terça-feira, 10 de abril de 2018

Informação, códigos e teleologias

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Sobre “informação em seres vivos”

A questão deve ser sempre melhor formulada.

Por que raios temos de considerar que a informação biológica seja uma informação com contexto humano, linguístico, lógico?


A informação do DNA é a perpetuação de arranjos moleculares.

Seres vivos não se reproduzem para perpetuar lógicas e línguas, mas apenas sobrevivem.

Uma lógica (exemplo, muito significativo: que dois mais dois são quatro) ou uma línguagem (como a frase que representa uma afirmação “os corvos são pretos”, em português, uma entre as diversas línguas do mundo), são perpetuadas relativamente no humano, em sua cultura.

Relativamente pois as línguas evoluem, ao ponto que em determinado momento no passado o que seja o português atual não existia, e apenas era algo parecido um tanto com o que seja o atual galego, em outros momentos e palavras parecido com o espanhol “castelhano” atual, e mais no passado, todas estas línguas também não existiam, e o que existiria seria uma língua anterior predominante chamada romance, e recuando mais ainda, forçando-se um tanto regionalização, etnias, culturas, o que fosse o “luso” e o imperial latim.

Línguas e sua evolução guardam uma íntima relação de mecanismos com o processo evolutivo dos seres vivos, mas como toda analogia, sempre limitada, guardam também significativas diferenças em outros mecanismos e processos.

Voltando às línguas que se perpetuam nos humanos, elas não se perpetuam pela genética, mas pelo aprendizado, estabelecimento na cultura, essas, sim, num substrato “médio” de cérebro humano e sua mente operacional.

O “maquinário” cerebral é genético, não o que o abastece.

Portanto, temos bem claro que sequer no que seja uma analogia entre linguagem (o português, digamos) e o que seja o código genético (que sempre relembro com o nome do filme GATTACA), e se linguagem, lógica (como a própria Matemática, Lógica sobre axiomas), é sempre limitada, claramente limitada, pois possuem mecanismos e processos bastante distintos.

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Sobre “evolução do código”

Já assisti debatedores de questões evolutivas questionarem por qual motivo o código genético não evoluiu.

Primeiro, que aí já há um erro, pois sabemos que os ácidos nuclêicos e suas bases evoluíram quimicamente, mas digamos que o debatedor esteja tratando do código expresso em DNA e suas bases “GATC”.

Acho interessante apresentar o erro desta pergunta como uma exigência ao mostrar que o mais simples poema grego não necessita de mais letras no seu alfabeto que a Ilíada completa, ou mesmo toda a biblioteca de Alexandria no que tange a escritos em grego.

A combinatória pode se tornar extremamente complexa, mas não necessita-se mais componentes a combinar.

O poema simples seria LUCA, o ancestral universal comum, ou a mais simples bactéria atual, evidentemente seu descendente pouco complexado - pois ainda simples - e o mais complexo seria, para a alegria de meus amigos biólogos, por exemplo uma mais complexa geneticamente que nós ovelha.

A natureza é econômica e ao ter obtido resultados melhores em perpetuação com o DNA que o RNA, não necessitou mais por puro capricho acrescentar mais peças para seu jogo, mais cartas para seu baralho, e mantém o seus jogo evolutivo há mais de três bilhões de anos.

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Notas sobre codificação na natureza

Seguidamente é aplicada a falácia que julgamos “barata” de comparar o que seja a "codificação" que é o DNA com uma codificação humana, como um livro.
Tanto isto é falso quando bem analisado, e uma analogia bastante limitada, que a própria replicação do DNA mostra que ele não executa de maneira lógica, e sim, química (e nisto quântica), e nisto falha.

Portanto, em seu próprio processo de reprodução ele mostra que não é planejado, mas no máximo produz formas que sejam sobreviventes, e novamente, entre os seres vivos como desde os casos mais evidentes nas populações e suas variedades, sobrevivente.

Reforcemos, a natureza erra, mesmo, o julgado sofisticado e "inteligente" DNA.

Em tempo: Toda a polimerização implica na formação, de certa maneira, de um "código".

O nylon 6,6, por exemplo, "codifica" a posição da ligação amida a espaçados 6 átomos de carbono, e se forma a partir de ácido adípico e hexametilenodiamina.
Analogamente, o chamado nylon 510, é resultante da pentametilenodiamina e ácido sebácico, sendo, portanto, um espaçamento respectivamente de 5 e 10 átomos de carbono.
Logo, qualquer polimerização, a partir de moléculas específicas, mostra uma "codificação", e derruba a necessidade de uma orientação além das moleculares para ocorrer, e mesmo assim:

Mais uma vez: Teleologia alguma se evidencia na natureza.


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Teleologia

Teleologia, do grego telos, finalidade, mais logos, estudo, é o estudo filosófico relativo às finalidades. Immanuel Kant tratava de um "juízo teleológico" em sua Crítica do Juízo. Toda a investigação ou especulação, seja ela histórica ou filosófica  que tenha como eixo a busca pelo objetivo é considerada teleológica. - João Nicolao Julião; Foucault, intérprete de Nietzsche; revista Filosofia, Número 29 ISSN 1984-1388


Recomendações de leitura

A EVOLUÇÃO BIOLÓGICA NÃO É UM ARGUMENTO CIRCULAR  - netnature.wordpress.com

A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens, depois que a natureza de há muito os libertou de uma direção estranha, continuem, no entanto de bom grado menores durante toda a vida; e é por isso que é tão fácil os outros instituírem-se seus tutores. - Kant


O homem comum é exigente com os outros; o homem superior é exigente consigo mesmo. - Imperador Marco Aurélio

quarta-feira, 21 de março de 2018

Pérolas, peixes, pH, dilúvio e uma dita tautologia V


“...e no meio de nós, peixes com determinadas características, incluindo presunçosos cérebros, um criacionista em dilúvio de pérolas.”

Continuação do "debulhar" sobre o esperneio de um de nossos amigos criacionista.
Pérolas, peixes, pH, dilúvio e uma dita tautologia IV - Scientia est Potentia


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Normalmente criacionistas quando encontram um texto na internet contundente contra seus dogmas, passam a sofrer de uma curiosa verborréias nos comentários, e sequer leem o que já lhes foi apresentado, muitas vezes, andando em círculos.

Por exemplo, desprezam os devastadores pensadores para os argumentos teleológicos, como Hume, que há mais de 300 anos literalmente sepultou os argumentos em Filosofia desta natureza, e de certa maneira, anteviu o processo de seleção natural apresentado por Darwin e que em pouco tempo seria igualmente apresentado por Wallace.

Mas claro que eles insistem nisso.

Recomendamos:
Robson Stigar; O ARGUMENTO TELEOLÓGICO EM DAVID HUME; 07 de June de 2008. - www.webartigos.com


Destacamos:
“Para o argumento teleológico funcionar, seria necessário que só nos pudéssemos aperceber de ordem quando essa ordem resulta do desígnio (criação). Mas nós vemos "ordem" constantemente, resultante de processos presumivelmente sem consciência, como a geração e a vegetação. O desígnio (criação) diz apenas respeito a uma pequena parte da nossa experiência de "ordem" e "objetivo".

O argumento do desígnio, mesmo que funcionasse, não poderia suportar uma robusta fé em Deus. Tudo o que se pode esperar é a conclusão de que a configuração do universo é o resultado de algum agente (ou agentes) moralmente ambíguo, possivelmente não inteligente, cujos métodos possuam alguma semelhança com a criação humana. Pelos próprios princípios do argumento teleológico, a ordem mental de Deus e a funcionalidade necessitam de explicação. Senão, podemos considerar a ordem do universo, inexplicada.

Muitas vezes, o que parece ser objetivo, onde parece que o objeto X tem o aspecto A por forma a assegurar o fim F, é melhor explicado pelo processo da filtragem: ou seja, o objeto X não existiria se não possuísse o aspecto A, e o fim F é apenas interessante para nós. Uma projeção humana de objetivos na natureza. Esta explicação mecânica da teleologia antecipou a seleção natural.”


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Evidentemente, a cegueira a qualquer argumento continua…

As frases do “debatedor” em questão não tem muita serventia nem efeito, mas servem para apresentarmos diversos pontos que são recorrentes e sempre interessantes na negação do científico.

“Tudo que você fez foi refutar o criacionismo, mas não validou o evolucionismo e omitiu o que Popper pensa sobre a teoria evolutiva, um dogma metafísico.”

Criacionistas e outros “pseudos” tem profundos problemas com falseabilidade.

Refutamos o criacionismo (e se o refutamos, ele deveria nem mais tentar defendê-lo!) inclusive por ser extremamente simples.

Toda a Paleontologia aponta para a ancestralidade, incluindo a universal e juntamente com sua ciência irmã, a Geologia, aponta para datações que não são nem de perto de uma Terra de menos de bilhões de anos. A Geocronologia é campo extremamente preciso, hoje em dia.

Não há qualquer evidência para o surgimento miraculoso de qualquer espécie, ou mesmo, de levas de espécies simultaneamente. Nenhum táxon e seu histórico sequer aponta para um surgimento de forma complexa miraculosamente, sequer entre os mais simples organismos, muito menos para algo robusto em número de células como um pequeno verme, e imaginamos o absurdo para um grande animal ou árvore, para exemplos extremos.

Aliás, esta argumentação pode ser tomada com modificação, dos próprios criacionistas no que tange a “falácia de Hoyle”. Estruturas progridem em complexidade no processo evolutivo “das moléculas ao homem” (sutil erro, mas frase de efeito), e nem mesmo a mais simples molécula de uma enzima surge por acaso no espaço, produzida por um arranjo fortuito. Os processos que produziram a mais simples cicatrização entre os animais levaram centenas de milhões de anos para desenvolverem-se bioquimicamente, que se dirá de uma animal biologicamente mais complexo que nós, como um urso ou uma ovelha (cérebro e mente poderosos não são tudo em Biologia, no que seja “vida”).

Poderíamos alongar estes pontos aqui por páginas e páginas, e chegamos a uma conclusão rápida: o criacionismo, sequer como hipótese (o que, à plena análise, nem é) é refutado e não serve de paradigma algum para sobre ele se construir Ciência.

Aqui, a “hipótese criação”, digamos, no que trata-se de seres vivos, está morta e enterrada, ou, mais tecnicamente, falseada.
Agora vamos a outra parte do esperneio do meu “adversário”.

Não tenho, eu, podre engenheiro “com mais algumas penas rotas de pavão” de “sustentar o evolucionismo”, validar, como ele disse.

Basta a frase: “Coisa alguma faz sentido em Biologia a não ser à luz da evolução.”, numa forma mais rigorosa em linguagem e lógica, do grande Theodosius Dobzhansky.

Toda a literatura em Paleontologia, um bocado da Geologia, um esmagador volume da Genética, colossal literatura interrelacionada em Cosmologia, Astrofísica, etc, e obviamente a Biologia Evolutiva, sustenta já o que sejam fósseis, ancestralidade, o não fixismo das espécies, o histórico das fauna e flora ao longo da história e suas extinções. A impossibilidade das formas de vida surgirem miraculosamente tem seu poderoso braço na Termodinâmica, e esta mesma, relacionada com a Teoria da Informação, conduz a entendermos que evoluímos, assim como todos os outros seres vivos, pois basicamente rros se produzem.

Não tenho de “validar” coisa alguma para a qual sequer sou plenamente apto, até porque todos os discursos ao tolo não terão efeito, mas sim, nossos “adversários” que tem de entender seus profundos erros, até em Filosofia da Ciência.

Por outro lado, exatamente pela falseabilidade, eles poderiam perfeitamente, com um simples artigo, refutar o que lhes causa tanta repulsa - no fundo estúpida, claro - e teriam a “glória eterna”.

Eu prefiro minha humilde posição de fazê-los em farelo com suas crenças, que no fundo, são pretensões de tirania.


Bom, sobre as afirmações de Popper, de um cunho “metafísico” na Teoria da Evolução, acredito que esgotei o assunto há um bocado de tempo, e reforcemos, sejamos sinceros, o grande pensador aqui errou, até por desconhecer certos aspectos da “ciência única” que é a Biologia:

A carta de Popper sobre evolução das espécies
Uma correspondência do filósofo da ciência e sua verdadeira posição sobre evolução
Scientia

Um desabafo até arrogante: Não trato do tema com amadores sem preparo e leigos, por simples economia de tempo. As retratações de Popper e as críticas a este ponto em sua ampla obra são abundantes, e não vai ser citando exatamente um pensador que limita pesadamente inúmeras afirmações dos criacionistas, basicamente pelo critério de demarcação, que irão os criacionistas obter algum resultado em fazer algum mínimo risco no que seja a poderosa Teoria “eixo” da Biologia.

“É um erro de raciocínio tentar refutar outras teorias e omitir os problemas que tua 'crença' apresenta.”

Interessante como eles são repetitivos, não?

Quando refutamos outra “teoria” (no mais vulgar sentido do termo, que é de hipótese), não precisamos tratar de qualquer coisa, que seja até um defeito grave, da teoria que defendemos.

Por uma analogia até boba, é como dizer que eu não possa demolir a casa que está para desabar porque o caminhão em que cheguei está com um pneu meio murcho.

Por uma analogia mais séria, é dizer que não possa atacar os problemas observacionais e de Física da Teoria do Estado Estacionário em Cosmologia por ter o Modelo FLRW problemas para tratar o universo acima de determinada temperatura e densidade nos primeiros instantes da história do universo.

Sabemos que a evolução dos seres vivos, o objeto, a Teoria Sintética da Evolução em Biologia, seu modelo que inclui potentemente a Genética, é a Teoria Científica “eixo” da Biologia e de inúmeros campos relacionados. Isso tem um tremendo significado num campo científico. A própria Física, rainha das Ciência, não o possui, num conflito que há entre Relatividade e Mecânica Quântica, ainda não resolvido e talvez que jamais venha a ser. A Biologia não tem, na Terra, este problema;

Agora façamos uma lista de possíveis problemas:

A evolução das aves é um campo um tanto nebuloso na sua cladística específica. Certos pontos ainda são obscuros. Estou exagerando, pois muito já sabemos, e o entendimento tem se tornado acelerado.

A árvore da ancestralidade e dos diversos parentes do homem não é bem definida. Idem ao anterior, mas deixemos assim.

A evolução dos mamíferos de ovíparos para marsupiais e placentários é um tanto obscura. Ibidem.

Podemos retroceder no tempo e dizer que temos problema até com a transição de organismos unicelulares para pluricelulares nos é um mistério, mesmo com agregações de simples amebas e os cnidários e seu desenvolvimento já mostrando o contrário.
Poderiam nossos “adversários” fazer uma longa lista, as quais, normalmente, são mais problemas de sua ignorância no campo de que da “nossa teoria”. Muitas vezes, tais “lacunas” são até sem qualquer sentido, como incluir a origem da vida no que trata evolução dos seres vivos.

Ainda assim, infelizmente para os criacionistas, isso não vai derrubar o processo evolutivo de um cão, de um cavalo, das baleias, das plantas com flores, inúmeros outros táxons, e sequer vai arranhar os diversos mecanismos do processo evolutivo, inclusive em seus mecanismos genéticos, que sustentam a evolução dos seres vivos.

Por esses motivos, nas entrelinhas das “falhas” acima, que a Teoria da Evolução é entre as teorias científicas, a que mais tem resistido ao flagelo da falseabilidade desde que sequer os fundamentos popperianos da falseabilidade existiam. Está entre as mais sólidas Teorias Científicas pois seus mecanismos são relativamente simples, suas evidências esmagadoras e sua comprovação experimental e em campo, por exemplo, nas especiações, ocorrem constantemente em apresentação na literatura científica.

Podemos ter até os quatro pneus de nosso caminhão furados, e o motor fundir na entrada do terreno. Ainda sim, demoliremos facilmente, por poderoso método, a casa da pseudociência, por sinal, nas palavras de um conhecido da Biologia, “um jardim mal cuidado”, do criacionismo.


“Dessa forma, sempre raivosos, pseudo-cientistas ateus sempre misturam religião com ciência, o que não os deixa enxergar novos horizontes,”

Bom, seguidamente somos “raivosos” pois a teimosia, a soberba do ignorante, a empáfia, a confusão completa dos criacionistas é irritante, mas acho que entendi o ponto.

Perdão, mas “pseudos” são os criacionistas, e inclusive, por definição e exemplo clássico. Tentam socar a peça quadrada e cheia de rachaduras de suas afirmações no buraco redondo e perfeitamente usinado do que seja o conhecimento científico, já para a Idade da terra e seus diversos processos na casa dos dois séculos.

Não somos nós, claramente, que misturamos religião e Ciência, muito pelo contrário. Basta ver as universidades católicas com seus centros de excelência pelo mundo em Biologia, e até pesquisadores em paleontologia que são sacerdotes. Theodosius Dobzhansky., por exemplo marcante, era um homem religiosos. Aqui, temos a clara associação de que aceitar o fato da evolução e entender sua Teoria Científica é relacionado com ateísmo, o que é uma falácia de associação indevida mais que clássica.

De nosso lado, temos a fé que pode resistir, como é natural em quem tem fé, aos fatos apresentados pelo mundo. Do outro lado temos o fundamentalismo que quer distorcer os fatos e tentar abrir rachaduras num sólido edifício. Lamento, somos, mais que tudo, uma impenetrável muralha, e Ciência é força destruidora, não volume de argla que atenda a desejos autoritários de péssimos artesãos.

Artesão tão ruins ue olham apenas para baixo, para um único livro. Não vejo, lembramos, budistas amolarem cientistas e outros com seus dogmas de criação, e boa parte dos cristãos, mesmo em posições de liderança de sua fé, o fazerem. ATé porque todas estas pessoas, predominantemente os cientistas, realmente enxergam novos horizontes.

“Kuhn tinha razão quando afirmou que a ciência defende seus paradigmas, eu diria que os defende como se fossem crentes defendendo Deus, o que coloca ateus e crentes na mesma esfera.”

Sinceramente, seguido, tenho dificuldades até em decompor a verborreia de criacionistas. Mas tentemos.

Kuhn não os sustenta, e sim, a Ciência defende seus paradigmas. O cenário espaço-tempo absoluto e apriorístico de Newton e infiltrando-se na Filosofia predominantemente com Kant causou até cansaço a Einstein e Eddington. Até Friedmann e Lemaître, mais diretamente este, enfrentaram paradigmas que foram de Einstein e outros, diretamente seus seguidores (que em Ciência não tem relação alguma com seguir algo como um pastor ou teólogo). Shoemaker e outros enfrentaram geólogos do mundo inteiro que não aceitavam que rochas do tamanho de montanhas caíssem do céu. Alfred Wegener e seus predecessores enfrentaram um mundo que dizia que os continentes eram fixos na história da Terra, um problema intimamente ligado com erros dos criacionistas e até na refutação total do que pudesse ser mesmo com diversos problemas menores um “dilúvio universal”. A lista poderia seguir longamente, e renderia um artigo por si só, tenho mais que certeza.

Mas Kuhn não abre porta em seu “edifício de afirmações”, nos paradigmas que apresenta que a ciência constrói como trincheiras, para o que sejam os criacionistas. Einstein, Eddington, Friedmann, Lemaître e outros citados tinham algo, e como tinham! Criacionistas não possuem coisa alguma, a não ser dogmas e fundamentalismo.

Existe a famosa frase de Einstein que se ele estivesse errado, bastaria uma única pessoa a refutá-lo, e não cem assinando algum manifesto. Criacionistas não são Einstein, não são sequer cem cientistas com sólida formação assinando algo. Eles são uma anomalia cultural teimosa e fundamentalmente errada. Todo o discurso sólido e bem construído de Kuhn, que sigo com tantas unhas como sigo Popper, e faz alguns estragos inclusive neste, não os salva, sequer defende posições.

Todos os rançosos e embolorados cartapácios de miríades de páginas dos criacionistas não farão qualquer efeito, pois como afirmamos acima, o que tem tentado atacar exatamente para sustentar como sobrevivente a Teoria da Evolução é arma muito mais perigosa, a própria Ciência, coisa que eles não são, e com seus princípios mais profundos, jamais serão.

Ciência jamais é certeza, sempre insisto. Ciência é permanente dúvida.


“Por isso não se vanglorie como se ateísmo fizesse melhor ciência, no fundo fazem pior ciência. E aprenda a ter humildade, porque já deu para perceber que você é um lixo.”

Notemos a falácia da associação indevida de ateísmo, coisa que filosoficamente sequer sou, pois agnóstico - única posição filosófica honesta.

Ateísmo não, produz Ciência, isso até baratas que andam perto de livros de Popper e Kuhn sabem, mas materialismo produz Ciência, pois senão, as hipóteses mais profundas, os ditos em certos meios e de meu uso “postulados científicos” teriam de incluir o sobrenatural, e portanto, romperiam com a demarcação, o que tornaria toda a construção científica impossvel.

Por exemplo novamente didático, eu poderia afirmar que o que faz ímãs atrairem-se seriam micro-exus eletromagnéticos invisíveis e indetectáveis, e tal, exatamente como um fantasmão providente que tem de ter criado, entre inúmeras outras infelizes para nós criaturas, muriçocas 6500 anos atrás, não poderia ser negado, nem mesmo evidenciado.

Por isso que o sobrenatural não pode ser afirmado em ciência, e temos de nos limitar, por simples exclusão, ao natural, e neste, ao materialismo, no sentido de energia e matéria, até prova em contrário, as únicas coisas - e são na verdade a mesma, desde o início do século XX) - que compõe o mundo. Temos de afirmar o que “existe”, o que é detectável, não conjeturas além do mundo, como poderosos seres ou simples pequenos exus, como base dos fenômenos, ou nos calar. MIcro exus, assim, como o ser dos seres, não são falseáveis, pois não podemos comprovar inexistência.

Como consequência direta, se conjecturas fossem postuláveis no científico, a diversidade possível para explicar-se miraculosamente qualquer fenômeno seria infinita, e teríamos um caos, e não qualquer mínima solução, mesmo para os mais simples fenômenos.
Em caso de nosso desconhecimento, calemo-nos, e não coloquemos micro-exus como causa de coisa alguma.


Agora, abandone-mos as frases de nosso “amiguinho” por alguns parágrafos.

Máxima citada pelo meu adversário:
A inteligência é útil para tudo, mas não é suficiente para nada. - Henti-Frederic Amiel.

Citemos outras frases:

Os velhos acreditam em tudo; os adultos suspeitam de tudo; os jovens sabem tudo. - Oscar Wilde

Em termos de ciência, para evitar a ironia de Wilde, seja sempre na curiosidade um jovem, na paciência um velho mas no método um adulto maduro (lembre-se que Ciência é dúvida, como afirmei). Mas aprenda rápido o método todo, pois o homem finda, mesmo para os crentes, e como também ironizou Wilde.

“O que caracteriza a juventude é a certeza da imortalidade.”


Agora uma piada que representa muito bem o problema que criacionistas tem com evidências científicas:


O detetive chega para um indivíduo de certa pitoresca nacionalidade, depois de passar dias e dias disfarçado, seguindo a esposa de nome Maria, suspeita de estar traindo o cliente, esposo, de nome Manuel:
- Segui ela ontem o Motel "Vamunessaqueébão". Me disfarcei de empregado, vi os dois sorridentes entrando na suíte presidencial, que tem cama redonda, espelhos e outros equipamentos. Aí, quando cheguei perto da fechadura, olhei pelo buraco, sua esposa estava tirando a roupa e aí..
- Fala, gajo*, o que aconteceu?
- O cara tirou a cueca e pendurou na maçaneta, não vi mais nada.
- Ora, raios*, esta dúvida é que me mata!

* Supomos que sejam palavras e expressões claramente de origem num vocabulário do Oriente Médio ou sudeste da Europa, próximo aos Balcans.

Recomendações de leitura
Princípio de Demarcação de Karl Popper
Um princípio em Filosofia da Ciência que estabelece a natureza das hipóteses.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Pérolas, peixes, pH, dilúvio e uma dita tautologia IV


“...e no meio de nós, peixes com determinadas características, incluindo presunçosos cérebros, um criacionista em dilúvio de pérolas.”

Continuação do "debulhar" sobre o esperneio de um de nossos amigos criacionista.
Pérolas, peixes, pH, dilúvio e uma dita tautologia III - Scientia est Potentia

Não resisti...

Pacman fóssil.


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Afirmação:
Popper foi honesto, apesar de ateu ele avaliou o evolucionismo como um verdadeiro cientista, não como ateu. Sugiro que você leia A Caixa Preta de Darwin e aprenda a fazer ciência sem elocubrações ateístas.(sic)

Resposta:
Aqui, na argumentação naquele momento, tive de ser, diria, grosso, pois há gente que não aprende de outro modo: Tentemos amenizar as colocações aqui:

Tempre nessas horas temos de trazer a tona nosso já velho texto:

O Motivo do Design Inteligente Implicar em Evolução - Mais uma demonstração simples a respeito do "Design Inteligente" - Scientia
Recomendamos:

Leonardo Brogliato; O design inteligente não é uma teoria científica - ciencianautas.com

Destacamos:

"O design inteligente não consegue explicar como as espécies surgiram. E o próprio Behe não negou a ancestralidade comum, já outros defensores do movimento acreditam na Terra jovem (uma ideia que diz que o planeta Terra tem apenas seis mil anos) e no criacionismo bíblico, os quais deixam explícito a ligação com crenças religiosas."

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Normalmente criacionistas tendem a citar o livro A Caixa Preta de Darwin, de Behe, sem sequer o ter lido.

DESCARTANDO A COMPLEXIDADE IRREDUTÍVEL DO DESIGNER INTELIGENTE - netnature.wordpress.com

Destacamos a imagem de páginas do livro de Behe


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Mas devemos destacar sempre que afirmar “design inteligente” como hipótese científica (e cá entre nós, não existem outras), um mecanismo possível ou mesmo um argumento por “evidência” pela divindade é o que na gíria chamamos groselha.

Refutações ao Design Inteligente - Argumentos e evidências contra a ação de um "designer" no processo evolutivo - Scientia

Francisco Quiumento; Um dos (vários) problemas do Design Inteligente - ceticismo.net

Destacamos:

“Mas se implica numa divindade atuante sobre os seres vivos e sua bioquímica, não necessariamente implica em uma única, exatamente a linha de argumentação apresentada por Thomas Hart – de que a existência de um relógio não implica em ser projetado/construído por um único designer/artesão. Logo, por este raciocínio similar e simples, podemos também afirmar que se há a atuação de uma divindade num táxon biológico qualquer, não necessariamente esta atuação de dá por uma mesma divindade neste táxon ao longo de sua história evolutiva.”

Para uma versão mais longa, e revisada: em nossos arquivos:
Um dos (vários) problemas do Design Inteligente - e um pouco de Filosofia - docs.google.com


Igualmente, afirmar “design inteligente”e afirmar o fantasmão providente mas genocida hebreu não implica em coisa alguma, e a argumentação de tal pode ser vista de maneira simples aqui:

“A história do universo (que não é propriamente o “tudo-que-existe”), pela Cosmologia (modelos) e Astronomia (evidências observacionais), apresenta com altíssima confiabilidade sua evolução no tempo, sua estruturação (grupos de galáxias, galáxias, etc)), composição, temperatura, densidade, complexidade de estruturas.

Logo, afirmar “existe um deus”, mesmo no rigor dos termos, não é dizer: “não ocorreu o que a Ciência afirma”. Se podemos sustentar isso para afirmações da Ciência sobre o universo inteiro, podemos afirmar o mesmo para qualquer um de seus componentes, como o sistema solar, o planeta Terra, a vida, todas as espécies de seres vivos e qualquer uma das espécies, como sempre, destacadamente, o único ser vivo dito racional em nosso mundo, obviamente o homem.”

Respostas padrões aos ditos “crentes” - 2 - Theosphagein


Ciência não é a norteadora da vida humana, uma opositora de seus desejos e necessidades, uma tirana de seus hábitos e costumes, mas a maior e mais universal de suas ferramentas, sua mais devota e servil escrava. - Até prova em contrário, frase minha.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Micróbios produtores de butanol - 2


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Uma introdução necessária

Os álcoois produzidos biologicamente, com maior frequência do etanol, e menos comumente propanol e butanol, são produzidos pela ação de microorganismos e enzimas através da fermentação de beterraba açucarada, milho, grama, folhas, resíduos agrícolas ou celulose (além da conhecida cana-de-açúcar). O último nome é de um processo mais difícil. Pode ser produzido a partir de biomassa ("biobutanol"), bem como de combustíveis fósseis ("petrobutanol"). A produção de butanol industrial e acetona via fermentação começou em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial. Um estudante de Louis Pasteur (Chime Wizemann) isolou um micróbio que produzia acetona. A Inglaterra se aproximou do jovem microbiologista e pediu o direito de fazer acetona para a produção de cordite (um deflagrante, “explosivo lento”, propulsor de artilharia). Até a década de 1920, a acetona era o produto buscado, mas para cada libra de acetona fermentada, formaram-se duas libras de butanol. Uma indústria crescente de tintas automotivas transformou o mercado e, em 1927, o butanol foi primário e a acetona tornou-se o subproduto.


Imagem: Bio-butanol: Fuel of the Future - medium.com


A produção de butanol por fermentação diminuiu a partir da década de 1940 até a década de 1950, principalmente porque o preço dos produtos petroquímicos caiu abaixo do substrato de amido e açúcar, como milho e melaço. Os custos indiretos do sistema de fermentação por lotes intensivos em mão-de-obra combinados com os baixos rendimentos contribuíram para a situação. A produção de acetona e butanol derivada da fermentação cessou no final da década de 1950. A partir da década de 1970, o principal foco de combustíveis alternativos foi o etanol.

Mas o bio-butanol possui propriedades superiores ao bioetanol quando usado como biocombustível. O biobutanol (também chamado de biogasolina) é frequentemente reivindicado para fornecer uma substituição direta para a gasolina sem modificação no motor ou no carro. Ele produzirá mais energia, melhor e menos corrosiva e menos solúvel em água do que o etanol. Um desenvolvimento promissor veio da Universidade de Tulane e anunciado no final do verão de 2011 - os cientistas da pesquisa de combustíveis alternativos da universidade descobriram uma bactéria do gênero Clostridium, que rec3beu o codinome "TU-103", que pode converter quase qualquer forma de celulose em butanol, e é a única variedade ainda descoberta da bactéria do gênero Clostridium que pode fazê-lo na presença de oxigênio.

Ao fazer biobutanol através da fermentação, os açúcares são divididos em vários álcoois, que incluem etanol e butanol. Infelizmente, um aumento na concentração de álcool faz com que o butanol seja tóxico para os microorganismos, matando-os após um período de tempo. Essa toxicidade limita a quantidade de combustível que pode ser feita em um lote. Isso tornou o processo de fermentação caro. O próximo desafio reside nos custos de separação do butanol do caldo de fermentação nas altas concentrações utilizadas pela indústria. Hao Feng, um dos pesquisadores envolvidos, diz que ambos os problemas já foram resolvidos.

No estudo, financiado pelo Energy Biosciences Institute, a equipe do Feng testou com sucesso o uso de um surfactante não iónico, ou co-polímero, para criar pequenas estruturas que capturam e mantêm as moléculas de butanol. "Isso mantém a quantidade de butanol no caldo de fermentação baixa para que não mate o organismo e podemos continuar a produzir", disse ele. Este processo, denominado fermentação extrativista, aumenta a quantidade de butanol produzido durante a fermentação em 100% ou mais.

Mas isso é apenas o começo. O grupo de Feng faz uso de uma das propriedades do polímero - sua sensibilidade à temperatura. Quando o processo de fermentação é finalizado, os cientistas aquecem a solução até que uma nuvem apareça e formem duas camadas. "Nós usamos um processo chamado de separação de ponto de nuvem", disse ele. "Forma duas fases, com o segundo voltado para a fase rica em polímero. Quando removemos a segunda fase, podemos recuperar o butanol, conseguindo uma redução de três a quatro vezes no uso de energia, porque não precisamos remover tanta água como na fermentação tradicional. "Um bônus é que os co-polímeros podem ser reciclado e pode ser reutilizado pelo menos três vezes depois que o butanol é extraído com pouco efeito sobre o comportamento de separação de fases e a capacidade de enriquecimento de butanol. Após a primeira recuperação, o volume de butanol recuperado é ligeiramente inferior, mas ainda está em alta concentração, disse ele.

Traduzido, com acréscimos, de:

Scientist Makes Use of Butanol as Biofuel more Appealing - microsteamturbine


0.5

Saccharomyces cerevisiae e Synechococcus

Em um artigo publicado em janeiro de 2017, Liu et al. descreve os avanços que foram feitos no processo de produção do butanol. De acordo com seu relatório, existem muitos tipos diferentes de microorganismos que podem ser utilizados para fermentar o açúcar em butanol. Uma levedura chamada Saccharomyces cerevisiae, que também é usada para preparar cerveja e fazer pão, é uma excelente opção porque os cientistas estudaram seus genes há mais de 40 anos. Agora temos um mapa completo do DNA do fermento, tornando bastante fácil mudar seus genes para melhorar seu desempenho. Por exemplo, podemos projetar cepas de fermento que produzem substancialmente mais butanol do que naturalmente. Em 2016, os cientistas conseguiram construir uma cepa de levedura que produz cerca de 130 miligramas / litro (mg/L) de butanol (2) - referimo-nos a essa quantidade como título. Infelizmente, o fermento ainda não é capaz de tolerar níveis elevados de butanol para produzir eficientemente biocombustíveis. Usando Synechococcus alongados, um tipo de cianobactéria (também conhecida como algas verdes-azuladas), um título de 400 mg/L foi alcançado, mas, como o fermento, as cianobactérias simplesmente não podem manipular a toxicidade do butanol (2).


Saccharomyces cerevisiae

Traduzido de: Bio-butanol: Fuel of the Future - medium.com


1

Engenharia Metabólica de E. Coli para a produção de n-butanol

METABOLIC ENGINEERING OF E. COLI FOR N-BUTANOL PRODUCTION - www.isaaa.org

O glicerol bruto, um subproduto do processo de produção de biodiesel, pode ser um recurso abundante e renovável (Tanto que criou-se todo um mercado de “glicerolquímica”). No entanto, a indústria à base de glicerol é geralmente afetada pelo custo do refinamento do glicerol bruto. Mukesh Saini, da Universidade Feng Chia em Taiwan, teve como objetivo abordar esta questão desenvolvendo um processo microbiano que converte glicerol bruto em produtos químicos de valor agregado. A equipe se concentrou em engenharia de Escherichia coli para produzir n-butanol.

O metabolismo central de E. coli foi traçado para melhorar a eficiência do metabolismo do glicerol. A equipe primeiro estudou o fluxo glicolítico em E. coli através da via de oxidação do piruvato. Em seguida, a equipe dirigiu o fluxo para a via de fosfato de pentose oxidativa. A equipe melhorou o catabolismo anaeróbio para glicerol e suprimiu moderadamente o ciclo do ácido tricarboxílico. A tensão gerada resultante permitiu a produção de 6,9 ​​g / L de n-butanol a partir de 20 g / L de glicerol em bruto.

Este estudo mostra a viabilidade de manipular as principais vias metabólicas. A plataforma tecnológica desenvolvida pode ser útil para a viabilidade econômica da indústria relacionada com glicerol.


2

Uma abordagem mais biomassa e pela força-bruta da catálise

Resumo:

Neste artigo, são apresentados os resultados obtidos na produção de acroleína e ácido acrílico a partir de biomassa. As moléculas “plataforma” derivadas da biomassa que são utilizadas nestes processos catalíticos são glicerol, ácido láctico, ácido fumárico e ácido 1-3-hidroxipropiônico. As abordagens mais promissoras para a produção de ácido acrílico a partir de moléculas “plataforma” de biomassa são as do ácido 3-hidroxipropiónico, que requerem uma purificação mínima da alimentação e do glicerol, utilizando um processo catalítico de dois estágios com purificação entre intervalos. Nenhum dos processos baseados em biologia é comercialmente competitivo com os processos baseados em petróleo (propileno) devido aos altos custos de energia dos processos anteriores, portanto, a pesquisa para otimizar os processos é necessária.

Robert Karl Grassell iFerruccio Trifirò; Acrolein and acrylic acid from biomass; Rendiconti Lincei, July 2017, Volume 28, Supplement 1, pp 59–67 - https://link.springer.com/article/10.1007/s12210-017-0610-6

Nota:

“Moléculas plataforma” são moléculas derivadas de biomassa que podem ser usadas como blocos de construção para uma indústria química baseada em bio-refinaria e as tecnologias de processamento associadas empregadas em sua produção.
The biorefinery and platform molecules - learning.chem21.eu

Conceito associável ao pouco difundido em língua portuguesa de Quimurgia:

en.wikipedia.org - Chemurgy


3

Nota gricerolquímica ou glicerinoquímica:

Atualmente, o glicerol é considerado um co-produto da indústria de biodiesel. À medida que a produção de biodiesel aumenta exponencialmente, o glicerol gerado a partir da transesterificação de óleos e gorduras vegetais também está sendo produzido em larga escala e se revelou essencial buscar novas alternativas ao consumo de volume extra, em bruto e/ou como derivados de alto valor agregado.

Traduzido de: Glycerol Chemistry - https://sintmol.ufms.br/?page_id=851

Destacadamente, o principal produto de uma rota iniciando em gklicerol é a acroleína, desta o ácido acrílico e deste os metacrliatos, levando aos polimetracrilatos, os populares acrílicos, e diversos outros produtos:

en.wikipedia.org - Acrolein / pt.wikipedia.org - Acroleína



Tradução:

A Dow Chemical Company e seu parceiro OPX Biotechnologies estão investigando o uso de açúcar fermentado para produzir ácido 3-hidroxipropiónico (3HP), um precursor de ácido acrílico. O objetivo é reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

O ácido acrílico e os seus ésteres se combinam facilmente com eles mesmos (para formar ácido poliacrílico) ou outros monômeros (por exemplo, acrilamidas, acrilonitrilo, compostos de vinilo, estireno e butadieno) fazendo reagir na sua dupla ligação, formando homopolímeros ou copolímeros, que são utilizados na fabricação de vários plásticos, revestimentos, adesivos, elastômeros, bem como polimento e tintas para pavimentos.

Analogamente, uma etanolquímica com o exemplo trivial e nacional do poleitileno a partir do etanol:

www.braskem.com - PE-Verde-Produtos-e-Inovacao

Texto simples e explicativo, com a rota etanol ↠ eteno ↠ polietileno:

brasilescola.uol.com.br - Plástico verde

Uma revisão mais acadêmica:

J.Deleplanque, J.-L. Dubois, J.-F. Devaux, W.Ueda; Production of acrolein and acrylic acid through dehydration and oxydehydration of glycerol with mixed oxide catalysts; Catalysis Today, Volume 157, Issues 1–4, 17 November 2010, Pages 351-358 - www.sciencedirect.com

Josef Tichý; Oxidation of acrolein to acrylic acid over vanadium-molybdenum oxide catalysts; Applied Catalysis A: General; Volume 157, Issues 1–2, 11 September 1997, Pages 363-385 - www.sciencedirect.com

Malshe, V. C. and Chandalia, S. B. (1977), Vapour phase oxidation of acrolein to acrylic acid on mixed oxides as catalyst. J. Appl. Chem., 27: 575–584. doi:10.1002/jctb.5020270502

Sarawalee Thanasilp, Johannes W. Schwank, Vissanu Meeyoo, Sitthiphong Pengpanich, Mali Hunsom, Preparation of supported POM catalysts for liquid phase oxydehydration of glycerol to acrylic acid, Journal of Molecular Catalysis A: Chemical, 2013, 380, 49 - linkinghub.elsevier.com

Gerhard Mestl, MoVW mixed metal oxides catalysts for acrylic acid production: from industrial catalysts to model studies, Topics in Catalysis, 2006, 38, 1-3, 69

R. Tokarz-Sobieraj, K. Hermann, M. Witko, A. Blume, G. Mestl, R. Schlögl, Properties of oxygen sites at the MoO3(010) surface: density functional theory cluster studies and photoemission experiments, Surface Science, 2001, 489, 1-3, 107 - www.sciencedirect.com

G. Mestl, Ch. Linsmeier, R. Gottschall, M. Dieterle, J. Find, D. Herein, J. Jäger, Y. Uchida, R. Schlögl, Molybdenum oxide based partial oxidation catalyst: 1. Thermally induced oxygen deficiency, elemental and structural heterogeneity and the relation to catalytic performance, Journal of Molecular Catalysis A: Chemical, 2000, 162, 1-2, 463. - www.sciencedirect.com

Separation of acrylic acid and acrolein - patents.google.com - US3513632

T. V. Andrushkevich; Heterogeneous Catalytic Oxidation of Acrolein to Acrylic Acid: Mechanism and Catalysts; Catalysis Reviews - Science and Engineering; Volume 35, 1993 - Issue 2 - www.tandfonline.com