sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Cinco Absurdos Argumentos Criacionistas - III

Primeira lei da termodinâmica

Também chamada de lei da conservação de energia propõe que a energia não pode ser criada nem destruída, também diz que a energia total no universo é sempre a mesma e pode se transformar de uma forma para a outra.

O
criacionismo dentro desta lei é inaceitável porque propõe que a energia ainda está em expansão no universo, ou seja, propõe que a energia ainda está variando. Já o criacionismo propõe que Deus fez todas as coisas completas e acabadas (Salmos 33:9), em nenhum momento a bíblia cita que após a criação do mundo Deus continuou a criar em outro momento, com isso a lei do criacionismo mais uma vez é aceita.



Um exemplo desta pérola.





Acredito que já tratei da parte mais formal contra esta bobagem na blogagem anterior e seu Knol anexo, então aqui, só façamos alguns acréscimos em pontos que passem à deriva de uma termodinâmica que pode ser entendida inclusive com conhecimentos de secundário.

Notemos que o texto é tão mal escrito que já no segundo parágrafo produz uma contradição interna, e é claro que ali entendemos que deveria estar "evolucionismo".

Passado este pequeno detalhe, observemos que no primeiro parágrafo está a refutação ao próprio argumento. Mostremos tal questão por fases, do mais amplo ao mais limitado no universo.

Em Cosmologia, a ciência do objeto mais amplo observável e dos fenômenos mais amplamente evidenciáveis, que é o universo e seu comportamento total, nas palavras de Novello, a "própria refundação da Física"*, a quantidade de energia do universo é constante (e mesmo em flutuações locais microscópicas, ainda sim tende a um valor de equilíbrio no macro). Dentro da Cosmologia, nos modelos que hoje são os mais confiáveis, e que são adequados a maior parte das observações, o universo só "fez" as seguintes coisas: aumentou de volume, e como mantém a quantidade de matéria-energia constante, diminui de densidade, pelo mesmo motivo, diminui de temperatura, mudou de composição, e mudando de composição, densidade e temperatura, mudou do que gosto de chamar "apresentação", desde um passado em que era uma enorme massa de plasma e gases não transparente até o momento em que já não diferiria muito do que hoje é, esta textura de galáxias e suas estrelas.

* Pois é o campo que trata na verdade não do universo como objeto a ser descrito astronomicamente (sua aparência hoje, ou no passado mais distante visível, pois em determinada escala, observar-se astronomicamente é observar o passado), mas como aquilo que conhecemos como existente (matéria e energia) se comporta no cenário do tempo e do espaço, e se assim aqui e no observável se comporta, se comporta assim em qualquer lugar deste espaço e em qualquer ponto da história do universo, logo, do tempo (inclusive naquele tempo em que não pode ser observado), e disto formando este objeto que chamamos de universo, e assim, permitindo-nos modelá-lo. Para se ter uma idéia de outro conceito deste autor, que seja "o mito de criação científica", leia neste blog apontamentos sobre o que seja realmente em cosmologia o que chamamos popularmente de Big Bang.

Entendamos, antes de continuar, que as diversas cosmologias (aqui como hipóteses, algumas bem construidas matematicamente), tanto de "tempo único", quanto de "universos cíclicos" - nas quais, respectivamente, o universo inicia seus processos e produz o único tempo de "tudo-que-existe" quanto repete este processo num único tempo mais exótico, amplo, e em flutuações de seu tamanho, produz numa destas pulsações o universo em que hoje estamos, entre outros que já pulsaram - assim como que mesmo sendo dotado de seu "tempo estanque" ou "pulsante", seja um dentre vários num mesmo espaço, sejam estee de dimensões como as nossas, sejam "em paralelo", ainda sim, apesar destas quase intermináveis combinações possíveis, o objeto que vemos até 12 bilhões de anos-luz na astronomia, calculamos como tendo uns 150 bilhões de anos-luz de diâmetro, pela expansão mais rápida que a luz a partir de uma determinada distância, e que calculamos (e temos fortíssimas evidências de tal) como tendo 13,7 bilhões de anos de idade, jamais se comportou saindo deste volume de energia-matéria inicial.

Em outras palavras e pretendo de maneira mais simples: pouco interessam ciclos ou não ciclos, único ou uma gota num oceano de universos. Ainda sim, a massa-energia da "gota" universo da Cosmologia é conservativa, sua energia desde seus mais remotos instantes é constante. Até somo que a primeira lei da termodinâmica, o princípio universal de conservação da energia, a idéia um tanto primitiva, com muito a ser complementada e corrigida, mas inspirada de Lavoisier, continua válida, desde um tubo de ensaio, um reator nuclear, o Sol e mesmo todo o universo.



Se o conjunto de partículas inicial do universo permaneceu constante, que se há de dizer de regiões mais detalhadas do universo, como as estrelas que formaram inicialmente as galáxias que formaram a Via Láctea?

É evidente, portanto, que o universo não tem "criado" partículas, "criado" átomos, "criado" estrelas, "criado" planetas, e num destes, "criado" macacos pelados que inclusive escrevem hora textos brilhantes, hora medíocres como este aqui, hora infelizes como o acima. A natureza produz determinadas partículas de outras, e as reconverte nas mesmas e noutras, mas agrega estas partículas em outras, algumas destas em átomos e seus núcleos, núcleos de átomos e partículas em estrelas, em novos átomos e estes em corpos celestes, incluindo planetas que formem macacos pelados que inclusive escrevam besteiras.

O universo evolui, e das mais variadas formas e nas mais complexas direções possíveis e imagináveis. As estrelas mais velhas da Via Láctea produziram estrelas mais novas como o Sol, e inclusive os elementos que tornam o nosso planeta uma bolinha com casca para que coloquemos nossos pés, e mesmo quando nossos antepassados não tinham pés, nadassem em mares, pois a água só existe na Terra porque o oxigênio foi produzido nestas gerações anteriores de estrelas. Somos fruto do Sol em energia, mas corporalmente, em materiais, filhos dos objetos da ciência imediatamente inferior à Cosmologia, a Astrofísica, que eu sempre repito que preferiria chamar de Astrologia, mas determinada pseudociência roubou o nome e não devolveu. A Astrofísica é a ciência que trata do comportamento mais genérico dos corpos celestes, é a ciência da evolução das estrelas, da formação de suas sujeiras periféricas (alguns chamados de planetas e no passado, um deles considerado no passado prepotentemente de "centro do universo") e de seu comportamento em função de dimensões, massa, posições em relação às estrelas (entre outros) e idade.

Assim, a Astrofísica não trata de "energia se expandindo" ou tolice similar. Trata (também) da evolução dos corpos celestes.

Se a minha "Astrologia" trata dos corpos celestes, também trata da bolinha de lama onde estão macacos que escrevem besteiras, e aí passa a ser mais específica, com modelos mais detalhados e próprios da bolinha em questão e é chamada de Geologia. Esta trata também dos minerais e gases que permitiram macacos escrever besteiras, mas não afirma que crie-se energia. Afirma (também) como a Terra evolui.

Pausa para indicação de boas e mais sofisticadas leituras:

Para mais informações sobre as questões de transformação de partículas do universo em seus primórdios em outras partículas (e da natureza a qualquer momento, hoje), especialmente as mássicas (aquelas que possuem massa) e inclusive os primeiros átomos, ainda num universo sem estrelas, recomendo:

- Matter Creation

- Annihilation

- Electron-positron annihilation

- Big Bang nucleosynthesis

- Lambda-CDM

Expostas estas coisas simples sobre três ciências em ordem decrescente de escala de objeto, repitamos parte da asneira criacionista:

...propõe que a energia não pode ser criada nem destruída, também diz que a energia total no universo é sempre a mesma e pode se transformar de uma forma para a outra.

Corrigindo:

O evolucionismo dentro desta lei é inaceitável porque propõe que a energia ainda está em expansão no universo, ou seja, propõe que a energia ainda está variando.

Como vimos, nenhuma ciência apresentada afirma que a energia está variando. Apenas afirma que a matéria está se agregando em diferentes formas. Este "argumento" criacionista é tão absurdo que nega que a água que hoje corra no rio, não possa formar meu corpo amanhã, ou que a última respiração de Jesus seja hoje compartilhada por todos os seres humanos a aproximadamente cada duas respirações, e passe a fazer parte de nossos corpos, ou que os 40 anos de produção de gás carbônico pelos hebreus e seus animais no deserto não estejam hoje na atmosfera e formem os brócolis que adoro em minhas refeições, e dos quais, sou parente afastado.

Em outras palavras: afirmar que evolução dos seres vivos (sem falar em outros processos evolutivos da natureza) signifique mais que moléculas se agreguem em novas formas é o mesmo que negar que qualquer processo natural, cíclico, aconteça. Por outro lado...

"Já o criacionismo propõe que Deus fez todas as coisas completas e acabadas... "

Isto lembra os tolos e simplórios hilemorfismos que já abordei noutra blogagem. Então tenho que perguntar então que o criacionismo, por esta conceituação dogmática e estrita, tão específica, determinante e falsamente segura, implica em que calcário não possa se transformar em cal, com este erguer-se uma baia, nesta baia cavalos não possam crescer e dar crias (sim, aqui uma ironia), estes não possam vir a apresentar coloração diversa, não possam produzir esterco, neste crescer e se multiplicar besouros, estes enterrarem-se na grama, grama não use gás carbônico produzidos pelos asnos dos hebreus (sim, possuo um humor muitas vezes ácido), e grama não ser transformada no crescimento do cavalo, e assim, do mesmo modo, nas miríades de entrecruzamentos de fluxos de materiais na natureza.



Mais um vez: não existe aquilo que "seja algo" na natureza, a não ser no subatômico, e mesmo assim, "flutuantemente", pois as partículas subatômicas transformam-se umas nas outras, "geram-se" e anulam-se. A natureza permite agregações, e a mais simples pedra é uma prova disto, a mais discreta traça que reproduz-se em meus livros é uma prova disto.

Mais filosoficamente, a maneira de Heidegger, gosto de afirmar é que a natureza apenas É nas partículas subatômicas, e que nem sabemos propriamente o que real e intimamente sejam, o restante, que delas se compõe, apenas ESTÁ. Noutra construção textual, as coisas ESTÃO, só os íntimos componentes da natureza SÃO.

O "evolucionismo" (aqui as aspas fazem parte de lembrar que este rótulo é mais que tudo, uma tolice) apenas afirma que as traças, assim como os cavalos, os besouros em seu esterco, a grama e as brócolis, não são na história também evolutiva da Terra e do universo, sempre iguais. Novamente, a maneira de Heidegger, as coisas, entre as quais as vivas, mudam no seu ESTAR.

Mas antes de encerrarmos esta, lembremos aos criacionistas, que se não querem ser taxados por alguns amigos meus de "malucos", não citem a Bíblia, em especial numa contradição clara (e já o demonstremos), pois se a divindade tivesse criado todas as coisas completas e acabadas, a natureza seria estática, pois seria única, perfeita e imutável uma pedra, uma traça, etc (não sejamos, aqui, repetitivos).

Logo, o hilemorfismo aristotélico, aqui modificado para um hilemorfismo salomônico* (referente aquele senhor da Bíblia que tinha um bom número de esposas) leva a natureza, em última palavra, à estagnação. E basta ver um simples rio erodindo uma pedra para saber que tal não se sustenta, e a mesma erosão que esfarela qualquer solidez de nossas noções do que sejam as coisas como tais construída em nossa mente, assim como aquilo por exemplo que chamamos pedra, erói produzindo os elementos que formarão novos cavalos, novos brócolis, um tanto diferentes (por causa de todo o universo e sua cosmologia inclusive), selecionáveis pelo ambiente (numa geologia que não é fixa), abastecidos por um Sol que produz energia relativamente constante (e que a Astrofísica determina como não eterno) e inclusive, produzindo macacos pelados que talvez parem de escrever besteiras sobre seus dogmas insustentáveis sobre o que seja aquilo que É, a poderosa natureza.

* Este conceito merece um artigo, pelo seu relacionamento com o criacionismo biblicista.

Talvez devamos seguir o exemplo dos besouros, que estão na Terra há um bocado de tempo mais que nós, pobres e frágeis macacos pelados, rolando produtivamente suas bolas de esterco, e paremos de empurrar outros volumes inúteis que não nos levam à coisa alguma.

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