segunda-feira, 16 de maio de 2011

Humanidade Como Força Geológica V

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Os animais e vegetais que nos orbitam

Ou "como a humanidade tornou-se além de força geológica, força ecológica e seleção natural"

Para onde quer que olhemos a presença humana, seja no meio urbano, seja no rural, percebemos que as espécies que exploramos tornaram-se as dominantes. Onde antes havia Mata Atlântica, por exemplo, já houve e ainda há cafezais e agora explodem plantações de cana de açúcar e até eucaliptos e pinheiros. Onde haviam pradarias e cerrado, é plantada soja, especialmente com o fim de alimentar-se desde porcos em terras distantes até galinhas e vacas em nossas proximidades.


Por sua vez, onde havia no máximo, em tamanho, antas e onças que as predavam, controlando sua população, agora colocam-se as mesmas vacas que serão nutridas de distante soja.

Substituímos ecossistemas inteiros por arremedos de ecossistemas, sempre em permanente desequilíbrio, no limiar do colapso, mantidos em tal perigoso estado pelo dispendio de energia e nosso engenho. Ou alguém em sã consciência afirmaria que o gado do cerrado e das áreas desmatadas da floresta amazônica manteria seu número sem a ação humana por uns 5 anos?

Já nossos "ecossistemas" agrícolas, apesar de recentes programas da eliminação da ação da química no controle de insetos e outras pragas (e nem tanto, vide-se o uso de glifosato), ainda depende continuamente da ação humana, e destacaria nesta, com o uso de combustíveis fósseis. O próprio solo não sustentaria tal ritmo de produção vegetal em monocultura (a universal na biologia 'geração de biomassa') sem a produção e aplicação de fertilizantes, demandando tanto na matéria prima como na logística combustíveis fósseis.



Como nossa população mostra-se crescente, e neste crescente de número ainda se acrescenta um crescente de necessidades (ou melhor dizendo consumo/desejos), temos a necessidade de mais terras para possibilitar mais pasto ou produzir ração e nossos alimentos vegetais, sobre os quais, agora, acrescentam-se as fontes de etanol e óleos vegetais, dada não a extinção de nossas fontes de energia fósseis, mas a crescente demanda por combustíveis, componente de uma perigosa e impossível ao final demanda exponencial de energia.

Mas devemos alertar que a destruição de terras selvagens para a produção de biocombustíveis, no Brasil, é ainda menor que a de outras nações, como a Malásia. Pelo menos, por enquanto.

A plantação de palmeiras de óleo adjacentes á floresta em Sabah, Malásia. Foto por R. A. Butler (news.mongabay.com).


No ambiente urbano, basta uma olhada em qualquer praça para vermos que pombos tem uma população explodida, para os edifícios, pardais, nos tetos de determinados prédios, gatos (afinal de contas, sobram pardais para alimentá-los, fora nossos restos). Já na América do Norte, encontram espaço urbano o guaxinim e o urso negro, capazes de viver de nossos lixos com excedente de alimentos (e seus relacionados roedores), sem falar em toda a América do puma ou onça parda (o maior dos gatos), que seguidamente encontra-se com algum morador ou trabalhador da construção civil, pois afinal, sobram gatos, cachorros e nossos animais de abate como galinhas e porcos para alimentá-los em nossas periferias urbanas.


Uma onça parda encontrada numa residência na cidade de Vinhedo (eptv.globo.com).


Nem teremos de neste texto destacar a presença de camundongos, ratos (o "rato de forro") e as ratazanas, que dependem de nossos grãos e alimentos diversos e rações de nossos animais domésticos, assim como de nossos esgotos (no caso das ratazanas) e evidentemente, as onipresentes baratas.

Até mesmo os répteis como as lagartixas encontram seu nicho em nossos ambientes domésticos. Morcegos vivem em nossos prédios. Criamos um número infindável de relações ecológicas contendo nossa presença, hábitos e excedente de nutrientes como pivô de todas estas criaturas. Mesmo no vegetal forçamos a existência de nichos urbanos, basta ver nossos mais arborizados bairros e seus jardins. E devemos destacar que toda esta reprodutibilidade, em explosões de populações, é fomentada por nossa crescente demanda de energia e produção de alimentos.

Somos uma força não só geológica, ao modificar paisagens, removendo montanhas e modificando rios, mas também uma força ecológica, ainda que no mais profundo do termo, nossa ação vai de encontro ao que mais naturalmente seja chamável de ecologia como sinônimo de um 'sistema ecológico equilibrado'.




Para o homem verdadeiramente ético toda vida é sagrada, mesmo aquela que, sob o ponto de vista humano, nos parece inferior. Ele só fará distinções de caso para caso e sob a pressão da necessidade, por exemplo quando a situação o forçar a decidir qual a vida a ser sacrificada para conservar uma outra. - Albert Schweitzer


Anexos

É recomendável, para aqueles que acham que plantações de pinheiros e eucaliptos são "reflorestamento", se familiarizarem com o conceito de deserto verde.

Recomendo também:
Para a questão dos fertilizantes serem atrelados aos combustíveis fósseis como sua matéria prima:
Para a problemática da plantações com foco na produção de biocombustíveis:
Sobre "guaxinins urbanos", basta a bem referenciada Wikipédia em inglês: Urban raccoons

Pequei no passado por já não ter recomendado o primoroso texto de Milton Mendonça Jr, Professor do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da UFRGS, publicado no jornal Zero Hora:
    Sobre a questão da água na agricultura, suas limitações e seus problemas:

    WASHIGTON CARLOS DE ALMEIDA; A ÁGUA NA AGRICULTURA ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O USO DA ÁGUA NA AGRICULTURA. - http://www.abda.com.br/
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    Extras

    Os ursos eslovacos e seu comportamento:
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    Um comentário:

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