segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Cinco Absurdos Argumentos Criacionistas - V

"Evolução é matematicamente impossível"




Exemplos

A probabilidade astronomicamente pequena torna a evolução matematicamente impossível. Hoyle calculou que a probabilidade da produção ocasional apenas das enzimas básicas para a produção da vida são de 1 sobre 1 seguido de 40.000 zeros. Em comparação, a chance de, por acaso, pegar um átomo específico em todo o universo seria de apenas 1 sobre 1 seguido de 80 zeros. Mesmo que cada átomo existente se tornasse outro universo, as chances de pegar um átomo qualquer em todos esses universos seria de apenas 1 sobre 1 seguido de 160 zeros. Uma chance em 1040.000 só para produzir as enzimas básicas! Mas as enzimas realizam coisas notáveis, e esse fato complica ainda mais o problema da evolução com essas chances infinitamente pequenas.

BIOLOGIA REFORMACIONAL
CIENTISTAS DESCARTAM DARWIN! A EVOLUÇÃO É MATEMATICAMENTE IMPOSSÍVEL

O astrônomo Carl Sagan e outros cientistas renomados calcularam a possibilidade de o homem ter evoluído em aproximadamente 1 para 102.000.000.000.000. Esse é um número com dois bilhões de zeros à direita. De acordo com a lei de Borel, segundo a qual eventos cuja possibilidade de ocorrência esteja além de 1 x 1050 simplesmente não ocorrem, isso indica não haver probabilidade alguma. Os cientistas sabem que uma chance em 1015 é uma impossibilidade virtual. Desse modo, como podem crer em algo que tem muito menos do que uma chance em 101.000?

(Preservemos os pitorescos erros de notação em potência.)

Doa a quem doer

A evolução é matematicamente impossível

Em Chance and Necessity (Acaso ou Necessidade), o biólogo molecular Jacques Monod, premiado com o Nobel, dá uma dúzia ou mais razões sobre a total impossibilidade de ocorrência da EVOLUÇÃO. Ele explica, por exemplo, que a característica essencial do DNA é sua perfeita reprodução de si mesmo; essa evolução só poderia ocorrer através de um erro nessa operação; e que é um absurdo imaginar o desenvolvimento de uma única célula, muito menos do cérebro humano, a partir de uma série de erros aleatórios (eventual, fortuito, incerto) e prejudiciais ao mecanismo do DNA.

Evolução - A religião Impossível

A. A evolução é matematicamente impossível

Em seu livro “The Blind Watchmaker” (“O Relojoeiro Cego”), o zoólogo Richard Dawkins, da Universidade de Oxford, um destacado evolucionista, chama a biologia de "o estudo de coisas complicadas que dão a aparência de terem sido criadas com algum propósito."[4] Sem dúvida! Uma célula, a menor unidade viva, chega a ter 100.000 moléculas, e 10.000 reações químicas inter-relacionadas simultâneas. As células não podem ter surgido por acaso! Dawkins admite que cada célula contém, no seu núcleo, um banco de dados digitalmente codificado que é maior... do que a soma
de todos os 30 volumes da Enciclopédia Britânica."[5] É impossível sequer imaginar a ínfima probabilidade de o acaso criar uma enciclopédia de 30 volumes! E isso equivale apenas a uma célula – e há trilhões de células no corpo humano, milhares de tipos diferentes, operando em relacionamentos incrivelmente complexos e delicadamente equilibrados!


Aula ministrada pelo Professor: Luciano Vasconcelos Rocha

Já tratei deste tipo de "argumento" criacionista algumas vezes, tanto neste blog quanto em artigos mais formais.

"Lei de Borel", mais uma falácia criacionista

Falácia de Hoyle

Acrescentemos aqui exatamente a oposição matemática a este tipo de argumento da "impossibilidade" de algo acontecer, exatamente no que seja algo sério que tenha sido dito ou escrito por Borel, e em matemática formal, não "arrotos" de sapiência seja lá pelo que for, em uma de minhas contribuições à Wikipédia:

Lema de Borel-Cantelli

Mas antes de alongarmos, e talvez muito este tema, tratemos de algo que transcende em muito à cultura de almanaque dos criacionistas.

Os estranhos números de Chaitin

Temos que os números reais são divididos em números racionais, aqueles que podem ser representados por uma fração de números inteiros e números irracionais, que em contrapartida, não podem ser representados por frações de inteiros. Exemplos simples de racionais são o 2, que é inteiro, e todo inteiro pode ser representado por fração, como banalmente 4/2, o que torna a definição mais que coerente e clara, 0,5 que sendo igual a 1/2 também torna clara a definição, e números mais exóticos, como 0,14285714285714285714285714285714... que é igual a 1/7 e logicamente infinitos números com infinitas casas decimais que nascem de frações como estas (e muito mais exóticas).

Já os números irracionais são divididos em algébricos, como a raiz quadrada de 2, igual a 1,4142135623730950488016887242097... , que embora pareça algo inimaginável de ser racionalizado (e aqui, o trocadilho infeliz é didático), é exatamente oriundo de uma equação x elevado a 2 dendo igual a 2, e daí exatamente o nome destes números irracionais. Uma curiosidade: toda raiz quadrada de número primo é um irracional algébrico, e a demonstração disto é de uma beleza singela em teoria dos números. É curiosa também a lenda - talvez história - de que a descoberta e demonstração dos números irracionais por Hipaso de Metaponto o tenha levado à execução pelos Pitagóricos, fanáticos por números racionais, logo, a fundo, inteiros.

Também existem os números irracionais transcendentes, como π e e (o número de Euler), que são resultantes de uma série, uma soma infinita, como podemos ver nos seguintes artigos:

π Wikipédia em "pt"

Número de Euler

E de maneira ainda mais vasta em:

π Wikipédia em "en"

e (mathematical constant)

Tenho de destacar que equação algébrica alguma produzirá os números transcendentes.

Mas há, dentre os transcendentes, um outro tipo, e aqui, nasce toda uma nova maneira de ver a Física e suas relações com Matemática.

Antes, vamos apresentar aos meus leitores um útil dado, conhecido por romanos e por jogadores de RPG, o D10.



Imaginemos agora um dado de 10 lados como este, perfeito, bem equilibrado, que possua lados marcados de 0 a 9, os nossos 10 algarismos do sistema decimal.

Um dado destes, jogado infinitas vezes, produziria um número decimal irracional aleatório, que acredito seja óbvio, não é algébrico, mas igualmente, não é representável/obtível por uma série, pois é aleatório.

Assim, retomando, números irracionais transcendentes aleatórios não podem ser representados apenas por algorítmos (incluindo equações) que os contenham (no linguajar típico do ramo, tais números são chamados de "incompressíveis"), logo, não suportam modelos que sejam mais simples que eles próprios, como são as simples equações como x^2, que produzem, por exemplo, a raiz quadrada de 2 ou as séries vistas que produzem π ou e.
Logo, se a natureza os apresenta ou existem pontos ou grandezas que "passem"/se originem por/em seu valor, mas podem ser tratadas por modelos físicos, a Física torna-se consequentemente incompleta ao tratá-los, e este conceito deve agora se tornar MARCADO no cérebro de quem me lê.

O estudo os números de Chaitin nasceu da pesquisa em probabilidades de sistemas multicomponentes, como os circuitos eletrônicos, apresentarem defeito, e nasce a definição que constantes ômega, são chamados tais números associados à sistemas e sua probabilidade de defeitos serem irracionais e transcendentes, de uma definição formal em matemática. E evolui um número ômega para uma constante de Chaitin. Logo, não há o que se discutir neste campo, pois o raciocínio envolvido é matemática pura, e transcende (bis para um trocadilho didático) o evidenciável.
Logo, uma Matemática, mesmo aplicada na forma de modelos físicos, não pode construir uma Física teórica "por si", plenamente confiável. Portanto, só nos resta uam Física empírica, falseacionista, demarcada, de MODUS TOLLENS, não MODUS PONENS.

Em outras palavras mais enxutas, só resta o formalismo em Física, e não o construtivismo. Noutros termos, pode-se formalizar as evidências por modelos matemáticos, não se pode poupar a ciência (toda ela amparada na Física - e guardemos esta frase) de testar os modelos pois não se pode, a partir de coerência matemática, construir modelos físicos permanentemente, de maneira contínua com base nos modelos matemáticos mais basais.
Para um entendimento mais completo desta questão, escrito pela mão de um mestre, recomendo:
Gregory Chaitin; THE LIMITS OF REASON; Scientific American 294, No. 3 (March 2006), pp. 74-81
Versão em PDF
Na edição brasileira, ano de 2006, n°47; Limites da Razão, com o seguinte resumo:
Idéias sobre complexidade e aleatoriedade propostas no século XVII, quando combinadas com a moderna teoria da informação, mostram que é impossível construir uma "teoria de tudo".
Sobre este tema, convém ler ou reler minha outra blogagem, e ver como a coisa se torna coerente por outro caminho, mais pela Filosofia da Ciência e suas afirmações:

Ovelhas no campo, a cor dos cisnes e dos corvos

Esta estrutura de conhecimento, chamada também em suas bases de Metamatemática, a análise do que realmente seja a matemática, já produziu o Teorema da Incompletitude de Chaitin que guarda relações com raciocínios que já nasciam em Biron e Pascal, e tiveram continuidade por um caminho mais de lógica aplicada nos teoremas de incompletitude de Gödel. Neste artigo da Wiki, mais que "digestivo", recomendo ler com atenção as consequências, conjuntamente com o Princípio de Incerteza da Mecânica Quântica, por uma destruição do indeterminismo, e portanto, não só a Matemática não produz Física, mas só é hoje adequada se for uma Matemática adequada ao probabilístico.

Se a Química é dependente da Física, esta igualmente tem de ser empírica, no subtítulo de Química, Uma Ciência Experimental, do Chemical Education Material Study, frase que marcou minha vida como noção mais fundamental do que seja esta ciência.

Se a Bioquímica é o campo intermediário entre a Química e a Biologia, e é totalmente dependente dos "princípios e leis" da Química, só podemos costruir uma Bioquímica empírica.

Desta Bioquímica aplicada aos ainda mais complexos modelos biológicos, terreno do caos e das relações com o ainda mais dinâmico ambiente geológico*, construir-se-á uma Biologia empírica.

* Pois me parece que uma galinha bota um ovo com uma galinha no máximo um pouco diferente, mas uma estável montanha como o Monte St Helen explode pouco se interessando se ovelhas ou veados pastem tranquilos ou as pinhas estejam ou não maduras, ou um gênio como Bach ou o mais honesto dos ecologistas morem nas proximidades.

Assim, por meio desta marcha lógica, chegamos à conclusão que modelo exato algum, contruível a partir de axiomas, postulados oriundos de sensos comuns inequívocos (como se tal existisse), e só construiremos modelos aproximados, confiáveis, estatísticos da realidade biológica (sem falar das realidades mais profundas, a bioquímica que compõe a vida, a química sobre a qual se estrutura e a realidade física, sobre a qual toda realidade se estrutura e sua homônima Física, mais profunda das ciências popperianas.

Assim, por outra direção, Matemática alguma sobre axiomas contruirá quanto mais Física, muito menos o comportamento dos seres vivos no espaço e no tempo. Logo, finalmente, como mpretendíamos desde o início, mesmo com argumentos que não sejam ridículos (e esta é realmente a classificação dos argumentos criacionistas quando enveredam por matemática sofrível), Matemática formal e sólida alguma derruba T.E. como teoria científica e a evolução dos seres vivos como fato.

5 comentários:

boni disse...

Excelente texto. Chaitin é um gênio. "In metaphysics, Chaitin claims that algorithmic information theory is the key to solving problems in the field of biology (obtaining a formal definition of ‘life’, its origin and evolution) and neuroscience (the problem of consciousness and the study of the mind)." Como estudante de engenharia da computação e filosofia da mente, é incrível ver como o problema da parada e o teorema de Godel estão relacionados com a complexidade de se criar um sistema não-deterministico analogo ao sistema nervoso humano, em sua mesma escala de processamento e organização, sendo a última mais difícil.

len disse...

Bem, Francisco, ocorre que vc não colocou duas coisas sobre a Constante de Chaitin no texto:

* A Constante citada é um nrº não-computável.

* A Constante citada é um nrº transcendente.

Ademais, concordo com vc sobre o criacionismo e assim, agradeço desde já se vc ler este comentário.

len disse...

Francisco, volto a este grande blog para te perguntar uma coisa a respeito dos números não-computáveis (de novo heheehheehheheheheheheheheheheheeh)- estes números tem denominações alternativas, como estas:

* núemros incompressíveis
* números aleatórios
* funções não-computáveis
*funcões µ-recursivas (ou seja, "funções mu-recursivas")
* eles são chamados na 'wikipédia americana' de "máquinas de Turing"
* etc

Enfim, eu gostaria de saber se a definição da wiki de língua inglesa é verdadeira mesma nma matemática ou se é apenas um erro de interpretação ...

Concluindo, adeus e até a próxima !!!!!!!!!!!!!

Francisco disse...

Eita que agora você me apertou.

Terei de estudar a respeito. Mas a princípio, a Wiki EN possui qualidade, e seus artigos são bastante confiáveis, além de tratarem com profundidade diversos temas. []s

skox disse...

Puxa vida, é muito raro mesmo um blogueiro me responder uma dúvida assim, nesta interação tão emplogante que é este magnifíco blog !!!!!!!!

Ademais, infinitamente grato por este esclarecimento e continuarei seguindo seu blog !!!

Vlw mesmo, Francisco !!!!!!!!!!!!!!!!!!!