terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Uma panorâmica de Pandora - I

Um conjunto de dados, referências e comentários sobre Avatar, de James cameron




O que o roteiro é

Guerra nas Estrelas é uma história shakespeariana de traços orientais ambientada em um universo ficcional similar à ficção científica. Avatar é Dança com Lobos ou Pocahontas no mesmo ambiente. Se não lhe agradar Pocahontas da Disney, pode escolher O Novo Mundo, do diretor Terrence Malick.

Como já foi inúmeras vezes dito, troque Pandora pelo oeste norteamericano, os Na'vis pelos "pele vermelhas" (aqui, já um golpe de psicologia humana aplicada) e unobtainium por prata, nada mais simples.

Idéias como a "ficcional-cientifiquização" de westerns ou, se preferirem, a "westernização" da ficção científica, não são de forma alguma novidade no cinema, vide Outland (IMDB, Wiki) e o mais recente Serenity (IMDB, Wiki), com roteiros elogiáveis. Mas existe mais neste tipo de processo de criação (se é que podemos chamar disto) de produtos culturais.

Os Sete Samurais (IMDB, Wiki) é a base de Sete Homens e um Destino (IMDB, Wiki), Sholay, um filme indiano de 1975, base para diversas obras incluindo o autor massivo (note que não escrevi nada diretamente elogioso) de terror Stephen King, diversos diretos e consequentes animês, a obra prima da animação de humor Vida de Inseto e onde queríamos chegar: uma das piores coisas já feitas em ficção científica, típica da breguisse quase incontrolável e epidêmica dos anos 80, Mercenários das Galáxias (Wiki), produzido pelo mestre B Roger Corman e curiosamente, com James Cameron na produção de efeitos (ou defeitos, como queiram) especiais , a maior das ironias (muito bem escondido como Jim Cameron).

Grandiosos efeitos, inúmeros defeitos
Falemos de diversos defeitos: O filme sofre de pieguismo, e um excessivo didatismo. Sofre de previsibilidade fácil. Sofre até de apelos exagerados, como a redenção do homem, anônimo e igual a qualquer outro, mas inferior a eles fisicamente, numa nova vida que o faz superior fisica e moralmente, é um messias renascido. É uma colcha de retalhos de clichês de toda a história do cinema e um bocado de literatura, como mostramos acima.

Tal conjunto de clichês rendeu-lhe inúmeros apelidos: "Dança com Smurfs", "Pocahontas Azul", etc... , apelidos de mesmo sentido e efeito sobre seu público que chamar O Último Samurai de "Dança com Japas".

Algumas análises equivocadas


Luís Fernando Veríssimo trouxe-me as idéias, que já tinha em outra forma, do crítico de cinema da revista The New Yorker, David Denby , de ironias e contradições de “Avatar”. Mas discordo do que seja uma, em análise mais profunda. O filme não é contra a tecnologia. É contra a tecnologia usada sem ética, da exploração desmedida da natureza em função do consumo. Tanto não é contra a tecnologia que um avatar é exatamente no filme fruto de altíssima tecnologia, tanto biológica quanto eletrônica. Só tecnologia não é apenas helicópteros do tamanho de navios e muito menos minerações que varram florestas inteiras (e talvez, por acaso, até alguns indiozinhos patéticos e árvores inúteis pelo meio do caminho). Destaquemos que nada "espiritual" exista no filme, e por sinal, destaca-se como um dos filmes de ficção em que já vi que menos paranormalidade ou coisas similares sejam apresentadas (aliás, é um dos filmes mais materialistas de ficção que tenho lembrança). Ou as coisas se dão por tecnologia ou por fenômenos biológicos até didaticamente claros em sua apresentação.

O Vaticano acusou Avatar de fazer apologia ao paganismo (ou bobagem similar), promovendo o culto à natureza como substituto da religião, quando na verdade, não há religiosidade alguma propriamente dita em Avatar, pois o que há é uma interação com a natureza de Pandora por meio de liturgias, e isto não é uma religiosidade do transcendente ou sobrenatural, muito pelo contrário. Ali, cada coisa é palpável (e inclusive é tocada no filme). E apelar para dizer que é um filme anti-cristão é uma tolice tão grande quanto afirmar que O Senhor dos Anéis é uma apologia à religiosidade Celta (em detrimento da que a produziu por inspiração, que é a nórdica). Ou alguém aqui acha que também Tolkien, com sua criatividade colossal, não teve idéias tomadas de outras fontes?

Mas deve ficar bem claro ao Vaticano e a todas as outras fés, que se não houver envolvimento das religiões na proteção à natureza, não haverá fiel algum para professar religião que seja.



O que se vê na tela, tecnicamente

Da mesma maneira que Guerra nas Estrelas é o ápice de um conjunto de técnicas que iniciou no cinema em King Kong (1933), entre outros, passando por 2001, do qual é um "filho técnico" direto, Avatar é o ápice de um conjunto de técnicas que iniciou timidamente em Tron, passou por uma revolução em Jurassic Park e ascendeu a meu ver em técnica soberba em King Kong (2005), filme que como Avatar, exigiu a criação de toda uma biologia, mas neste mais fácil, modificação da nossa, presente e passada.

O que acrescenta a este ápice do uso de computação gráfica, é uma revolucionária técnica de captação de imagem para posterior projeção em um "simulacro de 3D".

Avatar, de James Cameron, não é só um filme com pesado uso de computação gráfica realista, também utiliza uma profundidade de campo, aquilo que podemos chamar de "3D", como NENHUM filme na história teve.

A experiência de assistí-lo é como assistir novamente algo tão marcante como O Cantor de Jazz (pela inauguração do som no cinema) ou Vaidade e Beleza (Lady of Fortune / Becky Sharp, 1935) pela inauguração do cinema em cores na captura e revelação, não em pintura quadro a quadro (sim, uma insanidade destas já foi feita).


Trailer de Becky Sharp, no YouTube

Avatar é o ápice da computação somado ao início de uma nova era não de filmes com efeitos em 3D, ou como na computação gráfica de animação propriamente dita, no formato "cartoon" , que contrói o 3D por outros processos (na verdade, por duas construções de ambiente sob ângulo levemente diferente, que corresponde no físico à nossa distância pupilar, que nos proporciona nossa visão estereoscópica).

Avatar captura a realidade em 3D, em todas as cenas. Nunca houve algo igual no cinema de mercado, aquele que vai as salas de cinema.

Esta revolução é apresentada para o espectador pela mesma descoberta de onde se encontra Jake Sully ao acordar de sua hibernação e perceber que está no espaço, com gotas sabe-se lá do que à sua frente e saltando da tela aos olhos do espectador. Um impacto tão grande ao público quanto, a seu tempo, o obtido pelas cores que explodem na tela após Dorothy não estar mais no Kansas, tal como Jake Sully tem de aprender, em O Mágico de Oz.


O que se conclui das coisas díspares acima

Frente a estas conquistas, pouco interessa que seja inclusive IDIOTA, mas como ensinou um certo Adolf Hitler (e entendeu disto como poucos), "se fala às massas como se fala ao mais idiota dentre eles", e nisto, como seu objetivo é completamente MORALISTA, torna-se um grande filme como produto cultural às massas destinado, e pouco interessa que tenha todos os defeitos de pouca intelectualidade que lhe são atribuidos, pois sua pretensão não é e nunca foi esta.

É um divertimento para as massas, herdeiro direto da diversão pela "magia" do que a película cinematográfica permite, como as iniciadas pelo mestre primordial Georges Méliès.



E sua mensagem é universal e poderosa, e casa exatamente com o maior dos problemas humanos, que é a existência da civilização e convivência com o ambiente, sem o qual esta não sobreviverá.

Aqui, é um filme aparentado com clássicos como Corrida Silenciosa, tragédia com esperança numa última "garrafa no oceano", distopias terrestres (que nem precisam ser mostradas) com últimas esperanças de salvação, mesmo em meio a opulência tecnológica, como Planeta Vermelho, ou a também obra prima Wall E, numa Terra sufocada por lixo ao nível da demência (mas com saídas que houveram, felizmente, naquele universo ficcional), e tantos outros filmes e obras de ficção científica distópica.

Mas Avatar procura passar sua mensagem ecológica/moral com honestidade, ainda que seu objetivo maior seja entupir (mais do que já estão) os bolsos de James Cameron e outros de dinheiro, como muitos outros filmes ecológicos e morais dos últimos anos.

Do ponto de vista de metáfora moral, seu objetivo é o mesmo de "obras irmãs" na literatura: "Guerra dos Mundos", de H. G. Wells, e "No Coração das Trevas", de Joseph Conrad, que leva ao magnífico Apocalypse Now, de Coppola. De onde claramente se inspiram o nome do ônibus espacial de Avatar, Valkyria, e o Colonel Miles Quaritch com seu sotaque mais que carregado lembrando o tenente-coronel Bill Kilgore, aquele que bombardeia uma vila para surfar em suas praias.



Tratando destas duas obras literárias poderosas, o primeiro é uma metáfora sobre a ação das nações européias em suas colônias. As outras duas obras dispensam explicações, pois o retrato é cru, terrível e direto (e tão terrível que a obra de Conrad é citada em King Kong, de Peter Jackson, antevendo mais de hora de corpos dilacerados e esmagados).

Em Avatar, por outro lado, contrariamente aos planos malévolos e lenta e inexoravelmente arquitetados dos marcianos de Guerra dos Mundos, os maldosos alienígenas invasores somos nós.

Lembrando, o primeiro teaser de avatar possui uma pérola perfeita de qualidade de texto para a abertura de qualquer grande obra de ficção científica, a meu ver, do nível de "O início é um tempo muito delicado. Saiba então que está no ano 10191." de Dune, de David Linch:

"Há 70 milhões de milhões de milhões de estrelas visíveis no universo. Talvez uma, só uma, tenha um mundo novo para descobrir, para conquistar, para chamar de lar... Nós o levaremos a um."

Portanto, pode se criticar a vontade Avatar pelos seus inúmeros e claros defeitos. As qualidades ainda sim são inatacáveis.

E que venha Planeta Proibido, em sua nova versão, e que os primatas pelados exponham seus "monstros do idi", que volta e meia, repetem fatos na história, como espanhóis nas américas, belgas e mais meia dúzia de outros na África, ingleses na Índia, estadunidenses e ingleses no oeste norteamericano e franceses e estadunidenses no sudeste asiático, em pleno século XX.

Em produtos culturais, nada se cria, tudo se "chupa", o resto, vira história, mas a história também é o conjunto de tudo que se deve evitar.

Mais formalmente: História é o conjunto ordenado e sistemático de tudo aquilo que se deve evitar.

E lembrando mais uma vez máxima minha:

A Terra é a cela de prisão da qual ainda não podemos sair.

Sem providências e previdências talvez só restem Wall Es fazendo suas tarefinhas rotineiras, até a completa degradação de seus mecanismos, sem peça nenhuma de reposição.



Que venham mais aventuras no mundo dos seres evoluídos de hexápodes tetraoculares com opérculos respiratórios na caixa toráxica (onde os Nav'i são meio fora do contexto, e e apresentarei adiante como isto é coerente biologicamente, independente de ser um dos grandes truques - senão um trunfo - do diretor).

Mas tratemos de ciência e tecnologia na ficção Avatar, e não para a produção do filme Avatar.

Viagens interestelares



A espectativa de vida da população tem crescido 1 ano a cada três, nos últimos anos, e nada indica que tal progressão diminuirá. Logo, poderemos em 300 anos, durar 100 a mais que duramos hoje.

Se desenvolvermos velocidade em engenharia de 10% da da luz (perfeitamente possível, em termos teóricos, vide os projetos concebidos nos anos 50, como o Projeto Daedalus ou o Projeto Orion ) chegaremos à mais próxima estrela, para usarmos sua energia, em aproximados 40 anos, o que daria menos de 1 quinto de uma então vida humana, o que daria uma peregrinação mais curta que a de Moisés, "O Sem Bússula". (Pegaram a ironia?)

Assim, poderíamos construir bases intermediárias, com os recursos de combustível e ourros, distantes de frações da distância a ser vencida, enviados previamente por missões robóticas. Seriam projetos de séculos para cada viagem. "Terraformando" planetas e luas circundantes estrela após estrela, usando cinturões de asteróides (sempre presentes!) para nos estabelecermos, século após século, pelas nossas proximidades da galáxia.

Mas é fundamental com base econômica que sustente tal processo.

E lá de vez e quando, encontrar um "Pandora" pronto, ou quase, vide a atmosfera, para ocuparmos mais confortavelmente.

Num quadro de expansão destes, nem se necessitaria de viagens WARP ou o que considero bobagens desnecessárias da ficção, com paradigmas de viagens interestelares mais parecidos com nossos fins de semana na praia ou mesmo relativamente longas viagens ao exterior.

Temos de pensar como pensaram os emigrantes indo da Europa para a América, "em nome do rei e de deus", e para a vida toda.

Logo, não se necessita pensar em chegar às estrelas ao longo de poucos anos, como os universos ficcionais de Star Trek (3 séculos para frente, e distâncias galáticas), mas sim Dune (10 mil anos), em distâncias de dezenas de estrelas próximas umas das outras.

Crescimentos econômicos e de recursos de 1% ao ano, ao longo de séculos, nos fariam ocupar necessariamente todas as estrelas próximas, e o universo provê recursos e energia que poderiam manter esta progressão por períodos de bilhões de anos.

Devemos, antes de ir adiante, lembrar que para cada maior velocidade que se queira, mais energia é necessária para atingir-se tal velocidade, e não estamos falando da aceleração da mecânica newtoniana, mas de implicações da teoria da relatividade. Pelos meus toscos cálculos, velocidades da ordem de 90% da luz implicam gastos de energia "coordenados" por uma razão v^2/c^2, que debitada de 1, conduziria a um valor maior da energia requerida para uma nave de determinado tamanho de aproximadamente 5 vezes que o requerido para uma situação newtoniana, o que tratamos como o problema da massa relativística. Para 10%, teríamos apenas mais uns 1%. Novamente, a situação é econômica. O resto, a medicina resolve com o tempo.



Alfa Centauro



Sim, é sólido afirmar que Alfa Centauro A está a uma distância como a apresentada, e devo destacar que é uma estrela um tanto maior que o Sol, mas nada que fosse perceptível a primeira vista lá se chegando. Aliás, dista muito pouco do Sol em termos de comportamento como estrela (10% mais só de massa), o que permitiria facilmente uma situação como a que temos na Terra em distância similar a que temos para a Terra ou Marte em relação ao Sol.

O interessante é que não seria Pandora, independente de ser um satélite, e não um planeta, um mundo com dias e noites como a Terra, ou qualquer das grandes luas de Júpiter, com o qual é mais similar como corpo orbitante de outro que orbita uma estrela, e sim, uma Terra como a iluminada por duas estrelas, como a de 2010, quando termina a obra de Arthur C. Clarke. Alfa Centauro B é uma estrela alaranjada um pouco menor que nosso Sol, e orbita, conjuntamente com A um centro comum as duas, a cada 80 anos, de onde formam o que chama-se um sistema binário, como o é a Terra e a Lua, numa distância aproximadamente a mesma do Sol até Saturno. Ou seja: Pandora seria um mundo bastante iluminado se fosse um planeta. Nem tratemos aqui que ainda há uma terceira estrela no sistema, extremamente distante das duas maiores e não maior que um planeta do tipo de Júpiter.

Não sou de me dedicar a este tipo de estudo em Astrofísica, mas garanto que houve Astrofísico que teve piripaques ao ver um planeta gigante orbitando como Júpiter orbita nosso Sol, em faixa de temperatura como a da Terra, uma estrela maior que o Sol em um sistema binário com outra estrela quase do tamanho do Sol.

Explico: os efeitos de perturbações das órbitas e efeitos de maré seriam terríveis, e tanto isto é fato que nos leva ao que vemos no próximo ponto.

Mas Alfa Centauro foi escolhida pelo fator proximidade, que colocava as questões de tempos, mesmo em velocidade próximas a da luz, em temps humanamente plausíveis, ao humano de hoje.

Polifemo, o Ciclope



Existir um gigante gasoso do tamanho de Saturno ao redor de Alfa Centauro A se isolada não seria problema. Ser um de três gigantes gasosos não seria também problema. Na verdade, já descobrimos sistemas assim.

O problema seria onde colocar, num sistema assim, mais uma estrela quase do tamanho do Sol.

Tanto isto apresenta-se problemático na dinâmica de sistemas planetários, que simulações de computador mostram que planetas podem formar-se a distâncias próximas às da Terra Sol (150 milhões de km) de Alfa Centauro B e a órbita do planeta manter-se instável pelos últimos 250 milhões de anos, o que é menos do que levou a vida para se formar na Terra e tornar-se não mais que simplíssimas bactérias. Corpos circundando Alfa Centauro A deveriam ocupar orbitas de maior distância devido a gravidade ainda mais intensa desta estrela.

Entendem que o problema seria um planeta numa distância que não tenha sua atração "dividida" entre duas estrelas grandes como o Sol, mas numa distância que não se torne "média" entre as duas estrelas?

Planetas similares a Terra, contudo são previstos pelos modelos, e exatamente os mesmos modelos preveem a dissipação de gases (aquilo que forma gigantes gasosos), em torno das duas estrelas. São elas como pás de uma batedeira orbital, misturando matéria entre e ao redor das duas.

Mas não sejamos chatos, e deixemos o simpático mundo em que criaturas pensam que nossos olhos são jujubas, lá onde na ficção foi colocado.

Pensemos também que Polifemo não seja um enorme motor elétrico em funcionamento, como Júpiter é, e não produza colossal campo magnético, que acelera qualquer partíula desavisada ao ponto de os quatro satélites descobertos por Galileu serem mundos estéreis por radiação, e tenha-se, mesmo na ficação, de se jogar tecnologias ainda inexistentes para proteger viagens humanas a estes, como bem mostrado em documentário da Discovery, onde a nave é circundada por auroras boreais, mostra de intereções de partículas com seu campo protetor.



* Vídeo sobre o campo magnético e a radiação nos satélites de Júpiter

Então, suponhamos também que Pandora é uma lua das mais visitáveis, e exatamente por ser visitável pelo humano, que possa abrigar vida que mostraremos, não dista nem um puco biologicamente da nossa.

Antes, um pouco sobre satélites.



Pandora, um satélite






Avatar não mostra, a menos que eu esteja tremendamente enganado, a duração de um dia em Pandora. Notemos que o dia em nossa Lua dura 28 dias. E orbitando a Terra, que é uma bolinha insignificante no céu, mesmo sendo da Lua muito maior que a Lua é da Terra, evidentemente, a cada tantos dias (até muitos), ocorre um eclipse lunar, e a Lua fica nas sombras, por pouco tempo, até o obstáculo sair de sua frente.

Uma Lua orbitando um planeta gigante ficaria muito mais tempo oculta, e muito mais constantemente. Aliás, Ganimedes , o maior satélite de Júpiter, maior que o nosso planeta Mercúrio (5.262 contra 4.879 km), orbita Júpiter a cada 7 dias a uma distância de 6,75 milhões de km de distância de Júpiter e possui um "dia solar" também de 7 dias terrestres, pelo que se chama rotação síncrona, a mesma que possui nossa Lua.

Daqui, duas conclusões: esquecendo os diversos problemas de um sistema binário de estrelas tão próximas, logo, esquecendo se o cíclope gasoso exista, esquecendo talvez meu lapso de quanto dura um dia em Pandora (que poderiam ser diversos dos nossos, ou menos horas que o nosso), Pandora é perfeitamente possível, e deve existir abundantemente como corpo celeste em posição, composição e temperatura (tiremos serelepes seres vivos sobre ela desta argumentação, por enquanto) pela Via Láctea a fora, quanto mais a distâncias que poderíamos percorrer nos próximos 100 mil anos, um tempo menor que o que paramos de ser apenas macacos comidos por leões na África.

Tendo agora Pandora no universo, tratemos de peculiaridades da gravidade, da atmosfera, da geologia, e finalmente dos coloridos animais e curiosamente, para mim, verdes plantas e outros seres, marca maior da criatividade colocada sobre o filme.


Gravidade menor?



Notemos que embora Ganimedes tenha maior diâmetro, possui menor massa que Mercúrio (1,4819×1023 kg contra 3,302×1023 kg), pois é propriedade importante o que seja densidade, em se tratando dos corpos celestes.

Mas como vimos que um satélite pode ser tão grande quanto um planeta, e ter composição similar a nossa Lua (a própria Lua seria uma prova de que satélites podem ter composição similar a planetas como a Terra), anormalidade nenhuma seria um satélite de um gigante gasoso ter massa um tanto menor que Vênus, o planeta irmão da Terra, e densidade até um tanto maior que a Terra, o que levaria sua gravidade, e aqui daremos um palpite, a algo como 80 % da gravidade da Terra. Tal fator seria básico na explicação da altura dos seres vivos (destacadamente os Na'vis e suas árvores gigantescas) em Pandora.

Aqui, nenhum absurdo foi colocado. Mas tratemos de algo relacionado com isto e interessante...

Atmosfera



Vênus possui menos gravidade que a terrestre (aceleração de 8,87 m/s² contra nossos 9,8), mas possui pressão muito maior. Novamente, densidade. Embora seja um mistério no filme qual seja a composição da atmosfera de Pandora, podemos supor um sem número de composições gasosas com agentes oxidantes (lembram-se das chamas?) e outros relativamente inertes, muitos tóxicos, como o cianeto de hidrogênio, o monóxido de carbono, vários derivados de enxofre (destaco o sulfeto de hidrogênio, que inclusive, bactérias produzem em nosso planetinha), a amônia (de onde a água de Pandora seria na verdade, sempre, amoníaco), que levariam a pressão a ser próxima da terrestre, coisa que é clara no filme pela não necessidade de proteção dos frágeis vasos e pele humanas, a até de seus olhos sem máscara.

Confesso que com minha formação em química, acho difícil encontrar uma composição que permita ser escrita como convincente, da mesma maneira que acho difícil achatr uma que não possa ser dada como um palpite. Só não acrescentemos metano, pois este adora reagir produzindo dióxido de carbono com oxigênio, e exigiria imensos problemas de escolher-se como apresentar um gás a ser o oxidante abundantemente produzido pelas imensas matas de Pandora. Atmosferas que permitam vida tem de ser sistemas equilibrdos, e tanto são equilibrados, que nossa vida transformou uma atmosfera muito parecida com a de Vênus, que mais parece o interior de algum reator em alguma indústria química daquelas que você não gostaria na sua vizinhança, nesta coisa agradável e pouco corrosiva que é a nossa, hoje (na verdade, já há muitos milhões de anos).



Supercondutores e montanhas que flutuam



Como disse Luis F. Veríssimo: "O unobtainium é nosso!" Mas infelizmente, a Física é do universo inteiro, até provas em contrário.

Conhecendo o que conheço sobre formação de supercondutores, uma rocha que seja naturalmente supercondutora é uma impossibilidade física. Mesmo as mais exatas cerâmicas supercondutoras o são a temperaturas muito abaixo das que sejam congelantes para a água.

E se houvesse tal supercondutores a temperaturas ambientes terrestres ou pandorianas, tampouco flutuariam pelo mínimo campo magnético contra a poderosa gravidade de corpos celestes. Lembremos que o relativamente poderoso campo gravitacional terrestre entre os campos de planetas rochosos do sistema solar é capaz apenas de mover uma agulha bastante bem equilibrada, e o menor dos ímãs de geladeira, pelo mesmo motivo, enfrenta a gravidade poderosa da Terra apegado a porta de onde tiramos nossas cervejas.

Mas a liberdade de ter-se uma paisagem fantástica é um direito de James Cameron, pouco interessam os artigos científicos.

A Biologia em Avatar



Antes, para dar um pouco de alívio, se o personagem central fosse a Dra. Grace Augustine, representada por Sigourney Weaver, Avatar receberia também o apelido de "Em Pandora com Smurfões", ou algo parecido, para lembrar outro filme, Na Montanha Com Os Gorilas, onde seu personagem, Dian Fossey, também é uma mártir em prol da vida selvagem.

Por incrível que pareça, é perfeitamente correto em Biologia afirmar que em Pandora, o "filo" que deu origem aos Na'vi e o que deu origem aos outros animais, com seus "opérculos toráxicos" e até 4 olhos (percebam isto no filme) evoluíram diferenciadamente, da mesma maneira que temos origem comum com artrópodes, moluscos e cordados (em outros termos, insetos - p.ex., caracóis e anfíbios.)


Todos os cordados terrestres (e não só eles) possuem narinas pois evoluímos de peixes tetrápodes com narinas, mas já nos anfíbios, perdemos as brânquias.

Assim, na Terra, todos somos tetrápodes (mesmo as aves sem asas, como os Kiwis) e temos narinas, e só mantém brânquias os axolotes e outros anfíbios próximos na fase adulta.

Em pandora, os hexápodes deram origem a todas as formas terrestres de grande porte que vemos, e os filos se separaram em hexápodes com opérculos toráxicos e dois animais mostrados representam o outro filo:

Os próprios Na'vis, e os prolemuris, claramente mostrados no filme para mostrar a evolução naquele mundo.

Os prolemuris apresentam já a modificação corporal de ter tido um par de "úmeros" fundidos gerando um braço e deste bifurcando-se dois antebraços. Tornam-se, portanto, antecipação de tetrápodes com as formas humanóides dos Na'vis. A outra modificação significativa são as narinas na face.



E se percebermos, lá estão o único de olhos frontais, e com o tamanho e íris douradas típicos dos Na'vis.

Eu, corajosamente, os chamaria de pandoraprimatas.

Os demais animais, separados em diversos grandes sub-filos, diferenciados dos Na'vis e seus ancestrais diretos:

Os seres alados, em número de três, tetrápteros (quatro asas) - Banshees (divididos em "da floresta" e "das montanhas", os que são montáveis), Leonopteryx (que possui poderosas patas com garras, pois é um predator acima dos demais) e os pequenos animais da primeira viagem de "helicóptero" de Jake, Stingbats, voando em bando.



São tratados já pela literatura sobre Avatar como Tetrapteron, "as quatro asas", pelo seu destaque.
Curiosamente, haver animais de quatro aparatos para o vôo entre nossos tetrápodes não é um absurdo, como se vê no Anchiomis huxleyi.

Na literatura guia de Avatar, os dentes dos animais alados são descritos como sendo de obsidiana , que é um vidro de sílica. Conformar minerais duros entre os animais para formar dentes não é uma exclusividade do nosso cálcio, basta ver a rádula dos nossos moluscos, muitas vezes com composição acrescida de minerais de ferro e também óxido de silício, exatamente para desgastar os compostos de cálcio da concha de outros moluscos.

Os carnívoros terrestres - viperwolfes e thanator ,ao que me pareceu, com apenas um par de olhos. Representando respectivamente o predador superior e um predador em grupo, correspondente do nosso tigre e dos lobos, por exemplo. Ambos os animais, tal como nossos predadores, mostram características corpóreas gritantes que apontam para possuirem um ancestral comum. No caso do thanator, foi acrescentado um curioso detalhe, tal como uma juba de aletas ao redor da cabeça e órgãos sensórios extras sob o focinho. Predadores com órgãos sensórios extras são comuns na Terra, como o olfato bucal das cobras e lagartos.

Os herbívoros terrestres - Hammerhead Titanothere, Direhorse, o animal correspondente a um alce morto por Jake, Hexapede (numa clara alusão a ser o primeiro dos animais descobertos como hexápode e na sua "morte ritualizada", uma citação clara da sequência inicial de O Último dos Moicanos (1992), e dois animais de maior porte que só estão presentes, por enquanto, no jogo, tapirus e sturmbeest.

Aqui, uma crítica. Num planeta com gravidade mais baixa, os animais de grande porte não necessariamente teriam de ser atarracados e compactos como são nossos rinocerontes ou foram os triceratops, e sim, poderiam ser um tanto alongados e de pescoços enormes, com o foram os nossos braquiossauros e são nossas girafas, pois as limitações da pressão sanguínea seriam menores.

As simpáticas pequenas "lagartixas", Fan Lizard, que possuem um sistema de vôo distinto dos demais alados, com uma hélice como a máquina voadora com espiral de Leonardo Da Vinci.



Seriam o correspondentes aos morcegos ou esquilos voadores, ou os passados pterodátilos, em meio as hoje dominantes nos ares aves da Terra. A vida na Terra tem realizado seguids tentativas de ganhar os ares.

Além do que, sem mostrar detalhes, Avatar apresenta um "sem número" de pequenos animais que corresponderiam aos nossos insetos e outros artrópodes, tanto voadores quanto rastejantes.

Um detalhe ainda, é que em pandora há uma morfologia animal que só existe na Terra em meios aquáticos, que corresponderiam aos nosso cnidários (anêmonas, por exemplo) que são aqueles enormes cálices espiralados que reagem ao toque, chamados helicoradian.

Mas acrescente-se, que em pandora não são animais propriamente ditos, e são colocados como pertencentes a um filo fictício tratado como Zooplantae, apresentando características tanto de plantas como animais.

Algo parecido com nossa classificação dos protistas, com destaque para a Euglena, clássico do ensino de biologia, capaz de movimentar-se como um animal e igualmente, de realizar fotossíntese. E outros, chamados pela forma de Cat Ear, que parecem nossos crustáceos Anatifas ou Percebes

Foram criadas também na literatura de Avatar seres parecidos com nossas medusas, mas com a bolsa não flutuante, mas apta ao vôo na atmosfera de Pandora.

Sementes de árvores que são capazes de movimentos como nossos cnidários (numa inversão do terrestre, pois os cnidários adultos é que normalmente são capazes de locomover-se).

Devemos lembrar que as formas de vida na Terra apresentam determinadas semelhanças por apresentarem determinadas ancestralidades comuns em diversos pontos de sua história. Assim, temos narinas pois anfíbios tem narinas. Temos cnidários nos mares e não em terra porque jamais um cnidário saiu dos mares, como o fizeram os artrópodes, e por isso há artrópodes nos mares e em terra. Em Pandora, há formas com narinas porque evoluíram de formas que possuem narinas, e há formas que possuem opérculos toráxicos porque destas descendem. Em Pandora é razoável existirem formas como os nossos cnidários, com sua aparência um "tanto vegetal" em terra pois estas formas lá conquistaram a terra, da mesma maneira que na Terra não há insetos marinhos porque jamais estes conquistaram os mares (na verdade, como artrópodes, os primeiros animais a conquistarem os continentes, retornaram aos mares).

Por outro lado, e a questão aqui é mais que tudo não realizar um filme que ocupe 4 semanas da programação da NatGeo, em nossa história tivemos mamíferos que conquistaram os mares, mais de uma vez, vide baleias, focas e peixes-boi, os répteis o fizeram um número ainda maior de vezes, e todas as formas mais básicas dos cordados e dos insetos aventuraram-se sob o ar. Portanto, a Terra é muito mais prolífica em forma que o orçamento e tempo hábil de James Cameron e sua talentosa equipe necessitavam mostrar para seu filme ser convincente em mostrar outro mundo.

Ou seja: tudo, ainda que conduzido para causar impacto pelo exótico, mas fazer um determinado sentido nato que temos, tanto no que seja um predador, quanto um animal respeitável pelo tamanho, quanto, veremos, agradar o público e gerar simpatia, em Avatar é amparado em Biologia séria e princípios básicos e sólidos de evolução dos seres vivos.

4 comentários:

Anônimo disse...

Achei desnecessário todo esse estudo, você parece estar desmentindo uma coisa que foi dita como verdade, como existente, se fosse o caso caberia todo esse estudo, mas é um filme, não esta enganando ninguém. Por que você não estuda como o gato félix tira várias coisas de uma bolsa?
Queremos explicação para isso também.

Francisco disse...

'Tá', conta para nós! Você realmente não entendeu do que trata o artigo, não é mesmo? :)

Anônimo disse...

Eu queria ter tanto tempo livre como vc para escrever este texto

Anônimo disse...

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