quarta-feira, 20 de junho de 2018

Wolfgang Smith - 1


Após um “alegre debate” no Twitter com mais um típico personagem criacionista e para somar as coisas, divulgador de “novos messias”, percebi que um autor citado, inclusive com livros publicados no Brasil e idolatrado por alguns, tem algum peso acadêmico, aos moldes de Alvin Plantinga, e tão desconexo nos campos que pretende quanto aquele, e para somar a graça de meu trabalho, não é citado ainda na Rational Wiki.
É citado na já lendária por ser humilhada pelos “malditos Steves” lista dos “dissidentes científicos do darwinismo“:

rationalwiki.org - A Scientific Dissent From Darwinism


“A growing number of respectable scientists are defecting from the evolutionist camp.....moreover, for the most part these "experts" have abandoned Darwinism, not on the basis of religious faith or biblical persuasions, but on strictly scientific grounds, and in some instances, regretfully.”

Tradução da citação acima: “Um número crescente de cientistas respeitáveis estão desertando do campo evolucionista. Além disso, em sua maior parte, esses "especialistas" tem abandonado o darwinismo, não com base na fé religiosa ou na persuasão bíblica, mas em bases estritamente científicas, e em alguns casos, com pesar.”


O interessante é que o personagem em questão, indubitavelmente matemático de peso, no moldes nisso de David Berlinski e William Dembski, talvez com ainda mais destaque em matemática acadêmica que estes é o que chamo (e a gíria tornou-se até um tanto popular) “pacote completo”, pois ataca Teoria da Evolução, tem seu próprio tratamento da Relatividade para colocar a Terra como centro do universo e complementando, tem sua própria interpretação da Mecânica Quântica.

Portanto, concordemos, é o tipo de indivíduo cujas ideias devem ser atacadas.

Nesta série, nos concentremos em quem ele é, o que diz, basicamente, definições relacionadas e traduções de partes de um artigo que ataca suas ideias e de outros autores relacionados da “cruzada infeliz”.


Perfil do personagem

Da Wikipédia em inglês (WIKI-EN), um rápido perfil do personagem:

Wolfgang Smith (nascido em 1930) é um matemático, físico, filósofo da ciência, metafísico, católico romano e membro da Escola Tradicionalista. Escreveu extensivamente no campo da geometria diferencial, como crítico do cientificismo e como proponente de uma nova interpretação da mecânica quântica que se baseia fortemente na ontologia e no realismo medievais.

Minha observação inicial: Mesmo colossos intelectuais do porte de um Russel conseguiram, ainda no início do século XX, ser grandes em Matemática e Filosofia, outros, como Mach, conseguiram ser poderosos em Física e Filosofia, ainda que Mach tivesse graves problemas até em aceitar evidentes átomos, e a era dos matemáticos universais, que dominavam toda a Matemática de seu tempo, encerrou-se com Cantor e Poincaré, e garanto-lhes que a matemática de hoje é imensamente maior que a daquele tempo, que dirá da Física, sem falar em diversos outros campos.

Apresentado isso, pergunto: não há “especialidades demais” na vida deste cidadão?


A sua dita filosofia
Também da WIKI-EN:
Smith é um membro da Escola Tradicionalista de Metafísica, tendo contribuído extensivamente para a sua crítica da modernidade enquanto explorava as bases filosóficas do método científico e enfatizando a idéia de trazer a ciência de volta ao arcabouço aristotélico do realismo ontológico tradicional.

Identificando-se com a crítica de Alfred North Whitehead do "bifurcacionismo" e "reducionismo físico" do cientificismo - isto é, a crença de que, primeiro, as propriedades qualitativas dos objetos de percepção (objetos "corpóreos") são em última instância distintas de suas respectivas propriedades quantitativas ( os objetos "físicos" estudados pelas várias ciências); e segundo, que os objetos físicos são, de fato, tudo o que existe, significando que os objetos corpóreos são reduzidos a suas contrapartes físicas - Smith examina criticamente em sua obra Cosmos and Transcendence (1984) as raízes cartesianas da ciência moderna.
Prosseguindo com sua crítica do cientificismo em sua monografia, The Quantum Enigma (1995, no Brasil “O Enigma Quântico”), Smith levanta as questões de se o método científico é de fato dependente da filosofia cientificista e, se não é, se ligá-lo a outras estruturas filosóficas forneceria melhores soluções para a maneira como os fenômenos físicos são interpretados. Demonstrando que nem o método científico nem seus resultados exigem aderir a uma metafísica cientificista, ele responde negativamente à primeira questão, resultando na conclusão de que é possível vincular o método científico a qualquer ontologia subjacente ou a nenhuma. Trabalhando então na segunda pergunta, ele propõe a ligação do método científico - e, portanto, das ciências modernas - a uma metafísica não-bifurcacionista e não-reducionista na forma de uma ontologia modista, mostrando como tal movimento resolve as aparentes incoerências do quantum. mecânica.

Segundo Smith, essa interpretação da mecânica quântica permite o uso dos conceitos hilemórficos de potência e atua para entender adequadamente a superposição quântica. Por exemplo, em vez de considerar que um fóton é "simultaneamente uma onda e uma partícula" ou "uma partícula em duas posições distintas", pode-se considerar que o fóton (ou qualquer outro objeto físico) a princípio não existe em ato, mas apenas em potência; i.e., como "matéria" no significado hilemórfico do termo, tendo o potencial de se tornar "uma onda ou uma partícula", ou "de estar aqui ou ali". Se um desses resultados acontecerá com essa matéria indiferenciada depende da determinação imposta pelo objeto corpóreo macroscópico que fornece sua atualização. Um fóton, portanto, não seria mais estranho por ter muitos potenciais do que, digamos, um indivíduo que tem os potenciais "superpostos" de aprender francês e/ou espanhol e/ou grego, todos enquanto está lendo e/ou andando e/ou esticando os braços. Uma consequência adicional dessa interpretação é que um objeto corpóreo e seus "objetos físicos associados" não são mais dicotomizados ou reduzidos uns aos outros, mas, ao contrário, constituem um todo do qual diferentes aspectos são tratados dependendo da perspectiva.

A compreensão de Smith da relação entre objetos corpóreos e físicos se estende à sua interpretação da biologia, onde ele se tornou um adversário da evolução darwiniana, pois o elemento fundamental em uma espécie seria sua forma, não sua história causal, favorecida pelos evolucionistas. Isso o leva a ser um defensor do movimento do design inteligente, embora sua própria abordagem hilemórfica não seja amplamente adotada pelos principais teóricos do design inteligente (que, como os evolucionistas, também favorecem a história causal, embora de forma diferente).

Smith também se posicionou em direção a uma reabilitação relativística (relacionada à Teoria da Relatividade) do geocentrismo. É importante notar, no entanto, que ele não apoia inequivocamente um geocentrismo ptolemaico ou medieval, nem afirma que o heliocentrismo é absolutamente falso. Em vez disso, ele argumenta que, de acordo com a teoria da relatividade, tanto o heliocentrismo quanto o geocentrismo têm mérito científico, na medida em que a observação científica depende do referencial do observador. Consequentemente, quaisquer observações feitas a partir da Terra (ou de quaisquer satélites próximos da Terra) são, com efeito, geocêntricas.

Notas:

1.Aqui, tornou-se motivo de grande apreço de suas ideias por Olavo de Carvalho.
2.Hilemórfica, referente a hilemorfismo, já foi tema de um já antigo artigo meu, mas receberá longo tratamento e nota adiante nesta série.

Aristotelismos Classificatórios - Scientia Est Potentia - 2009/07


Uma crítica de peso

Em rápida pesquisa pelo Google, encontrei este excelente ensaio de  Mark Koslow, que é abrangente em atacar oponentes do que seria um “cientificismo” (sendo assim, eles mesmo “anticientificistas”, o que bem analisado nos leva ao termo “anticiência”.):

On Those Who Hate Science and Reason: Anti-Science and Irrationalism in Guenon, Wolfgang Smith and other Creationist Reactionaries. - naturesrights.com


Extratos

1 (Em “2.Reality is not a Construction”)
Quando Wolfgang Smith diz que "o ‘elemento mítico’ na ciência não pode ser exorcizado",  ele está meramente se entregando a uma ficção que cresce a partir de sua própria ignorância sobre a ciência.

Certamente, é verdade que pressupostos, origens de classe ou culturais e a cultura afeta como se vê o mundo em graus variados.

Ninguém é completamente objetivo. Mas a ciência é sobre evidências e não sobre autoridade ou intuição. A ciência é não-ficção e procura explicar as realidades de uma maneira objetiva, ao contrário da religião que é ficção e baseada em delírios e invenções da imaginação.[NDT 1] O processo de estudo e investigação na ciência é um desdobramento no tempo e, lentamente, os conceitos míticos de cientistas individuais são eliminados da própria ciência.

Mas fatos permanecem fatos e alguns são mais objetivos ou precisos do que outros. É tolice abolir a objetividade. A precisão é importante, assim como a medição quando é possível. Há realidade lá fora, como é óbvio por qualquer estudo de animais ou estrelas demonstra. A tentativa do movimento pós-modernista de marginalizar a própria realidade fracassou.

Nota do tradutor 1: Ou restrita a uma fé pessoal e de grupo muito específica, naturalmente repleta de visões antagônicas dentro do mesmo grupo e não necessariamente minimamente aceitável pelo restante da humanidade, exatamente pois “fé”.

2 (Em “2.Reality is not a Construction”, nota 23)

Wolfgang Smith; “Science and Myth the Hidden Connection”. Sophia Journal, Summer. 2001
O que Smith faz neste ensaio, como na maioria de seus escritos, é extrair conclusões amplas e gerais baseadas nas áreas mais questionáveis e ambíguas da ciência abstrata e teórica, como a mecânica quântica, onde até mesmo aqueles que a entendem dizem que não a entendem. Mas se você realmente olhar para os fatos da questão, está claro que ele está inventando tudo enquanto avança. Suas conclusões são estabelecidas desde o início e ele se encaixa nos fatos para servir sua ideologia. Sua ideologia é que "a religião é o único que importa" e ele mente sobre ciência para obter este resultado predeterminado. Ele diz que mitos e religiões e outras "ficções podem ser indispensáveis" e é claro que para Smith isso é certamente verdade. Ele era um homem que vive no meio das ilusões. Smith se orgulha de viver no mito e na ilusão, como ele mesmo diz, pois “fora do sagrado não pode haver certeza, nenhuma verdade absoluta e duradoura”. Viver nessa ilusão é a causa de sua vida tanto quanto a maioria dos tradicionalistas, assim como os talibãs, os unabombers, os inquisidores e outros cultistas, os marxistas. Nazistas e verdadeiros crentes e fanáticos de muitas e diferentes credos.


Anexos


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