segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Uma panorâmica de Pandora - II

Um conjunto de dados, referências e comentários sobre Avatar, de James cameron - 2a parte


Sequoia vs Árvore Lar
- Um problema de resistência dos materiais



Lembrando de baixa gravidade, percebamos que para um planeta com aceleração da ordem de 9,8 m/s², jamais tivemos um animal em terra maior que um argentinossauro, jamais tivemos um animal marinho maior que uma baleia azul e jamais tivemos uma árvore maior, pelo menos até agora parece, que uma sequóia (e elas estão aí, sem grandes diferenças, desde épocas nas qual os argentinossauros viviam).

Mas notemos que mesmo a maior sequoia não passa de 115 metros de altura, não tem mais de 9 metros de diâmetro em seu tronco e não pesa mais de 1000 toneladas.

Também nunca nenhum animal terrestre passou de 45 metros de comprimento, nem 100 toneladas, e mesmo com a ajuda do empuxo da água, passou de 200 toneladas.

A questão entre os animais é limitada pelo metabolismo, que exigiria toneladas de alimento por dia, ao ponto do insustentável, e por dimensões de ossos e musculatura que impediriam as pernas de existir sem ser no mesmo espaço, em dimensões impossíveis para o restante do corpo. Mesmo os saurópodes como o argentinossauros desenvolveram soluções estruturais fantásticas com materiais que são bons como os ossos, mas não permitem mais que o que esles obtiveram. Igualmente, como citamos antes, pescoços maiores que os do braquiossauros não são possíveis, devido às pressões e a resistências das paredes dos vasos sanguíneos. A natureza tem limitações de recursos, características e composições.

Assim, numa gravidade menor, árvores mais altas seriam possíveis, mas mesmo com metabolismo alto, teriam uma limitação da capacidade de prdução de material estrutural no tempo, numa taxa possível de sua própria construção, exigindo, para maiores massas, se numa sequoia já implicam em milhar de anos, ainda mais tempo. Uma observação: a madeira de sequoia nem é das mais resistentes da Terra, numa coisa que uma roseira, que é uma planta relativamente pequena, mostra-se muito mais eficiente.



Fibras de carbono




Determinados materiais são tendencialmente simples de serem sintetizados pela vida. Vamos a dois fatores limitantes disto: temperatura e pressões. Podemos imaginar formas de vida vivendo em pressões imensas, como temos nas nossas profundidades abissais, mas não temos mais do que temperaturas equivalentes a qualquer panela de óleo quente de nossas frituras. Assim, materiais que exijam determinadas pressões e temperaturas como a fibras de carbono ou os diamantes, e que sejam bastante inertes aos compostos bioquímicos, como são estes materiais, não devem ser produzidos pelas formas de vida. Por outro lado, substâncias como o nylon, que é formado de diaminas e de um ácido carboxílico duplo, são similares às proteínas, que são formadas de algo misto destas duas coisas, que são os aminoácidos. Na própria Terra já temos bactérias que decompõe nylon, e assim, talvez exista pelo universo formas de vida que o produzam, como aranhas produzem suas teias.

De maneira similar, é provável que existam seres vivos que produzam polímeros como diversos outros que produzimos artificialmente, no lugar de celulose, que é um polímero de glicose. Podemos imaginar que existam animais que usem celulose ou similares em seus ossos, ou esqueletos externos, ou cascos de proteção, e outros ainda que até produzam algo parecido com acrílico e PET, algo parecido com o Kevlar ou mesmo silicone, através de um processo enzimático, ou algo similar ainda nem conhecido por nós, numa catálise ainda muito distante de nossas mais aldazes teorias e técnicas laboratoriais. E aqui, talvez até arranjos longos de átomos de carbono a partir de hidrocarbonetos, como a Spectra e por outro misterioso processo, eliminar seus átomos de hidrogênio (se isso for necessário e útil, pois a vida é um tanto econômica em seus processos) e assim chegar a coisa próxima de "fibras de carbono" e contruir esqueletos muito mais fortes e resistentes que os dos maiores animais e plantas da Terra.

Mas sempre dentro de limitações físicas e químicas.


Umbigos dos Na'vi




Li em reportagem na revista Veja que Avatar erra ao colocar umbigos nos Na'vi, pois estes não seriam placentários. Primeiramente, vamos lembrar a quem escreveu aquele artigo que em momento algum aparece em Avatar alguma espécie parindo filhotes inteiros, ou mesmo cuidando de ovos, e muitissimo menos Na'vis parindo ou cuidando de seus ovos.

Por que devemos fazer este destaque?

Porque mesmo entre espécies ligadas proximamente em determinados "filos" na Terra, existem espécies que colocam ovos e outras dão a luz a filhotes já formados, vide tubarões e cobras, assim como mesmo mamíferos o que por si só, já permitiria colocar os Na'vis com seios, como são colocados, como podemos ver nos ornitorrincos e equidnas hoje.

Somente entre os monotremos, já existiram diversas espécies extintas, e pode-se dizer com segurança, que num passado, teriam sido os únicos mamíferos existentes, e obviamente, com suas mamas.

Mas avançando de um passado com apenas mamíferos que colocassem ovos, e exatamente por não ter placenta e cordão umbilical não apresentariam - e não apresentam - a cicatriz peculiar dos mamíferos placentários, que é o umbigo, chegaríamos a um ponto da história em que surgiriam mamíferos que apresentariam placenta e o cordão, e consequentemente, a cicatriz que é o problema para o autor do artigo de Veja (ou de onde este foi reproduzido). Na Terra, para todos os efeitos, e todas as afirmações da paleontologia, até o momento, este animal é o Eomaia scansoria.



Portanto, em algum momento do passado surgiu, dentre animais sem umbigo - logo, no nosso caso, poedores de ovos - um animal que tinha placenta, cordão umbilical e seu consequente umbigo.

Em Pandora, para efeitos fictícios, tal se deu, hipoteticamente, com ancestrais dos prolemuris, e posteriormente, tais características se mantiveram nos Na'vis, salvaguardando James Cameron de ter de tornar seus enormes smurfs animais um demasiado distintos dos humanos, sem o que não conseguiria a empatia que pretendia.

Afirmar que Na'vis não possam ter umbigo, é o mesmo que uma civilização alienígena, como gosto de dizer, até por pretensões futuras de algum conto medíocre de ficção científica, com morfologia corporal que mais lembrasse um louva-deus, que é animal que muito admiro, chegasse na Austrália, há 50 mil anos, e encontrando em meio a somente marsupiais, um determinado macaco pelado e bípede, afirmar que este é um absurdo biológico, pois ali só existem animais com bolsas onde completam a gestação de seus filhotes, ou mais ainda no passado, ao visitar a hoje China, afirmar que o Eomaia é um absurdo, pois no planeta inteiro não existe um único animal com gestação como aquela.

Em tempo, existem discussões se os placentários evoluiram dos marsupiais ou dos monotremos, diretamente. Sinceramente, por tudo que vi, prefiro a primeira hipótese, pois parece claramente que a gestação placentária é uma modificação favorável da gestação incompleta dos marsupiais para enfrentar o ataque do sistema imunológico das mães aqueles parasitas que crescem desmesuradamente em seus ventres, sugando-lhes nutrientes, que no caso de determinados macacos pelados, depois que nascem, chamamos de bebês, e ficamos em suas frentes fazendo, hipnotizados, barulhos absurdos e macaquices típicas.

Retornando a pandora, da mesma maneira que somos modificações de animais muito próximos aos atuais lêmures, os Na'vi são modificações dos prolemuris, onde somos primatas, eles são o que denominei de pandoraprimatas. A diferença é que onde somos, junto com os lêmures e os hipopótamos, por exemplo, descendentes de animais extremamente próximos do Eomaia, os Na'vi e seus cavalos são mais como se fossem aborígenes australianos, 50 mil anos atrás, montados em iguanodontes ou voando em pterodátilos. Continuariam algo com umbigo e seios, mas suas montarias poderiam colocar ovos, ou em Pandora, sabe-se lá que forma de embriologia exótica.

Não só de pensar em escada vivem raciocínios errôneos sobre a evolução, mas também, de pensar em árvores que tenham de ser obrigatoriamente como o mais harmonioso carvalho, e não com um eucalipto, na base pouco ramificado.



Lembram tais tipos de equívocos sobre evolução conversa que tive certa vez com uma estudante de Biologia, em que caracterizava muitos de nossos comportamentos como primatas, mas igualmente alguns, como a capacidade que temos de nos alimentar de carne numa certa base, herança de um passado ainda mais remoto nosso junto com inúmeros outros mamíferos, principalmente, insetívoros. Ao ter afirmado isso, ela colocou, rispidamente: -Decida-se, descendemos de primatas ou insetívoros? Ao que lhe respondi: -Acabaste de determinar, que por ser eu filho de meu pai, não posso ser neto de meu avô.

Como seguidamente digo, talvez um dos pontos mais repulsivos à muitos que tomam conhecimento das consequências até para uma visão do homem no mundo, e logo do mundo, do FATO da evolução e sua teoria, é que não só somos parentes muito próximos dos gorilas que foram a grande paixão e motivo do martírio de Dian Fossey, mas também, das galinhas que comemos em nossos mais simples pratos ou até das cenouras que vegetarianos defendem com alimento que nos seja do tipo unicamente natural. A história da vida na Terra é mais uma história de parasitismo, uniões para vencer-se oponentes ou dificuldades, defesas tóxicas e predação até desmesurada. Nossa história e herança é não só um mar de sangue, mas também de seivas vegetais e sabe-se lá que outros fluidos, até chegarmos aqui, e no fulturo, talvez, a pisar em algo como Pandora e além.

Uma observação um tanto ácida: É de se perguntar, neste artigo de Veja, quem o escreveu o que raios pensou ao associar o que quer que seja "energia da cor azul" com proteção contra radiações.

Rede neural coletiva



É de se perguntar também qual o interesse para uma forma de vida predadora ter a capacidade de entrar em contato neural com seu predado, se este, assim, saberá de seus atos, inclusive, a matando. Mas entre espécies de mesma natureza, seria coerente, e ainda mais, de caçadores coletivos ou de predados em proteção. Bisões formam frentes de combate para enfrentar lobos.

Os melhores caçadores do mundo animal são os cães selvagens africanos, e se comunicam.

Destaquemos que "ser predado", pode ser aplicado a um pé de cenoura por uma marmota. Deste raciocínio simples, qual seria o interesse, somado ao raciocínio acima, de um pé de eucalipto de comunicar com o coala que o devora?

Mas demos liberdade para a criatividade de James Cameron, que imaginou uma simpática natureza, onde tudo brilha, inclusive informando onde está, até a noite, para ser devorado (embora pontos bioluminescentes exclusivos nas faces e corpo dos Na'vi sejam agradáveis e até invejáveis frente aos nossos homogêneos e um tanto sem graça tons de pele humana) e que mais que tudo, tem a capacidade de reagir contra um agressor externo, ao invés da nossa, que não se mostra mais capaz de enfrentar-nos como espécie que tudo é capaz de predar (ou matar por esporte ou sadismo, do ponto de vista estatístico e ecológico, não há diferença alguma).

Mas voltando ao mais razoável biologicamente, espécies que se comunicam por bioluminescência e a usam proveitosamente possuímos no nosso planeta, e coletividades de seres que se comunicam, poderiam perfeitamente existir em populações inteiras. Os golfinhos o fazem por sons, se comunicando de uma maneira muito mais informativa de características e atos que nossa limitada linguagem verbal e suas derivadas.

Sobre uma biologia que evoluísse em conjunto, numa simbiose última, total e definitiva, Solaris, de Stanisław Lem, levado duas vezes às telas, pensou num planeta revestido por um único ser vivo, que aparenta ser um oceano. Esta forma de vida não necessitaria guardar suas lembranças em "árvores HD", e unir-se à elas por "filamentos USB" partindo de suas nucas. Ela seria e teria sua própria história, sua própria existência contínua em seu ambiente, em seu próprio planeta, solitária a enfrentar não feras, mas talvez os vulcanismos em suas profundezas, ou as quedas de asteróides em sua superfície.





Sinceramente, mais uma vez, acho difícil. A vida prima pela mutação, pois a química é, na verdade, competitiva e instável, e o universo, ao que tudo mostra, e já no sistema solar e na história da Terra, detesta a vida, e tenta a matar a todo instante. Melhor ser, do ponto de vista evolutivo, como as formigas, que estão aí há mais tempo que os dinossauros, e são uma coletividade e diversidade altamente eficiente, e nos piores momentos da Terra, devoraram os restos dos maiores animais, quando não, até menores, que devoraram os restos de outros. Em termo de vida, mais (em número) é melhor que maior em tamanho, que o digam, ainda mais, as bactérias, senhoras deste planeta desde que a vida surgiu.


Espécies locais, velhos problemas e, na verdade,


falsos problemas.



Outro filme que também deve ter sido uma referência para James Cameron é Little Big Man, Pequeno Grande Homem (Wiki , IMDB), ao que me vem a memória, uma das primeiras obras revisionistas sobre o que foi a guerra do governo norteamericano contra os índios. Nele, está uma das frases mais marcantes dos westerns que assisti, proferida pelo lendário, e histórico, General Custer (provavelmente fictícia no histórico, mas verossímil na mentalidade), que espero reproduzir o mais próximo possível do original: -Matem todas as mulheres e crianças, pois as mulheres se reproduzem e as crianças crescem!

Um frase destas não ficaria absurda na voz do Colonel Miles Quaritch de Avatar ou de Kurtz, o personagem quase satânico de Coração das Trevas , de Joseph Conrad, talvez numa reprodução digital de Marlon Brando. Sonhemos.

Uma curiosidade, a nave mineradora Nostromo, de Alien, O Oitavo Passageiro, é uma citação a também obra de Conrad, que se passa numa cidade mineira ligada à prata. Em Aliens, de Cameron, a nave se chama Sulaco, que é o nome da cidade.



Devemos lembrar que Alien é filme que analisa, em meio a um ótimo filme de ficção científica-terror, a limitação do humano frente ao selvagem, a um "organismo perfeito", como bem dito no filme, e curiosamente, refilmagem de um filme B dos anos 50 (embora os fãs mais radicais da série odeiem quando eu diga isso) ''It! The Terror from Beyond Space'' (Wiki , IMDB ). No Brasil, já o assisti com o curioso nome de "A Fúria do Golem", que por sinal, remete a outro mito, de medo inerente o humano e suas criações, que remete a Frankenstein, de Mary Shelley, assim como Exterminador do Futuro, onde ainda se guerreia contra nossas criações, e Matrix, onde a guerra já foi vencida, só nos restando resistência e determinadas barganhas.

Vale destacar uma frase de um comentário de um espectador no IMDB: "Also, this film is a MUST see for fans of the "Alien" series."

Perdão de quem não gostar da idéia, mas o mundo da cultura é um ciclo praticamente fechado, onde apenas muito raramente, alguém consegue por uma unha para fora, escavando um pouco mais do poço onde escondemos nossos medos ou mantemos polidos nossos mais brilhantes sonhos.

Um "azedo" participante, de nome Alek, num debate no ORKUT com críticas aos clichês de Avatar citou: mas leiam também Joseph Campbell sobre os mitos (e sobre os clichês que todos, TODOS, T-O-D-O-S os autores têm usado ao longo da história da humanidade, inclusive Shakespeare - o intocável). Basta aqui, substituir Avatar por qualquer título, os mitos humanos continuarão sendo reproduzidos.

Mas o que tudo isso tem a ver com ciência e tecnologia, talvez você se pergunte agora?

Tem a ver que quando os espanhóis invadem as florestas da América Central, os anglo-saxões o oeste da América do Norte e até hoje invadimos em terras brasileiras a floresta amazônica, temos de aproveitar a cultura local para extrair do que não podemos reproduzir por processos industriais eficientes de um sistema autosuficiente, já pronto e ativo, que fornece tais coisas, que inclusive, nem sabemos que existam ou que necessitemos.

Exemplo: nada mais estúpido que derrubar florestas como a amazônica para criar vacas ou plantar soja. Vacas e "soja(s)" podem ser criadas e cultivadas em qualquer terra razoavelmente bem arada e irrigada, e com acréscimo de nutrientes inorgânicos inexistentes no solo. O restante, as plantas e as vacas o farão com atmosfera e água, e o sistema, com cuidadoso manuseio destas variáveis, se manterá. Os egípcios, os chineses e indianos provam isso há séculos, e os desertos norteamericanos, em especial na Califórnia, mostram todo o aprendido em séculos de maneira inigualável.



O que não podemos é conseguir, de simples matrizes de bovinos e sementes de soja, produzir toda a variedade de árvores e suas seivas, inclusive com capacidade de produzir polímeros que de outra maneira não são economicamente obtíveis, como o látex, um sem números de princípios ativos que podem ter aplicação como fármacos e um outro enorme números de substâncias para as quais ainda nem temos aplicação em vista. E estas substâncias, com seguidas experiências na história, tem se mostrado conhecidas por tradição entre as diversas populações indígenas.

A razão fundamental por trás disso é que a vida faz experiências há milhões de anos, e os indígenas testam tais substâncias em humanos há milhares, até com repetidos insucessos e ineficácias, mas com diversos casos de sucesso não equiparável pela nossa mais avançada tecnologia bioquímica aplicada, e sobre substâncias que nossa mais avançada química ainda é incapaz de obter.

Em outras palavras e por outro ângulo, podemos obter cerâmicas que sejam mais resistentes ao fogo que qualquer cerâmica marajoara jamais foi, ou obter metais com qualidades que humano algum antes do século XX jamais sonhou. Mas somos incapazes ainda de obter eficientemente moléculas da vida com fins e interações entre si específicas - até por motivos probabilísticos, pois moléculas são um tipo especial de quebra-cabeça e arranjo combinatório da natureza. Nisto, Frank Herbert foi muito feliz em Dune, pois coloca que a "especiaria", que aumenta a percepção e prolonga a vida, ainda não tinha sido obtida em laboratório.

Já sintetizamos praticamente qualquer molécula, mesmo as proteínas e até o DNA. Mas ainda não conseguimos produzir uma determinada molécula, exatamente para determinado fim, sem uma etapa de tentativa e erro. Em suma, não projetamos perfeitamente moléculas, muito menos, e tal é tremendamente mais complexo, projetar um DNA inteiro e suas moléculas acessórias que produzam um mísero pé de cenoura para tirar o caroteno que necessitamos. Portanto, é, neste ponto, melhor ficarmos preservando as cenouras, que me parece uma obviedade que já o fazemos. E assim nos manteremos por muito tempo no futuro, e quando o fizermos, igualmente não necessitaremos buscar substâncias da vida de outro planeta, que em nada tem de similar à nossa árvore evolutiva.



Mas digamos que neste(s) outro(s) mundo(s), tal como em Pandora, exista um mineral que necessitemos?

Bastaria trazer uma amostra, e como hoje sintetizamos diamantes já do tamanho de minha unha do dedo mínimo, com altíssima qualidade, e poderíamos fazê-lo extremamentes maiores, bastando para isso viabilidade, poderíamos produzir cerâmicas supercondutoras ou superresistentes, ou qualquer liga que imaginemos, pois os elementos que o inorgânico compõe, além das combinações que o orgânico já dominamos até determinado nível não biológico inteiramente, estão aí pelo sistema solar, em quantidades mais que vastas para nossas necessidades por milênios. Basta ver o sistema de asteróides, que possuem corpos com alto teor de metais em estado bastante puro.

Somente o planeta anão Ceres tem uma massa de quase 10^18 toneladas. Um milhonésimo disto já permitiria a construção de um milhão de naves da massa de nossos maiores navios hoje navegando. Uma frota com que não sonhou nem a empresa RDA de Avatar, nem também a mais um século desta prevista no futuro, a frota da federação em Star Trek. Algo só pensado na ficção para uma civilização como a mostrada em Star Wars.

(Comentário: A dedicação ao construir universos ficcionais dos fãs é inacreditável. Estes ambientes de armazenamento coletivo de dados sobre tais ambientes onde a informação é tratada coletivamente e em colaboração, acelerados pela informática e nos substratos dos bancos de dados do tipo Wiki, em muito acelerará e tornará mais coerente esta atividade humana. Visitar e colaborar num Wiki de universo ficcional já pode estar se tornando um passatempo em si, independente da mídia que os inspirou.)

Lembrando que o carbono, necessário para o orgânico, hoje não é um problema pela sua falta, mas pelo seu excesso acima da superfície do planeta. Aspirando ar, podemos produzir quantidades de material orgânico (e carbono inorgânico também), com métodos factíveis e apenas necessitando da viabilidade econômica, em quantidades imensas, tão grandes quanto a que tiramos das florestas, com a lenha, do carvão mineral e do petróleo, simplesmente para queimarmos, e esporadicamente, fazermos alguma embalagem ou utensílio, em fração insignificante do total usado na produção de energia.

Charles Goodyear desenvolveu móveis de borracha, e mais uma infinidade de outros objetos. Poderíamos fazer o mesmo, obviamente, com florestas inteiras pontuadas de seringueiras, e absorvendo enxofre dos vulcanismos (obviamente depois que pararmos de tê-lo de aproveitar de nossa estúpida queima de combustíveis fósseis).

Assim, não existe unobtainium - cujo nome já é uma certa ironia, mas talvez exista o que eu chamaria de "unobtelinas".

Do urânio "para baixo", na tabela periódica, só existem combinações a ser feitas com os mesmos átomos, daqui ou de Ceres, ou mesmo de qualquer Pandora. O problema não são os "legos", mas os brinquedos que se monta com eles.



Portanto, não vamos a mundo algum distante de nosso Sol buscar o que já temos aqui.

Mas temos de perguntar: o que levaremos?

Tenham certeza, da mesma maneira que os primeiros emigrantes para a América não levaram mais que ferramentas (incluindo entre elas, armas, infelizmente para determinados fins), não levaremos máquinas de mineração gigantescas, nem mesmo muitos veículos.

Levaremos máquinas que produzem máquinas, e estas que produzam tudo que precisamos. Levaremos certamente não robôs completos, mas robôs que produzam mais robôs, e inclusive, que a qualquer objeto produzam. Bem provavelmente, levaremos nanorobos que a qualquer robo, máquina ou objeto componham, e se reproduzam, simplesmente absorvendo do ambiente o que necessitamos. Aqui, uma versão menos funesta dos "devoradores do mundo", do enxame de O Dia em Que A Terra Parou, em sua segunda e não muito feliz versão.

Um conceito que seria interessante conhecer, e que pretendo sobre o qual escrever em breve é o CATOM, a unidade mínima de um outro conceito que é a CLAYTRONICA (para algo mais formal sobre o tema: Locomotion of Miniature Catom Chains: Scale Effects on Gait and Velocity ).

CATOMs seriam os menores componentes nanorobóticos que poderiam construir qualquer outra máquina ou coisa. Aliás, duvido que dentro dos próximos anos não se produza uma ficção envolvendo CATOMs. O próprio T1000 de Exterminador do Futuro II, poderia perfeitamente ser feito de CATOMs. Dando-se comandos a CATOMS, eles podem produzir uma cadeira, um computador ou mesmo uma nave, teroicamente. Aliás, já o fazemos, por outras vias, com seus correspondentes mais simples na natureza, os átomos.



Enviando-se CATOMs em missões a outros mundos, poderiam construir um mundo pronto para nossa ocupação, quando lá, posteriormente, chegássemos, mais confortavelmente.

Nestas expansões e ocupações, teremos de ser o que até hoje ainda não conseguimos ser, que é fundamentalmente mais morais, e tal mostra nossa história, e isto seria algo muito mais sofisticado que as "diretivas" da frota estelar de Star Trek, ou mesmo, que a visão que noutra obra revisionista do oeste norteamericano, que é Um Homem Chamado Cavalo (A Man Called Horse, Wiki , IMDB ), onde um aristocrata britânico, John Morgan, descobre toda uma nova cultura, no fundamental mais moral que a sua, embora se achasse "civilizado", e dela passa a fazer parte, ainda que através de rituais não tão agradáveis quanto os de Jake Sully.


Talvez, por descuido, pisemos em alguma plantinha ou barata raríssima de um mundo distante, e nunca mais a recuperemos, mas não podemos, em função de nossas próprias necessidades, fazer com que nossas máquinas, em preparação de um mundo o qual ocuparemos, ponham as baratas para correr, como falado em Avatar, que não necessito lembrar, identicamente inúmeras vezes fizemos no passado com civilizações (seja de que nível sejam) que conheciam muito mais recursos do que minério de prata ou pepitas de ouro de seus solos valem, e ainda o fazemos e talvez faremos.


Uma determinada curva em tecnologia

Embora muitas coisas de nossas tecnologias avancem impulsionadas principalmente pela lei de Moore, outros avanços são frenados simplesmente por viabilidade e por uma já atingida, digamos, sofisticação e eficiência necessária. Assim, em Avatar, as telas de computador, as imagens holográficas, as fotos em 3D provavelmente já o sejam daquela maneira antes do fim deste século (como já o foi o cinema de apenas preto e branco e mudo para o que é Avatar, ou o que era um computador nos anos 80 para o que é hoje). Por outro lado, os EUA bombardeiam pesadamente seus inimigos utilizando os mesmos aviões B52 há meio século, os russos e uma boa parte das forças armadas do mundo utilizam um mesmo excelente e baratíssimo fuzil AK 47 e os mais sofisticados caças hoje lançados tiveram seu projeto iniciado há 20 anos e da data de seu lançamento, ainda irão voar em combate por pelo menos uns 30 anos. O mesmo pode ser dito de aviões comerciais, como o 747.

As plataformas tecnológicas mais pesadas, tem apresentado a tendência, ao longo dos anos, de se estabilizarem num ponto ótimo, e sobre elas, só serem acrescentados detalhes de materiais, modularidades de peças (as turbinas intercambiáveis entre diferentes fabricantes do 787 da Boeing são um marco nisto), no controle de qualidade e confiabilidade e, logicamente, propulsionados pela lei de Moore, os controles e sensores eletrônico-digitais.

Assim, ao contrário de comentários de determinados jornalistas, em nada estranho em 2154 ainda existirem fuzis e helicópteros.


Quanto aos exoesqueletos (ou ''exosuits'') , em Avatar praticamente soldados agigantados, completa-se os esboços propiciados pelo cinema de Aliens, complementados em Matrix Revolutions e levados ao nível de arte na série (melhor seria dizer "universo") Ghost In The Shell.



Certamente todos que leem esse texto hoje, verão telas curvas e holográficas, e fotos 3D (aliás, televisões já verão em breve, ainda que de óculos especiais). Muitos, verão exoesqueletos, em uso militar ecivil. Alguns, com o crescimento da espectativa de vida, verão o homem pisar em Marte. Apenas, tenho a mais absoluta certeza, somente nossos descendentes de algumas gerações no futuro verão as chegadas dos primeiros dados de sondas robóticas enviadas à Alfa Centauro.

Uma curiosidade: James Cameron, pelo visto, manteve toda a maldade dos homens neles mesmos, e não os despejou parcialmente em robôs, nem mesmo em computadores inteligentes e falantes, talvez, numa discreta redenção das máquinas terríveis de Exterminador do Futuro, de uma maneira velada que em 2010 de Arthur C. Clarke, foi realizada abertamente na pureza de um HAL 9000 reinicializado, agora sem ser carregado de mentiras. A mesma redenção que o próprio Cameron colocou no andróide Bishop, de Aliens, em relação a Ash, de Alien, preso a sua programação voltada para os interesses da companhia Weylan-Yutani, a correspondente na série Alien à RDA de Avatar; o mesmo andróide que admira o repulsivo alienígena pela sua absoluta agressividade e perfeição biológica - no que o faz um personagem melhor que os humanos de Avatar, que não são perfeitos, embora absolutamente agressivos. Da mesma maneira que armas não matam pessoas, e sim pessoas portando armas matam pessoas, computadores, robôs e andróides não matam pessoas. Computadores, robôs e andróides mal programados matarão pessoas. Aqui, apesar dos paradoxos a que as três leis levam, Isaac Asimov estava plenamente certo.




Os avatares e suas interfaces

Não entendemos completamente como o cérebro opera. Sabemos menos ainda como fazê-lo se comunicar completamente com nossas máquinas. Na verdade, nem sabemos como comunicarmos com outros cérebros tão sofisticados neurologicamente quanto os nossos, como os dos demais grandes primatas, golfinhos e elefantes. Na verdade, não conseguimos nem mesmo nos comunicarmos plenamente com cães, que julgamos nossos melhores companheiros no mundo animal, e estão conosco há milhares de anos.

Recentemente, demos os primeiros passos de como nossos cérebros (ou de primatas) coordenarem limitados movimentos de braços robóticos.


Se podemos realizar isso com comandos elétricos, podemos realizar por comandos à distância por ondas de rádio (A). Se podemos realizar por ondas de rádio a interface entre um cérebro, através de um circuito de captação a um mecanismo, poderemos fazer a outro corpo e seu sistema nervoso motor, com um respectivo circuito de recepção de comandos e transmissão de sensações (a operação dos sentidos) (B).


Em (A) temos o argumento de Surrogates ( IMDB ) em (B) temos o argumento de Avatar. Tirando questões de produzir empatia com os "nativos", questão fundamental e razoável em Avatar, não teríamos de nos preocupar com genética. Da mesma maneira que transplanta-se uma mão e seus músculos e movimentos para um corpo que não tem sua genética, transmite-se comandos de um macaco, que é biológico, para uma máquina que de biológica não tem nada, e já Galvani, no século XVIII, já produzia movimentos em músculos, com fios de cobre sabe-se lá com que composição, em tecidos que pouco tinham de necessidade em para serem controlados, o terem de ser por fatores relacionados diretamente á genética.

A conformação do cérebro coisa alguma tem a ver intrinsicamente com a genética de suas células, quanto mais os mecanicismos cerebrais mais básicos. Portanto, necessidade de genética no controle dos avatares de Avatar é mais uma questão de roteiro, não de bases teóricas. Os limites do possível, neste campo, são para efeitos de combinação e possibilidade, praticamente ilimitados.

Basta lembrar, por outras vias, os efeitos de um garotinho controlando um enorme robô, como no divertido, e relativamente bem fundamentado neste campo, Perdidos no Espaço, de 1998.



Note-se que a interface garoto-robô, ao invés de controlar um robô, tendo uma interface "espelho" noutro corpo, controlaria aquele corpo; e sendo o controle dos movimentos do garoto executados por seu corpo, se não operando de seu cérebro simultaneamente com seu corpo, apenas pensados e ocorrendo no corpo à distância, seriam o que a equipe da doutora Grace Augustine realiza em Avatar (ou se a um robô, o que ocorre em Surrogates). Noutras palavras, o pensar controlaria o corpo distante.

Para atormentar suas criatividades, tal robô em controle não necessitaria ser um robô plenamente definido em projeto, mas uma coletividade de CATOMs, mutantes em forma e construindo a forma controlável que meu cérebro desejasse, e alimnetando-se do ambiente e reproduzindo-se até formar um exército. Na verdade, já o fazemos em videogames, e softwares são a emulação do realizável em informática e robótica, só normalmente, não possuindo a parte robótica.

Contratos para roteiros para Hollywood, por favor, para meu e-mail, para avaliação prévia. ;)


Eywa, Gaia e Medeia




Se existe filme que considero dividido entre um lixo e contendo embutido uma pequena obra prima, é Final Fantasy (IMDB ). Nele, existe uma visão espiritualóide e até ridícula no argumento de uma "Gaia" terrestre, que produz a vida, sendo agora enfrentada por alienígenas na forma de fantasmas, desesperados por obter novamente vida, emigrados de um planeta destruído. Além da caixa de retalhos mais que infeliz, no meio disto dá-se ao displante até de almas do nosso planeta serem arrastadas pelos fantasmas alienígenas. Se não fosse a técnica soberba de computação ao seu tempo, e a representação inédita do humano, base de muito que levou inclusive até Avatar e pelo que virá pela frente - ainda mais deslumbrante, sabemos - e a concepção de tecnologias típica dos japoneses, seriam talvez uns 90 minutos a serem jogados no lixo, mas...

A história de uma civilização, que em meio à guerra, não percebe que seu mundo vai ser destruído por um impacto de corpo celeste (os sonhos da doutora Aki Ross), deveria ser alongado no futuro para 2 horas de mais uma lição para a humanidade aprender por outra deslumbrante ficção científica travestindo uma fábula moral.

Antes de nos preocuparmos com nossa ecologia, antes de nos preocuparmos em se vamos mutuamente nos matar ou não, antes de nos preocuparmos em não repetirmos erros do passado, devemos nos preocupar se vamos continuar podendo nos preocupar com nossa ecologia, se vamos ao menos continuar vivos, seja até matando nossos semelhantes ou planejando difíceis e longas viagens.

Como disse anteriormente, o universo odeia a vida, e diversas vezes, a história da vida confirma isso. Então, antes de olharmos as estrelas com olhos de cobiça, devemos olhar as estrelas com olhos de temor, e nos preparar para tal. Neste ponto, talvez os dramalhões como Deep Impact ( IMDB ) ou os filmes de ação como Armageddon ( IMDB ) ainda não tenham causado exatamente o efeito necessário, que é tão óbvio quanto olhar para a Lua, e ver, desde os tempos de Galileu, ou ainda desde observações por frades da Idade Média, impactos tremendos.

Mas independente da bobagem que seja imaginada como Gaia em Final Fantasy, ou de uma não existente Eywa de Avatar no planeta Terra, existe uma hipótese Gaia "moderada", evidente na história e no dia a dia da Terra, quando vemos toneladas infindáveis de minérios de origem de ação biológica, como o óxido vermelho de ferro, nos diversos terrenos argilosos avermelhados da Terra, na hematita, pelos depósitos de sílica em determinadas formas, como as terras diatomáceas , nos depósitos de carbonato de cálcio de todos os tipos, até de conchas peroladas como é o mármore , e claro, na presença desde o início da fotossíntese em nosso planeta, por cianobactérias, do oxigênio em nossa atmosfera, que permitiu, inclusive, que os macacos pelados pisassem na Lua, quanto mais sonhar com Pandoras.

Assim, a vida modifica o planeta, mas ao contrário de uma hipótese Gaia extremada, demasiadamente impregnada por uma mentalidade New Age. Nesta, o planeta se comporta globalmente (aqui, tive de ser redundante) como um ser vivo, regulando sua temperatura e adaptando-se a produzir ainda mais vida, sempre a renovando. Nada mais infantil e tolo, basta ver os vulcanismos. A vida é uma crosta fina reproduzindo-se em desespero, pingada esparsamente sobre a superfície terrestre, um tanto na profundidade, menos ainda atmosfera acima. É insignificante em relação aos geologismos. Mas concordemos que modifica a camada que ocupa persistentemente, e tem-se mantido assim há alguns bilhões de anos.

Nestes bilhões, já passou por fases de maior massa total, e decaiu, e cresceu novamente, e hoje, encontra-se neste relativamente suave equilíbrio dinâmico que vemos, mesmo com "tombos", que sejam as últimas grandes extinções em massa, que foram a Cambriana, a Ordoviciana, a Devoniana Superior, a Permo-Triássica, a Triássico-Jurássica, a KT (a mais popular, a que marca o fim do Cretáceo e dos dinossauros) e a Holocênica, já no reinados dos peludos e quentes mamíferos.



Percebamos que desde 488 milhões de anos atrás o universo (pelo menos nosso sistema solar) nos tenta matar, e mesmo restando 5% das formas de vida , cobrimos novamente o planeta, persistindo.

Logo, percebemos que somos herdeiros óbvios de um dos mais persistentes filos, que a todas estas agressões sobreviveu. Também percebemos que a vida tem uma tendência a voltar a um nível de escala que é determiando não por componentes inorgânicos em processamento na cadeia alimentar (a começar, obviamente, pelas bactérias e pelos fotossintetizantes), mas mais que qualquer coisa, pela energia disponível, especialmente do Sol.

Por estas e outras, "Gaia moderada" sobrevive, e continua agarrada ao substrato do até instável planetinha, com todas suas forças.

Mas exatamente por ser a hipótese moderada, concordo plenamente com Peter Ward, que a natureza tem seu lado Medeia, a rainha que mata os próprios filhos, quando não tem seu lado Titus Andronicus da tragédia de Shakespeare, ou Procne, de Metamorfoses, de Ovídio, na qual Shakespeare inspirou-se, dando a uma mãe maldosa os próprios filhos feitos em comida, sem nem mesmo ela a princípio saber.

Aqui, na natureza predatória e altamente competitiva do humano, herança de nossos antepassados primatas, concordo com o biólogo Jared Diamond quando este afirma que temos uma natureza autodestrutiva, mas que pode ser suplantada por nossa cultura, e nesta, em especial no conhecimento científico. Sabemos como as civilizações do passado caíram (o próprio início da História em sua forma moderna de conhecimento nasce com o estudo do Império Romano) , percebemos por situações modelares, como países entram em colapso por motivos populacionais e ecológicos, Ruanda e Haiti são exemplos destacados atuais. Até grupos de pesquisadores brasileiros, pelas relações da presença militar brasileira no Haiti, tem estudado sua situação como modelar para os fenômenos do Brasil e do mundo.

O problema, a meu ver, não é se nos mantivermos mundialmente como uma China, com seus graves problemas ambientais mas em providências para resolvê-los, e contando com recursos próprios, materiais e humanos, que os permite resolver. Temos de manter a maior parte do globo afastados de uma situação como o Haiti, que em meio à uma tragédia independente do natural, tem de contar com forças externas a seu território para resolvê-los, pois se permitirmos tal situação irresolvível, não temos um Júpiter imensamente habitado e dispondo de vastos recursos, nem mesmo um pequeno Marte avançado, como imaginou H.G.Wells. Poderíamos nos tornar como os habitantes da Ilha da Páscoa, isolados e sem mais recursos de fuga, na fome frente a um vasto oceano intransponível, como bem tratado como metáfora da Terra no filme Rapa Nui (Wiki , IMDB ), e em caso verídico que é mostrado, dentre outros casos de catástrofe ambiental que leva a um colapso de uma civilização, como um dos mais terríveis da história da humanidade, no livro Colapso, de Jared Diamond.

Assim, até para sobrevivermos como predador máximo da Terra, mesmo pela pior das abordagens possíveis, temos de preservar nossa Medeia/Gaia, se quisermos ao menos um dia, ter a esperança de pisar em alguma Pandora por aí, e continuar sobrevivendo.

Somos movidos doentiamente para a inação (o não agir) pela esperança, que é a negação da tragédia e a doentia confiança numa mágica providência divina que a tudo solucione, que muito sabiamente os gregos ensinavam que é o mais furtivo dos males, pois sempre se disfarça de virtude, e será o último a ser dominado pelo homem, daí advindo que é a última que morre, e exatamente, na magnífica fábula, o último mal que saiu da caixa de Pandora.



Pandora, 1896 – John William Waterhouse

Possuímos, na frágil vela que é a ciência nesta escuridão, as ferramentas para sairmos desta ainda prisão que chamamos planeta, e não precisarmos contar com uma mágica providência que nos salve de só podermos contar com a traiçoeira esperança.



Para aprender tal conjunto tão fundamental de coisas, teremos provavelmente de repetir inúmeras obras não tão criativas em argumentos, melodramáticas e excessivamente didáticas como Avatar. É como ensinar crianças a ler e escrever, ou caminhar sem sofrer perigosas quedas. Tem-se de ser repetitivo, pois afinal, como nos apresentaram Arthur C. Clarke e Carl Sagan, somos apenas crianças, muito longe do fim da infância, e solitários numa pequena ilha isolada, nas margens de um oceano cósmico.

3 comentários:

boni disse...

Mais uma vez, excelente!

André disse...

Realmente eu gostei.

ribeiroll disse...

Realmente excelente.