terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Pitacos I

Pitaco: 1) Palpite. 2) Opinião desnecessária sobre fatos que desconhece, enxerimento. 3) Sugestão - geralmente, uma sugestão sem muito fundamento ou de gente intrometida que nada entende sobre o assunto em questão. 4) Opinião, ainda que não solicitada. 5) Contestação de alguma resposta, ou algum fato.

Nesta série de blogagens, reunirei alguns esboços de futuros artigos de mais peso (que já atulham meu Google Docs), alguns inicialmente capturados de debates no ORKUT.

Lótus é nobre flor que nasce na lama. - Provérbio Hindu

Einstein, a relutância contra a Mecânica Quântica e outras "fisiquices"





Niels Bohr e Einstein



É relatado que Einstein foi impedido de falar sobre a Teoria da relatividade quando de sua premiação no Nobel pois seria algo muito revolucionário e um volume ainda enorme de físicos não aceitava suas afirmações. Até listas de físicos que se opunham à Relatividade foram feitas, o que gerou de Einstein a famosa frase, quando de uma compilação com idéias de 100 cientistas que contradiziam Einstein, editadas num livro chamado "Cem autores na contramão de Einstein": - "Para que cem? Se eu estivesse errado somente um bastaria".

Tais tristes fatos foram mais tarde repetidos pelo próprio Einstein, quando não conseguiu distinguir o que seja bobagem do que seja um preconceito. Assim como Eisntein foi discriminado no começo por pessoas da "velha-guarda" da Física, todos sem exceção com raciocínio cartesiano/newtoniano de um absolutismo de tempo e de um fixismo dos valores do tempo e do espaço, como cenário perfeito onde se dão os fatos, os eventos, onde se desenrolam os fenômenos físicos, depois discriminou pessoas mais novas (e nem tanto) e com mentes mais abertas que discursavam sobre a nova física do quântico.

E Einstein "caiu nessa", por ser meio que um dos últimos de uma tradição "descritiva" da Física, com teorias que são clássicas, de cálculo, equações diferenciais, etc, aplicados à natureza, até porque complementava Newton, e simplesmente embestou (o termo é grosseiro mas é exatamente isto que ocorreu) de não se dedicar a entender a natureza pelos métodos e ferramentas da Mecânica Quântica. Aliás, tentou enfrentá-la, vide o paradoxo EPR e outras tentativas desesperadas de descredibilisar o modelo quântico que ele mesmo deu a partida (com o efeito fotoelétrico).

O mesmo se deu quando não aceitou determinadas consequências da própria Relatividade que chegariam as mais profundas questões do Modelo FLRW, e logo, do que chamamos popularmente de "Big Bang".

A Lemaître teria dito: “Seus cálculos matemáticos são corretos, mas sua física é abominável.”

Einstein tinha atração por um mundo completamente geométrico, exato e determinístico, e por um universo infinito e eterno, aliás, filosoficamente confortável (Novello trata deste ponto em "O Que é Cosmologia?"), mas posteriormente, mostrado irreal.

Recomendações de leitura:

- O MAIOR ERRO DE EINSTEIN?

- Tim Folger; Einstein's Grand Quest for a Unified Theory;

- A saga de Einstein por uma teoria unificadora, Por Catherine Goldstein e Jim Ritter : De 1916 até sua morte, em 1955, Einstein se esforçou para elaborar uma teoria que unificasse a gravitação e eletromagnetismo. Contrariamente ao que se pensa, sua busca não foi em vão. Scientific American Brasil - Edição especial Ed. 34

Neste último artigo, tem-se a citação que certa vez afirmou que julgava que a natureza tinha de se expressar por equações matemáticas simples (de modo contundente e excludente de qualquer outra forma), ao ponto de afirmar em uma conferência em Oxford, em junho de 1931:

"A natureza é a realização das idéias matemáticas mais simples (...) e nós podemos descobrir, por meio de construções matemáticas puras, esses conceitos e essas relações (...) que fornecem a chave da compreensão dos fenômenos naturais."

Foi parabenizado por Wolfgang Pauli em 1929 com a seguinte frase: "-Só me resta felicitá-lo (ou devo dizer, sobretudo, apresentar minhas condolências), por ter passado ao campo dos matemáticos puros."

Paradoxalmente, afirmou em 1923 a Hermann Weyl:

"Creio que todas as pesquisas a partir de uma base puramente formal dos conhecimentos físicos não trazem nada de novo."

Outro que simplesmente embestou, e diga-se na verdade, com muito menor intensidade, por caminhos deterministas, mas paradoxalmente, chegando à conclusões indeterministas, sem grande destaque do que poderíamos se hoje chamar de "mídia", e em pontos mais basais foi POINCARÉ*, mas entendamos que morreu em 1912.

*Como dito por um grande físico durante as Conferências de Solvay, "Einstein e Poincaré formavam um grupo a parte".



Henri Poincaré



Mas Poincaré se dedicou mais a sustentação do que seriam os embriões, as bases matemáticas, da Relatividade, e curiosamente, já havia tratado das questões de indeterminismo para sistemas multiparticulados.

No livro de Gamow, "Um, Dois, Três... Infinito"**. apresenta-se que seus problemas eram mais com as próprias descobertas que fez sobre os sistemas multiparticulados, inclusive sobre as órbitas dos planetas (problemas de mais de três corpos, etc...). Lá também estão seus raciocínios simples mostrando que mesmo num jogo de bilhar, quando passa-se de 9 tabelas, praticamente TODAS as variáveis do público que está assistindo, até mesmo sua respiração, influenciam na partida.

**DOWNLOAD em PDF

Como foi muito bem dito sobre Einstein num documentário da THC ("A Sinfonia Inacabada de Einstein"), "eram homens do século XIX".

"É função da mocidade ser profundamente sensível às novas ideias como instrumentos rápidos para dominar o meio; e é função da idade madura opor-se tenazmente a essas ideias ; isso faz com que as inovações fiquem em experiência por algum tempo antes que a sociedade as ponha em prática. A maturidade atenua as ideias novas, redu-las de modo a caberem dentro da possibilidade ou a que só se realizem em parte. A mocidade propõe, a maturidade dispõe, a velhice opõe-se. A mocidade domina nos períodos revolucionários; a maturidade, nos períodos de reconstrução; a velhice, nos períodos de estagnação. «Dá-se com os homens», diz Nietzsche, «o mesmo que com as carvoarias na floresta. Só depois que a mocidade se carboniza é que se torna utilizável. Enquanto está a arder será muito interessante, mas incómoda e inútil.»

Will Durant (1885-1981), historiador e escritor estadunidense, em "Filosofia da Vida"

Vemos que quem estava com Einstein era o pessoal "mais velho", os "dezenovecistas", enquanto o mais novos aceitavam melhor o modelo quântico, um novo mundo de indeterminismo e liberdade da matéria, e isso mostra que no final das contas os cientistas depois de ficarem com as mesmas idéias na cabeça por tanto tempo, essas podem cristalizar-se como verdades absolutas, dogmatizam-se, gerando uma série de preconceitos na ciência e causando uma dificuldade da mesma em avançar e acelerar-se. Sorte que sempre haverão novas gerações de pesquisadores para continuar a desvendar os mistérios da natuteza.

Devemos entender, que repetindo o problema do "mundo do Nobel" com a relatividade, na época do Einstein não era tão óbvio assim que a mecânica quântica era um teoria sólida, e ele foi um pouco mais relutante do que a média, mas não devemos criticá-lo duramente por isso, mas talvez...


relativizá-lo.



"Honra o passado/mas acolhe o futuro."

e. e. cummings - poeta estadunidense

"Nada é tão duradouro quanto a mudança."

Karl Ludwig Börne - escritor alemão

"Todas as coisas que hoje se crêem antiquíssimas, já foram novas."

Tácito

"Para ver o mundo num grão de areia
E o paraíso numa flor selvagem
Segure o infinito na palma de sua mão
E a eternidade em uma hora"


William Blake

Colaborações (inclusive roubadas): P ε ν α θ Ω , Beowulf, grandes personagens ORKUTianos.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Distrito 9 e Substitutos

-Eu estava lendo que existem inúmeras espécies ameaçadas de extinção pela devastação da natureza que o homem promove. As vezes acho que a maior prova de que existem formas de vida inteligente no universo é que nenhuma delas tentou entrar em contato conosco até hoje.

Calvin - o "peste" genial de Bill Watterson

Distrito 9



O pior do humano é mostrado em Distrito 9 (District 9, 2009). Quando humanos brancos e negros (perdão pelo qualificativo, mas a coisa piorará, e muito) são postos frente à uma espécie equiparada à humana intelectualmente (ao menos na média, não na "casta superior", vide o filme), unem-se no preconceito, na exploração e até no extermínio (de preferência, colocando os nigerianos junto).

Atenção: se tivéssemos evoluído de monotremos, quebrar os ovos de meus irmãos seria, acredito, uma decisão de meus pais, e não do fiscal de saúde.

Distrito 9, portanto, além de obviamente ser uma monstruosa (e aqui o termo não é pejorativo) metáfora sobre o apartheid, é uma obra de profundo pessimismo, de um descrédito no humano coletivo, e na redenção (além da mutação) de seu personagem central.

Uma lição a ser dada que inicia pelo revoltar-se contra usar outro ser vivo como alvo em testes e termina por um presentear com uma flor feita de sucata.

A obra é tão poderosa que nem me preocupo em tratar dos magníficos efeitos, da concepção tecnológica soberba (o exoesqueleto militar simplesmente vale o filme- ainda mais capturando projéteis bem melhor, e de maneira mais convincente, que os poderes de Neo, de Matrix). Nem perderei meu tempo em discutir viagens interestelares, relatividade e outros pormenores de crítica científica. Muitos outros filmes já tiveram estes detalhes destruídos e analisados ao pó por mestres.

O objetivo de Distrito 9 não é ser exato, mas preciso em ser contundente, e sua ferida, acredito, será cicatriz que por muitos será por muito tempo lembrada.

E que venha Distrito 10 (talvez com este nome mesmo) e que os "camarões" nos "desçam o cacete", e nos ensinem pela dor a sermos mais humanos, ao menos com outros seres humanos.

PS - Para ter-se idéia da capacidade do diretor Neill Blomkamp e sua já presente influência, recomendo assistir estes vídeos:

O curta metragem que deu origem a Distrito 9

Alive in Joberg

Um ensaio seu, com todas as características de uma pretensa filmagem do clássico do anime Ghost In The Shell

Adicolor Yellow

E aqui, uma amostra da escola que já desenvolveu em produção de ficção científica:

HALO MOVIE: FIRST 8 MINUTES

Substitutos



Tenho de admitir: sou viciado em filmes do estilo "antecipação" ( o estilo/ divisão da ficção científica que trata de nuances de nosso futuro provável dentro do acréscimo de novos elementos tecnológicos ou paradigmas).

Um bom exemplo é o hoje um tanto extemporâneo "Estranhos Prazeres" (Strange Days, 1995), com os quais Substitutos (Surrogates, 2009) guarda intimidade.

Em Estranhos Prazeres, as pessoas vivenciam as memórias com as sensações de outras. Em Substitutos, as pessoas vivem suas sensações com corpos que não são os seus, e inclusive, não são nem corpos propriamente ditos, mas robôs, andróides, "substitutos".

Sinceramente, duvido muito que viciados em adrenalina vão querer que robôs ligados a seus cérebros saltem de paraquedas ou participem de competições de skate, ou mesmo surfem até tranquilamente em praias calmas. Mas o que é assustador no filme é a possibilidade de homossexuais masculinos gordos mórbidos ganhem corpos de modelos de roupa de baixo para se divertir e me convidem para uma vodka num balcão de um bar.

Só isso seria um motivo com imensos desdobramentos em outras combinações que levariam tal paradigma de modo de vida a não ser facilmente disseminado. Notem que disse disseminado, com o o filme o trata, como um vício epidêmico (e até pandêmico, como o filme o apresenta), mas não que venha a ocorrer e se usado, até massivamente.

O filme explora um lado mórbido do humano: apesar dos corpos e rostos serem (aparentemente) lindos (pois não o são realmente nem corpos orgânicos), as mentes que que os operam não o são, e os corpos reais, orgânicos, os "controladores", muitas vezes, compelidos por tais mentes, são depressivos, melancólicos, apresentam a degradação da inatividade, o talvez subentendido vício em drogas e uma agorafobia epidêmica (sem falar de uma certa apatia), que permeia o contexto da imensa maior parte da humanidade naquele universo ficcional.

PAUSA - Este dias talibãs foram mortos por avião robô.

Aqui, o filme acerta na mosca (imagem ridícula, concordo). No filme, a tecnologia nasce na área militar, e este será exatamente seu berço, e tão certo como os passos mostradops na evolução da tecnologia que abrem o filme, e são reais (documentais), os soldados robóticos comandados por soldados controladores confortavelmente deitados em um salão serão fatos, e tal marcha, já foi dada pelos aviões comandados à distância por pilotos segura e confortavelmente sentados próximos de seus lares.

Sobre tal tema, de maneira similar, já abordei a saga Exterminador do Futuro, e a marcha para tal é a mesma que leva um filme de 2009, permitir que Bruce Willys tenha cabelos loiros com um topete de gosto um tanto duvidoso, esteja uns 20 anos mais jovem, mais magro do que jamais esteve e inclusive, corra e salte sem um braço, e encaremos tal como realista, natural e até diria perfeito.

Se o representável na tela é fruto do computacional, e o computacional produz o militar, os talibãs (e seus sucessores) ou outros combatentes opositores à tecnologia militar de 20 anos no futuro deveriam começar a repensar seus paradigmas agora, antes de serem obrigados a enfrentar garotos tão preocupados em levar um tiro ou serem vítimas de uma explosão como hoje estão os adolescentes ao jogar qualquer videogame de guerra.

O que marca - mesmo sendo o que chamo de um "filme menor" - Substitutos é o envolvimento de dramas humanos profundos, como a artificialidade de um relacionamento homem-mulher por avatares mecânicos, a impossibilidade do humano mesmo fechado entre quatro paredes transcender o que seja o pior do humano e a transposição para "novos vícios", nem que seja agora na forma de choques elétricos.

Mas não acredito de forma alguma numa utópica redução de crimes, pois afinal, provavelmente os "manos" de São Paulo (ou similares de qualquer cidade) agora tentariam coisas ainda mais audazes, pois a dor sempre foi um impecilho para a criminalidade, a menor dor que leva no filme a que quando sairmos de nossas casas, seremos submetidos a um determinado nível de stress, a uma certa ansiedade, e no filme, pela vida em tanto doentia para a qual se direcionou o ser humano naquele universo ficcional, ao nível do pânico.

Aqui, filosofo um tanto, e lembro que um dos úteis mais úteis dos sentimentos humanos é o medo.

É a ausência do medo que se faz crianças pequenas correrem riscos mortais em peitoris de janelas, e exatamente o medo que leva racionalmente um agente policial de elite a só entrar numa sala com um homem armado sob todas as condições de segurança, ou um paraquedista a só saltar com um paraquedas muito bem examinado, ou um montanhista a só subir uma montanha com todo o treinamento, bem guiado e quipado, com minucioso planejamento.

Não devemos confundir medo com pânico, e ausência de medo com imprudência.

O medo (aliás, este medo assim definido) advém exatamente da capacidade do cérebro humano primeiro guardar experiências, além de calcular comportamentos futuros. E sinceramente, nosso cérebro gosta de nossos corpos e suas sensações. Aliás um dos objetivos de Andrew Martin o personagem robótico de O Homem Bicentenário (Bicentennial Man, 1999), história original do grande Isaac Asimov, que busca ao longo de sua longa vida somar ao seu intelecto as sensações humanas.

Aqui, completo citando outro filme de antecipação que também é um "filme menor", mas igualmente toca no inexorável do desenvolvimento científico-tecnológico: O 6º Dia (The 6th Day, 2000). Haverão robôs comandados completamente e simulando humanos. Haverão robôs que serão literalmente humanos, e até superiores a estes intelectualmente e em termos de aptidões físicas (aliás, o que não é grande proeza). Haverão (e já há, em determinados níveis) ciborgues, humanos melhorados e recuperados por máquinas. Haverão clones humanos. Pois ao que parece, já pilotamos aviões a distância, existem computadores que jogam xadrez melhor que qualquer humano e linhas de montagem de fábricas, e ninguém pode impedir um casal de ter uma réplica genética de um jovem filho perdido implantado m um de seus óvulos. Evitando, talvez, temores como os de O Enviado (Godsend, 2004) e reproduzir gênios do mal (ainda mais "aquele", com idéias repetidas no apartheid e logo, em Distrito 9) como em Os Meninos do Brasil (The Boys from Brazil, 1978).

E nestas diversas coisas, haverão questões morais, mas nenhuma pode ser encarada como imoral pura, simples e "pré-conceituosamente"*.

*Aqui, a grafia errônea se fez necessária.

Algumas das brilhantes publicidades de Substitutos:

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Cinco Absurdos Argumentos Criacionistas - V

"Evolução é matematicamente impossível"




Exemplos

A probabilidade astronomicamente pequena torna a evolução matematicamente impossível. Hoyle calculou que a probabilidade da produção ocasional apenas das enzimas básicas para a produção da vida são de 1 sobre 1 seguido de 40.000 zeros. Em comparação, a chance de, por acaso, pegar um átomo específico em todo o universo seria de apenas 1 sobre 1 seguido de 80 zeros. Mesmo que cada átomo existente se tornasse outro universo, as chances de pegar um átomo qualquer em todos esses universos seria de apenas 1 sobre 1 seguido de 160 zeros. Uma chance em 1040.000 só para produzir as enzimas básicas! Mas as enzimas realizam coisas notáveis, e esse fato complica ainda mais o problema da evolução com essas chances infinitamente pequenas.

BIOLOGIA REFORMACIONAL
CIENTISTAS DESCARTAM DARWIN! A EVOLUÇÃO É MATEMATICAMENTE IMPOSSÍVEL

O astrônomo Carl Sagan e outros cientistas renomados calcularam a possibilidade de o homem ter evoluído em aproximadamente 1 para 102.000.000.000.000. Esse é um número com dois bilhões de zeros à direita. De acordo com a lei de Borel, segundo a qual eventos cuja possibilidade de ocorrência esteja além de 1 x 1050 simplesmente não ocorrem, isso indica não haver probabilidade alguma. Os cientistas sabem que uma chance em 1015 é uma impossibilidade virtual. Desse modo, como podem crer em algo que tem muito menos do que uma chance em 101.000?

(Preservemos os pitorescos erros de notação em potência.)

Doa a quem doer

A evolução é matematicamente impossível

Em Chance and Necessity (Acaso ou Necessidade), o biólogo molecular Jacques Monod, premiado com o Nobel, dá uma dúzia ou mais razões sobre a total impossibilidade de ocorrência da EVOLUÇÃO. Ele explica, por exemplo, que a característica essencial do DNA é sua perfeita reprodução de si mesmo; essa evolução só poderia ocorrer através de um erro nessa operação; e que é um absurdo imaginar o desenvolvimento de uma única célula, muito menos do cérebro humano, a partir de uma série de erros aleatórios (eventual, fortuito, incerto) e prejudiciais ao mecanismo do DNA.

Evolução - A religião Impossível

A. A evolução é matematicamente impossível

Em seu livro “The Blind Watchmaker” (“O Relojoeiro Cego”), o zoólogo Richard Dawkins, da Universidade de Oxford, um destacado evolucionista, chama a biologia de "o estudo de coisas complicadas que dão a aparência de terem sido criadas com algum propósito."[4] Sem dúvida! Uma célula, a menor unidade viva, chega a ter 100.000 moléculas, e 10.000 reações químicas inter-relacionadas simultâneas. As células não podem ter surgido por acaso! Dawkins admite que cada célula contém, no seu núcleo, um banco de dados digitalmente codificado que é maior... do que a soma
de todos os 30 volumes da Enciclopédia Britânica."[5] É impossível sequer imaginar a ínfima probabilidade de o acaso criar uma enciclopédia de 30 volumes! E isso equivale apenas a uma célula – e há trilhões de células no corpo humano, milhares de tipos diferentes, operando em relacionamentos incrivelmente complexos e delicadamente equilibrados!


Aula ministrada pelo Professor: Luciano Vasconcelos Rocha

Já tratei deste tipo de "argumento" criacionista algumas vezes, tanto neste blog quanto em artigos mais formais.

"Lei de Borel", mais uma falácia criacionista

Falácia de Hoyle

Acrescentemos aqui exatamente a oposição matemática a este tipo de argumento da "impossibilidade" de algo acontecer, exatamente no que seja algo sério que tenha sido dito ou escrito por Borel, e em matemática formal, não "arrotos" de sapiência seja lá pelo que for, em uma de minhas contribuições à Wikipédia:

Lema de Borel-Cantelli

Mas antes de alongarmos, e talvez muito este tema, tratemos de algo que transcende em muito à cultura de almanaque dos criacionistas.

Os estranhos números de Chaitin

Temos que os números reais são divididos em números racionais, aqueles que podem ser representados por uma fração de números inteiros e números irracionais, que em contrapartida, não podem ser representados por frações de inteiros. Exemplos simples de racionais são o 2, que é inteiro, e todo inteiro pode ser representado por fração, como banalmente 4/2, o que torna a definição mais que coerente e clara, 0,5 que sendo igual a 1/2 também torna clara a definição, e números mais exóticos, como 0,14285714285714285714285714285714... que é igual a 1/7 e logicamente infinitos números com infinitas casas decimais que nascem de frações como estas (e muito mais exóticas).

Já os números irracionais são divididos em algébricos, como a raiz quadrada de 2, igual a 1,4142135623730950488016887242097... , que embora pareça algo inimaginável de ser racionalizado (e aqui, o trocadilho infeliz é didático), é exatamente oriundo de uma equação x elevado a 2 dendo igual a 2, e daí exatamente o nome destes números irracionais. Uma curiosidade: toda raiz quadrada de número primo é um irracional algébrico, e a demonstração disto é de uma beleza singela em teoria dos números. É curiosa também a lenda - talvez história - de que a descoberta e demonstração dos números irracionais por Hipaso de Metaponto o tenha levado à execução pelos Pitagóricos, fanáticos por números racionais, logo, a fundo, inteiros.

Também existem os números irracionais transcendentes, como π e e (o número de Euler), que são resultantes de uma série, uma soma infinita, como podemos ver nos seguintes artigos:

π Wikipédia em "pt"

Número de Euler

E de maneira ainda mais vasta em:

π Wikipédia em "en"

e (mathematical constant)

Tenho de destacar que equação algébrica alguma produzirá os números transcendentes.

Mas há, dentre os transcendentes, um outro tipo, e aqui, nasce toda uma nova maneira de ver a Física e suas relações com Matemática.

Antes, vamos apresentar aos meus leitores um útil dado, conhecido por romanos e por jogadores de RPG, o D10.



Imaginemos agora um dado de 10 lados como este, perfeito, bem equilibrado, que possua lados marcados de 0 a 9, os nossos 10 algarismos do sistema decimal.

Um dado destes, jogado infinitas vezes, produziria um número decimal irracional aleatório, que acredito seja óbvio, não é algébrico, mas igualmente, não é representável/obtível por uma série, pois é aleatório.

Assim, retomando, números irracionais transcendentes aleatórios não podem ser representados apenas por algorítmos (incluindo equações) que os contenham (no linguajar típico do ramo, tais números são chamados de "incompressíveis"), logo, não suportam modelos que sejam mais simples que eles próprios, como são as simples equações como x^2, que produzem, por exemplo, a raiz quadrada de 2 ou as séries vistas que produzem π ou e.
Logo, se a natureza os apresenta ou existem pontos ou grandezas que "passem"/se originem por/em seu valor, mas podem ser tratadas por modelos físicos, a Física torna-se consequentemente incompleta ao tratá-los, e este conceito deve agora se tornar MARCADO no cérebro de quem me lê.

O estudo os números de Chaitin nasceu da pesquisa em probabilidades de sistemas multicomponentes, como os circuitos eletrônicos, apresentarem defeito, e nasce a definição que constantes ômega, são chamados tais números associados à sistemas e sua probabilidade de defeitos serem irracionais e transcendentes, de uma definição formal em matemática. E evolui um número ômega para uma constante de Chaitin. Logo, não há o que se discutir neste campo, pois o raciocínio envolvido é matemática pura, e transcende (bis para um trocadilho didático) o evidenciável.
Logo, uma Matemática, mesmo aplicada na forma de modelos físicos, não pode construir uma Física teórica "por si", plenamente confiável. Portanto, só nos resta uam Física empírica, falseacionista, demarcada, de MODUS TOLLENS, não MODUS PONENS.

Em outras palavras mais enxutas, só resta o formalismo em Física, e não o construtivismo. Noutros termos, pode-se formalizar as evidências por modelos matemáticos, não se pode poupar a ciência (toda ela amparada na Física - e guardemos esta frase) de testar os modelos pois não se pode, a partir de coerência matemática, construir modelos físicos permanentemente, de maneira contínua com base nos modelos matemáticos mais basais.
Para um entendimento mais completo desta questão, escrito pela mão de um mestre, recomendo:
Gregory Chaitin; THE LIMITS OF REASON; Scientific American 294, No. 3 (March 2006), pp. 74-81
Versão em PDF
Na edição brasileira, ano de 2006, n°47; Limites da Razão, com o seguinte resumo:
Idéias sobre complexidade e aleatoriedade propostas no século XVII, quando combinadas com a moderna teoria da informação, mostram que é impossível construir uma "teoria de tudo".
Sobre este tema, convém ler ou reler minha outra blogagem, e ver como a coisa se torna coerente por outro caminho, mais pela Filosofia da Ciência e suas afirmações:

Ovelhas no campo, a cor dos cisnes e dos corvos

Esta estrutura de conhecimento, chamada também em suas bases de Metamatemática, a análise do que realmente seja a matemática, já produziu o Teorema da Incompletitude de Chaitin que guarda relações com raciocínios que já nasciam em Biron e Pascal, e tiveram continuidade por um caminho mais de lógica aplicada nos teoremas de incompletitude de Gödel. Neste artigo da Wiki, mais que "digestivo", recomendo ler com atenção as consequências, conjuntamente com o Princípio de Incerteza da Mecânica Quântica, por uma destruição do indeterminismo, e portanto, não só a Matemática não produz Física, mas só é hoje adequada se for uma Matemática adequada ao probabilístico.

Se a Química é dependente da Física, esta igualmente tem de ser empírica, no subtítulo de Química, Uma Ciência Experimental, do Chemical Education Material Study, frase que marcou minha vida como noção mais fundamental do que seja esta ciência.

Se a Bioquímica é o campo intermediário entre a Química e a Biologia, e é totalmente dependente dos "princípios e leis" da Química, só podemos costruir uma Bioquímica empírica.

Desta Bioquímica aplicada aos ainda mais complexos modelos biológicos, terreno do caos e das relações com o ainda mais dinâmico ambiente geológico*, construir-se-á uma Biologia empírica.

* Pois me parece que uma galinha bota um ovo com uma galinha no máximo um pouco diferente, mas uma estável montanha como o Monte St Helen explode pouco se interessando se ovelhas ou veados pastem tranquilos ou as pinhas estejam ou não maduras, ou um gênio como Bach ou o mais honesto dos ecologistas morem nas proximidades.

Assim, por meio desta marcha lógica, chegamos à conclusão que modelo exato algum, contruível a partir de axiomas, postulados oriundos de sensos comuns inequívocos (como se tal existisse), e só construiremos modelos aproximados, confiáveis, estatísticos da realidade biológica (sem falar das realidades mais profundas, a bioquímica que compõe a vida, a química sobre a qual se estrutura e a realidade física, sobre a qual toda realidade se estrutura e sua homônima Física, mais profunda das ciências popperianas.

Assim, por outra direção, Matemática alguma sobre axiomas contruirá quanto mais Física, muito menos o comportamento dos seres vivos no espaço e no tempo. Logo, finalmente, como mpretendíamos desde o início, mesmo com argumentos que não sejam ridículos (e esta é realmente a classificação dos argumentos criacionistas quando enveredam por matemática sofrível), Matemática formal e sólida alguma derruba T.E. como teoria científica e a evolução dos seres vivos como fato.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Cinco Absurdos Argumentos Criacionistas - IV

A Lei da biogênese


Pérola:

Versão I - Uma versão mais cientificóide (como um debilóide que tenta ser científico)

Biogênese: Matéria viva procede sempre de matéria viva. O primeiro passo na refutação científica da abiogênese aristotélica foi dado pelo italiano Francesco Redi, que em 1668, provou que larvas não nasciam em carne que ficasse inacessível às moscas, protegidas por telas, de forma que elas não pudessem botar lá seus ovos. Em suas "Experiências sobre a geração de insetos", Redi disse: "A evolução do indivíduo deve reproduzir a da espécie."

Versão II - uma versão mais pregatória (pregação masturbatória)

“Vida somente provém de vida: um organismo vivo provém de outro semelhante”. Esta lei torna lícito e lógico supor que somente um Deus vivo criaria seres vivos, semelhantes a Ele (Gênesis 1:26). Mas, curiosamente, ao contrário, a teoria evolucionista diz que matéria inanimada, inorgânica, pode produzir vida. Tipo moléculas aleatórias se juntam, formam uma cadeia de DNA, assim, do nada, depois o DNA forma uma célula, depois outros organismos mais complexos blábláblá até chegar ao Homo Sapiens.

Acredito que já tratei mais longamente e com muito mais polido estilo deste tema nos meus artigos Somos Arranjos de Moléculas e Doa a quem doer, evolução é fato ,e matematicamente óbvio - I.

Então, façamos algo mais emocionante, e a maneira que aprendi com minha amiga Silvia Gobbo, desmanchemos a pérola acima, frase a frase, "módulo a módulo", e façamos pó dos cacos da pérola, e direcionados por nosso próprio opositor, revisemos algumas questões e talvez, inclusive, acrescentemos algo de novo:

Versão I

Matéria viva procede sempre de matéria viva.
Esta afirmação sempre é perigosa, para dizer o mínimo.

Tanto é, que exatamente de matéria inanimada, as plantas capturam dióxiudo de carbono da atmosfera e compõe carboidratos. Estes, ingeridos por mim numa pizza, quando exagero em minhas noites de sexta, viram gordura por meu ciclo de Krebs que me levam a queimar um tanto mais (ou não, depende da ingestão de cerveja no sábado) dando uma longa caminhada num parque domingo de manhã, a não ser que chova.

A água da chuva, por sua vez, entrará também no metabolismo das plantas que estarão neste parque, e com o dióxido de carbono também formarão celulose. Por sua vez, parte do dióxido de carbono que expelirei aos "bafos e suspiros" em uma caminhada forçada, mais do que inorgânico, sem nem tratar-se que é algo que não seja vivo, proverá outras plantas além das do parque, e inclusive, aquelas que proporcionarão em suas raízes, com utilíssimas bactérias, fixação do nitrogênio em um ciclo que levará, assim como as plantas, as galinhas que tanto como e os coelhos que apesar de fofinhos, inteligentes e graciosos, acho deliciosos a produzir proteínas, por um ciclo de aminoácidos, em expansão do mesmo processo que iniciou-se numa atmosfera primitiva, ainda sem bactérias, plantas, galinhas e coelhos e nem um antepassado meu digno de nota nos livros de história.

Notemos que as bactérias, as leveduras da cerveja, as plantas do parque e dos alimentos que consumo, as galinhas e os coelhos, além do pobre primata que vos escreve, produziram neste ciclo múltiplo "matéria viva da não viva", o que leva a tratarmos de um único e pequeno detalhe que ainda não tratamos.

O criacionista perolante em questão deve ser tratado de uma "primeira matéria viva" que é capaz de se reproduzir (como coisa que esta reprodução, não implicasse, como vimos com as bactéras e seu nitrogênio, ou as plantas e seu dióxido de carbono, de "captura" de "matéria não viva" em seu sistema, perdão pelo termo quase ridículo, "vivificante"). Pois bem, esta pelo seu raciocínio primário, simplicista e simplório, deveria ter se formado exatamente naquilo que chamamos (ou melhor, ele chama) de bactéria, levedura, galinha, coelho e meu antepassado exatamente de um volume de "matéria não viva".

Só este tropeço já leva seu argumento a apresentar um momento de ruptura, aquele no qual houve uma quebra desta sua "lei".

Mas a questão que passa por cima deste raciocínio sem saída dos criacionistas é que exatamente não há fronteira de separação estrita, exata, entre o que seja vivo e não vivo. Fazendo uma analogia, seriam muitas vezes como dois países que possuem uma parte da fronteira determinada por decisões políticas, outras vezes, por "águas" de uma montanha ou cordilheira, outras vezes por um rio, ou ainda, uma maior massa de água até salgada. Mas TUDO é a superfície da Terra, e quem colocou que tais fronteiras existam somos nós.

Já abordei o que seja "Princípio Vital" na blogagem Doa a quem doer, evolução é fato , e matematicamente óbvio - II e como vemos os criacionistas insistem permanentemente em colocar questões que sejam não um ataque à evolução, mas à própria química/bioquímica, que há muito já passou por estas questões. Os seres vivos nada mais são que organizações de sistemas de reações químicas entre moléculas coilaborantes, e apresentaram variação deste sistema ao longo da história, e diversificaram em sistemas específicos (que podemos até chamar de "filos" e espécies. Logo, não é a "matéria não viva" - perdão, mas expressãozinha bem irritante esta - que se transforma em "viva", e sim, moléculas (e nelas átomos, logicamente) que se organizam e participam de sistemas que as organizam quesejam o que chamamos de vivos (aliás, pois estamos também vivos!). Portanto, lançar as duas expressões irritantes novamente em confronto é apenas uma falácia da falsa dicotomia.

O que podemos discutir pesadamente até, é como as primeiras moléculas que viriam a se oprganizar (nota: como se formaram, em grande parte já, já conhecemos, e não há mais enormes e intransponíveis mistérios aí, e tal destruição de uma muralha aparentemente inepugnável se iniciou exatamente na nossa ciência com a destruição do "princípio vital" com a síntese da uréia). E aqui, tudo nos aponta que não só os primeiros seres vivos eram mais simples que a mais simples bctéria hoje viva, mas também seriam um tanto organicamente difusos. Explico: não seria propriamente uma célula, perfeita e delimitada com suas paredes e estruturas internas, mas uma região química de processamento sistemático (e aqui o termo é mais que adequado) de reações dentro de um sistema ainda maior de produção geológica de reagente.

Este primeiro proto-organismo, teria dado origem às primeiras proto-bactérias, e de modificações destas, até os coelhos que tanto aprecio. Aqui, cai mais uma questão: não só o processo foi contínuo geograficamente, ou podemos dizer, volumetricamente, desde este primeiro proto-organismo, e este ainda em continuidade físico-química com o geológico ao seu redor (um "ambiental" em termos menos ecológicos) como também, na variável tempo, pois deste este primeiro proto-organismo, desta primeira associação reprodutível de moléculas aproveitando-se do meio, jamais guardamos fronteira alguma, interface nítida exata, com o ambinete geológico onde nos encontramos. Assim, não só sou parente afastado do coelho que devoro, mas igualmente, não possuo fronteira física alguma, estrita e definitiva, não submetível a plena análise e mostrando-se apenas ilusória, inclusive no tempo*, como todos os seres vivos e com o planeta que habito (e tal pode-se fazer para o universo inteiro, com novos níveis de decomposição).

*Aqui, tratarei a questão com mais detalhes. Voltemos ao nosso primeiro proto-organismo. A partir do momento em que este se reproduziu, seja da forma difusa e caótica que tenha sido, inclusive com partição de sua primitiva genética, e não com sua duplicação, o sistema de reações ele era permanesceu em operação. Este mesmo raciocínio pode ser extendido para suas descendentes diretas, que foram as mais primitivas bactérias. Todos os seres vivos até o surgimento de uma reprodução sexuada mais clara e definida, foram prolongamentos, separações das regiões onde as reações da vida se processam, inclusive já no brotamento de tecidos, como se reproduzem alguns cnidários.

Mesmo com a passagem para a reprodução sexuada, o processo continuou em moldes similares, pois a produção de tecidos destinados à reprodução, como os espermatozóides e os óvulos, nada mais são que a extensão de uma região do sistema de reações para fora do oganismo (e em alguns casos, nemtão fora do organismo assim).

Deste modo, a reprodução é uma continuidade no tempo de um sistema dereações, que se formos analisar, só se interrompe na morte de organismos. A figura da árvore da vida é expandível, neste modelo, até memo aos indivíduos, aquilo que até chamamos de árvore genealógica. Logo, repetimos, não há uma descontinuidade entre as formas de vida, definidas como seu sistema de reações em operação, aquilo que chamamos simplesmente de "vida".

Logo, nunca houve, à plena análise, o que seja uma "matéria viva" e "não viva", e sim, o que houve e há, são associações de matéria, inclusive gerando coisas que podemos chamar, em nossa obsessão por classificar e ordenar mental/culturalmente o mundo de seres vivos.

Na versão II, encontramos esta subpérola, que além de já ser tratada acima em determinados ângulos, ainda enterra-se na falácia de Hoyle, que aliás, possui adoração em ser modificada pelos criacionistas, inclusive nas mais grotescas formas, numa mostra de que design inteligente não se mostra mesmo no evidentemente humano.

"Mas, curiosamente, ao contrário, a teoria evolucionista diz que matéria inanimada, inorgânica, pode produzir vida. Tipo moléculas aleatórias se juntam, formam uma cadeia de DNA, assim, do nada, depois o DNA forma uma célula, depois outros organismos mais complexos blábláblá até chegar ao Homo Sapiens."
Agora, algo com lustres de científico, mas escondendo um bocado de questões posteriormente (e aqui estamos falando de mais de três séculos) desenvolvidas.

O primeiro passo na refutação científica da abiogênese aristotélica foi dado pelo italiano Francesco Redi, que em 1668, provou que larvas não nasciam em carne que ficasse inacessível às moscas, protegidas por telas, de forma que elas não pudessem botar lá seus ovos.

Um dos fatos fantásticos das "argumentações" dos criacionistas é sua simploriedade (quando não desonestidade disfarçada disto). Quando falamos de primeiros organismos, ou mesmo "proto-organismos", como prefiro, não estamos falando de um animal extremamente complexo como as moscas, muito menos de uma única e extremamente simples forma de vida que ponha "ovos". Por outro lado, para desespero dos criacionistas, concordamos que moscas não surjam de "miasmas" ou pelo vento, em microscópicos esporos, assim como concordamos que fungos complexos desenvolvam-se de minusculas partículas extremamente simples, em paradoxal complemento não a nossos problemas com o surgimento da via, mas sim, para tentar diminuir sua ignorância (ou acertar em cheio sua desonestidade).

Nenhum cientista afirma ou afirmou que das mais simples moléculas bioquímicas brotou uma macieira, ou "pufou" um elefante

(Sobre este agradável e magnífico animal, construi meu artigo sobre uma argumentação em passos lógicos simples pela evolução como fato, que até agora, não fez surgir um único criacionista minimamente respeitável - quase um absurdo esta frase, mas deixemos assim - que apresente um erro mínimo.)

Curiosamente, quem afirma algo parecido são os criacionistas.

Afirma-se que da associação das moléculas mais simples da bioquímica, sintetizadas na geologia, por simples mecanismos químicos, formou-se a mais simples criatura (e talvez, diversas delas, e variadas) e de um mais primitivo dentre estes sobreviventes (se foram mais que um) descendem todas as formas de vida, acréscimo de detalhe a acréscimo de detalhe (e nem tanto, pois devemos a cada minuto lembrar aos criacionistas que nem só de complexação vive o processo evolutivo).

Mas notemos que assim como citam bioquímicos como Pauster, citam pensadores do século XVII. Assim como também citam pesquisadores sérios mesmo de pleno século XX mas obsoletos em muitos pontos. Desconhecem (ou na hipótose/variação da desonestidade ignoram) que a bioquímica, especialmente, na sua interface com a biologia, há muito já ultrapassou inúmeros destes pontos. Mas o que se há de exigir de pessoas que argumentam pelo "princípio vital"?

A biologia/bioquímica hoje enfrenta o problema de mostrar como foram os passos mais confiáveis de como a vida surgiu - e surgir é inadequado, pois os passos podem ter demorado milhões de anos (os exatos, talvez só saibamos ao assistir a uma biopoeise similar em um exoplaneta, e mesmo assim, com o risco de a forma de vida básica a surgir ser um tanto diferente da nossa - em outros termos, mais pessimistas, talvez nunca saibamos). Somos como um arqueólogo que encontra uma magnífica estátua de Fídias, ou uma pintura de Apeles, mas aos cacos ou trapos e apenas numa fração menor destes fragmentos, e a partir de minucioso trabalho, reproduzir a obra. Não saberemos talvez jamais como ela era em sua totalidade, mas conheceremos (e já conhecemos) suas características técnicas, e num quadro mais amplo, o que representam.

Não somos e não seremos jamais ignorantes completamente de como a vida surgiu a partir do geológico. O que é certo, é que não surgiu do pó da savana africana diretamente o elefante, que aliás, é o que criacionistas, antes de insistirem com argumentos primários e aquilo que me acostumei a chamar de "falácia da surdez", afirmar que já que não sabemos (note a meia verdade) como a vida surgiu, um elefante não evoluiu e surgiu por milagre (aliás, o que insisto em que deveriam provar e dobrar os joelhos do mundo às suas "verdades" incontestáveis - quando não pateticamente teimosas e até irritantes).

* Sobre "falácia da surdez", se algum leitor caridoso localizar, existe uma charge norteamericana sobre este comportamento, onde o criacionista, ao ouvir que a teoria da evolução não trata da origem da vida, faz os clássicos infantis "lá lá lá lá", tapando os ouvidos (disto se originando o nome que dou).

Em suas "Experiências sobre a geração de insetos", Redi disse: "A evolução do indivíduo deve reproduzir a da espécie."

Que fundirei em tratamento com a frase inicial da dita Versão II

“Vida somente provém de vida: um organismo vivo provém de outro semelhante”.

Como vimos, isto não pode ser afirmado de maneira tão genérica. Mas tratemos de detalhar mais peculiaridades da "falácia da surdez" e o que tenho procurado definir pelo conceito de "falácia sobre o paradoxo sorites" e o façamos por uma metologia um tanto longa, pois afinal, estarei aqui esboçando dois futuros artigos mais sérios.

Os criacionistas afirmam, em níveis, que (I) cada espécie de ser vivo foi criada pela sua divindade, (II) cada "filo" - nos seus termos, "baramins" foram criados pela sua divindade, (III) abarcando estes dois, a vida foi criada por sua divindade.

Aqui, pularemos a argumentação dos neocriacionistas, os defensores do design inteligente, pois acredito que já os castiguei muito com dois artigos, um tratando de que o DI implica em evolução (aliás, com o que concorda comigo a própria estrela desta "coisa", que é Behe) e outro que mostra (pela demonstração já clássica) que DI na verdade trata-se de criacionismo, seja deformado como for.

Se cada espécie foi criada pela divindade tem-se de pedir que os criacionistas definam exatamente qual a sua poderosa definição estanque e perfeita de espécie, pois ao que tudo se mostra, as espéies não são fixas, e como mostro em meu artigo sobre argumentação básica em evolução, as mostras de que pequenas variações são nítidas no registro fóssil são claras. Tão claras são que os criacionistas que pregam este "estanquismo" teriam de procurar refutar os diversos criacionistas que aceitam o que eles tratam como "microevolução" e logo, o que sejam, destes outros criacionistas, o que sejam os "baramins".

Nem falemos nos problemas graves de por exemplo a hilária arca de Noé nem poder conter somente os filos de grandes mamíferos, ou os gargalhantes argumentos de porque as espécies de dinossauros não foram salvas em tal canoão.

Mas concentremo-nos por hora na hipótese (II). Definido por estes criacionistas que existam o que sejam baramins, temos de nos perguntar quando eles "estancam-se" no passado, e um hirax não poderá se tornar dentro de um mesmo filo de uma capivara, já que o primeiro contém também os elefantes, assim como os segundos contém meus saborosos coelhos ou os simpáticos ramsters. Pior ainda quando vemos que embora possa parecer "baraminível" colocar maçãs e peras, assim como pêssegos e nectarinas, pela obviedade, entre as sementes originais da divindade, é de se perguntar quando estas se destacam assim tão claramente e não possam ser colocadas dentro da mesma descrição divina de um marmelo ou uma roseira.
Como vemos, o problema da biologia não é explicar o que veio primeiro, se o ovo ou a galinha, mas em mostrar que banalmente galinhas esporadicamente botam ovos com pintos um pouco diferentes.
Pelos problemas com que se sobrecarregam em tentar inutilmente resolver, ainda mais quando se explode com a moderna e mais que documentada paleontologia tais tipos de questões aos criacionistas, claro que continuarão em seu esperneio inútil e inprofícuo, mas acredito (percebam, logo eu crendo em algo) que a questão passa por uma nova abordagem de lógica aplicada e falácias.

Pois bem, primeiro, o paradoxo sorites, em sua parte mais importante (como o artigo da Wiki é predominantemente meu, posso me dar ao luxo de copiar e colar descaradamente!):

Mais especificamente, o paradoxo se produz porque enquanto o sentido comum sugere que os montes de areia tem as seguintes propriedades, estas propriedades são inconsistentes:

1. Dois ou três grãos de areia não são um monte.
2. Um milhão de grãos de areia sem são um monte.
3. Se n grãos de areia não formam um monte, tampouco o seriam (n+1) grãos.
4. Se n grãos de areia são um monte, também o seriam (n−1) grãos.

Perceberam? Se não, e aos que já tiveram o "estalo", façamos por similaridade, primeiro num sentido mais cladístico, de classificatória:

1. Maçãs e pinhões não são da mesma espécie.
2. Todas as plantas pertencem ao mesmo filo, e em seu passado mostram-se evidente e inquestionavelmente relacionadas por ancestralidade.
3. Se atualmente não formam o que defino de maneira primária como espécie, não aceito que sejam do mesmo filo conforme as autoridades que apontam tal fato de maneira substanciosa.
4. Se formam o mesmo filo, coloco como aceito dentro de minha definição primária de filo, mas não aceito que sejam estes filos colocáveis dentro de uma definição de filo mais completo e complexo.
Pinhões e sua árvore, a araucária, sobrevivendo desde o tempo dos dinossauros, para aqueles que os desconhecem.

Logo, minha falácia implica em que contradiga exatamente o que defendo, é o que fazem os criacionistas.

Triste ironia: o que chamo "falácia sorites", da exigência absurda do exato, mas desnecessário, pelo senso comum como uma refutação ao preciso, suficiente, já triste em si, leva a se tornar um lamentável "tiro no pé".

Agora, tratemos da hipótese III, e descrevamos mais detalhadamente o que seria a "falácia da surdez", e no que cairá também no desastre acima.

Como contrui imagem acima, não conhecemos da origem da vida a totalidade, o quadro mais detalhado e completo, um quadro de Apeles ou uma estátua de Fídias íntegros e reconstruídos até o último fragmento. Mas sabemos a disposição dos inúmeros pedaços no tempo, e como se formaram individualmente. Logo, concluímos que deste quadro ou estátua inicial foram feitas todas as modificações que resultaram na enorme galeria que hoje e na paleontologia vemos, clara e vastamente.

* Engraçado que este parágrafo soou como DI, mas isto já percebi que não é só algo que afeta a mim, pois a linguagem é muitas vezes pobre para tratar a complexa e caótica, estocástica e aleatória biologia - no exemplo típico de "quiabos foram se tornando na evolução intragáveis, assim como coelhos foram se tornando velozes e de musculatura firme, logo saborosa", um erro em biologia mas um acerto em culinária.

Mas os criacionistas aplicam aqui o seguinte raciocínio.

1. As espécies se modificam, seja na microevolução, e nem discutamos se macroevolução seja a soma de microevoluções, mesmo em seu discurso primário e um tanto desconexo.
2. Se modificam-se, modificam-se a partir de um tipo original (baramin), que não interessa qual é.
3. Como a biologia não conhece plenamente a origem da vida, foi uma divindade que a criou.
4. Claro que a primeira forma de vida não é o "baramin" de cada filo, mas pouco interessa, pois como a vida foi criada pela divindade, logo, cada baramin também o foi.

Evidente que o passo 2, bem modificado, pode se tornar uma frase séria em biologia.

2. Se modificam-se, modificam-se a partir de um tipo original (o último ancestral comum universal, Last Universal Common Ancestor L.U.C.A.).

Como não definem qual seja o baramin final, este não pode ser negado como sendo L.U.C.A., mas antes de conseguir ao menos definir o que realmente seja o diabo de um baramin, afirmo que todos foram criados, e me apoio numa lacuna da biologia, que pouco interessa a questão, mantendo um círculo vicioso entre os passos 2 e 4, e fazendo "lá lá lá" - e deste "3 x lá" o que seja a surdez - a qualquer questionamento frente a tal teimosia, quanto mais em aprender algo mais sério.

Mas infelizmente, ao fazer isso, caem no conjunto de problemas acima sobre sua própria argumentação e divindade, naquele conjunto de observações que encerra tornando sua divindade até um enorme e transcendente quiabo, pois...

"Esta lei torna lícito e lógico supor que somente um Deus vivo criaria seres vivos, semelhantes a Ele (Gênesis 1:26)."

Agora, façamos dentro do eixo tempo e contra uma conhecida argumentação criacionistas, exigindo erroneamente à maneira similar do método de Newton ou da demonstração por "decréscimo infinito" da matemática, como o fazia brilhantemente Fermat, a totalidade das formas intermediárias.

1. Elefantes e moeritérios são do mesmo filo, e é afirmado que descente o segundo do primeiro.
2. Inúmeras formas claramente intermediárias entre um e outro são conhecidas no registro fóssil e aceitas banalmente pelos paleontólogos.
3. Se não conhecemos todas as formas intermediárias das evidentes modificações, pouco interessa para os paleontólogos.
4. Mas como não conhecemos exatamente todas as formas intermediárias entre um e outro (e aqui, num nível absurdo, poderia se exigir na verdade cada geração e até mesmo populações), nós, que desprezamos as afirmações dos paleontólogos sobre a questão, exigimos que sejam apresentadas todas as formas intermediárias.

E aqui surge um 5 passo "pseudológico", e será comum a ambos os métodos que levam a esta falácia a um novo nível, além do senso comum inadequado do paradoxo sorites, já transformado em falácia, e as consequências serão até divertidas.

5.Como o item 4 não pode ser satisfeito nos "nossos" moldes, faço um temerário salto lógico e afirmo que todas as espécies existentes no passado, ou filos, que afirme eu como estanques, ou todas as intermediárias até hoje encontradas ou ainda no futuro, e as coloque como criadas por milagre, do pó inorgânico da savana africana, da água salgada de um oceano primitivo, por milagre de minha divindade providente, e nisto, afirmo:

I - Que minha divindade contraria o que afirmo como sendo uma "lei de causa e efeito".

II - Que minha divindade produz energia do nada, contrariando o que grito como sendo uma inquebrantável primeira lei da termodinâmica.

III - Que minha divindade tira em grande escala calor de um meio frio para produzir as mais quentesfocas, pinguins e ursos, contrariando o que raios eu ache que seja a segunda lei da termodinâmica.

IV - Que minha divindade, que nem se mostra um organismo, e nem o poderia, possui todas as características comuns a todos os seres vivos, não em ter a beleza obviamente humana de minha conterrânea Letícia Birkheuer (ver a horrenda imagem abaixo), mas sendo a quimera das quimeras, o mais monstruoso dos seres, e que de sua espécie, brotam pela brilhante ao seu tempo afirmação de Francesco Redi se levada ao extremo as terríveis tênias, os irritantes mosquitos, os mais que parasitas mata-paus, as não tão agradáveis hienas, os abutres, os piolhos ou ácaros da exótica sarna que provavelmente matou Platão, a lepra, a tuberculose, a varíola, e uma miríade dos mais devastadores e repulsivos seres vivos, incluindo os meus odiados quiabos.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Cinco Absurdos Argumentos Criacionistas - III

Primeira lei da termodinâmica

Também chamada de lei da conservação de energia propõe que a energia não pode ser criada nem destruída, também diz que a energia total no universo é sempre a mesma e pode se transformar de uma forma para a outra.

O
criacionismo dentro desta lei é inaceitável porque propõe que a energia ainda está em expansão no universo, ou seja, propõe que a energia ainda está variando. Já o criacionismo propõe que Deus fez todas as coisas completas e acabadas (Salmos 33:9), em nenhum momento a bíblia cita que após a criação do mundo Deus continuou a criar em outro momento, com isso a lei do criacionismo mais uma vez é aceita.



Um exemplo desta pérola.





Acredito que já tratei da parte mais formal contra esta bobagem na blogagem anterior e seu Knol anexo, então aqui, só façamos alguns acréscimos em pontos que passem à deriva de uma termodinâmica que pode ser entendida inclusive com conhecimentos de secundário.

Notemos que o texto é tão mal escrito que já no segundo parágrafo produz uma contradição interna, e é claro que ali entendemos que deveria estar "evolucionismo".

Passado este pequeno detalhe, observemos que no primeiro parágrafo está a refutação ao próprio argumento. Mostremos tal questão por fases, do mais amplo ao mais limitado no universo.

Em Cosmologia, a ciência do objeto mais amplo observável e dos fenômenos mais amplamente evidenciáveis, que é o universo e seu comportamento total, nas palavras de Novello, a "própria refundação da Física"*, a quantidade de energia do universo é constante (e mesmo em flutuações locais microscópicas, ainda sim tende a um valor de equilíbrio no macro). Dentro da Cosmologia, nos modelos que hoje são os mais confiáveis, e que são adequados a maior parte das observações, o universo só "fez" as seguintes coisas: aumentou de volume, e como mantém a quantidade de matéria-energia constante, diminui de densidade, pelo mesmo motivo, diminui de temperatura, mudou de composição, e mudando de composição, densidade e temperatura, mudou do que gosto de chamar "apresentação", desde um passado em que era uma enorme massa de plasma e gases não transparente até o momento em que já não diferiria muito do que hoje é, esta textura de galáxias e suas estrelas.

* Pois é o campo que trata na verdade não do universo como objeto a ser descrito astronomicamente (sua aparência hoje, ou no passado mais distante visível, pois em determinada escala, observar-se astronomicamente é observar o passado), mas como aquilo que conhecemos como existente (matéria e energia) se comporta no cenário do tempo e do espaço, e se assim aqui e no observável se comporta, se comporta assim em qualquer lugar deste espaço e em qualquer ponto da história do universo, logo, do tempo (inclusive naquele tempo em que não pode ser observado), e disto formando este objeto que chamamos de universo, e assim, permitindo-nos modelá-lo. Para se ter uma idéia de outro conceito deste autor, que seja "o mito de criação científica", leia neste blog apontamentos sobre o que seja realmente em cosmologia o que chamamos popularmente de Big Bang.

Entendamos, antes de continuar, que as diversas cosmologias (aqui como hipóteses, algumas bem construidas matematicamente), tanto de "tempo único", quanto de "universos cíclicos" - nas quais, respectivamente, o universo inicia seus processos e produz o único tempo de "tudo-que-existe" quanto repete este processo num único tempo mais exótico, amplo, e em flutuações de seu tamanho, produz numa destas pulsações o universo em que hoje estamos, entre outros que já pulsaram - assim como que mesmo sendo dotado de seu "tempo estanque" ou "pulsante", seja um dentre vários num mesmo espaço, sejam estee de dimensões como as nossas, sejam "em paralelo", ainda sim, apesar destas quase intermináveis combinações possíveis, o objeto que vemos até 12 bilhões de anos-luz na astronomia, calculamos como tendo uns 150 bilhões de anos-luz de diâmetro, pela expansão mais rápida que a luz a partir de uma determinada distância, e que calculamos (e temos fortíssimas evidências de tal) como tendo 13,7 bilhões de anos de idade, jamais se comportou saindo deste volume de energia-matéria inicial.

Em outras palavras e pretendo de maneira mais simples: pouco interessam ciclos ou não ciclos, único ou uma gota num oceano de universos. Ainda sim, a massa-energia da "gota" universo da Cosmologia é conservativa, sua energia desde seus mais remotos instantes é constante. Até somo que a primeira lei da termodinâmica, o princípio universal de conservação da energia, a idéia um tanto primitiva, com muito a ser complementada e corrigida, mas inspirada de Lavoisier, continua válida, desde um tubo de ensaio, um reator nuclear, o Sol e mesmo todo o universo.



Se o conjunto de partículas inicial do universo permaneceu constante, que se há de dizer de regiões mais detalhadas do universo, como as estrelas que formaram inicialmente as galáxias que formaram a Via Láctea?

É evidente, portanto, que o universo não tem "criado" partículas, "criado" átomos, "criado" estrelas, "criado" planetas, e num destes, "criado" macacos pelados que inclusive escrevem hora textos brilhantes, hora medíocres como este aqui, hora infelizes como o acima. A natureza produz determinadas partículas de outras, e as reconverte nas mesmas e noutras, mas agrega estas partículas em outras, algumas destas em átomos e seus núcleos, núcleos de átomos e partículas em estrelas, em novos átomos e estes em corpos celestes, incluindo planetas que formem macacos pelados que inclusive escrevam besteiras.

O universo evolui, e das mais variadas formas e nas mais complexas direções possíveis e imagináveis. As estrelas mais velhas da Via Láctea produziram estrelas mais novas como o Sol, e inclusive os elementos que tornam o nosso planeta uma bolinha com casca para que coloquemos nossos pés, e mesmo quando nossos antepassados não tinham pés, nadassem em mares, pois a água só existe na Terra porque o oxigênio foi produzido nestas gerações anteriores de estrelas. Somos fruto do Sol em energia, mas corporalmente, em materiais, filhos dos objetos da ciência imediatamente inferior à Cosmologia, a Astrofísica, que eu sempre repito que preferiria chamar de Astrologia, mas determinada pseudociência roubou o nome e não devolveu. A Astrofísica é a ciência que trata do comportamento mais genérico dos corpos celestes, é a ciência da evolução das estrelas, da formação de suas sujeiras periféricas (alguns chamados de planetas e no passado, um deles considerado no passado prepotentemente de "centro do universo") e de seu comportamento em função de dimensões, massa, posições em relação às estrelas (entre outros) e idade.

Assim, a Astrofísica não trata de "energia se expandindo" ou tolice similar. Trata (também) da evolução dos corpos celestes.

Se a minha "Astrologia" trata dos corpos celestes, também trata da bolinha de lama onde estão macacos que escrevem besteiras, e aí passa a ser mais específica, com modelos mais detalhados e próprios da bolinha em questão e é chamada de Geologia. Esta trata também dos minerais e gases que permitiram macacos escrever besteiras, mas não afirma que crie-se energia. Afirma (também) como a Terra evolui.

Pausa para indicação de boas e mais sofisticadas leituras:

Para mais informações sobre as questões de transformação de partículas do universo em seus primórdios em outras partículas (e da natureza a qualquer momento, hoje), especialmente as mássicas (aquelas que possuem massa) e inclusive os primeiros átomos, ainda num universo sem estrelas, recomendo:

- Matter Creation

- Annihilation

- Electron-positron annihilation

- Big Bang nucleosynthesis

- Lambda-CDM

Expostas estas coisas simples sobre três ciências em ordem decrescente de escala de objeto, repitamos parte da asneira criacionista:

...propõe que a energia não pode ser criada nem destruída, também diz que a energia total no universo é sempre a mesma e pode se transformar de uma forma para a outra.

Corrigindo:

O evolucionismo dentro desta lei é inaceitável porque propõe que a energia ainda está em expansão no universo, ou seja, propõe que a energia ainda está variando.

Como vimos, nenhuma ciência apresentada afirma que a energia está variando. Apenas afirma que a matéria está se agregando em diferentes formas. Este "argumento" criacionista é tão absurdo que nega que a água que hoje corra no rio, não possa formar meu corpo amanhã, ou que a última respiração de Jesus seja hoje compartilhada por todos os seres humanos a aproximadamente cada duas respirações, e passe a fazer parte de nossos corpos, ou que os 40 anos de produção de gás carbônico pelos hebreus e seus animais no deserto não estejam hoje na atmosfera e formem os brócolis que adoro em minhas refeições, e dos quais, sou parente afastado.

Em outras palavras: afirmar que evolução dos seres vivos (sem falar em outros processos evolutivos da natureza) signifique mais que moléculas se agreguem em novas formas é o mesmo que negar que qualquer processo natural, cíclico, aconteça. Por outro lado...

"Já o criacionismo propõe que Deus fez todas as coisas completas e acabadas... "

Isto lembra os tolos e simplórios hilemorfismos que já abordei noutra blogagem. Então tenho que perguntar então que o criacionismo, por esta conceituação dogmática e estrita, tão específica, determinante e falsamente segura, implica em que calcário não possa se transformar em cal, com este erguer-se uma baia, nesta baia cavalos não possam crescer e dar crias (sim, aqui uma ironia), estes não possam vir a apresentar coloração diversa, não possam produzir esterco, neste crescer e se multiplicar besouros, estes enterrarem-se na grama, grama não use gás carbônico produzidos pelos asnos dos hebreus (sim, possuo um humor muitas vezes ácido), e grama não ser transformada no crescimento do cavalo, e assim, do mesmo modo, nas miríades de entrecruzamentos de fluxos de materiais na natureza.



Mais um vez: não existe aquilo que "seja algo" na natureza, a não ser no subatômico, e mesmo assim, "flutuantemente", pois as partículas subatômicas transformam-se umas nas outras, "geram-se" e anulam-se. A natureza permite agregações, e a mais simples pedra é uma prova disto, a mais discreta traça que reproduz-se em meus livros é uma prova disto.

Mais filosoficamente, a maneira de Heidegger, gosto de afirmar é que a natureza apenas É nas partículas subatômicas, e que nem sabemos propriamente o que real e intimamente sejam, o restante, que delas se compõe, apenas ESTÁ. Noutra construção textual, as coisas ESTÃO, só os íntimos componentes da natureza SÃO.

O "evolucionismo" (aqui as aspas fazem parte de lembrar que este rótulo é mais que tudo, uma tolice) apenas afirma que as traças, assim como os cavalos, os besouros em seu esterco, a grama e as brócolis, não são na história também evolutiva da Terra e do universo, sempre iguais. Novamente, a maneira de Heidegger, as coisas, entre as quais as vivas, mudam no seu ESTAR.

Mas antes de encerrarmos esta, lembremos aos criacionistas, que se não querem ser taxados por alguns amigos meus de "malucos", não citem a Bíblia, em especial numa contradição clara (e já o demonstremos), pois se a divindade tivesse criado todas as coisas completas e acabadas, a natureza seria estática, pois seria única, perfeita e imutável uma pedra, uma traça, etc (não sejamos, aqui, repetitivos).

Logo, o hilemorfismo aristotélico, aqui modificado para um hilemorfismo salomônico* (referente aquele senhor da Bíblia que tinha um bom número de esposas) leva a natureza, em última palavra, à estagnação. E basta ver um simples rio erodindo uma pedra para saber que tal não se sustenta, e a mesma erosão que esfarela qualquer solidez de nossas noções do que sejam as coisas como tais construída em nossa mente, assim como aquilo por exemplo que chamamos pedra, erói produzindo os elementos que formarão novos cavalos, novos brócolis, um tanto diferentes (por causa de todo o universo e sua cosmologia inclusive), selecionáveis pelo ambiente (numa geologia que não é fixa), abastecidos por um Sol que produz energia relativamente constante (e que a Astrofísica determina como não eterno) e inclusive, produzindo macacos pelados que talvez parem de escrever besteiras sobre seus dogmas insustentáveis sobre o que seja aquilo que É, a poderosa natureza.

* Este conceito merece um artigo, pelo seu relacionamento com o criacionismo biblicista.

Talvez devamos seguir o exemplo dos besouros, que estão na Terra há um bocado de tempo mais que nós, pobres e frágeis macacos pelados, rolando produtivamente suas bolas de esterco, e paremos de empurrar outros volumes inúteis que não nos levam à coisa alguma.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Cinco Absurdos Argumentos Criacionistas - II



"Segunda lei da termodinâmica"



A pérola:

"O universo caminha de níveis organizados para níveis cada vez mais desorganizados"

Dentro do criacionismo esta lei é aceita porque propõe que Deus criou um mundo perfeito, entretanto, o pecado ao se instalar no mundo iniciou um processo de destruição, desorganização das espécies, isto torna o criacionismo aceito dentro da lei da termo dinâmica, enquanto o evolcionismo não pode ser aceito porque diz que o universo caminha de níveis desorganizados para níveis organizados.


Nota - Faço questão de reproduzir estas palhaçadas inclusive com os erros de português e grafia originais, pois como li estes dias em dois biscoitos da sorte chineses:

Atinge-se a sabedoria quando se aprende a segurar a língua.

O bom senso é o mestre da vida.

E portanto, como confio mais em biscoitos da sorte chineses e sua sabedoria do que em criacionistas, tratemos de mostrar o quão absurdo é este argumento, e ao mesmo tempo, dando boas lições aos criacionistas, inclusive deixando até os erros nas lamentáveis apresentações de seus pseudo-argumentos para causar-lhes ainda mais vergonha.

Infelizmente, ou seria felizmente, a blogagem que a partir daqui seguiria se tornou tão grande que seria insuportável de ser lida num blog (tristeza, é fruto de mais de dois anos de esporádicos trabalhos, partindo para aqueles que se lembram do lendário "postão insuportável"), então, como aqui é uma "democracia dirigida", resolvi, até pelas referências necessárias e ainda em construção, passar o restante do texto para um Knol.

Segunda Lei da Termodinâmica e o Criacionismo
Uma panorâmica do pseudo-argumento dos criacionistas sobre a entropia

Boa leitura, e como sempre...

PAU NELES!

PS: Repararam a cor?

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Cinco Absurdos Argumentos Criacionistas - I



"Efeito maior que a causa"

Um exemplo desta pérola:

"Nenhum efeito é quantitativamente maior e/ou qualitativamente superior à causa". Ou seja o efeito não pode ser maior do que a causa. A evolução diz que a matéria inanimada (causa) gerou seres mais complexos (efeito) esta afirmação contrária a lei da causa e do efeito. Enquanto isso no criacionismo diz que um Ser superior, Deus(causa), criou seres limitados(efeito) e inferiores a ele.

A Lei de causa e efeito, em Filosofia, parte da definição de que "Nenhum efeito é quantitativamente maior e/ou qualitativamente superior à causa".

A aplicabilidade do princípio acima é amplamente reconhecida nas ciências exatas como Física, Química e Matemática, no entanto, podemos encontrá-lo em Biologia, Filosofia e Sociologia. É uma das poucas leis que é aplicável em todas as áreas de conhecimento.


Que depois foi suficientemente surrada a ponto de ser modificada em:

“Nenhum efeito é quantitativamente melhor do que a sua causa”. Traduzindo, o efeito não é superior à sua causa: a causa primeira do espaço infinito tem que ser infinita. Mas ao contrário, a teoria evolucionista diz que o efeito sempre é melhor do que a causa. Vide a criação do Universo por meio do “big-bang”. A analogia mais clara é a da explosão numa gráfica que resulta numa enciclopédia.
Ostra e desova.
Fora meus risos com o remendo agora misturando falácia de Hoyle com o pitoresco "argumento da segunda lei da Termodinâmica", soma "espaço infinito", conceito que o coitado aqui tem espasmos depois de estudar tudo que estudou de cosmologia.

Sem falar nas dores abdominais que me causa "quantitativamente melhor".

Mas tratemos de destruir a versão anterior.

Primeiramente demonstraremos e percebamos banalmente que a massa total dos seres vivos é uma fração da massa total da crosta terrestre.

Para chegarmos a esta conclusão, façamos um cálculo simples, com números extremamente "forçados". Consideremos que as espécies hoje vivas sejam em torno de 10 milhões (um número já por si exagerado). Consideremos que todas tenham a população idêntica a humana e com a mesma massa unitária em torno de 100 kg médios.* Ainda multipliquemos isso pela proporcionalidade estimada de espécies extintas, que é de 100 para cada uma das hoje óbvias.

*Evidentemente, a população de espécies bactérias ou de formigas poderá ter população imensamente maior em número, mas o que nos interessa aqui é a massa total, assim, um ser humano extremado como médio como o que tomamos, com 100 Kg, possui a mesma massa que mais de 600 mil formigas de porte grande, que possuem massa de 150 mg, ou 100 trilhões de bactérias de 0,01 milhonésimo de grama.

Com estes números teremos

6,5 x 10^16 indivíduos hoje vivos.

6,5 x 10^18 Kg totais de seres vivos hoje vivos.

6,5 x 10^20 Kg totais entre espécies já vivas numa geração hipoteticamente hoje habitante da Terra.

Este número parece enorme, mas representa 6,5 x 10^17 toneladas, que sendo de água (aqui propositalmente escolhida por ser exatamente a substância predominante nos seres vivos) representa um cubo de água de 866,2 km de aresta. Este cubo pode parecer absurdamente grande, até como coluna d'água frente a profundidade de nossos oceanos, mas se dividido em uma lâmina d'água de 3 km de profundidade, resultaria em aproximadamente 289 paralelepípedos de 866,2 x 866,2 km (750,3 mil km²) com 3 km de profundidade.

A área total da Terra é aproximadamente 510 milhões de km², no que se percebe que este oceano hipotético possuiria área menor que a própria área dos atuais oceanos e mares.

Mas o importante aqui é percebermos que a vida, na sua totalidade, sempre apresentou-se como uma fração menor da crosta trerrestre, que obviamente, é uma fração do planeta Terra, que por sua vez, é uma fração minúscula do sistema solar, que por sua vez também, é uma fração ainda menor da Via Láctea, nossa galáxia, e esta é uma dentre bilhões de galáxias.

Assim, o universo é obviamente uma causa muitíssimo maior que todos os efeitos que nele resultem, e não estamos falando apenas dos "recursos", ou matéria, como seria este meu enfoque por massa, pois apenas como fonte de energia, o Sol é um fornecedor tão vasto, que apenas recebemos dele, de seu "disco" de 1,5 milhões de km de diâmetro, a fração que corresponde a uma superfície esférica de menos de 13 mil km de diâmetro situados a 150 milhões de km de distância.

Ou seja, a causa energética da vida é imensamente maior que o efeito que seja sua existência e seus processos.

Percebamos também, o que poderia ter nos poupado destes cálculos todos, que não há o efeito em si na evolução dos seres vivos, e sim a modificação de um estado anterior. O mesmo seria coerente como argumento contra o crescimento dos seres vivos, pois na medida que hoje tenho 1,81 m, no passado tive 53 cm, logo, pelo argumento criacionista, meu crescimento seria impossível, e a falácia embutida aí é considerar os seres vivos um ente em si, e não uma associação de células/conjunto de processos no tempo, e tal guarda relação com o erro enorme que é o hilemorfismo aristotélico tratado não para os entes mais básicos da natureza, que inclusive também não o seguem, mas para todos os entes compostos da natureza, como já o são mesmo os átomos e antes destes mesmo os bárions, como os prótons e os nêutros, que não são o que tratamos como partículas elementares.

Explico este argumento mais detalhadamente. Não há o "efeito de aumento de uma causa" direta e simplesmente no processo evolutivo (e tampouco na vida de um único indivíduo, no aumento da população de sua espécie ou mesmo ao longo de inúmeras gerações), pois por exemplo uma população de vacas mudar a forma de seus chifres, ou perdê-los completamente, ou mesmo recuperá-los na sua genética, é apenas a manifestação corpórea da alteração de uma característrica genética. Pelo mesmo motivo que uma causa menor que seu efeito é perfeitamente possível no biológico, desde que haja energia e recursos na alimentação, por exemplo, e a fonte fundamental desta cadeia de recursos e energias são os recursos geológicos da Terra, seu solo e água, e sua atmosfera, somados à energia solar e pouquíssima geotérmica, imensamente maiores, como vimos, que a totalidade das formas de vida, logo populações crescem, indivíduos nascem e crescem, se reproduzem, e se não são limitados pelas diversas contingências, assim o fariam até cobrir de sua espécie a Terra.

Apenas, durante esta manifestação através de recursos sobre o biológico, pelas suas gerações, modificam-se, e isto é evolução dos seres vivos.

Mas tal argumento de "causa e efeito", se abordado por um aspecto não biológico, sem geração de organização da matéria nos moldes bioquímicos, não se sustenta mesmo no inorgânico. Basta vermos que o cristais de neve, sendo compostos basicamente de água, apresentam organização, num efeito de ordem muito maior que a causa que os coordena, que são as interações e a geometria das moléculas de água.

Igualmente, cristais de neve formam a neve, e esta quando recebe pequeno impulso, pela ação da gravidade sobre cada um dos cristais e suas forças de agregação, propicia uma crescente "bola de neve", numa inclinação.

Outro exemplo é que havendo a potencialidade nas combinações químicas, como entre o nitrato de potássio, o carvão em pó e o enxofre, aquilo que chamamos pólvora, basta uma faísca, pequena manifestação/causa de energia, para desencadear uma modificação/efeito/liberação de energia.

O mesmo valeria para qualquer substância combustível, deflagrante ou explosiva. O mesmo para um simples nêutron iniciando uma reação em cadeia num material físsil como o urânio.

Não sendo aceito o exemplo de um explosivo (assim como qualquer dos casos acima) pela sua origem por uma ação humana inteligente em sua preparação, consideremos o gás natural; não sendo aceito o orgânico do combustível fóssil, consideremos as "flores de enxofre" dos vulcões e sua reação com o oxigênio da atmosfera, e as faíscas, infelizmente para a argumentação criacionista, podem advir de colisão de basaltos derrubados por tremores de terra, ou raios, ou a temperatura de desprendimentos vulcânicos.

Exemplos aqui podem ser apresentados em número gigantesco.

Logo, havendo a potencialidade no natural (e aqui a conceituação é intimamente ligada ao conceito de energia), e os recursos que na natureza são sempre imensamente maiores que suas modificações localizadas, há sim, efeitos maiores que suas causas desencadeadoras.

Como os seres vivos possuem um potencial enorme, que são suas populações já estabelecidas, havendo a causa que desencadeie a mudança em sua genética, desencadeará a alteração nesta população, logo evolução dos seres vivos.

No cosmológico, no astrofísico, no geológico, as questões são ainda mais simples, pois as modificações na natureza nunca cessam, e as forças do universo são (causas) imensamente maiores que efeitos de modificações em reles estrelas anãs como o Sol, quanto mais este sobre insignificantes planetas que o orbitam.



Um grande incêndio pode vir depois de uma pequena fagulha. - Provérbio chinês.



Como esta bobagem cartapácia tinha sido colocada na Wikipédia, por algum boçal, tratei hoje de aproveitar a deixa e massacrar os criacionistas no atacado:

Lei de causa e efeito (Filosofia)

Obs.: Filosofia? Dói-me os olhos ler isso.

Um exemplo excelente de argumentação similar sobre este argumento criacionista:

Quando o Pastor Mala "faia" por Júnior Camilo, a quem agradeço pela expressão "princípio filosófico de causalidade".

Nota: Para entender por que citar Matemática como ciência em sentido "popperiano" é uma tolice, favor ler neste blog Ovelhas no campo, a cor dos cisnes e dos corvos. Após ler isso, querido leitor, favor me amolar noite e dia para que escreva um artigo sobre esta bobagem chamada "ciência exata" até para a poderosa Física.

Desde já, grato.

sábado, 26 de setembro de 2009

Vigorexia e um novo conceito

Hércules Bêbado, Peter Paul Rubens.

Iniciemos poupando-nos de definir o que seja vigorexia, pois já o fiz longamente no artigo da Wikipédia, que por sinal, necessita ser revisado e ampliado.

Ao construir este artigo, e com a experiência que tenho de mais de 26 anos de prática e estudo sobre musculação e nutrição específica para a hipertrofia muscular, além do convívio com praticantes de halterofilismo (e como veremos, com um número qualquer de pessoas foradeste meio), construi um conceito que acho que deve ser acrescentado, pelo menos não por enquanto na Wiki, mas aos meus leitores, e se possível, médicos e psicólogos. Farei isto inclusive com a esperança de que os mais de 200 que me lêem por semana atualmente somem opiniões.

Vigorexia, como pode-se ver no artigo, é também chamada de síndrome de Adônis. Mas vigorexia, além da questão estética, beleza, também engloba o desempenho em exercícios/atividade física, e aqui entram desde os levantadores de peso, com seus corpos não tão "inflados" como os fisiculturistas "de ponta", até os corredores compulsivos, líderes absolutos da catabolia ou perda de peso, sejamos mais populares.


Então, a vigorexia leva ao que os norteamericanos chamam de over training, que prefiro traduzir como "sobre-treinamento" que aliás, é o correspondente para vigorexia na Wiki em inglês.

Destaquemos que inúmeros esportistas e hobbystas de diversos esportes, desde o atletismo até o tênis, podem sofrer de vigorexia e conduzirem-se ao sobre-treinamento, mas jamais terão grande (e nem tem interesse na verdade) volume muscular, muito menos no enorme dos fsiculturistas e halterofilistas.

Em outros termos, a obsessão leva ao excessivo desgaste.

Mas note-se: os fisicultuiristas dedicam-se ao anabolismo como predominante, logo, não podem exagerar nos exercícios, e diz-se, inclusive, "que o estímulo deve ser necessário e suficiente".

Assim, os fisiculturistas de competição e os halterofilistas (no sentido de "amantes dos pesos") seguindo os melhores critérios da musculação e nutrição com fins hipertróficos não chegam ao sobre-treinamento, apenas visam o volume muscular (aqui desprezemos a qualidade e o que chamamos de "definição", que é a pouca gordura corporal dos fisiculturistas de competição e os melhores praticantes de halterofilismo).

Logo, em contrapartida aos outros praticantes de atividade física, os sintomas referentes à vigorexia no psicológico, que é a auto-imagem distorcida, obsessão, comportamentos típico relatados no meu (como predominante colaborador) artigo da Wiki são característicos dos praticantes de musculação com fim hipertrófico, mas não a marcha para o sobre-treinamento (embora lesões diversas podem ocorrer, especialmente articulares e distensões).

Pois o excessivo desgaste conduz à catabolia, e esta resulta na diminuição do volume muscular.

Assim, proponho o desenvolvimento do conceito de oicorexia,(de όγκος, volume em grego) que seria a obsessão pelo volume corporal.

Assim, um oicoréxico seria um vigoréxico, pois o oicoréxico sofre basicamente de uma imagem corporal distorcida para o fraco, ainda que tendo 1,80 m e mais de 110 quilos de múculos praticamente sem gordura, pensa-se* fraco, mas um vigoréxico por corridas de fundo e frequentar a academia durante 4 horas seguidas, que não aceita com a mesma altura pesar mais de 80 quilos não seria um oicoréxico.

*Este conceito deve ser destacado.


Vênus e Adônis, Jacob Adriaensz Backer

Deveria se somar para explicar este meu conceito, a conceituação apresentada por Arnold Schwarzenegger em sua Enciclopédia de Fisiculturismo e Musculação.

Até o fisiculturista Mr. Olympia (a mais importante competição do fisiculturismo mundial) Lee Haney, os fisiculturistas eram predominantemente o que ele trata por "apolíneos", similares, "inspirados na semelhança", ao deus Apolo.



Após Lee Haney, os fisiculturistas tornaram-se mais "hercúleos", como Dorian Yates.



Para os que não entenderam nem perceberam a diferença, deve-se destacar que o volume muscular dos hercúleos é maior, mas maior é sua cintura (e até o volume do abdômen), exatamente lembrando as representações de Hércules e Apolo.






Apollo and Marsyas, Perugino

Recentemente, a tendência parece ser a dos fisiculturistas apolíneos, mas isto pouco interessa, pois grande parte dos praticantes de musculação com o perfil do agora definido oicoréxico pouco se interessa por competições de fisiculturismo.

Seu único e claro objetivo é "ficar grande", custe o que custar.

Por este e outros motivos, os praticantes de musculação, independente de "bad boyzismos" (agressividade e comportamentos violentos quando não criminosos), hoje disseminam-se como epidemia (na Europa assim é tratado) e consomem até anabolizantes para animais domésticos, medicamentos que embora esteróides tem outros fins, não anabólicos propriamente ditos (um exemplo destacado é o notório Hemogenin, oximetolona, destinado a tratamento de determinadas anemias, vide o próprio nome), misturas vitamínicas perigosas e inclusive a perda das noções de estética. Soma-se isso o simples aumento corporal para obter-se emprego como profissional de segurança entre os jovens de classes menos favorecidas*.

Este fenômeno gerou mortes por intoxicação por diversas substâncias anabolizantes em Goiás, recentemente.

As mortes por cirrose hepática tóxica, os futuros cânceres de fígado e próstata, as virilizações (masculinização de mulheres) podem ser pauta para outra blogagem.

Assim, devemos manter olhos atentos sobre esta moléstia, pois os hércules podem estar fora de si, como vemos na ilustração que abre esta blogagem.


Para tornar o assunto mais leve...

De uma pixação, em frente a uma academia que frequentei em Campinas: "Muitos fala, nada fais".

Ao que comentei quando li: -As peçoa tão cuns pobrema! (A grafia é deduzível quando falo deste jeito.)