natureza das hipóteses.