Algumas observações sobre “filosofês” atacando evolução
Após um bom tempo, assisti um vídeo de uma live onde um negacionista, que jura que vai derrubar Ciência com o que chamo de "filosofês"* expressa toda sua ignorância misturada com presunção.
*Discursos baseados em cultura limitada de História da Filosofia, e não do atual estado da arte no campo. Parece uma construção “de e em” Filosofia, mas é apenas o uso de termos, de palavras e alguns conceitos específicos da Filosofia, e nesses, alguns completamente obsoletos, especialmente para tratar o mundo.
O "filosofês" usado por negacionistas costuma ser uma colcha de retalhos de conceitos mal compreendidos, geralmente tentando usar a lógica formal para negar evidências empíricas — o que é algo sem sentido.
Aos interessados:
Problemas filosóficos da teoria da evolução - Alexandre Galvão e Jadison Barbosa
EM DEFESA DA FÉ CRISTÃ ( RESPOSTA AOS ATEUS)
https://www.youtube.com/live/tNVVuDBUjZk?si=6KozIr7eyh7nV_vp
Assistir a 1h54min de uma live intitulada "Problemas Filosóficos da Teoria da Evolução" exige um estômago que nem a seleção natural nos prepara totalmente para ter.
O vídeo é um compêndio de tudo o que já diversas vezes descrevemos: uma tentativa desesperada de usar terminologia filosófica para mascarar lacunas de compreensão biológica. Aqui estão os pontos mais "sofríveis" que corroboram nossas anotações:
1. O Mal de "Filosofês" e a Lógica de Taubaté
O palestrante tenta aplicar a falácia da afirmação do consequente [16:53] para invalidar a evolução. O argumento deles é basicamente: "Se a evolução fosse verdade, veríamos adaptações. Vemos adaptações, mas isso não prova a evolução". O problema é que eles ignoram que a ciência não trabalha com verdades absolutas matemáticas, mas com a abdução (inferência para a melhor explicação), sustentada por montanhas de evidências convergentes que eles simplesmente fingem que não existem. Mas existe o pior: vemos adaptações, que são exatamente os objetos de artigos científicos que tratam de especiações mostrando modificações corporais as mais diversas.
2. O Espantalho do Naturalismo
Eles gastam um tempo enorme atacando o "naturalismo filosófico" como se fosse uma religião [17:13]. O argumento é o clássico: "Como o cientista sabe que só existe o natural se ele não conhece tudo?". É a famosa tentativa de nivelar a ciência (baseada em evidência) ao dogma (baseado em fé), tentando dizer que o cientista "tem fé no átomo" tanto quanto eles têm no sobrenatural.
3. A Confissão do Fundamentalismo
O momento mais tragicômico é quando um dos participantes assume com orgulho o rótulo de "fundamentalista radical" [01:50:15]. Ele faz um malabarismo etimológico dizendo que é "radical" porque tem "raiz" e "fundamentalista" porque tem "fundamentos". Logo em seguida, ele descamba para o Ad Hominem puro, chamando o ateísmo de "m3rda" e dizendo que quem vira ateu "fica burro e idiota" [01:50:50].
4. O Sequestro da Moralidade
Para fechar com chave de ouro o festival de horrores, ele usa o argumento do "padrão moral absoluto" [01:53:05]. Segundo ele, se você não acredita no Deus dele, você não tem base para dizer que "matar criancinhas é errado", porque estaria "sequestrando o padrão moral" do cristianismo. É a negação total da evolução da cooperação e da ética como fenômeno social e biológico.
Conclusão para nossas notas: O que já chamamos de "simples estupidez agarrada no fanatismo" fica evidente no final do vídeo [01:52:02]. Ele tenta dizer que chamar alguém de "burro" não é Ad Hominem, mas "constatação de fato".
Imagem gerada na Meta AI, que seria interessante para ilustrar alguma fábula infantil sobre uma criança em meio aos dinossauros às vésperas de um dilúvio. O imenso problema é quando mitos (fábulas) assim permeiam a visão de mundo e sua história de adultos.

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